Notícias dos trabalhos de monitorização de aves no Cabeço Santo

No passado dia 19 de novembro, quando os 16 voluntários iniciaram o árduo trabalho na encosta da Benfeita a controlar a rebentação de eucalipto e a plantar várias das espécies que no futuro alterarão a paisagem local, formando um bosque autóctone capaz de albergar diversas espécies da nossa fauna, já outro voluntário percorria os 2 km de censo da avifauna ao longo da ribeira de Belazaima.

O projeto de monitorização da avifauna na área do Cabeço Santo vai agora no seu 7º mês de censo. Os resultados obtidos até ao censo de outubro  indicam uma clara dominância de poucas espécies. De entre as 20 espécies confirmadas no interior da faixa de censo, há 5 espécies que representam 68% da comunidade de passeriformes que ocorrem junto à ribeira: chapim-preto, carriça, pisco-de-peito-ruivo, toutinegra-de-barrete e estrelinha-real.

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Pisco-de-peito-ruivo: uma das espécies mais abundantes na área de censo (Foto de Dora Oliveira)

No entanto, tem havido algumas surpresas agradáveis no que respeita a espécies confirmadas na área. Entre estas destaca-se o Dom-fafe, espécie que em Portugal tem por área de excelência o Minho e algumas áreas Transmontanas.  Embora em reduzido número, foi uma presença mais ou menos constante nos meses de primavera/verão.

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Dom-fafe (macho) num dos transetos junto à ribeira de Belazaima (Foto de Fernando Leão)

No momento em que o 7º censo se iniciou, tinham já sido confirmadas na área de censo 20 espécies de aves (25 se tivermos em conta a área envolvente). Mas este 7º censo revelou-se uma agradável surpresa ao acrescentar mais uma espécie à lista já existente, e não é uma espécie qualquer. Embora no 2 º censo (realizado em junho) tivesse ficado a dúvida da sua presença, uma vez que apenas foi possível observar um ténue  vislumbre de dois vultos escuros a esvoaçar junto à água por entre os fetos das margens, será que?… Ficou a dúvida, e em caso de dúvida optou-se por manter esse ténue vislumbre como uma observação de indivíduos de espécie desconhecida…

Mas agora, em pleno novembro, numa zona com pequenas quedas de água sob coberto de um dos pouquíssimos núcleos de Salgueiros que ainda bordejam a ribeira, aí estava ele… um melro-de-água mergulhando à procura de alimento. Mas com a aproximação do observador rapidamente esvoaçou para jusante afastando-se de qualquer hipótese de registo fotográfico. Fica o desafio para uma próxima oportunidade de algum voluntário que consiga ‘caçar’ a sua imagem.

Entretanto e enquanto tal não acontece, em baixo apresenta-se a ficha do melro-de-água constante do Atlas das aves nidificantes em Portugal (1999-2005).

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Fonte: Equipa Atlas (2008). Atlas das aves nidificantes em Portugal. Instituto de Conservação da Natureza e da Biodiversidade, Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves , Parque Natural da Madeira e Secretaria Regional do Ambiente e do Mar. Assírio &Alvim. Lisboa.

E assim se confirma uma vez mais o potencial deste ribeiro para a preservação da biodiversidade nesta área do território. Esperemos que dezembro, plena época de invernada, traga mais surpresas.

Fernando Leão

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3ª Jornada de Outono

A 3º Jornada de Outono inaugurou a nova época de plantação de árvores de 2016/17, ainda antes da data habitualmente tomada como referência para esta acção, o Dia da Floresta Autóctone, assinalado a 23 de Novembro. Mas não muito, apenas alguns dias! E justifica-se pois este ano temos uma grande área para plantar e um número de árvores que se vai ser em número recorde: um enorme desafio!

