Jornadas Voluntárias de Outono

Ainda em ambiente comemorativo dos 10 anos de actividade do Projecto Cabeço Santo, se promovem as jornadas voluntárias de Outono, que irão exactamente incluir um momento alto dessas comemorações, a Conferência a realizar no dia 15 de Outubro no Salão Nobre da Câmara Municipal de Águeda.

Eis a agenda das jornadas:

8 de Outubro

15 de Outubro: Conferência

5 e 19 de Novembro

3 e 17 de Dezembro

Temos portanto um ambicioso número de 5 jornadas voluntárias e ainda a Conferência.

A Conferência tem, ela própria, um programa ambicioso, com muito mais do que um mero propósito comemorativo, esperando-se que seja um momento de reflexão, informação e motivação que faça nascer ou crescer em muitos dos nossos concidadãos a determinação para intervir numa área em que a nossa região está tão carente, a da recuperção ecológica e paisagística. Assim já o era quando esta Conferência começou a ser pensada e assim ainda mais se tornou depois dos grandes incêndios de Verão na nossa região.

O Programa da Conferência, intitulada “Recuperação ecológica e paisagística de áreas florestais” é o seguinte:

Manhã:

9:30 h Sessão de Abertura

Representantes da Câmara Municipal de Águeda (Presidente, Dr. Gil Nadais, Vereador, Enf. Jorge Almeida), da Quercus (Presidentes da Direcção Nacional, João Branco e da Direcção do Núcleo de Aveiro, Dora Maria Oliveira) e do Projecto (Paulo Domingues)

9:45h: Jorge Paiva, Dr. (UC): Evolução e Relevância da Floresta Portuguesa

10:30h: Paulo Domingues, Dr. (Q-QT): Projecto Cabeço Santo: 10 anos de caminho

11:05h Pausa para chá/café

11:25h: Fernando Leão, Dr. (Q): Monitorização de biodiversidade no Cabeço Santo – o caso das aves

11:50h: João Paulo Carvalho, Dr. (UTAD): Recuperação ecológica e florestal de áreas degradadas

12:15h: Período de discussão

13:00h: Pausa para o almoço

Tarde:

14:30h: Nelson Matos, Dr. (UA) : Inovação na Formação e Capacitação de pequenos proprietários florestais – uma perspetiva internacional

14:50h: Helia Marchante, Drª. (ESAC): A problemática das espécies invasoras e sua gestão

15:20h: Bern Markowsky (MTQ): Os objectivos, trabalhos e resultados do Movimento Terra Queimada

16:50h Pausa para chá/café

16:10h: Carlos Fonseca, Dr. (UA): A produção de medronho como ecossistema agro-florestal “alternativo”

16:40h: Pedro Bingre do Amaral, Dr. (ESAC): O turismo de natureza como factor promotor do esforço de recuperação ecológica e paisagística

17:10h: Período de discussão

18:00h: Sessão de Encerramento

Organizações às quais estão ligadas os conferencistas, e que são relevantes para as suas apresentações:

UC: Universidade de Coimbra

UA: Universidade de Aveiro

ESAC: Escola Superior Agrária de Coimbra

UTAD: Universidade de Trás-os-Montes

MTQ: Movimento Terra Queimada

Q: Quercus

QT: Quinta das Tílias

Como se constata, trata-se de comunicações todas elas ligadas à temática do projecto mas muito diversificadas e trazidas por pessoas, algumas delas bem conhecidas, de inquestionável competência e capacidade de comunicação.

As inscrições serão geridas pela Câmara Municipal de Águeda, e muito em breve sairão informações sobre como proceder para garantir o seu lugar no Salão Nobre da Câmara Municipal de Águeda.

Quanto às jornadas, elas começarão por se centrar no controlo de plantas indesejadas, as do género Acacia e também de rebentos de eucalipto em zonas de reconversão, para depois, em princípio a partir de 19 de Novembro, se dar início à época de 2016/17 de plantação e sementeira de árvores e arbustos.

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A plantação de árvores será uma das principais acções a desenvolver a partir de Novembro (imagem da época de 2015/16)

Eis pois uma grande Estação de actividades no Cabeço Santo e na sede de Concelho. A não perder!

