No dia 15 de Abril realizou-se uma visita de estudo ao Cabeço Santo por parte de duas turmas de alunos da Escola Secundária de São Pedro do Sul. À sua espera estava um excelente dia de Primavera, luminoso mas com temperaturas amenas.
O autocarro deixou os alunos nos portões da Silvicaima, e o primeiro desafio foi subir a montanha a pé. A paisagem não ajudava, isso já se sabia… mas todos chegaram ao objectivo. Feita uma apresentação inicial, o grupo passou à acção fazendo um pouco de trabalho: arrancar e cortar plantas de Acacia longifolia. A paisagem era agora mais apelativa, chamando particularmente a atenção as flores de Cistus salvifolius.
Depois desta pequena experiência do trabalho que é necessário fazer para recuperar o monte, fez-se um curto percurso a pé para observar outros elementos da flora local, mas em breve era necessário regressar ao autocarro: o almoço iria realizar-se já fora do monte, num carvalhal perto de Belazaima. Dado que se trata de um carvalhal com parcelas em diferentes fases de recuperação, os alunos tiveram oportunidade de verificar como essas diferentes fases se caracterizam por diferentes comunidades florísticas: primeiro, enquanto as árvores são pequenas, há uma abundância de plantas do matagal lenhoso, depois, estas são substituídas pelo coberto arbóreo, contribuindo com a sua massa vegetal para o enriquecimento do solo.
Junto ao ribeiro, os alunos puderam observar a parcela mais antiga de carvalhal, onde abundam também arbustos como o amieiro-negro, o sabugueiro e o loureiro, e árvores da vegetação ribeirinha como o salgueiro.
Depois desta curta visita, nova deslocação até um terreno, queimado em 2005, onde se realiza trabalho de recuperação da flora nativa. Aqui, num vale afluente do Ribeiro de Belazaima, os alunos tiveram oportunidade de plantar árvores: tratou-se de carvalhos em tabuleiros de alvéolos, germinados no último Outono/Inverno, e que agora apresentam já um torrão bem consolidado, permitindo a sua plantação nesta altura do ano. Depois de plantados, os carvalhos foram protegidos por meio de tubos, pois os coelhos andavam já à espreita para se deliciarem com tenros rebentos de carvalho jovem. Mas paciência, terão que procurar outra coisa, já que estes carvalhos foram destinados a sobreviver a muitas gerações para além da que os plantou.
Oxalá assim seja: que, muitos anos mais tarde, os jovens que agora plantaram estas árvores aqui possam voltar e abraçá-las de novo. E depois os seus filhos, mais tarde os seus netos, e por aí adiante até que a memória se desvaneça. Mas, o mais importante é que estes jovens tenham levado daqui uma pitada de ânimo, que os anime a contribuir, ao longo das suas vidas, para este enorme desafio que é o de recuperar a biodiversidade com a qual a nossa terra foi pela natureza tão generosamente agraciada.
Um obrigado às professoras pelas fotos!
Paulo Domingues