A equipa voluntária que se apresentou para este dia pareceu estar à altura do desafio, pois eram 16 os voluntários, das mais diversas proveniências. Dado o número elevado de pessoas, decidiu-se começar por uma parcela bem perto de Belazaima, a Benfeita. Esta parcela faz parte de um conjunto de propriedades da Junta de Freguesia local disponibilizadas à Quinta das Tílias por arrendamento, e que, por via do protocolo desta com o Projecto, será trabalhada para fins de conservação. Desta parcela faz parte uma “testada” das terras agrícolas ribeirinhas (da Benfeita) que já tem uma interessante mancha de carvalhos e sobreiros adultos e que importa agora conservar e aumentar. De referir que, com a entrada desta parcela na área de intervenção do Projecto, este passa a intervir num “corredor ecológico” ribeirinho de cerca de 4 km ao longo das margens do ribeiro, quase sem interrupção na margem direita, embora bastante incompleto na margem esquerda.

Também se começou por esta parcela por ela oferecer várias oportunidades de intervenção para além da plantação de árvores: o corte da rebentação de eucalipto e o corte de uma densa mancha de Acacia melanoxylon que existe numa pequena área do terreno. Assim se distribuiu de maneira mais eficiente a mão-de-obra presente, aproveitando de forma optimizada as ferramentas disponíveis.

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De primeiro para terceiro plano: rebentação de eucalipto já cortada, voluntário em acção e mancha de Acacia melanoxylon

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Pequena formação sobre plantação de árvores

Depois de uma pequena “formação” sobre plantação de árvores, os trabalhos iniciaram-se junto ao tanque de rega da Benfeita, avançando ao longo da inclinada língua de terreno para sul. Uma equipa ia cortando a rebentação de eucalipto enquanto outra ia plantando sobreiros e medronheiros. Dado que aqui a plantação de eucalipto era já antiga e não muito intensiva, já havia por quase todo o terreno muitas plantas de sobreiro, carvalho-roble e pinheiro, que agora serão recuperadas e protegidas. A principal dificuldade derivou do declive do terreno, por vezes bastante elevado, o que deu origem a algumas escorregadelas, felizmente sem consequências de maior para além de uma haste de óculos partida… Por outro lado as energias necessárias para transportar plantas, adubos e ferramentas foram cansando pernas e braços.

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Perspectiva do terreno a trabalhar. Em segundo plano os carvalhos e sobreiros da “testada”

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Trabalhos de corte de rebentação de eucalipto

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Trabalhos de plantação e corte da rebentação

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Trabalhos de plantação em curso

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Tabuleiro de medronheiros

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Corte de rebentação

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O terreno inclinado constituía uma dificuldade significativa

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Plantas e adubos. Como adubo usou-se um granulado orgânico, um fosfato natural e um correctivo de acidez.

Pelo meio dia já se tinha dado um bom avanço e a paisagem vista lá de cima também era animadora, embora as cores mais “outonais” que daí se observavam fossem de facto de espécies exóticas, em particular os carvalhos-americanos, plantados com alguma frequência em antigas terras agrícolas.

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Merecido almoço

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Vista sobre a aldeia

À tarde os trabalhos continuaram de imediato e sem sesta pois que as tardes agora são curtas. De referir que estiveram presentes duas “madrinhas” de árvores, ou seja, pessoas que apadrinharam árvores dando uma contribuição de 2 € por árvore, e ainda vieram ajudar a plantá-las! Vamos precisar de mais padrinhos/madrinhas assim!

O tempo ajudou imenso, pois que esteve um dia nublado e quando a anunciada chuva começou a cair, o dia estava já a terminar, iniciando-se de imediato uma conveniente rega pois, como se teve oportunidade de constatar, em muitos locais plantados o solo estava seco, devido à dificuldade da água da chuva em penetrar superfícies de solo que se mostram por vezes bastante higrófobas, o que o declive acentua. Mas agora, com as “caldeirinhas” que se fizeram em cada árvore plantada, e com a fertilização orgânica, por certo que a água não terá dificuldade em entrar na terra e vivificá-la.

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Trabalho realizado, pelo final do dia

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Os voluntários deste dia

Mais de 150 árvores foram plantadas e a foto de encerramento foi tirada na base de operações já era noite bem escura e… à chuva.

Tinha sido um excelente arranque da época de plantação. De futuro contamos ter o terreno de plantação já trabalhado com ajuda de maquinaria florestal, a fim de podermos plantar muito mais árvores por jornada. Até dia 3 de Dezembro! E obrigado a todos os voluntários! As fotos são da voluntária Odete, e no Facebook há mais!

