Jornada de 18 de Julho e outras notícias

No dia 18 de Julho cinco voluntários vieram até Belazaima participar na jornada de trabalho voluntário anunciada. À sua chegada tiveram, talvez, uma surpresa: é que ao contrário do que tinha sido anunciado, os trabalhos propostos não eram “leves”, mas, vá lá, “meio pesados”! Tratava-se de intervir numa área do vale 3 onde, em Janeiro/Fevereiro, uma equipa da Associação Florestal do Baixo Vouga tinha realizado um trabalho de corte de eucaliptos e Acacia longifolia. Esta era a área há mais tempo invadida com esta acácia e que apresentava, antes de 2005, manchas muito densas de grandes arbustos dessa espécie, lá se encontrando ainda de pé os restos queimados de muitos deles. Ao longo do vale havia eucaliptos. No entanto, esta zona tem também bastante vegetação nativa, encontrando-se muitos medronheiros, lentiscos e algumas murtas e adernos completamente misturados com aquela vegetação exótica, isto para além da vegetação sub-arbustiva, dominada pelo sanganho-mouro. Por isso, e como será necessário realizar aqui pulverizações da vegetação exótica, era muito importante criar perímetros de protecção em torno de cada arbusto nativo, a fim de os poupar o mais possível aos efeitos da pulverização. E foi esse o trabalho dos voluntários durante a manhã de Sábado: cortar a rebentação da vegetação exótica em torno dos arbustos nativos. Os rebentos de eucalipto com machados, as acácias com tesourões. E a equipa foi subindo a encosta até bem de pois das 13 horas, quando rumou à Casa de Santa Margarida para o almoço. A temperatura já estava bem elevada, pelo que uma boa mesa à sombra era muito bem vinda.

Depois do almoço demos uma volta pela vizinhança da casa, observando as árvores aqui plantadas este ano. Os javalis parecem insistir em voltar até aqui, porque já havia mais uma dúzia de tubos de protecção dos carvalhos derrubados, tendo algumas das árvores sido arrancadas. Tudo indica tratar-se de tentativas de encontrar bolotas, ainda que infrutíferas. Mas, aparte alguns eucaliptos e acácias que por aqui existem dispersos, a paisagem apresentava um colorido bem bonito, com as urzes da espécie Erica cinerea agora em flor. Quanto às árvores plantadas, vimos que havia algumas com mais dificuldades, mas a maioria apresentava-se com bom vigor.

Dado que agora, ao princípio da tarde, o calor apertava, foi a oportunidade para mostrar aos voluntários um pouco do trabalho que está a ser realizado ao longo do Ribeiro de Belazaima por equipas de profissionais. Cá em baixo, com menos 250 metros de altitude e maior abrigo do vento, o calor apertava ainda mais, pelo que soube muito bem passar uns minutos bem alongados mesmo nas margens do Ribeiro, observando as libelinhas, e sob a sombra de duas grandes mimosas que sobreviveram quase intactas ao incêndio de 2005!

Depois, dado o calor e o cansaço já acumulado durante a manhã… finalmente algo mais leve e agradável: decidimos deixar o Cabeço Santo e vir até ao carvalhal da Ponte Nova, junto a Belazaima, usufruir do espaço, identificar as árvores, e trabalhar… à sombra. Primeiro foi tempo de encontrar algumas árvores plantadas já este ano entre a densa cobertura  de fetos, que aqui crescem até uma altura superior a 2 metros, acabando por cair sobre as jovens árvores. Depois cortaram-se algumas mimosas que são restos de uma densa formação que aqui existia há uns 6 ou 7 anos atrás. Aqui o tempo passou depressa, e, por razões que nada tiveram a ver com esta jornada, o lanche acabou por acontecer já depois das 18:30h no parque do Moinho de Vento, ao som das muitas aves que por aqui chilreavam.

Um obrigado aos participantes nesta jornada e boas férias!

Entretanto, a equipa da Associação Florestal do Baixo Vouga terminou os trabalhos de corte da vegetação exótica na margem direita do Ribeiro que lhes estavam atribuídos. Isto significa que, nessa margem, a intervenção do projecto atingiu já os 1,8 km de extensão do ribeiro, esperando-se que atinja os 2 km ainda antes do final de Julho. Na margem esquerda, os trabalhos não estão tão avançados, ainda só se tendo realizado trabalho ao longo de cerca de 150 metros, mas espera-se atingir pelo menos 800 ainda este Verão.

As árvores propagadas este ano encontram-se já num abrigo sombreado, onde permanecerão até à época de plantação.

Entretanto, prosseguem os contactos para aquisição de parcelas privadas nas margens do ribeiro. Prevê-se para este ano a aquisição de cerca de 3 ha. Até ao momento apenas um dos cerca de 20 proprietários contactados (de cerca de 35 parcelas identificadas!) não esteve disponível para ceder as suas parcelas ao projecto. Houve proprietários que foram particularmente compreensivos, outros nem tanto. Um deles merece aqui desde já um agradecimento público, pelo facto de ter cedido gratuitamente as suas três parcelas com a área total de cerca de 1000 m2: o António José Morgado, da Póvoa do Vale do Trigo. Portanto, um dos objectivos deste projecto, que parecia impossível a alguns (por depender da boa vontade de um número considerável de pessoas), está em vias de ser largamente atingido.

Uma apresentação, desta vez do power point (6,5 MB),  ilustra os trabalhos descritos.

Até breve.

Paulo Domingues

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Jornada de trabalho voluntário

No próximo Sábado, dia 18 de Julho, realizaremos uma jornada de trabalho no Cabeço Santo, durante a qual teremos também a oportunidade de observar no terreno os últimos trabalhos realizados por várias equipas de profissionais e ficar com uma ideia mais clara dos desafios que aí se colocam. Os trabalhos a realizar serão leves, como cuidar das árvores plantadas este ano e cortar plantas de espécies invasoras com tesourões. O programa será contudo adaptado às condições meteorológicas que se apresentarem, pois que o objectivo desta jornada não é tanto a realização de trabalho mas, através de algum dele, dar uma ideia aos participantes do que é necessário fazer aqui para atingir os objectivos do projecto: recuperar áreas biologicamente degradadas para formações nativas próximas das que espontaneamente existiriam aqui.