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Última jornada de Verão

A última jornada do Verão de 2016 e 2ª comemorativa dos 10 anos do projecto decorreu ontem com a presença de 6 determinados voluntários, 3 deles “caloiros”. Como por aqui os estreantes têm um acolhimento atencioso, preparámos um dia dividido em 3 trabalhos diferentes em 3 locais também diferentes, permitindo dar aos novos uma perspectiva o mais abrangente possível dos horizontes do projecto.

O primeiro trabalho foi de “partir pedra”, numa área onde se desenvolve a primeira intervenção. O local foi a zona das Costas do Rio, a caminho da curva apertada do ribeiro conhecida por “pé torto”. Na margem direita, no terreno da Altri florestal, a intervenção já se tinha iniciado em 2008 numa estreita faixa ribeirinha, mas na margem esquerda o acesso ao terreno só foi possível a partir de 2012, quando as mimosas que densamente ocupavam a margem já estavam bastante crescidas. Nestas condições, a opção considerada mais viável, também tendo em conta o elevado declive da margem em alguns locais, foi o descasque das árvores. Como esta margem tem 1 km de extensão, é talvez trabalho para vários anos, tendo tido o seu início no ano passado.

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Novo voluntário já perfeitamente à vontade na sua missão

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Algumas mimosas eram bastante grossas, mas mesmo uma jovem voluntária não se deixou intimidar

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Os declives elevados foram uma das principais dificuldades. Mas ninguém caíu, felizmente

Foi necessário usar a motoroçadora em alguns sítios para triturar o silvado e facilitar o acesso à árvores. Depois, mãos à obra: equipados com navalhas, facas e uma pequena serra de mão, os voluntários dedicaram-se ao descasque. Inicialmente, não pareceu fácil, com árvores já tão grandes e de casca tão grossa, e com declives frequentemente tão elevados. Para piorar as coisas, havia também muita lenha antiga no chão em alguns locais. Mas viu-se logo que os voluntários deste dia não eram de desanimar à primeira dificuldade e o trabalho prosseguiu até quase às 12 horas, quando se parou para uns merecidos figos do Feridouro.

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Vista da margem direita, onde se podem admirar estes bonitos carvalhos

Mas a agenda da manhã ainda incluía a 2ª acção do dia e esta era a jusante do Feridouro: numa pequena várzea da zona da Chousa, que tinha sido alvo de uma mobilização de solo para facilitar a plantação e a gestão da vegetação, as mimosas germinaram em grandes quantidades e era necessário arrancá-las antes que fosse tarde de mais. Claro, a razão para esta germinação massiva estava na anterior ocupação deste espaço por uma densa mata de mimosas crescidas, que deixaram este solo com um volumoso banco de sementes. A área já tinha sido plantada no último Inverno, quando ainda não havia sinal das mimosas (nem das abundantes plantas herbáceas de caule vermelho que na Primavera haveriam de surgir e que agora ainda davam uma tonalidade avermelhada ao local). Durante mais de uma hora arrancaram-se mimosas, e a surpresa foi que elas afinal eram muito mais abundantes do que parecia à primeira vista. Já o relógio se encaminhava para as 13:30h e parecia que as mimosas nunca mais acabavam (ou até que voltavam a surgir logo umas novas assim que se arrancavam as anteriores!).

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Densa cobertura de mimosas germinadas

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Voluntários em acção, num ambiente de tonalidade avermelhada

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Carvalho plantado no Inverno passado

Finalmente, a fome falou mais alto: mais uma vez, a sombra da tangerineira do Jorge Morais, juntamente com o crepitar das águas da nascente do Vale de Barrocas, foram o ambiente perfeito para um merecido almoço. Seguiu-se, é claro, o relaxamento integral sob a copa dos carvalhos do Cortinhal, o que deixou os voluntários bem preparados para o desafio seguinte.