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2º Jornada de Outono

Já era esperado: depois de todos os afazeres e emoções da Conferência dos 10 anos, as atenções voltam-se de novo para o terreno, e com dinâmica redobrada, como também se previa. À jornada de 5 de Novembro compareceram 10 voluntários, desafiando as previsões de chuva que se apresentavam para a manhã desse dia. Mas, constatando as nuvens lá de cima tanta determinação, ofereceram-se para colaborar: só uns pingos muito leves caíram já a manhã ia adiantada. Ainda assim, e como tinha chovido de noite, o principal trabalho que tínhamos planeado – corte de rebentação de eucalipto – não se podia fazer logo de manhã, pois a ramada ainda estava muito molhada.

Deste modo, decidiu-se subir o cabeço até à mancha de acácia-de-espigas do vale nº 3 para aí se fazer trabalho de mão e de tesourão no arranque e corte de plantas dessa espécie invasora. Com o solo já bem regado, o arranque fazia-se com mais facilidade do que no Verão, e uma brisa fresca e húmida fazia jus à Estação, ajudando também a manter a dinâmica do trabalho.

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Corte e arranque de acácia-de-espigas no vale nº 3

Finalmente o sol conseguiu espreitar através das densas nuvens, ajudando a secar algumas luvas e roupas que entretanto se foram molhando. O almoço fez-se por ali mesmo, e só não incluiu medronhos porque este ano ao produção é pequena e os frutos ainda estão verdes. No entanto a floração já se iniciou, o que faz deste arbusto, a espécie nativa dominante nestas zonas de solo esquelético, um encanto para os olhos.

Depois do almoço esperava-se que a rebentação de eucalipto já estivesse seca, pelo que se desceu de novo cá abaixo. O trabalho iniciou-se mesmo a jusante dos portões da mata da Altri Florestal e decorreu no corredor ecológico ribeirinho a norte do ribeiro, a área plantada no Inverno passado. Embora a maior parte da rebentação original destas toiças tivesse sido pulverizada com herbicida ainda em 2015, a eficácia desta operação foi limitada, e agora, depois de aí haver árvores plantadas, essa solução não se pode colocar de novo, pelo que há que remover a rebentação manualmente. É sobretudo um trabalho com pequenos machados e muita paciência. A animar a equipa estavam as árvores plantadas este ano, que em geral se encontravam com muito bom aspecto (ou não tivessem sido bem cuidadas ao longo do Verão!).

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Já no sopé da montanha, cortando rebentação de eucalipto

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É quase um trabalho de corpo inteiro: mãos, pés e ferramentas

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A equipa avança em bloco. Para trás o trabalho realizado

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Elemento não contabilizado, guardando, inspeccionando e vigiando

Os trabalhos decorreram com grande dinâmica, e a tarde até pareceu maior do que que se tornou depois da última mudança da hora: percorreram-se várias centenas de metros do corredor ribeirinho e quase se chegava ao Vale de São Francisco já na aldeia do Feridouro! E ainda houve tempo para observação de cogumelos e outras coisas inesperadas (pelo menos para alguns dos voluntários).

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Murta em frutificação

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Cogumelo A

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Cogumelo B

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Cogumelo C

Tinha sido um dia muito produtivo, para grande satisfação dos voluntários, embora alguns reflectissem o esforço de braços que o trabalho exigiu. Nada que um bom Domingo de repouso não permita recuperar!

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A equipa deste dia. Mas a hora apresentada é enganadora: os trabalhos prolongar-se-iam até às 17:30h

Obrigado a todos os voluntários, incluindo os fotógrafos (vários)! Como é habitual, na página do Projecto no Facebook a reportagem fotográfica é mais completa.

Na jornada de 19 apontamos para começar a época de plantação de árvores! Mas também haverá muitos rebentos de eucalipto para cortar, o que se poderá ir fazendo em simultâneo com a plantação. Só precisamos de ter muitas mãos generosas, mais ou menos como nesta segunda jornada de Outono! Aqui fica o convite!

