Agosto

Com Agosto a aproximar-se do final, é tempo de começar a pensar na nova época de trabalhos no Cabeço Santo, que se inicia logo no dia 3 de Setembro com a jornada do 10º aniversário do projecto.

Mas antes de olhar para o futuro, façamos um pequeno balanço da semana de sobressalto que de novo trouxe as chamas até bem perto do Cabeço Santo. A segunda semana de Agosto foi com efeito avassaladora para o Concelho de Águeda, com, ao que tudo indica, mais de 100 km² de área florestal queimada. O eucaliptal da zona serrana foi severamente atingido, sobretudo as freguesias do Préstimo e Macieira de Alcoba e de Belazaima, Castanheira e Agadão. Nesta última, contudo, a área mais afectada foi a da antiga freguesia de Castanheira do Vouga (Agadão já tinha sido fortemente atingida em 2013), sendo que a antiga freguesia de Belazaima foi a que acabou por ser mais poupada. O próprio Cabeço Santo “viu” o fogo aos seus “pés”, pois ardeu até à estrada Belazaima-Agadão, mas aí foi detido e não subiu o cabeço. Já no primeiro dia dessa fatídica semana, em plena tarde de Domingo, um pirómano tinha ateado o fogo em três locais do Cabeço do Meio (a sul do ribeiro de Belazaima), mas a pronta intervenção da unidade local de protecção civil evitou o pior. Mais longe para sul, na zona serrana do Concelho de Anadia, as coisas também estiveram feias, e até em plena gândara do Casarão (em torno da nova área industrial) o fogo progrediu até Aguada de Cima, em terreno aparentemente fácil. O Rio Águeda, desde praticamente o limite do Concelho até quase à cidade de Águeda, ficou de novo num estado de aflitiva condição, apenas 3 anos depois dos grandes incêndios do Caramulo, que já tanto o tinham afectado. Acompanhá-lo ao longo da estrada do Caramulo, desde Carvalhal, nos confins das terras aguedenses, até à Redonda, e depois, pela EN 336, até Bolfiar, é uma verdadeira dor de alma, que só a anestesia colectiva face ao estado da paisagem e da biodiversidade impede que se transforme num grande movimento em prol da sua recuperação. O Rio Agadão, afluente do Águeda, não se encontra melhor, tendo ardido agora o que não ardeu em 2013, pelo menos a jusante das aldeias da antiga freguesia com o mesmo nome.

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Eucaliptal com solo mobilizado: o fogo progrediu pelas copas

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Encosta num afluente do Agadão: solos mobilizados em declives muito acentuados

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O Rio Agadão, entre a Falgarosa e Falgoselhe: sobraram as mimosas

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Margens do Rio Agadão a jusante da ponte de Falgoselhe

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Uma ilha de paraíso no meio do inferno

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Ilha: um pequeno sobreiro de copa verde no meio do queimado

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Um pequeno vale

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O Cabeço Santo, em segundo plano, ficou verde. Glauco, é certo, mas verde

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Servia para combater o fogo, mas ia sendo queimado

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Da cumeada, avista-se uma imensidão ardida, só interrompida por pequenas manchas verdes. A povoação deve ser Serra de Cima na freguesia do Préstimo

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Rio Águeda, “praia” da Talhada

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Plantação recente: por agora, a salvo

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Afluente do rio Águeda: verdes, alguns carvalhos, mas também mimosas

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Rio Águeda, a jusante da ponte de Falgoselhe