A 3ª acção do dia decorreu numa zona média-alta do vale nº 3, em torno da cota dos 300 metros, na mata da Altri florestal. Aqui já no passado se tinham arrancado e cortado acácias-de-espigas, e na zona mais fértil, em torno do vale, se tinham mesmo plantado árvores. Mais longe do vale, já numa área de solo marginal, existia uma mancha de medronhal que sobreviveu a décadas de exploração florestal e que agora se recupera, ainda que também aqui as acácias-de-espigas compitam agressivamente com os medronheiros. Ora, num “momento” de desatenção, novas plantas de acácias-de-espigas aqui surgiram e se desenvolveram rapidamente, acabando por dominar a paisagem local. Deste modo, foi necessária uma intervenção de uma equipa de sapadores, que cortou esses arbustos no último Inverno, deixando, muito material lenhoso no chão. O que se veio aqui fazer agora foi acompanhar as rebentações indesejadas das plantas de acácia-de-espigas, cortando-as com tesourões, arrancar plantas de origem seminal, e também iniciar um trabalho de arrumação da ramada, que, em certos locais é um obstáculo à progressão no terreno.

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Na subida para o vale nº 3 observou-se um Laetiporus sulphureus num toco de eucalipto.

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Aqui os voluntários cortaram e arrancaram plantas de acácia-de-espigas

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Nalguns locais a ramada seca era tanta que não se conseguia progredir: terá de ser “arrumada”.

Mais a montante, já numa área rochosa, são visíveis os efeitos da seca estival deste ano, com muitas plantas de acácias-de-espigas secas. Deste ponto de vista, o Verão quente e seco “fez um bom trabalho”, mas ainda deixou imenso para voluntários e não voluntários!

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As plantas secas são acácias-de-espigas que não sobreviveram à seca estival. Mas ainda sobraram muitas!

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A mancha da zona mais rochosa ainda chegou a ser abordada, mas só para fazer o gosto ao dedo…

Lamentavelmente, constatou-se mais um trilho abusivamente aberto pelas hordas de motards que frequentam a região. Sem palavras.

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Trilho “selvagem” (no pior dos sentidos)

Depois de uma semana em que as chuvas voltaram, já com algumas dezenas de litros por metro quadrado, anunciando o fim do Verão e fazendo florescer as primeiras flores Outonais, encerram-se também as jornadas voluntárias de Verão de 2016. Mas as celebrações do 10º aniversário do projecto vão continuar, com as primeiras jornadas de Outono e a grande Conferência comemorativa a realizar no dia 15 de Outubro! Mas, falando de aniversários, não é demais lembrar que hoje mesmo, 18 de Setembro, passam 11 anos sobre o grande incêndio que deixou o Cabeço Santo (e muito mais) em cinzas.

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Voluntários satisfeitos, ao se concluírem os trabalhos

Adeus ao Verão e um grande obrigado a todos os voluntários!

Paulo Domingues

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Jornada do 10º aniversário

E assim se completam 10 anos de trabalho no Cabeço Santo! A jornada foi invulgar, mas não no sentido que se esperava: esperavam-se algumas caras de participantes de há 10 anos mas eles andam já por caminhos distintos, e em vez deles tivemos dois voluntários estreantes; esperava-se voltar às áreas onde se realizaram os primeiros trabalhos, em vez disso andámos por áreas onde os trabalhos não têm mais de um ano… De facto os planos acabaram por ser determinados, uma vez mais, pelas características deste Verão – quente e seco – acentuados pela previsão para a próxima semana de mais um evento meteorológico extremo e pela falta de chuvas no horizonte previsível.

E assim foi que a segunda rega do ano se realizou. Depois da acidentada jornada de 23 de Julho, usámos toda a experiência adquirida para garantir que nesta tudo corresse sobre rodas: desde o depósito emprestado devidamente preso à caixa da carrinha, ao cómodo abastecimento num tanque particular do Feridouro (obrigado aos proprietários!), ao detalhe fundamental da torneira na extremidade da mangueira. Também se optou por começar a montante, junto aos portões da mata da Altri, avançando para jusante, o que funcionou muito bem.

Os cinco voluntários dividiram-se entre os regadores e o manuseamento da mangueira, e os trabalhos progrediram durante a manhã, animados pelo bom aspecto das árvores plantadas nessa primeira área. Junto ao ribeiro foram os freixos, alguns já com mais de um metro de altura, que suscitaram mais admiração. À medida que se progredia para jusante, o terreno ficava mais inclinado… e as temperaturas mais elevadas. Pelas 13 horas já se tinham distribuído os 1000 litros do depósito, e deu-se por concluída a rega a montante do Feridouro, só não se conseguindo regar uma dúzia de árvores.