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Vídeo reportagem produzida pela Águeda TV, sobre a conferência no assinalar dos 10 anos do projeto Cabeço Santo

Aqui podem encontrar através deste link, a vídeo reportagem produzida pela Águeda TV da conferência do passado dia 15 de Outubro

http://www.agueda.tv/archive.ud121?oid=10808451

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O Projeto Cabeço Santo é um projeto de recuperação ecológica e paisagística promovido pelo Núcleo de Aveiro da Quercus, em parceria com o Município de Águeda.

Para assinalar o 10.º aniversário, decorreu no dia 15 de outubro uma Conferência sobre a Recuperação Ecológica e Paisagística de Áreas Florestais, reunindo alguns dos maiores especialistas na área.

 

  • Temáticas: Ambiente
  • Data de Captura: 15.10.2016
  • Tempo de Emissão: 5 m 49 s

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A Conferência dos 10 anos

E foi assim que, após uma semana de intensa preparação, aconteceu a Conferência comemorativa dos 10 anos do Projecto. Cuidadamente preparada com a preciosa contribuição dos dedicados colaboradores da autarquia, o espaço de acolhimento encontrava-se decorado a gosto, e no exterior do Salão Nobre estava ainda patente uma exposição fotográfica sobre o projecto.

A sessão de abertura deu o mote para a Conferência, com as palavras do Vereador Jorge Almeida, do presidente da Assembleia Municipal, Francisco Vitorino, do Presidente da Direcção Nacional da Quercus, João Branco e do coordenador do Projecto, Paulo Domingues.

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Sessão de abertura

Esta conferência foi uma luta contra o tempo: todos os conferencistas pareciam ter mais a dizer do que cabia no tempo que lhes estava atribuído. O Dr. Jorge Paiva, é claro, poderia falar toda a manhã, mantendo a atenção de uma plateia inteira às suas palavras transbordantes de entusiasmo, mas também de preocupação, pelo que foi assistindo da evolução da biodiversidade e da floresta, especialmente em Portugal, ao longo dos seus mais de 80 anos de vida . O coordenador do projecto apresentou uma perspectiva geral dos 10 anos de evolução do projecto, embora não fosse fácil condensar 10 anos e ainda um pouco de futuro nos 35 minutos previstos. Por esta altura o atraso já era considerável, e coube à Drª Célia Laranjeira da Divisão de Ambiente da CMA a difícil tarefa de pôr ordem na agenda, o que fez com elegância.

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Evolução e relevância da floresta portuguesa

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Cabeço Santo: 10 anos de trabalho

O Fernando Leão, da Quercus, e voluntário do projecto, tem vindo a fazer, desde a última Primavera, um levantamento das aves ao longo de dois transeptos ribeirinhos e apresentou os primeiros resultados. Será interessante ver como evoluem esses resultados ao longo dos próximos 10 anos, pelo que o Fernando está desde já convidado a apresentá-los na conferência de comemoração dos 20 anos do Projecto!

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Monitorização de biodiversidade no Cabeço Santo – o caso das aves

O Professor João Paulo Carvalho falou sobre um tema que é central para o projecto: a recuperação ecológica de áreas florestais degradadas: muitos tópicos de grande relevância para o nosso trabalho, mas pouco tempo para os desenvolver; afinal, este tema dava por certo uma ou mais Cadeiras de um curso de ciências florestais!

Depois do almoço tivemos o Dr. Nelson Matos apresentando o Projecto InForest, que ainda dará por certo muito que falar e que tem como objectivo estimular os proprietários florestais a olharem de uma perspectiva mais abrangente para a função dos espaços que gerem.

A Drª Elisabete Marchante trouxe-nos o actualíssimo tema das espécies invasoras, um dos mais relevantes para o próprio projecto, mas que infelizmente é tão pertinente a todas as escalas da nossa paisagem. Foi uma apresentação viva e convidativa à acção de todos os participantes.