O sentimento de impotência face a um tão vasto estado de calamidade, mas que no fundo é só o culminar de uma história recente de deficiente sensibilidade (e sabedoria, afecto, …) face à natureza desta frágil paisagem, só pode, esse sentimento, ser um pouco mitigado pelo que vamos fazendo no Cabeço Santo, mas que de facto não é senão uma gota de água no imenso mar de necessidades que se apresenta. Quando teremos pessoas, comunidades, que, movidas por um maravilhamento pela vida e pelas suas manifestações, se entregam desmedidamente a essa apaixonada acção de ajudar a trazer vitalidade, beleza, cor, a esta paisagem que antes de ser negra já era cinzenta? Como ajudar a criar esse movimento, sabendo que o potencial (para a dádiva generosa e amorosa) se encontra latente em (quase) todas as almas, mas ofuscado pelas distracções e exigências da vida em sociedade? Reflexões precisam-se e também queremos que as iniciativas que marcarão o 10º aniversário do Projecto sirvam para as alimentar. Por isso, a primeira oportunidade é já no Sábado, dia 3 de Setembro, primeiro momento das comemorações, que culminarão com uma Conferência a realizar no dia 15 de Outubro na Câmara Municipal de Águeda, durante todo o dia. Mais detalhes sobre esta conferência serão tornados públicos em breve. Para já, até dia 3!

Paulo Domingues

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Segunda Jornada de Verão

A jornada de 23 de Julho foi a segunda do Verão e, para os padrões da Estação, foi uma jornada participada: 5 voluntários. Na agenda estava uma acção motivada pelas duras condições que este Verão tem imposto, com temperaturas bem acima da média e ausência de chuva: regar as árvores plantadas no último Inverno, a fim de as ajudar a superar esta prova.

Uma rega de Verão das árvores plantadas era algo que nunca tínhamos feito e por isso a estrutura ainda não estava experimentada: tínhamos um depósito de 1000 litros na carrinha e uma bomba a gasolina para o encher a partir das águas da represa. A rega iria fazer-se com a ajuda de uma mangueira e de regadores de mão.

Saímos pelas 8:30h porque o dia se previa quente, e ainda era necessário encher o depósito, o que aconteceu sem surpresas. E a rega começou na extremidade da área de intervenção nas margens da própria represa no ribeiro de Belazaima. Tudo parecia estar a correr bem, mas, logo no primeiro avanço da carrinha tudo mudou: as ondas da água dentro do depósito, a falta de aderência deste à caixa da carrinha e uma pequena inclinação do caminho fizeram com que o depósito resvalasse para fora e, ainda cheio de água se atirasse como uma pedra gigante pela encosta abaixo até se deter, em poucos segundos, nas águas da represa. Pareceu de repente que os projectos de um dia se tinham afundado naquele momento com o depósito. Mas, no momento seguinte, reflectiu-se: o depósito tinha-se perdido, é certo, mas ninguém se magoou, nenhuma peça de equipamento se perdeu, nem mesmo a mangueira que continuava ligada ao depósito, lá em baixo nas águas. Um telefonema para a pessoa certa permitiu identificar um depósito que podia ser pedido emprestado. Rapidamente se foi buscar, e claro, cordas para o prender à caixa da carrinha. Apesar de alguns contratempos, pouco mais de uma hora depois já o segundo depósito se enchia numa poça do ribeiro, na Chousa.

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Enchimento do primeiro depósito

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Apesar das duras condições deste Verão, muitas árvores apresentavam boa vitalidade

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Depósito nas águas da represa, numa zona de acesso difícil. Prendeu-se com uma corda à margem para não “fugir”

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Perspectiva da encosta na zona de queda do depósito

Entretanto, com os meios que tinham, os voluntários tinham conseguido avançar três centenas de metros, indo buscar a água directamente à represa e ao ribeiro. Apesar de um segundo contratempo, que obrigou a despejar metade do depósito, pois pareceu demasiado perigoso subir um caminho inclinado com ele cheio, a manhã veio a concluir-se já junto às terras do Feridouro, com um almoço retemperante: a dinâmica do dia estava recuperada, embora as horas mais frescas da manhã não se tivessem podido aproveitar com a máxima eficiência.

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Esta encosta foi regada sem depósito de apoio

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Pouco tempo depois, já se operava com um segundo depósito. Mas a água tinha que ser retirada por efeito de sifão.