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A rega iniciou-se a jusante dos portões da mata da Altri, entre as preciosas árvores plantadas e os rebentos de eucalipto sobreviventes

O almoço foi especial, graças aos 10 anos comemorados, e incluiu uma fracção bem significativa de produtos biológicos, e ainda um bolo caseiro, da autoria de uma voluntária de bastidores. O ambiente também foi especial, a casa do voluntário Jorge Morais, ou melhor, a sombra de uma tangerineira do jardim, ao som relaxante da água da nascente do Vale de Barrocas…

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O bolo comemorativo. Infelizmente só podemos partilhar o aspecto…

Mas claro, o dia estava quente e havia que tomar uma boa sesta. O local escolhido foi uma pequena mancha de grandes carvalhos que fica ali perto, entre as folhas secas e as copas verdes. Creio que todos se sentiram revigorados pela “energia” desse local, pelo que o regresso ao trabalho se fez sem demasiado esforço, apesar do calor. Cheio o depósito, recomeçou-se a jusante do Feridouro, no terreno lavrado em socalcos. Embora aqui se observassem mais baixas do que na primeira área, também havia árvores com muito bom aspecto. Nas margens do ribeiro ainda a mancha de mimosas, à espera de uma prometida intervenção…

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À tarde, os trabalhos recomeçaram nos socalcos

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Excelente medronheiro, num solo “terrível”!

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Vista para montante da área de trabalho

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Ao longo do ribeiro, ainda as mimosas; nas encostas em segundo plano o extenso eucaliptal, intensamente cortado este ano

Já a tarde se encaminhava para o fim, quando a equipa abraçou a última área, entre a Chousa e a represa. Na encosta da Chousa, muito inclinada e pedregosa, apesar de algumas baixas, os medronheiros e os sobreiros sobreviventes encontravam-se muito bem. Já eram quase 19 horas quando se chegou ao limite da área de intervenção, nas margens da represa. Felizmente a água do segundo depósito de 1000 litros chegou à justa para regar as últimas árvores, que por sinal se encontravam muito vistosas, apesar do estado anterior do terreno, densamente ocupado por mimosas e eucaliptos.

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Louva-a-Deus

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Por esquecimento do tripé de serviço, uma primeira foto dos participantes…

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… e a segunda, para que ninguém fique de fora

Tiraram-se poucas fotos neste dia de aniversário, pois que as mãos andaram intensamente ocupadas com a rega, mas não deixou por isso de ser um dia especial, onde se semeou determinação e confiança para o futuro do projecto. E tantos são os desafios, já para o próximo ano! Por isso se voltará ao terreno ainda antes do final do Verão, este Verão que tantos trabalhos e sobressaltos nos trouxe, mas que está prestes a chegar ao fim para dar lugar ao mais sereno Outono. Vamos continuar em ambiente de celebração até Outubro, pelo que quem não pôde vir a esta jornada ainda está a tempo de se juntar. Até dia 17! E obrigado aos voluntários desta jornada, apesar do privilégio que tiveram, mas que tantas energias lhes exigiu!

Paulo Domingues

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Agosto

Com Agosto a aproximar-se do final, é tempo de começar a pensar na nova época de trabalhos no Cabeço Santo, que se inicia logo no dia 3 de Setembro com a jornada do 10º aniversário do projecto.