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A problemática das espécies invasoras e sua gestão

O Bernardo Markowsky não falou tanto dos objectivos, trabalhos e resultados do Movimento Terra Queimada como gostaríamos de ter ouvido, tendo optado por uma reflexão cujos termos nos fazem bem lembrar como o tema da paisagem e dos usos que lhe são dados nos dias de hoje é fértil em oposições irreconciliáveis e discussões polarizadas, que facilmente descambam em voltares de costas. O Projecto Cabeço Santo, ao juntar duas entidades com objectivos tão distintos como a Quercus e a Altri Florestal, teve que trabalhar intensamente esta dimensão, pois de contrário, em vez de alguns resultados no terreno, teríamos desperdiçado energias em literatura de escasso valor.

Tal já era o atraso que não houve tempo para a pausa e passou-se de imediato à apresentação sobre a produção de medronho para fruto. Tema de grande relevância e que se poderá reflectir na própria paisagem do Cabeço Santo como forma de usufruto “alternativo”. O futuro o dirá. Para já, manteremos o contacto com o conferencista, Dr. Carlos Fonseca da Medronhalva.

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A produção de medronho como ecossistema florestal “alternativo”

E a conferência terminou com chave de ouro: quando parecia que o Dr. Pedro Bingre do Amaral nos vinha trazer um tema de interesse secundário, o do turismo de natureza, o docente da ESAC brindou-nos com uma abordagem do tema mergulhando profundamente nas suas raízes históricas e culturais, ao nível que nos tem habituado sempre que temos o privilégio de o ouvir.

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O turismo de natureza como factor promotor do esforço de recuperação ecológica e paisagística

Claro, “pecámos” na gestão do tempo, e quase não houve tempo para perguntas e discussão. Na sessão de encerramento estiveram o coordenador do projecto, o Vereador João Clemente e a presidente da Direcção do Núcleo de Aveiro da Quercus, Dora Oliveira.

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Sessão de encerramento

Ainda estamos a avaliar se a gravação das conferências ficou com suficiente qualidade para poderem ser publicadas e partilhadas. Agora resta esperar que esta conferência dê frutos, no nosso trabalho e na forma como, pelo menos os presentes na conferência, olham para a paisagem e agem sobre ela. É verdade que continuamos a ser poucos: o Salão Nobre da Câmara Municipal não encheu, como chegámos a achar que seria possível. Mas isso só pode servir para aumentar a nossa determinação. E agora, há que voltar ao terreno, nos próximos 10 anos, um dia de cada vez. Isto para parafrasear a mensagem da nova T-shirt produzida para esta data e que chegou já a meio da conferência: “Salvar o planeta, uma árvore de cada vez”, numa versão internacional que… está à venda para apoio ao projecto por 10 Euros por unidade.

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T-shirt de apoio ao projecto

Um obrigado a todos os que contribuíram para esta conferência e até breve, no Cabeço Santo! As fotos são, na sua maioria, do Paulo Almeida.

Paulo Domingues

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1ª Jornada de Outono

Com algum atraso motivado pela intensa semana de preparação da Conferência comemorativa dos 10 anos do projecto, aqui fica, mesmo assim, uma pequena reportagem da primeira jornada de Outono, realizada no dia 8 de Outubro.

A manhã foi passada numa pequena várzea na zona da Chousa, onde já tínhamos estado numa jornada anterior, e o que havia a fazer também não era diferente: arrancar as muitas mimosas que germinaram depois da mobilização de solo que aqui se efectuou. Mas desta vez descobriu-se algo novo: que nos locais onde já tinham sido arrancadas mimosas, novas plantas se encontravam a germinar, talvez por acção da pequena perturbação de solo que o arranque originou, e ajudadas pelas primeiras chuvas depois do Verão. Preocupante era a densidade destas novas mimosas, agora com apenas alguns milímetros de altura, em geral demasiado pequenas para serem arrancadas e que uma operação de sacha fazia mais facilmente. Mas não tínhamos ferramentas de sacha… e por acção desta sacha não se poria outra geração de sementes a germinar?! Felizmente trata-se de uma parcela pequena. Mas imaginem se fosse grande!