O projecto oferece a alimentação para os inscritos até Quinta-feira à noite: almoço e lanche em forma de piquenique. Haverá um ponto de encontro junto à estação de caminhos de ferro em Aveiro às 8:30h, na sede da Quercus às 8:45h e no parque de merendas do Moinho de Vento às 9:30h. Devem trazer calçado e indumentária adequadas.

Entretanto, no terreno, as equipas continuam o seu trabalho. A equipa da Associação Florestal do Baixo Vouga deixou já as últimas (antigas) terras agrícolas de Belazaima-a-Velha e progride agora na margem direita do Ribeiro em direcção ao vale 5. A área é agora por vezes muito escarpada, colocando grandes desafios. Alguns locais são mesmo inacessíveis a homens a pé com motosserra na mão pelo que as acácias aí existentes terão de ser eliminadas por outros meios.

Outra equipa continua a trabalhar numa área de alguns hectares junto ao vale 7, a área que fica junto à Casa de Santa Margarida. Uma terceira equipa iniciou esta semana os trabalhos de limpeza do vale 3, logo à entrada da propriedade gerida pela Silvicaima. Finalmente uma quarta equipa trabalhou já numa área junto ao vale 6 e trata agora uma área com eucaliptos e acácias mais dispersos entre os vales 4a e 4b. Nesta área está a utilizar-se a técnica de pincelamento da superfície de corte.

A lenha que é possível retirar sem custos significativos começará também agora a sê-lo, já que a sua presença causa um grande estorvo aos trabalhos subsequêntes.

Para variar, uma apresentação ilustra a evolução dos trabalhos (formato pdf, 9MB): trabalhos em curso . Ou então nesta apresentação: http://www.slide.com/r/TCBWv3akxD_2_jxZ-8XuPu22RO83IQMd

Paulo Domingues

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Os trabalhos continuam

No Cabeço Santo, os trabalhos aproximam-se do seu pico de intensidade. Junto ao Ribeiro de Belazaima, uma equipa de sapadores florestais da Associação Florestal do Baixo Vouga continua a evoluir para jusante, estando agora prestes a atingir as últimas antigas parcelas de terra agrícola pertencentes à aldeia abandonada de Belazaima-a-Velha.  É nestas que a situação se tem apresentado mais complicada devido ao emaranhado de lenha de mimosa queimada, silvado e rebentação jovem de mimosas e eucaliptos. As “armas” utilizadas para vencer estes obstáculos são as motosserras mas, nestas condições, o progresso é lento, mesmo para uma equipa de profissionais com quatro homens [1-3]. Curiosamente, mesmo assim, por vezes encontra-se um rebento de carvalho com 2 metros de altura no meio dessa confusão. É tal a quantidade de lenha que fica no solo após o avanço dos homens que, mesmo assim, é difícil caminhar nesse espaço, pois o caminhante se vê “engolido” por uma massa de lenha que frequentemente lhe ultrapassa os joelhos. Acresce que os acessos não são fáceis para retirar toda essa lenha daí. E ainda, existem no local uma a duas dúzias de eucaliptos adultos que terão de ser cortados e retirados [4]. As margens do Ribeiro terão aqui que ser recuperadas praticamente do zero pois que quase só existe nesta zona vegetação invasora [5].

É interessante, aliás, verificar como as mimosas se desenvolvem com carácter invasor em ambientes tão distintos como as férteis e húmidas margens de um ribeiro e as rochas mais expostas, secas e isentas de solo. Esta imagem [6] mostra uma autenticamente em cima de uma rocha compacta, e mesmo assim, frutificando!

Entretanto as pulverizações com herbicida tiveram já de ser iniciadas, em áreas cortadas no ano passado mas que não chegaram a ser então pulverizadas, e, mais pontualmente, em áreas já no ano passado pulverizadas mas que este ano têm de receber um trabalho de acompanhamento, pois que é impossível eliminar todos os focos de vegetação invasora de uma só vez. Estas segundas foram aliás áreas entretanto já plantadas e portanto agora o trabalho tem de ser feito com cuidados acrescidos para não atingir essas novas plantas [7]. Nestas é agora ocorrência frequente o craveiro-do-monte (Simethis planifolia) [8].

Ao longo do vale 6, a montante da “famosa” cascata, foram mesmo plantadas árvores sem ter havido qualquer pulverização. Em parte porque o corte foi realizado no ano passado já relativamente tarde, e em parte porque havia a intenção de não pulverizar na vizinhança do vale, procurando eliminar a vegetação por corte repetido. Mas o panorama é tal que uma abordagem dessa natureza não seria realmente viável, pelo menos sem custos muito elevados [9-10]. Por outro lado, este ano o projecto utiliza um herbicida não tóxico para animais, mesmo insectos e organismos aquáticos, o que nos permite utilizar o produto com mais confiança, mesmo na vizinhança de cursos de água.

Sabemos muito bem, e algumas pessoas o lembram de tempos a tempos, que a solução “herbicida” é uma espécie de “bomba” cuja utilização seria preferivel evitar. E sem dúvida que sim. Mesmo que o herbicida utilizado seja inócuo para a fauna, sempre há plantas nativas que são atingidas. Mas a verdade é que, nas condições presentes, e após consulta das entidades mais competentes na matéria em Portugal (como o grupo das Invasoras da Universidade de Coimbra) nenhuma solução alternativa viável foi encontrada.