Mas antes de olhar para o futuro, façamos um pequeno balanço da semana de sobressalto que de novo trouxe as chamas até bem perto do Cabeço Santo. A segunda semana de Agosto foi com efeito avassaladora para o Concelho de Águeda, com, ao que tudo indica, mais de 100 km² de área florestal queimada. O eucaliptal da zona serrana foi severamente atingido, sobretudo as freguesias do Préstimo e Macieira de Alcoba e de Belazaima, Castanheira e Agadão. Nesta última, contudo, a área mais afectada foi a da antiga freguesia de Castanheira do Vouga (Agadão já tinha sido fortemente atingida em 2013), sendo que a antiga freguesia de Belazaima foi a que acabou por ser mais poupada. O próprio Cabeço Santo “viu” o fogo aos seus “pés”, pois ardeu até à estrada Belazaima-Agadão, mas aí foi detido e não subiu o cabeço. Já no primeiro dia dessa fatídica semana, em plena tarde de Domingo, um pirómano tinha ateado o fogo em três locais do Cabeço do Meio (a sul do ribeiro de Belazaima), mas a pronta intervenção da unidade local de protecção civil evitou o pior. Mais longe para sul, na zona serrana do Concelho de Anadia, as coisas também estiveram feias, e até em plena gândara do Casarão (em torno da nova área industrial) o fogo progrediu até Aguada de Cima, em terreno aparentemente fácil. O Rio Águeda, desde praticamente o limite do Concelho até quase à cidade de Águeda, ficou de novo num estado de aflitiva condição, apenas 3 anos depois dos grandes incêndios do Caramulo, que já tanto o tinham afectado. Acompanhá-lo ao longo da estrada do Caramulo, desde Carvalhal, nos confins das terras aguedenses, até à Redonda, e depois, pela EN 336, até Bolfiar, é uma verdadeira dor de alma, que só a anestesia colectiva face ao estado da paisagem e da biodiversidade impede que se transforme num grande movimento em prol da sua recuperação. O Rio Agadão, afluente do Águeda, não se encontra melhor, tendo ardido agora o que não ardeu em 2013, pelo menos a jusante das aldeias da antiga freguesia com o mesmo nome.

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Eucaliptal com solo mobilizado: o fogo progrediu pelas copas

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Encosta num afluente do Agadão: solos mobilizados em declives muito acentuados

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O Rio Agadão, entre a Falgarosa e Falgoselhe: sobraram as mimosas

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Margens do Rio Agadão a jusante da ponte de Falgoselhe

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Uma ilha de paraíso no meio do inferno

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Ilha: um pequeno sobreiro de copa verde no meio do queimado

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Um pequeno vale

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O Cabeço Santo, em segundo plano, ficou verde. Glauco, é certo, mas verde

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Servia para combater o fogo, mas ia sendo queimado

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Da cumeada, avista-se uma imensidão ardida, só interrompida por pequenas manchas verdes. A povoação deve ser Serra de Cima na freguesia do Préstimo

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Rio Águeda, “praia” da Talhada

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Plantação recente: por agora, a salvo

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Afluente do rio Águeda: verdes, alguns carvalhos, mas também mimosas

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Rio Águeda, a jusante da ponte de Falgoselhe

O sentimento de impotência face a um tão vasto estado de calamidade, mas que no fundo é só o culminar de uma história recente de deficiente sensibilidade (e sabedoria, afecto, …) face à natureza desta frágil paisagem, só pode, esse sentimento, ser um pouco mitigado pelo que vamos fazendo no Cabeço Santo, mas que de facto não é senão uma gota de água no imenso mar de necessidades que se apresenta. Quando teremos pessoas, comunidades, que, movidas por um maravilhamento pela vida e pelas suas manifestações, se entregam desmedidamente a essa apaixonada acção de ajudar a trazer vitalidade, beleza, cor, a esta paisagem que antes de ser negra já era cinzenta? Como ajudar a criar esse movimento, sabendo que o potencial (para a dádiva generosa e amorosa) se encontra latente em (quase) todas as almas, mas ofuscado pelas distracções e exigências da vida em sociedade? Reflexões precisam-se e também queremos que as iniciativas que marcarão o 10º aniversário do Projecto sirvam para as alimentar. Por isso, a primeira oportunidade é já no Sábado, dia 3 de Setembro, primeiro momento das comemorações, que culminarão com uma Conferência a realizar no dia 15 de Outubro na Câmara Municipal de Águeda, durante todo o dia. Mais detalhes sobre esta conferência serão tornados públicos em breve. Para já, até dia 3!