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Voluntários em acção e mimosas alvo, em primeiro plano

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Outra perspectiva dos trabalhos

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Germinação de mimosa

A equipa continou a arrancar mimosas grandes (10-30 cm de altura), e, já pelo final da manhã, foi fazer uma inspecção à parcela do outro lado do ribeiro. Esta também tinha muitas mimosas grandes mas não foi sujeita a mobilização de solo. Observou-se que também havia muitas mimosas novas a surgir, mas não tantas como no terreno mobilizado.

Depois de um almoço com o conforto a que nos temos habituado nos últimos tempos, a tarde passou-se também junto ao Ribeiro, mas já na mata da Altri Florestal, na área de confluência dos vales nºs 3, 4 e 5. Antes disso, contudo, passou-se pelo apiário do Cabeço Santo, onde se observou a presença da nova ameaça às colmeias e às abelhas, a vespa asiática, aliás mais uma espécie invasora.

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Vespa asiática ameaçando uma colmeia do Cabeço Santo

Quanto à área ribeirinha, esta foi a primeira a ser intervencionada, ainda em 2008, quando estava muito invadida por mimosas e eucaliptos de origem seminal. Toda essa vegetação foi cortada, a respectiva rebentação pulverizada com herbicida algumas semanas mais tarde e depois plantada, embora, como se tratava de uma área de produção antiga e sendo o terreno rochoso e escarpado em alguns locais, também se encontrava alguma vegetação nativa arbustiva e mesmo arbórea, em particular carvalhos, medronheiros e dois ou três adernos que não chegaram a arder em 2005. Com o tempo e como a área não foi muito acompanhada, as mimosas foram aparecendo de novo, quase parecendo ao longe que se tinha transformado de novo num mimosal. Visto de perto, contudo, só aqui e ali, as mimosas recompuseram manchas densas. Na maior parte da área convivem com a vegetação nativa, original ou introduzida.

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Voluntária descascando mimosas

Numa abordagem de prioridade à operação de descasque (que é mais eficaz do que o corte com pincelamento com herbicida), embora mais demorada, a equipa passou a tarde toda a descascar mimosas, só tendo reservado alguns minutos no final para uma pequena visita exploratória. O trabalho não foi difícil, mas claro, as mimosas eram muitas pelo que, mesmo com uma equipa de cinco concentrados voluntários, o avanço foi modesto, entre os vales nºs 3 e 4. Só ficaram por descascar as mais pequenas, que serão abordadas numa ronda futura, quando já tiverem um diâmetro apropriado. Assim se espera prosseguir lenta, mas seguramente, para uma paisagem com menos mimosas.

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Resultado de uma tarde de trabalho

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Voluntários deste dia

Obrigado aos voluntários, um deles estreante, e (agora que a Conferência de aniversário já passou!) até à próxima jornada de 5 de Novembro!

Paulo Domingues

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Conferência “Recuperação Ecológica e Paisagística de Áreas Florestais”

Eis a “chamada” final para a Conferência de comemoração dos 10 anos do Projecto Cabeço Santo “Recuperação Ecológica e Paisagística de Áreas Florestais”. O cartaz oficial e o programa, apenas com pequenas alterações em relação ao anunciado antes vêm já a seguir:

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Como vem referido no cartaz, as inscrições são geridas pela Câmara Municipal de Águeda, pelo endereço dv-as@cm-agueda.pt mas, quem não tiver correio electrónico também se poderá inscrever através do telemóvel do Núcleo de Aveiro da Quercus 966 551 372.

Vamos fazer desta Conferência um grande momento de reflexão, informação e motivação para os próximos 10 anos do projecto? Os desafios são muitos, talvez ainda mais do que foram no início, quando das cinzas do grande incêndio de 2005 todo um processo de recuperação, mas também de degradação, se pôs em marcha. Mas cá estamos para os abraçar, com todos aqueles que pontual ou regularmente se quiserem juntar a este projecto, ou mesmo a outros que, com objectivos similares, se desenvolvem pela região, pelo país, e mais além. Porque a nossa esperança é que projectos como este se multipliquem e floresçam. Não queremos ser únicos!

Até dia 15 de Outubro, na Câmara Municipal de Águeda!

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