Arquivo para Outubro, 2009

Jornada de 24 de Outubro

No dia 24 de Outubro realizou-se mais uma jornada de trabalho no Cabeço Santo. Este dia foi inteiramente dedicado à sementeira de bolotas (sobretudo de carvalho mas também ainda algumas de sobreiro). A pequena equipa deslocou-se logo pela manhã até ao sítio conhecido por Ribeira do Tojo, onde a Quercus tem em fase de aquisição algumas áreas ribeirinhas ao Ribeiro de Belazaima. Os trabalhos iniciaram-se por uma área que já tinha sido sujeita, no passado, a mobilização do solo com formação de socalcos, uma operação com grande impacto paisagístico e na estrutura do solo. Por isso, nestes socalcos, ainda com rebentos de eucalipto e acácias que deverão ser eliminados em breve com herbicida, a implantação de novas árvores só é minimamente viável na própria linha de plantação dos eucaliptos, onde se acumulou o solo arrancado à encosta para formação do socalco. Para além deste aspecto, toda a paisagem que aqui nos cerca é quase desoladora, quase sem árvores, com imensa lenha queimada ainda espalhada pelo solo, e com as margens do ribeiro quase sem vegetação nativa, pois que se encontravam densamente invadidas com mimosa. Já numa pequeníssima parcela da Junta de Freguesia ficou contudo um carvalho grande, que embora muito maltratado após o incêndio de 2005, produziu muitas bolotas este ano, ainda que pequenas. Essas bolotas foram já quase todas comidas, mais uma vez pelos nossos conhecidos javalis, que ainda na noite anterior ali tinham estado, como pudemos verificar num lamaçal ali perto. De facto, temos de reconhecer que estes animais praticamente não encontram alimento numa área muito vasta (em todo o Cabeço Santo apenas três ou quatro carvalhos produziram bolotas este ano), o que os deve levar a explorar intensivamente todas as oportunidades. Por outro lado também não têm predadores, nesta paisagem profundamente alterada e artificializada.

Área de sementeira com carvalho isolado

Área de sementeira com carvalho isolado

A sementeira continuou até ao final da manhã, agora numa área ainda a sul do ribeiro mas umas centenas de metros a montante da primeira. O tempo estava excelente para este trabalho.

Depois do almoço a sementeira continuou, agora a norte do ribeiro, numa área também adquirida pela Quercus, e que, como a primeira, fazia parte de antigas parcelas onde os habitantes da desabitada povoação de Belazaima-a-Velha, 1 km a montante, praticavam a sua agricultura de subsistência. Ainda há escassos 50 anos esta paisagem tinha um aspecto completamente diferente do actual. Não será incorrecto afirmar que a degradação sofrida nos últimos 40 foi a mais rápida e destruidora de toda a milenar história desta paisagem.

A sementeira continuou em direcção ao vale nº 6, já na propriedade da Silvicaima, onde já no Inverno passado tinham sido plantadas árvores – medronheiros na encosta, carvalhos no vale. Estas apresentavam-se, em geral, bastante bonitas, mas a eliminação das invasoras, essa, esteve longe de ser total, o que prenuncia a necessidade de ainda muito trabalho para a realização desse objectivo. Ainda mais será necessário a montante do vale 6, onde a intervenção inicial se fez apenas na margem direita, este ano.

O vale nº 6 e, em 2º plano, as áreas adquiridas pela Quercus

O vale nº 6 e, em 2º plano, as áreas adquiridas pela Quercus

Carvalho plantado junto ao vale nº 6

Carvalho plantado junto ao vale nº 6

O ribeiro, a montante do vale 6

O ribeiro, a montante do vale 6

Medronheiro com flores e frutos

Medronheiro com flores e frutos

O dia terminou com a sementeira de uma área que não tinha sido plantada, já junto ao caminho principal, mas ainda na vizinhança do vale nº 6. Aqui a madeira queimada em 2005 ainda se acumulava de tal forma que a simples progressão no terreno era tarefa difícil. As mimosas distribuiam-se aqui com enorme densidade, mas elas e os eucaliptos foram largamente eliminados por pulverização de herbicida já este ano. De facto, neste local seria quase impossível plantar qualquer árvore, pelo que só nos resta esperar que a sementeira seja bem sucedida. A foto de encerramento foi tirada tendo por fundo este local tão maltratado, com votos de aqui voltarmos daqui a 5, 10 e 20 anos testemunhar a evolução desta paisagem e, … tirar uma foto. Não esqueçam, a próxima é no final de Outubro de 2014!

Voluntários com vale nº 6 em fundo

Voluntários com vale nº 6 em fundo

Um obrigado ao voluntário presente nesta jornada.

Paulo Domingues

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Jornada de 17 de Outubro

No Sábado, dia 17 de Outubro, após mais uma semana meteorologicamente imprópria, durante a qual temperaturas elevadas, baixa humidade relativa e ventos de leste fortes quase fizeram evaporar toda a frescura que a chuva da semana anterior tinha trazido, um pequeno grupo de voluntários reuniu-se para mais uma jornada de trabalho. Desta vez um grupo singular, compreendendo três gerações: avó, mãe e neta.