Portanto, tiveram mesmo que se realizar pulverizações ao longo do vale 6. Como já lá estavam carvalhos plantados, e aliás bem bonitos, tiveram de ser individualmente cobertos com sacos plásticos para não serem atingidos [11-12]. Felizmente nesse dia o céu estava enevoado, o que perimitiu às árvores não “sufocarem” muito durante a cerca de meia hora em que ficaram cobertas. A montante da cascata tem-se esta vista do vale 6 [13], com o caminho principal abaixo, depois uma zona cortada no ano passado e já pulverizada este ano, outra já pulverizada no ano passado e plantada já este, depois a área ribeirinha cuja aquisição a Quercus realizará, pois que já se encontra fora da propriedade da Silvicaima, e ao fundo uma enorme área mobilizada este ano para plantação com eucaliptos, já no Cabeço do Meio.

Entretanto, as árvores e arbustos plantados no ano passado crescem a bom ritmo enquanto a água no solo é ainda abundante. Claro, alguns insectos aproveitam-se da frescura da folhagem, uns “bons”, outros não tanto [14-15]. Na zona superior do vale 4b, onde ainda no ano passado os eucaliptos formavam um tapete contínuo e exclusivo de qualquer outra espécie, este ano cresce uma cobertura de erva-loira-de-flor-pequena e bole-bole-maior entre os carvalhos plantados [16].

Chegamos agora à altura do ano em que a gramínea Agrostis forma as suas espectaculares manchas, mesmo nos caminhos e suas bordaduras [17-18].

Na estufa, carvalhos e castanheiros desenvolvem-se rapidamente em tabuleiros de alvéolos [19]. Em breve, será tempo de virem para o exterior, para um terreiro sombreado, onde ficarão até à próxima época de plantação. Também os medronheiros semeados em tabuleiros de sementeira têm agora de ser repicados para contentores individuais.

No dia 18 de Julho poderemos, caso haja voluntários interessados e disponíveis, fazer um encontro de trabalho voluntário, onde faremos coisas leves como percorrer as áreas plantadas este ano e dar às árvores alguns cuidados, como limpar vegetação que com elas esteja a concorrer demasiado.

A visita prevista para 23 de Maio e duas vezes adiada não se chegou, afinal, a realizar. A maior parte dos cerca de meia dúzia de interessdos iniciais também não estava disponível no dia 13 de Junho. Paciência. As “portas”, felizmente, estão sempre abertas.

Paulo Domingues

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O início de Junho

Neste princípio de Junho há já duas equipas no terreno em trabalhos de remoção mecânica de vegetação exótica e invasora: uma progredindo para jusante do vale 6 ao longo da margem direita do Ribeiro de Belazaima, outra progredindo para montante ao longo do vale 7. As duas realizam difícil trabalho, desfazendo lentamente um emaranhado de rebentação recente e madeira queimada que, uma vez no solo, continua a tornar o acesso difícil às áreas trabalhadas. O ideal seria que boa parte dessa vegetação fosse removida, mas o seu pequeno valor e as dificuldades de acesso dificultam essa saída [1-2].

Entretanto chegou o pico de floração do castanheiro [3]. Há apenas um ou dois castanheiros conhecidos no Cabeço Santo, sobreviventes ao cataclismo de 2005. Mas no nosso viveiro local, onde crescem já mais de mil árvores para plantar no próximo ano, estão algumas dezenas deles [4].

Voltemos ao Cabeço Santo. A visita guiada programada para o dia de ontem, 6 de Junho, não se realizou porque a maior parte dos interessados não estava disponível. Ficou, em última chamada, para 13 de Junho. Mas a verdade é que, se se tivesse realizado, acabaria molhada. Eu sou bem testemunha disso, pois, querendo manter a “promessa” de ir ao Cabeço Santo e aproveitando a expectativa de melhoria das condições atmosféricas para a tarde, pus-me a caminho. Já no Feridouro, fui convidado a ver um espaço onde nidificava uma coruja. Aparentemente, havia dois filhotes mas um tinha desaparecido e a dona da casa estava agora a alimentar o outro, pois que lhe parecia que a mãe não o estava a fazer. Oxalá seja bem sucedida. Penso que se trata de uma coruja-do-mato, talvez a única das nossas rapaces nocturnas que ainda é de quando em quando referenciada localmente [5].

De volta ao percurso fiquei logo retido por um longo aguaceiro e acabei por aceitar o empréstimo de um guarda-chuva para poder prosseguir viagem. Assim, segui pelo caminho ribeirinho até à mata da Silvicaima, onde a área já intervencionada pelo projecto se inicia com uma estreita e inclinada faixa de terreno que confina, junto ao Ribeiro  com uma ainda mais estreita mas agora plana antiga leira agrícola que a Quercus tem em fase de aquisição. A leira cultivava-se mas o acesso fazia-se por estreito e inclinado carreteiro. Outros tempos…! Mais a montante ainda se encontra outra leira, ainda mais estreita, que culmina num arruinado moinho de água. Mas foi exactamente nestas leiras que resistiram alguns carvalhos de porte elevado. Depois de tantas adversidades que passaram, terão agora o seu espaço assegurado. Mas esta área difícil ainda dará muito trabalho de acompanhamento. Em particular, muitas mimosas não puderam ser atingidas com herbicida, sendo abundantes os rebentos. Terão que se ir cortando mas o mais difícil é chegar aos locais onde se encontram.

Mais um forte aguaceiro e as botas começaram a meter água…

Mas logo ali à frente, onde a faixa se alarga, verifiquei que os carvalhos, os sobreiros e os medronheiros plantados este ano estão deleitados com o tempo. Para já, as baixas são muito pouco expressivas, mas claro, o principal desafio – o Verão – ainda está para vir [6-7].

Depois de uma olhadela à área onde se têm realizado trabalhos nas últimas semanas e reparado que os carvalhos que se encontravam perdidos no meio das exóticas já quase dominam a paisagem com o seu verde [8], continuei pelo caminho mais próximo do Ribeiro. Depois de passado o vale 6 uma densa ”frente” de ocupação do vale aparece de repente [9]. É uma das áreas ainda por trabalhar, que se estende até ao vale 7, o limite, por agora, da área de intervenção do projecto.