Paulo Domingues

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Segunda Jornada de Verão

A jornada de 23 de Julho foi a segunda do Verão e, para os padrões da Estação, foi uma jornada participada: 5 voluntários. Na agenda estava uma acção motivada pelas duras condições que este Verão tem imposto, com temperaturas bem acima da média e ausência de chuva: regar as árvores plantadas no último Inverno, a fim de as ajudar a superar esta prova.

Uma rega de Verão das árvores plantadas era algo que nunca tínhamos feito e por isso a estrutura ainda não estava experimentada: tínhamos um depósito de 1000 litros na carrinha e uma bomba a gasolina para o encher a partir das águas da represa. A rega iria fazer-se com a ajuda de uma mangueira e de regadores de mão.

Saímos pelas 8:30h porque o dia se previa quente, e ainda era necessário encher o depósito, o que aconteceu sem surpresas. E a rega começou na extremidade da área de intervenção nas margens da própria represa no ribeiro de Belazaima. Tudo parecia estar a correr bem, mas, logo no primeiro avanço da carrinha tudo mudou: as ondas da água dentro do depósito, a falta de aderência deste à caixa da carrinha e uma pequena inclinação do caminho fizeram com que o depósito resvalasse para fora e, ainda cheio de água se atirasse como uma pedra gigante pela encosta abaixo até se deter, em poucos segundos, nas águas da represa. Pareceu de repente que os projectos de um dia se tinham afundado naquele momento com o depósito. Mas, no momento seguinte, reflectiu-se: o depósito tinha-se perdido, é certo, mas ninguém se magoou, nenhuma peça de equipamento se perdeu, nem mesmo a mangueira que continuava ligada ao depósito, lá em baixo nas águas. Um telefonema para a pessoa certa permitiu identificar um depósito que podia ser pedido emprestado. Rapidamente se foi buscar, e claro, cordas para o prender à caixa da carrinha. Apesar de alguns contratempos, pouco mais de uma hora depois já o segundo depósito se enchia numa poça do ribeiro, na Chousa.

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Enchimento do primeiro depósito

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Apesar das duras condições deste Verão, muitas árvores apresentavam boa vitalidade

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Depósito nas águas da represa, numa zona de acesso difícil. Prendeu-se com uma corda à margem para não “fugir”

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Perspectiva da encosta na zona de queda do depósito

Entretanto, com os meios que tinham, os voluntários tinham conseguido avançar três centenas de metros, indo buscar a água directamente à represa e ao ribeiro. Apesar de um segundo contratempo, que obrigou a despejar metade do depósito, pois pareceu demasiado perigoso subir um caminho inclinado com ele cheio, a manhã veio a concluir-se já junto às terras do Feridouro, com um almoço retemperante: a dinâmica do dia estava recuperada, embora as horas mais frescas da manhã não se tivessem podido aproveitar com a máxima eficiência.

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Esta encosta foi regada sem depósito de apoio

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Pouco tempo depois, já se operava com um segundo depósito. Mas a água tinha que ser retirada por efeito de sifão.

À tarde, e depois de uma pequena sesta, os trabalhos recomeçaram ainda a jusante do Feridouro, e até pareceu que uma corrente fresca não confirmava as previsões de 34 ou 35 ºC para essa tarde. Para os trabalhos a montante do Feridouro, tivemos uma ajuda importante: a possibilidade de encher o depósito num tanque de rega (um obrigado aos proprietários!), o que era muito mais rápido e nem necessitava de bomba!

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Depois das tensões da manhã, à tarde, a boa disposição imperava

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Vista geral dos trabalhos

Começámos então desde os portões da mata da Altri Florestal para jusante, cobrindo toda a faixa ribeirinha plantada este ano. Quando terminámos, depois de vários arranhões, algumas contusões, meia dúzia de picadas de vespa (divididas por apenas dois voluntários!…), entre três e quatro mil litros de água transferida e muito suor derramado, já passava das 20 horas e quase todas as árvores plantadas este ano tinham sido regadas. Tinham sido quase 12 de horas de muita determinação, algumas emoções fortes, e a sensação de missão cumprida! Um belo final de ano de trabalho voluntário antes de Agosto, o único mês do ano em que os trabalhos voluntários “encerram”, para férias. Mas ainda falta referir um elemento importante: pareceu que, até agora, as perdas de árvores não foram importantes, talvez apenas uns 10%, ou mesmo menos. E com esta rega estamos convictos de que ajudámos muitas a sobreviver à Estação mais dura do ano. Mas o balanço final só se fará com as primeiras chuvas.