Os trabalhos iniciaram-se com uma hora de colheita de bolotas e castanhas no carvalhal já conhecido. Pelas 11 horas, contudo, já se rumava ao Cabeço a fim de aproveitar a frescura da manhã, pois que, ainda com vento de leste, a tarde se previa quente. Assim, durante o resto da manhã semearam-se bolotas de sobreiro e carvalho naquela área já trabalhada pelos voluntários da semana anterior. Mas não só, fez-se outro trabalho absolutamente essencial para a recuperação deste espaço: o corte e o arranque de plantas de Acacia longifolia. No final da manhã este trabalho era já visível no espaço, mostrando como uma pequena equipa aplicada pode fazer “milagres”.

À tarde e aproveitando o facto de o almoço se ter confortavelmente tomado na cozinha da Casa de Santa Margarida, fez-se uma sementeira de bolotas de carvalho roble na área circundante, talvez a área em que as plantações do Inverno passado foram menos bem sucedidas. O que é estranho: esta área havia sido previamente mobilizada, o solo é relativamente fértil, e a água abundante. Mesmo agora, depois de dois meses e meio de seca, ainda nasce ali água em vários locais, não obstante estarmos quase na cabeceira do monte. Mas a verdade é que os javalis destruiram dezenas de plantas e outras não se desenvolveram da maneira esperada. Veremos os resultados da sementeira.

Depois continuámos em torno do vale 4b, um local em que as árvores plantadas (carvalhos) se apresentam com muito bom aspecto. Semeámos aqui bolotas de sobreiro, numa perspectiva de consociação. Mas o calor da tarde e as dificuldades do relevo começaram a cobrar o seu tributo, levando as voluntárias mais frágeis aos seus limites! Mesmo assim ainda se concluiu o dia com uma pequena sementeira junto ao Ribeiro, também numa área já plantada e onde, apesar de os sobreiros plantados se encontrarem com óptimo aspecto, foram alvo já em Setembro de uma investida dos javalis que, se não os arrancou, pelo menos deixou alguns deles meio tombados! Quem sabe como fazer a paz com os javalis?!

À tarde trabalhou-se na área em 1º plano

À tarde trabalhou-se na área em 1º plano

Alguns sobreiros foram tombados pelos javalis

Alguns sobreiros foram tombados pelos javalis

Grupo que participou neste dia

Grupo que participou neste dia

Um obrigado às voluntárias pelo seu esforço.

Paulo Domingues

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Jornada de 10 de Outubro

No Sábado dia 10 de Outubro realizou-se a primeira jornada voluntária de Outono. Depois de uma semana de chuva e com um dia de sol pela frente, o dia prometia.

A manhã foi dedicada à colheita de bolotas no carvalhal do Valinho Turdo – Pedreira – Ponte Nova, em Belazaima. A abudância era grande pelo que era difícil escolher as melhores árvores. Foi interessante reparar como diferentes árvores, ainda que da mesma espécie, e mesmo sub-espécie (trata-se de facto, sempre, de Quercus robur subsp. broteroana) dão origem a bolotas de tamanhos, formas e mesmo padrões tão diversos. A tendência foi para a colheita dos maiores exemplares, já que têm maior quantidade de nutrientes e certamente que serão capazes de dar mais força à jovem árvore após a sua emergência. Mas procurou-se colher de uma diversidade de árvores-mãe em zonas com diferentes condições de solo e humidade.

Diversidade de bolotas encontradas

Diversidade de bolotas encontradas

O final da manhã foi passado já ao longo do Ribeiro de Belazaima onde, para além de bolotas se colheram também castanhas. Quando a fome começou a apertar tinhamos já três caixotes bem cheios de bolotas e alguns sacos de castanhas, no total cerca de 25 kg de frutos. O almoço fez-se ainda junto dos frondosos carvalhos da área conhecida como Ponte Nova (embora a ponte que existe ali perto seja velha e não nova!).

Uma amostra das bolotas e castanhas colhidas

Uma amostra das bolotas e castanhas colhidas

A seguir ao almoço fomos até ao Cabeço Santo fazer as primeiras sementeiras directas da Estação. Na verdade, as bolotas de sobreiro colhidas apenas duas semanas antes apresentavam estágios de germinação já bastante avançados, pelo que era necessário semeá-las.