Continuando pelo caminho, agora apenas nele próprio se vislumbra algo de interessante, o que parece um paradoxo. Uma flor que julgo ser uma Prunella spp. (mas corrija-me quem souber) [10] e outra planta, ainda sem flor, mas que já vejo neste caminho há muitos anos (pode ser que já esteja em flor no dia 13).

Finalmente atinjo o vale 7, na confluência com o caminho para Belazaima-a-Velha, onde a segunda equipa começou esta semana os seus trabalhos [11]. Depois, com mais um forte aguaceiro a desajudar, tomo o caminho mais próximo para a casa de Santa Margarida, onde espero encontrar um sítio seco para lanchar. Passam por mim com uma incrível ruideira uns estranhos a esta paisagem que, sobre quatro rodas, avançam com igual rapidez pelos eucaliptos como pelas acácias como pelas áreas de paisagem mais ou menos recuperada. Por detrás dos seus fatos lunares, não se devem molhar, e também não sei que encantos os conseguem atravessar. As aves certamente fogem a “sete asas” à sua aproximação e eu só não o fiz porque não tenho asas,… nem rodas. É difícil evitar um sentimento de que alguma coisa esteja a ser agredido. A vantagem que têm é que desaparecem depressa, só deixando os rastos, embora fiquem os muitos plásticos que usam para demarcar os seus percursos, os seus e os de outros grupos que por estas paragens deixam plásticos por todo o lado [12]. Ainda um dia havemos de organizar uma jornada de trabalho para recolher esses plásticos, e talvez deixá-los à porta de quem os lá colocou.

Ao chegar à casa, a chuva parou. Mas aproveito para retemperar forças entre paredes. E depois para dar uma olhadela a algumas das muitas árvores que à volta da casa foram plantadas este ano. E imagino como será este local daqui por 50 anos…

Depois continuo a subida até à cabeceira do monte, onde uma faixa de matagal se desenvolve ao longo do monte. Uma torre de medida da velocidade do vento lembra uma nova invasão prometida para esta paisagem: torres eólicas a perder de vista. Certamente que não prometo vestir uma armadura e empunhar uma espada contra esses novos moinhos de vento pintados de um verde cada vez mais descorado, à medida que o seu número e a sua dimensão se tornam cada vez mais, não no símbolo da harmonia entre o homem e a natureza, mas no da desarmonia e do excesso. Mas certamente que gostaria que pelo menos não ocupassem a área do marco geodésico. Um cartaxo cantou em exclusivo para mim demoradamente, embora empoleirado a uma distância segura. Será da mesma opinião quanto às eólicas? Em todo caso, quem quer saber da opinião de um cartaxo? E de invasores já esta paisagem está bem guarnecida. Por aqui as háqueas vão sorrateiramente crescendo entre o matagal até que possa chegar algum “combatente” pela vida silvestre até estas paragens (esta área está fora da área de intervenção do projecto, embora a Silvicaima tenha intenções de desenvolver aqui algum esforço).

Um pouco mais à frente, na zona do marco geodésico, havia uma área de alguns hectares densamente invadida com Acacia longifolia e com poucas plantas de interesse pelo meio. Depois de ouvidos os consultores do Projecto Cabeço Santo e os técnicos da Silvicaima, optou-se por passar aqui uma grade de discos de 4 toneladas e enterrar directamente toda essa massa de vegetação. De outro modo seria muito dispendioso resolver o problema, para além de que, como muitas das plantas já estavam a amadurecer sementes este ano, se não fosse feito rapidamente não se evitava uma nova dispersão de sementes. O trabalho foi realizado já há cerca de um mês. Ainda foi possível realizar um corte manual em torno de alguns carvalhos, salgueiros e poucos medronheiros que aqui havia, e assim poupá-los a uma destruição certa. Seguramente que agora é necessário realizar um trabalho cuidadoso de seguimento, antes de se proceder à implantação de espécies nativas. Mas para já, parece ter sido uma operação bem sucedida [13]. E daqui mesmo, do ponto mais elevado do monte, fica uma perspectiva de Belazaima, momentaneamente iluminada por um raio de sol de um fim de tarde que agora, finalmente, me permitia arrumar o guarda-chuva [14].

Só agora estava a chegar à mais extensa e mais bem conservada área de vegetação nativa do monte, onde se inclui a propriedade adquirida pela Quercus em 2006. Mas, como o tempo se esgotava, tive que descer o monte quase a direito em direcção ao Feridouro. O hipericão estava em flor [15], o Agrostis começava a adquirir a sua maravilhosa tonalidade de início do Verão [16], e as plantas carnudas das rochas procuravam aproveitar toda esta abundância de água para os tempos de escassez [17]. Ainda tentei encontrar uma erva-língua (Serapias lingua), que ainda não tinha observado este ano, mas sem sucesso. Ao fundo da propriedade da Quercus, uma última perspectiva desta bela paisagem [18] e a promessa de uma boa colheita de medronhos para o próximo Outono [19]. Depois, a descida ao longo do vale 2 até ao Feridouro, ponto de partida e de chegada.

Termino apenas lembrando que quem quiser vir ao Cabeço Santo no dia 13 ainda pode fazê-lo, inscrevendo-se. Esta visita é também, ou sobretudo, mais uma ocasião para colher impressões e ideias que possam ser úteis no desenrolar do projecto.