À tarde, e depois de uma pequena sesta, os trabalhos recomeçaram ainda a jusante do Feridouro, e até pareceu que uma corrente fresca não confirmava as previsões de 34 ou 35 ºC para essa tarde. Para os trabalhos a montante do Feridouro, tivemos uma ajuda importante: a possibilidade de encher o depósito num tanque de rega (um obrigado aos proprietários!), o que era muito mais rápido e nem necessitava de bomba!

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Depois das tensões da manhã, à tarde, a boa disposição imperava

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Vista geral dos trabalhos

Começámos então desde os portões da mata da Altri Florestal para jusante, cobrindo toda a faixa ribeirinha plantada este ano. Quando terminámos, depois de vários arranhões, algumas contusões, meia dúzia de picadas de vespa (divididas por apenas dois voluntários!…), entre três e quatro mil litros de água transferida e muito suor derramado, já passava das 20 horas e quase todas as árvores plantadas este ano tinham sido regadas. Tinham sido quase 12 de horas de muita determinação, algumas emoções fortes, e a sensação de missão cumprida! Um belo final de ano de trabalho voluntário antes de Agosto, o único mês do ano em que os trabalhos voluntários “encerram”, para férias. Mas ainda falta referir um elemento importante: pareceu que, até agora, as perdas de árvores não foram importantes, talvez apenas uns 10%, ou mesmo menos. E com esta rega estamos convictos de que ajudámos muitas a sobreviver à Estação mais dura do ano. Mas o balanço final só se fará com as primeiras chuvas.

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Bonita perspectiva do ribeiro captada pelo Abel

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Observação: por aí algum especialista em excrementos?

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A finalização dos trabalhos

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A equipa pelo final do dia

Na página no Facebook serão publicadas ainda mais fotos, de Paulo Domingues e Abel Barreto.

E não esquecer: a primeira jornada depois de férias (3 de Setembro) será uma jornada especial: a jornada do 10º aniversário do projecto. E já que falamos em aniversário, cabe também informar que a Conferência a realizar em Águeda em Outubro, e inicialmente prevista para 8 de Outubro, passou para 15.

Desde o Verão do ano passado realizaram-se 17 jornadas (15 regulares, 2 extraordinárias), que envolveram 43 pessoas diferentes num total de 126 participações (excluindo visitas). Valeu a pena, não acham?! Boas férias!

Paulo Domingues

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A primeira jornada de Verão

Eis que, depois de um pequeno problema técnico, a reportagem da última jornada voluntária e primeira do Verão só agora chega a público.

Apenas três voluntários se apresentaram disponíveis, um pequeno número para as necessidades do dia, mas afinal, compreensível: num dia com máximas previstas a superarem os 30ºC, não deixa de ser necessária uma pequena dose de “loucura” para dedicar um dia a cortar rebentos de eucalipto… Porque era esse o principal trabalho previsto para este dia: voltar a uma área com cerca de 3 ha em torno do vale de Barrocas e das suas 3 nascentes para, com a força da persistência, “convencer” as toiças de eucalipto aí presentes a “desistir” e deixarem-nos o espaço livre para lá colocar outras espécies.

Mas acabámos por iniciar os trabalhos numa extremidade de um outro terreno, na Benfeita, ainda junto a Belazaima, onde também era necessário fazer o mesmo trabalho. E aí andámos até às 10:30h, quando rumámos ao vale de Barrocas. As ferramentas para este trabalho são simples, mas exigem cuidado e atenção: mãos e machadas de cabo curto.