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Bonita perspectiva do ribeiro captada pelo Abel

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Observação: por aí algum especialista em excrementos?

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A finalização dos trabalhos

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A equipa pelo final do dia

Na página no Facebook serão publicadas ainda mais fotos, de Paulo Domingues e Abel Barreto.

E não esquecer: a primeira jornada depois de férias (3 de Setembro) será uma jornada especial: a jornada do 10º aniversário do projecto. E já que falamos em aniversário, cabe também informar que a Conferência a realizar em Águeda em Outubro, e inicialmente prevista para 8 de Outubro, passou para 15.

Desde o Verão do ano passado realizaram-se 17 jornadas (15 regulares, 2 extraordinárias), que envolveram 43 pessoas diferentes num total de 126 participações (excluindo visitas). Valeu a pena, não acham?! Boas férias!

Paulo Domingues

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A primeira jornada de Verão

Eis que, depois de um pequeno problema técnico, a reportagem da última jornada voluntária e primeira do Verão só agora chega a público.

Apenas três voluntários se apresentaram disponíveis, um pequeno número para as necessidades do dia, mas afinal, compreensível: num dia com máximas previstas a superarem os 30ºC, não deixa de ser necessária uma pequena dose de “loucura” para dedicar um dia a cortar rebentos de eucalipto… Porque era esse o principal trabalho previsto para este dia: voltar a uma área com cerca de 3 ha em torno do vale de Barrocas e das suas 3 nascentes para, com a força da persistência, “convencer” as toiças de eucalipto aí presentes a “desistir” e deixarem-nos o espaço livre para lá colocar outras espécies.

Mas acabámos por iniciar os trabalhos numa extremidade de um outro terreno, na Benfeita, ainda junto a Belazaima, onde também era necessário fazer o mesmo trabalho. E aí andámos até às 10:30h, quando rumámos ao vale de Barrocas. As ferramentas para este trabalho são simples, mas exigem cuidado e atenção: mãos e machadas de cabo curto.

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Nos rebentos de eucalipto, com Belazaima à vista (Benfeita)

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Esta área já não era muito intensamente explorada para cultivo devido ao carácter rochoso do solo

A área a trabalhar na zona do Vale de Barrocas era abaixo do antigo caminho de acesso a Belazaima-a-Velha, e iniciava-se num pequeno vale secundário. A pequena equipa foi progredindo em faixas mais ou menos paralelas, para não se colocar muito esforço a subir e a descer a encosta. Mas, apesar de se tratar de uma encosta voltada a norte/nordeste, o sol do meio dia foi produzindo os seus efeitos, e pelas 12 horas já era necessário compensar com abundância a água que ia encharcando as t-shirts através de todos os poros da pele. Para o relator destas linhas, que se encontrava mais longe dos garrafões de abastecimento, tornou-se a dada altura irresistível uma ida a uma das nascentes do Vale de Barrocas, não obstante algumas dificuldades para lá chegar, devido aos fetos e às silvas. Mas, uma vez lá, e com a sede no seu pico, foi quase um vislumbre do paraíso observar aquela água que brotava abundante directamente da rocha de xisto, no fundo de um barranco sombrio. E bebê-la, claro, apanhada com as mãos, e depois de generosamente bebida, derramá-la sobre o peito e as costas, sentindo um repentino revigoramento para concluir afinal que, por essa bendita água, não seria afinal tão “louco” o esforço de tão trabalhosa e suadamente se submeterem as toiças de eucalipto daquela maneira…

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Nesta zona do Vale de Barrocas os fetos parecem “medir forças” com os eucaliptos!