Paulo Domingues

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Visita ao Cabeço Santo

Dado que a visita guiada ao Cabeço Santo prevista para 23 de Maio não se chegou a realizar, devido à previsão de más condições meteorológicas (que  depois, afinal, escassamente se confirmaram), ficou desde logo adiada para o próximo dia 6 de Junho, desta vez, faça chuva ou faça sol…

Tal como previsto para o dia anterior, a visita incluirá um percurso por um carvalhal em recuperação que não faz parte do projecto, mas que é igualmente atravessado pelo Ribeiro de Belazaima. A visita à área de intervenção do projecto terá o seu início e o seu fim na Capela do Feridouro e incluirá troços que previsivelmente farão parte do percurso pedestre a demarcar no próximo ano, no âmbito do financiamento de que o projecto usufrui do Mecanismo Financeiro do Espaço Económico Europeu (EEA Grants).

As inscrições para esta visita devem realizar-se preferencialmente até Quinta à noite (sobretudo se necessitar de transporte a partir de Aveiro) para cabsanto@gmail.com ou pelo TM 966 551 372. Os pontos de encontro são: na Estação de CF de Aveiro às 8:30h, junto à Sede da Quercus no Bairro de Santiago às 8:45h e na Junta de Frguesia de Belazaima do Chão às 9:30h. Os participantes devem levar alimentos e água, e calçar adequadamente. O percurso no Cabeço Santo desenvolve-se entre as cotas de 150 e 400 metros de altitude, e tem uma extensão de 5 a 6 km. O final da visita prevê-se para cerca das 18 horas em Belazaima.

Duas flores de batón-azul unidas por fios de teia

Duas flores de batón-azul unidas por fios de teia

Um carvalho plantado este ano

Um carvalho plantado este ano

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Paulo Domingues

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Notícias

Esta semana (em que se lembrou a importância da biodiversidade) foi muito importante para o Projecto Cabeço Santo. Os trabalhos de corte da vegetação exótica e invasora, iniciados já no dia 13 de Maio por uma equipa da Associação Florestal do Baixo Vouga, atingiram as margens do Ribeiro de Belazaima num terreno a adquirir pela Quercus (portanto já fora da propriedade administrada pela Silvicaima) [1]. Um pouco a jusante da confluência do vale 6 com o ribeiro, pela primeira vez se realizaram trabalhos na margem esquerda do ribeiro [2], também numa parcela a adquirir, permitindo, ainda pela primeira vez, a realização de trabalho em ambas as margens do ribeiro ao longo de uns 150 metros do seu percurso.

Esta é uma zona muito afectada pela presença da mimosa (Acacia dealbata), que depois do fogo se difundiu, atingindo densidades tais de implantação, que por vezes é completamente impossível atravessar as manchas. O trabalho de corte foi dificultado, em alguns locais, pelo carácter do terreno, declivoso e pedregoso [3, 12]. Era tão densa a formação de mimosas junto ao ribeiro que, após o corte, este ficou completamente ocultado por um manto de vegetação [3,14]. Depois de realizado este trabalho o aspecto da paisagem é, de certo modo, desolador, e seguramente que ainda o será mais quando for necessário pulverizar com herbicida os rebentos de eucaliptos e acácias que daqui por algumas semanas surgirão, mas estes são passos necessários para a recuperação deste precioso habitat, pelo que há que ter paciência e continuar.

Para moderar um pouco este panorama, esta área tem já uma presença abundante de carvalhos, árvores que já existiam no meio dos eucaliptos antes do fogo de 2005, e que agora surgem sob a forma de rebentos [5]. Na margem direita, as duas parcelas onde se iniciaram os trabalhos já tinham sido, pelo menos em parte, terras cultivadas, pelos habitantes da vizinha povoação de Belazaima-a-Velha, agora em ruinas. Ainda há pouco mais de 30 anos aqui se cultivava milho e batatas, e outras culturas para a subsistência deste povoado. Existiam aqui leiras minúsculas – algumas com apenas algumas dezenas de metros quadrados – mas bem cuidadas, como lembrou um antigo morador. Depois da revolução de 1974 ainda chegou a ser instalada até Belazaima-a-Velha (e aos Cepos, 1 km mais a montante) uma linha de média-tensão, e os pequenos povoados chegaram a ver as luzes da eléctrica modernidade. Mas foi sol de pouca dura. Poucos anos bastaram para os dois povoados serem definitivamente abandonados.

Na margem esquerda do Ribeiro a parcela intervencionada estende-se até ao antigo caminho de ligação entre as duas Belazaimas, caminho – de terra batida, claro – ainda há 35 anos quotidianamente percorrido  – a pé, claro – pelas crianças dos dois lugares para se deslocarem à escola a Belazaima do Chão. “Apenas” 6 km para cada lado, 12 km diários, com chuva ou com sol. Hoje, os próprios filhos dessas então crianças julgariam isso impensável. Mas as ruinas do povoado, o caminho, e as antigas leiras de cultivo lá estão, a testemunharem a realidade desse passado, que parece mais distante do que realmente é. A acentuar essa impressão a rápida degradação desta paisagem depois do abandono, a eucaliptação das antigas terras de cultivo e a incrível invasão com mimosas de todo o vale. Situação fortemente agravada depois do incêndio de 2005. 30 anos depois do abandono os vestígios de ocupação humana mais parecem restos da pré-história. Mas lá se encontram, escondidos entre as mimosas, os moinhos de água, as levadas de rega, os muros de contenção levantados ao longo dos séculos, e as leiras de cultivo. Na povoação, as casas ainda têm muitos muros de pedra em pé, mas afundam-se rapidamente no silvado e outra vegetação [7-8].