As bolotas de sobreiro já estavam a germinar

As bolotas de sobreiro já estavam a germinar

Radícula com apenas duas semanas de crescimento

Radícula com apenas duas semanas de crescimento

A sementeira realizou-se numa área (junto ao marco geodésico, que é o ponto mais alto do Cabeço Santo) que ainda há seis meses estava severamente invadida com Acacia longifolia, tendo-se aí realizado uma operação com grade de discos (de 4 toneladas) que enterrou as acácias, tendo deixado o solo relativamente desimpedido. Claro, é absolutamente necessário fazer agora um trabalho de acompanhamento que consiste essencialmente em arrancar as inúmeras plantas que, com origem em fragmentos de raízes enterradas, despontaram algumas semanas após a operação de gradagem. Essas plantas são, em geral, extremamente fáceis de arrancar pelo que, mais uma vez, aqui fica um vivo apelo aqueles que se queiram voluntariar para participar nestes trabalhos, pois que, embora fáceis de realizar, são de mão de obra muito intensiva, e ficarão necessariamente dispendiosos se tiverem que ser realizados por pessoal remunerado. Ou, pior ainda, como último recurso, será utilizado herbicida, já não o relativamente benigno Spasor, eficaz apenas nos eucaliptos e nas mimosas, mas o Basta, certamente mais tóxico, mas apenas ele eficaz na Acacia longifolia.

Área alvo da sementeira

Área alvo da sementeira

Contudo, na área onde se realizou a sementeira não se utilizará herbicida pois que a densidade das plantas de acácia emergentes não é demasiado elevada. Semearam-se bolotas de sobreiro e carvalho numa tentativa de emular o mais possível a disseminação natural destas sementes, isto é, enterrando-as um pouco e deixando o local com um mínimo de vestígios que possam atrair predadores. Como foi já referido, esta operação conta também com a extrema abundância de bolotas de carvalho que ocorreu este ano, que, espera-se, atraia a atenção dos predadores para as bolotas de fácil acesso, junto às árvores. É, em todo o caso, uma experiência, cujo resultado deverá ser avaliado mais tarde. Se não tiver um sucesso expressivo, a disseminação destas árvores terá de continuar a basear-se na plantação, operação muito mais dispendiosa.

E assim se passou a tarde na sementeira de bolotas. Quando a pequena equipa interrompeu para o lanche, já era quase tempo de regressar. Depois de uma pequena volta em que se provaram os medronhos ainda duros e amargos (mas parece que souberam a doce a alguns participantes!) descemos o monte para só cá em baixo posarmos para a tradicional “foto de família”. Um obrigado aos voluntários!

Os voluntários, já cá em baixo

Os voluntários, já cá em baixo

As jornadas continuam sempre que houver voluntários disponíveis! Até breve.

Paulo Domingues

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Chegou o Outono!

Agora que as chuvas de Outono chegaram, as incertezas climatéricas do Verão ficaram para trás. Neste Setembro invulgarmente seco que tivemos, as árvores plantadas no início do ano resistiram bastante bem. Não tão bem parecem ter resistido algumas plantas de Acacia longifolia, que apareceram secas em meados de Setembro. Mas claro, isso foi uma vantagem. Parece que as plantas nativas são ainda as que resistem melhor a um clima marcado pela incerteza de chuvas e episódios, igualmente incertos, de temperaturas elevadas.

As árvores plantadas resistiram bastante bem ao Verão

As árvores plantadas resistiram bastante bem ao Verão

Muitas plantas de Acacia longifolia parecem não ter suportado a seca

Muitas plantas de Acacia longifolia parecem não ter suportado a seca

Mas, ao contrário das chuvas, a floração da urze Calluna vulgaris não se atrasou. É a única urze de floração marcadamente outonal, e que, no resto do ano, é muito discreta.

A Calluna vulgaris não se atrasou na floração

A Calluna vulgaris não se atrasou na floração

A marcar a diferença numa paisagem ainda dominada pelo castanho da seca estão os medronheiros, este ano já bastante carregados de frutos, e que agora começam a adquirir a sua cor de amadurecimento.

Os medronhos, abundantes este ano, começam já a amadurecer

Os medronhos, abundantes este ano, começam já a amadurecer

A contrastar com o panorama geral de Setembro, o dia 18, 4º aniversário do inferno de fogo que atingiu esta paisagem, acordou molhado e fresco, uma forma esperançosa de recordar esta data.

O dia 18 de Setembro teve alguma chuva

O dia 18 de Setembro teve alguma chuva

Este ano, como já todos devem ter reparado, é um ano de abundante produção de bolota de carvalho-roble. Até os pequenos carvalhos do Cabeço Santo, rebentados após o incêndio de 2005, já apresentam uma carga considerável.

A produção de bolota de carvalho roble é abundante este ano

A produção de bolota de carvalho roble é abundante este ano

Também os lentiscos já têm frutos maduros. Nas próximas jornadas de trabalho voluntário vamos colher bolotas e frutos de lentisco, e ainda teremos tempo para iniciar a sementeira directa de bolotas de sobreiro, cuja germinação se está a iniciar.

Os frutos de lentisco encontram-se já maduros

Os frutos de lentisco encontram-se já maduros

E teremos oportunidade para testemunhar o despertar de uma paisagem pela acção vivificante das chuvas dos últimos dias!

Paulo Domingues

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