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Perspectiva do vale do ribeiro, com a área recentemente plantada visível do outro lado e a área hoje trabalhada em primeiro plano

Mas, havia que regressar de encontro aos companheiros, e ao “paraíso”, não do presente, mas do futuro, ou uma pequena amostra dele. A manhã aproveitou-se até bem depois das 13 horas, porque a seguir ao almoço, devido ao calor que se fazia sentir, não continuaríamos nos eucaliptos. Depois de uma merecida e estendida sesta, abrimos uma nova frente de avanço nas mimosas da área ribeirinha das Costas do Rio, zona também conhecida por Pé Torto, devido à curva apertada que o ribeiro aqui faz. Trabalhámos na margem esquerda, onde ainda quase não houve intervenção, ao contrário da direita, uma das primeiras áreas ribeirinhas onde se interveio na mata da Altri Florestal, em 2008. O tamanho e a densidade destas mimosas aconselha uma operação de descasque, trabalho que tinha a vantagem de se fazer à sombra, prescindindo até das t-shirts, que, mesmo à sombra, apresentavam o incómodo de rapidamente ficarem suadas. As águas do ribeiro, logo ali bem próximas, convidavam a um banho de pés, e só não um mergulho por serem demasiado baixas. Esta é uma zona onde o ribeiro corre com frequência “encaixado” por escarpas de xisto, paisagisticamente promissora mas onde as mimosas, e também os eucaliptos, ainda prometem longos anos de trabalho até se tornar de novo “paisagisticamente interessante”!

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Perspectiva do ribeiro já com as mimosas descascadas na margem esquerda

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As águas do ribeiro

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Um pouco a jusante, dois carvalhos da margem direita debruçam-se sobre o ribeiro: estão já na mata da Altri Florestal numa das primeiras áreas ribeirinhas onde o projecto interveio em 2008

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Um selvagem?! Não, um voluntário!

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Admirando o trabalho realizado, já pelo final de tarde

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Um rocha do ribeiro

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Um detalhe geológico

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A pequena equipa, no final do dia

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Um olhar sobre a pequena aldeia do Feridouro, já no caminho de regresso a casa

E assim se fez o resto da tarde. No próximo dia 23 os trabalhos continuam e gostaríamos de contar com mais voluntários, pois depois só voltaremos aos trabalhos na grande Jornada do 10º aniversário do projecto, no início de Setembro!

Um conjunto mais alargado de fotos desta jornada estará disponível na página do projecto no Facebook.

Até já!

Paulo Domingues

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Jornadas Voluntárias de Verão

Anunciam-se as Jornadas Voluntárias de Verão, um conjunto de jornadas de trabalho voluntário a realizar entre Julho e Setembro no Cabeço Santo. Estas jornadas têm a particularidade especial de “atravessarem” a data na qual se perfazem 10 anos do início das actividades do Projecto, que, pelo menos em pleno campo e com voluntários em realização de trabalho, se iniciou com um Campo de Trabalho Voluntário (CTV) de 5 dias, entre 1 e 5 de Setembro de 2006. Por isso, todos os anos se tem realizado uma “jornada de aniversário” por volta dessas datas. Mas este ano são 10 anos, pelo que se prepara um conjunto especial de iniciativas. E a primeira é exactamente uma jornada voluntária de aniversário, a levar a efeito no dia 3 de Setembro de 2016. Outras serão uma Conferência a realizar no Salão Nobre da Câmara Municipal de Águeda com a presença de vários conferencistas, no dia 8 de Outubro, uma exposição fotográfica sobre os 10 anos do Projecto e ainda outros eventos, dos quais se darão notícias posteriormente.

Mas as jornadas de Verão iniciam-se ainda em Julho com duas jornadas em 9 e 23 de Julho. Agosto será de férias, como tradicionalmente acontece. Em Setembro teremos então a jornada de 3 e outra ainda a 17, mesmo a tempo de encerrar o Verão.

Seria interessante reunir pelo menos alguns elementos da equipa que participaram no primeiro CTV, e da maior parte dos quais se perdeu o contacto, e até de outros que participaram ao longo de anos e que depois seguiram outros caminhos. Quanto aos primeiros, aqui ficam duas fotos tiradas durante o CTV. Ainda estão por aí? Digam coisas!

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Equipa no final de um dos dias de trabalho

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No último dia do CTV realizou-se um almoço de despedida no restaurante local. Já não estavam todos os participantes

Paulo Domingues

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