Mas voltemos ao objectivo do projecto Cabeço Santo: recuperar as áreas alvo para a vegetação espontânea própria dos respectivos habitats. Em torno do ribeiro e dos seus principais vales, desde que houvesse solo, sem dúvida que, aparte a vegetação de carácter ripícola, o carvalhal caducifólio seria a formação dominante. Por isso, como já foi referido, se encontre alguma regeneração natural de carvalho-roble, não obstante a forte concorrência das mimosas e dos eucaliptos. É provável que essa regeneração natural tenha sido propiciada pela existência de apenas dois carvalhos de maior porte na zona. Um, existente numa pequena faixa ribeirinha propriedade da Junta de Freguesia, superou bem o incêndio de 2005 [9]. O outro, um pouco mais a jusante, também sobreviveu ao fogo mas quase ia sucumbindo à falta de cuidado dos humanos, que lhe deixaram cair para cima vários eucaliptos, deixando-o em muito mau estado. Ainda lá está, mas agora precisará de alguns anos para recuperar a sua antiga beleza. Neste troço do Ribeiro praticamente nenhum outro carvalho sobreviveu da terra para cima, encontrando-se agora apenas rebentos. Na área agora trabalhada também se podem ver alguns salgueiros constituindo a galeria ripícola, mas são uma ocorrência verdadeiramente pontual em vários kilómetros do percurso do ribeiro [14, em segundo plano]. De resto dominam as mimosas, em formação muito densa, às vezes misturadas com eucaliptos, e, nas antigas leiras, com o silvado. De um modo geral, o estado das margens do ribeiro é de uma deprimente degradação [10-11]. No fundo, não é de supreender que um projecto que “abrace” esta desditosa situação tenha dificuldade em atrair voluntários, e mesmo visitantes. No futuro, se o projecto for bem sucedido nos seus propósitos, talvez os atraia, e muitos deles terão dificuldade em acreditar que o estado do ribeiro já foi este.

Para terminar ainda duas perspectivas: uma da zona entre os vales 4a e 4b, pintada de um amarelo que agora domina muitas áreas de matagal: o amarelo do tojo Genista triacanthos [15]. Depois, o contraste com uma área em reconversão, o antigo eucaliptal e o eucaliptal de plantação recente [16]. Finalmente uma flor invulgar de dedaleira, mas, ao contrário da generalidade das dedaleiras, de côr branca [17]! Foi encontrada no vale 4.

A visita prevista para hoje, 23 de Maio, não se realizou devido às previsões de más condições atmosféricas. Ficou adiada para 6 de Junho. Por isso quem quiser vir ainda se pode inscrever.

Paulo Domingues

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Notícias e actividades

Uma das actividades previstas no plano de trabalhos do projecto financiado pelo Mecanismo Financeiro do Espaço Económico Europeu é a demarcação de um percurso pedestre no Cabeço Santo, trabalho a realizar em 2010. Com o objectivo de colher contributos para a definição desse percurso mas também como oportunidade para uma visita de Primavera ao Cabeço Santo, propõe-se, no dia 23 de Maio (Sábado), uma jornada de visita. Esta jornada ocupará todo o dia e iniciar-se-á com um pequeno percurso por um carvalhal junto a Belazaima que tem vindo a ser recuperado ao longo de quase 20 anos. Será uma visita onde se observarão formações em diferentes fases de evolução da vegetação espontânea e as acções desenvolvidas em cada uma delas. Depois partiremos para o Cabeço Santo, realizando um percurso ao longo das áreas onde se desenvolve o projecto. Será também uma visita bastante didáctica, pois na maior parte do percurso não se observarão panoramas extraordinários (bem pelo contrário) mas sim o resultado dos trabalhos realizados no âmbito do projecto desde 2006, e de forma mais intensa desde 2008 de maneira a que, dentro de 10 ou 20 anos, se possa ter desta área uma perspectiva radicalmente diferente, naturalmente, para melhor. O ponto de encontro é pelas 9:30h na Junta de Freguesia de Belazaima. Os interessados deverão inscrever-se, enviando uma mensagem para cabsanto@gmail.com. A alimentação é ao cuidado dos participantes. Mais informação aqui.

Entretanto façamos uma pequena visita virtual para saber o que se tem passado nas últimas semanas. Junto à Casa de Santa Margarida foi identificado um incidente: algumas dezenas de tubos tinham sido derrubados e algumas árvores arrancadas. Tudo indica ter-se tratado de uma intervenção de javalis. Alguns tubos tinham marcas de dentes e algumas árvores tinham indícios de escavação junto ao pé, na provável expectativa de aí se encontrarem bolotas. Mas claro, não se encontravam, pois as árvores plantadas já tinham um ano. Surge aqui uma especulação interessante: este tinha sido o local onde no ano passado foi devastada uma sementeira de bolotas. Será que os javalis ainda “sabiam” este ano que dentro de cada tubo podiam esperar encontrar uma bolota e derrubaram alguns tubos à sua procura? Mas depois, ao verificar que não havia bolotas, fizeram “o favor” de não derrubar mais tubos (eram largas centenas de árvores plantadas naquele local). Embora noutro local, observei mesmo um tubo que tinha sido “abocanhado” mas que permanecia intacto no seu lugar. O que significará isso?

Tubo arrancado mas planta no lugar

Tubo arrancado mas planta no lugar

Tubo tratado à dentada (?!)

Tubo tratado à dentada (?!)

Tubo abocanhado mas não derrubado; planta intacta

Tubo abocanhado mas não derrubado; planta intacta

Estamos na Primavera, época das flores. Neste momento o sabugueiro encontra-se no seu pico de floração (esta foto foi tirada em Belazaima).
Sabugueiro em flor

Sabugueiro em flor

Voltando ao Cabeço Santo, avancemos ao longo do Ribeiro, passando no sítio chamado de “Pé Torto” devido à curva que o Ribeiro aqui desenha. O estado deste troço é ainda muito mau, só se tendo aqui realizado trabalho desde 2008, e apenas na margem direita. No entanto é um local previlegiado, devido à confluência dos vales 3, 4 e 5. Já foram aqui plantadas árvores este ano embora ainda haja muito trabalho a fazer para a erradicação da vegetação exótica. Junto ao Ribeiro há uma pequena faixa de carvalhal que sobreviveu ao fogo e embora as árvores tenham ficado muito danificadas, dão agora mostras de uma boa recuperação.

Junto ao Ribeiro de Belazaima, alguns carvalhos

Junto ao Ribeiro de Belazaima, alguns carvalhos

Área de intervenção na zona do Pé Torto

Área de intervenção na zona do Pé Torto

Um dos resultados da experiência da plantação de árvores realizada este ano foi a de que se trata de uma operação com custos elevados, dado que as covas têm de ser abertas à mão em locais previamente não mobilizados, com tocos de eucalipto, frequentemente rochosos e com grandes acumulações de lenha. No entanto, uma operação mecanizada com uma máquina apropriada também não ficaria mais barata. Por isso, é de grande importância a experimentação de formas viáveis de sementeira directa. Já verificámos que a forma experimentada no ano passado (no Inverno e com tubos de protecção, que afinal actuam como “bandeiras” de sinalização da existência de bolotas) não é viável. Este ano, em áreas também plantadas, realizou-se uma experiência de sementeira tardia de bolotas de carvalho roble em fase inicial de germinação, sem fertilização, sem tubos e apenas com uma mobilização do solo muito ligeira realizada com uma forquilha de dentes direitos. Esta sementeira realizou-se em Abril e princípios de Maio com bolotas de conservação. Como existe a expectativa de que as plantinhas se desenvolvam agora rapidamente, há menos tempo (do que na sementeira natural) para as bolotas serem encontradas e predadas, esperando-se que resulte uma forma de sementeira directa mais viável do que as já testadas. Logo veremos os resultados. Foram assim semeadas largas centenas de boltas com um esforço humano modesto na área junto ao Pé Torto e outras adjacentes.

Vale 5, plantado e semeado

Vale 5, plantado e semeado

Entretanto as árvores plantadas começam agora a gerar rebentação jovem. Até ao momento praticamente não se verificaram baixas entre as quercíneas não obstante o arranque atribulado.

Carvalho com rebentação jovem

Carvalho com rebentação jovem

Subindo ao monte destacam-se agora as manchas de sanganhou-mouro em flor. Também a urze Erica umbelata se encontra no seu pico de floração. Antes do fogo esta urze formava grandes manchas contínuas, o que dava à paisagem uma bonita tonalidade avermelhada, embora passageira. Agora nem tanto, as manchas são mais dispersas e localizadas. 

Recanto dominado por sanganho-mouro

Recanto dominado por sanganho-mouro

Paisagem rochosa mas florida

Paisagem rochosa mas florida

Visita de uma abelha

Visita de uma abelha

Erica umbelata entre árvores plantadas; em 2º plano, giesta

Erica umbelata entre árvores plantadas; em 2º plano, giesta

 Até breve!

Paulo Domingues

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Chuva!

Finalmente! A tão ansiada chuva chegou. Depois de um mês de Março a lembrar Junho ou mesmo Julho (não são invulgares dias de Julho mais frescos do que chegaram a estar alguns no final de Fevereiro!), o Abril não fugiu à tradição: “Abril, águas mil”.

Ainda que uma imagem não seja suficiente para nos trazer todas as sensações que a presença no local suscita, aqui vão algumas, ainda não do Cabeço Santo, mas de um pequeno bosque de carvalhos na vizinhança de Belazaima. Uma antevisão do que poderemos ver em algumas áreas do Cabeço Santo dentro de 10 ou 15 anos!

Depois de uma chuvada!

Depois de uma chuvada!

Frescura do bosque após a chuva

Frescura do bosque após a chuva

Flores de carvalho

Flores de carvalho

 

Violeta

Violeta

 

 

 

 

 

 

 

Viúvas - 1

Viúvas - 1

Viúvas - 2

Viúvas - 2

 
Flor não identificada

Flor não identificada

Paulo Domingues

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Jornada de 4 de Abril

No Sábado passado realizou-se, como previsto, uma jornada de trabalho voluntário para rega das cerca de 2800 árvores plantadas já este ano no Cabeço Santo, e que se vêm confrontadas com o excepcional período de seca prolongada que temos vivido. E não apenas seca, mas períodos de temperaturas elevadas fora de época e ventos fortes. Finalmente, como se tudo isso já não bastasse, vieram temperaturas muito baixas, negativas mesmo nos locais mais susceptíveis. Ora, como o período anterior de temperaturas elevadas, excepcionalmente longo, tinha estimulado a rebentação das folhas, muitas encontravam-se em finais de Março em estado de pós-emergência. Apanhadas pela geada, foram duramente atingidas, sendo muitas delas irreversivelmente queimadas (1-2). É de esperar que as partes não atingidas rebentem de novo, embora o fenómeno afecte o crescimento das árvores nesta fase crucial de arranque. Nem todas as árvores foram afectadas, contudo. Paradoxalmente, foram menos afectadas as que tinham rebentado mais cedo (pois as folhas já estavam mais desenvolvidas) e também as que estavam em locais menos susceptíveis.

A jornada de rega contou com 7 voluntários, que realizaram o trabalho mais difícil jamais “oferecido” a voluntários desde que o projecto teve início (3). Não é que não tenha já havido trabalhos pontualmente mais exigentes, mas este prolongou-se por todo o dia, tendo apenas a hora de almoço como pausa maior. Embora tivessemos contado com o apoio de um auto-tanque da Associação de Protecção Civil de Belazaima (4), a verdade é que o simples manejo da mangueira do mesmo não era tarefa fácil neste terreno acidentado e ainda cheio de restos de madeira queimada. Em geral, a estratégia foi a de fazer chegar a mangueira o mais perto possível de cada área a regar e depois distribuir com regadores. Felizmente o tempo ajudou: estava fresco e corria uma agradável brisa, embora tivesse ajudado bem mais se tivesse chovido…

De manhã regámos uma área de conservação ribeirinha ao Ribeiro de Belazaima. Teremos distribuído cerca de 1500 litros de água, metade do auto-tanque. À tarde começámos a subir a encosta ao longo dos vales em reconversão: primeiro o 5 e depois o 4b, depois de novo 5, e finalmente de novo o 4b, agora a partir de cima (5-6). Dado que a tarde foi mais comprida do que a manhã, gastaram-se os 3000 litros de água de capacidade do auto-tanque, tendo este sido o factor que determinou o fim dos trabalhos. Bem, não completamente, porque ainda havia um pequeno pote na carrinha, que permitiu acabar de regar as árvores do vale 4b. Neste vale a grande dificuldade foi a presença de imensos restos de mimosas queimadas, que o ocupam densamente e que, mais de 3 anos depois do incêndio, ainda causam bastantes embaraços. É interessante dar uma olhadela a uma foto anterior a 2005 e recordar o aspecto que estes vales apresentavam nessa altura (7-8).

Após muitas escorregadelas, quedas, arranhões, felizmente nenhum deles sem consequências sérias, e muitas subidas e descidas de regador na mão (9-10), ainda houve tempo para uma foto com boa disposição, embora já sem um dos voluntários que só tinha participado de manhã (11). Oxalá as nuvens, que observavam lá de cima, tenham apreciado este este esforço e o completem, e complementem, pois ainda ficaram bastantes árvores por regar.

Sem dúvida que os voluntários deste dia merecem um obrigado especial, agradecimento extensível ao voluntário da Associação de Protecção Civil que, embora menos motivado para a causa que os restantes, não deixou de dar a sua contribuição. E também à Associação de Protecção Civil ela própria, cuja Direcção se mostrou totalmente disponível para proporcionar este apoio.

 

Paulo Domingues

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Notícias e apelo ao voluntariado

No primeiro trimestre de 2009 que agora termina realizaram-se trabalhos volumosos no Cabeço Santo, dando início a um ano de grande actividade para o projecto. Logo que as abundantes chuvas de Janeiro terminaram, realizaram-se nos meses de Fevereiro e Março trabalhos de plantação de árvores nas áreas sujeitas no ano passado a operações de remoção da vegetação exótica e invasora (1-2). Cerca de 1500 medronheiros, 1200 carvalhos, 400 sobreiros, duas dezenas de azereiros, e ainda alguns sabugueiros, salgueiros e azevinhos foram plantados, alguns por voluntários, conforme foi já reportado, mas a grande maioria por uma equipa de profissionais que trabalhou durante um mês quase ininterruptamente. Infelizmente, o tempo não tem decorrido de forma favorável ao sucesso da plantação, pois a maior parte das árvores não chegou ainda a receber uma pinga de chuva , recebendo pelo contrário ondas de calor antecipadas e ventos fortes. Por isso, desde já aqui se encontra um bom motivo para uma participação voluntária, a levar a efeito já no próximo Sábado, 4 de Abril: se até lá não houver perspectivas de chuva para os dias seguintes, levar-se-á a efeito uma grande operação de salvamento das árvores plantadas, regando-as uma a uma. Claro que esta operação só será eficaz se finalmente chover, nem que seja mais para o final da Primavera. Mas, perante as incertezas do tempo e do clima, só podemos fazer o que está ao nosso alcance, e agora isso passa por realizar esta operação de rega. Será uma boa ajuda se os voluntários trouxerem regadores, grandes ou pequenos. Consultem a página http://ecosanto.wordpress.com/about/disponibilidade-inscritos/ para mais detalhes.

Por falar em voluntários decorreu com grande entusiasmo e dedicação a jornada de trabalho voluntário promovida pela Embaixada dos Estados Unidos da América em Lisboa. Grandes e pequenos realizaram trabalhos de plantação de árvores e corte/arranque de plantas de Acacia longifolia. Participaram 12 adultos (três dos quais portugueses e os restantes americanos) e quatro crianças (3).

Desde Janeiro foi também levado a cabo um importante trabalho de corte de vegetação exótica e invasora, sobretudo Acacia longifolia, da área originalmente mais invadida e com plantas de maiores dimensões desta espécie (4-5). No entanto esta área contém também muitas plantas de porte arbustivo de espécies nativas, pelo que o trabalho foi realizado de maneira a poupar estas plantas. Agora esperemos que não se verifique uma rebentação importante das acácias, o que, a acontecer, requererá intervenções de controlo posteriores. Este trabalho foi realizado por uma equipa profissional de sapadores florestais da Associação Florestal do Baixo Vouga. Depois de o concluir a equipa continuou no terreno mas para abordar plantas e manchas mais isoladas de Acacia longifolia (6) no terreno da Quercus e na propriedade da Silvicaima, com prioridade para as áreas de conservação mais importantes.

Na foto (7) observam-se em perspectiva os vários trabalhos realizados desde o ano passado: em primeiro plano árvores plantadas em área limpa no ano passado, em segundo plano uma área essencialmente dominada por vegetação nativa onde a intervenção é pontual, em terceiro uma área de eucaliptal cuja reconversão se iniciou no ano passado, à direita, a montante, a área trabalhada já este ano pelos sapadores florestais e em último plano as plantações de eucalipto. Na foto (8) uma perspectiva mais próxima do trabalho realizado este ano. Repare-se como muitas das acácias queimadas em 2005 ainda se encontram em pé.

Na foto (9) observa-se uma área da propriedade da Quercus. As plantas de flor amarela são sobretudo acácias. As de flor vermelha são plantas de urze-vermelha. Em (10) um detalhe da flor desta bela urze de porte arbustivo.

Do outro lado do Ribeiro de Belazaima (11) um grande “rasgão” na paisagem não nos deixa esquecer a pressão a que esta terra é continuadamente submetida. Uma dor que é dela mas que é sentida apenas pelos “corações” de alguns de nós, e que só poderemos sublimar dando-lhe o melhor dos nossos esforços e da nossa compaixão.

E para terminar com a esperança e não com a dor, uma perspectiva de um pequeno carvalhal no meio do eucaliptal (12) acordando com a Primavera.

Paulo Domingues

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