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Nos rebentos de eucalipto, com Belazaima à vista (Benfeita)

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Esta área já não era muito intensamente explorada para cultivo devido ao carácter rochoso do solo

A área a trabalhar na zona do Vale de Barrocas era abaixo do antigo caminho de acesso a Belazaima-a-Velha, e iniciava-se num pequeno vale secundário. A pequena equipa foi progredindo em faixas mais ou menos paralelas, para não se colocar muito esforço a subir e a descer a encosta. Mas, apesar de se tratar de uma encosta voltada a norte/nordeste, o sol do meio dia foi produzindo os seus efeitos, e pelas 12 horas já era necessário compensar com abundância a água que ia encharcando as t-shirts através de todos os poros da pele. Para o relator destas linhas, que se encontrava mais longe dos garrafões de abastecimento, tornou-se a dada altura irresistível uma ida a uma das nascentes do Vale de Barrocas, não obstante algumas dificuldades para lá chegar, devido aos fetos e às silvas. Mas, uma vez lá, e com a sede no seu pico, foi quase um vislumbre do paraíso observar aquela água que brotava abundante directamente da rocha de xisto, no fundo de um barranco sombrio. E bebê-la, claro, apanhada com as mãos, e depois de generosamente bebida, derramá-la sobre o peito e as costas, sentindo um repentino revigoramento para concluir afinal que, por essa bendita água, não seria afinal tão “louco” o esforço de tão trabalhosa e suadamente se submeterem as toiças de eucalipto daquela maneira…

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Nesta zona do Vale de Barrocas os fetos parecem “medir forças” com os eucaliptos!

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Perspectiva do vale do ribeiro, com a área recentemente plantada visível do outro lado e a área hoje trabalhada em primeiro plano

Mas, havia que regressar de encontro aos companheiros, e ao “paraíso”, não do presente, mas do futuro, ou uma pequena amostra dele. A manhã aproveitou-se até bem depois das 13 horas, porque a seguir ao almoço, devido ao calor que se fazia sentir, não continuaríamos nos eucaliptos. Depois de uma merecida e estendida sesta, abrimos uma nova frente de avanço nas mimosas da área ribeirinha das Costas do Rio, zona também conhecida por Pé Torto, devido à curva apertada que o ribeiro aqui faz. Trabalhámos na margem esquerda, onde ainda quase não houve intervenção, ao contrário da direita, uma das primeiras áreas ribeirinhas onde se interveio na mata da Altri Florestal, em 2008. O tamanho e a densidade destas mimosas aconselha uma operação de descasque, trabalho que tinha a vantagem de se fazer à sombra, prescindindo até das t-shirts, que, mesmo à sombra, apresentavam o incómodo de rapidamente ficarem suadas. As águas do ribeiro, logo ali bem próximas, convidavam a um banho de pés, e só não um mergulho por serem demasiado baixas. Esta é uma zona onde o ribeiro corre com frequência “encaixado” por escarpas de xisto, paisagisticamente promissora mas onde as mimosas, e também os eucaliptos, ainda prometem longos anos de trabalho até se tornar de novo “paisagisticamente interessante”!

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Perspectiva do ribeiro já com as mimosas descascadas na margem esquerda

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As águas do ribeiro

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Um pouco a jusante, dois carvalhos da margem direita debruçam-se sobre o ribeiro: estão já na mata da Altri Florestal numa das primeiras áreas ribeirinhas onde o projecto interveio em 2008

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Um selvagem?! Não, um voluntário!

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Admirando o trabalho realizado, já pelo final de tarde

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Um rocha do ribeiro

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Um detalhe geológico

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A pequena equipa, no final do dia

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Um olhar sobre a pequena aldeia do Feridouro, já no caminho de regresso a casa

E assim se fez o resto da tarde. No próximo dia 23 os trabalhos continuam e gostaríamos de contar com mais voluntários, pois depois só voltaremos aos trabalhos na grande Jornada do 10º aniversário do projecto, no início de Setembro!

Um conjunto mais alargado de fotos desta jornada estará disponível na página do projecto no Facebook.

Até já!

Paulo Domingues

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Jornadas Voluntárias de Verão

Anunciam-se as Jornadas Voluntárias de Verão, um conjunto de jornadas de trabalho voluntário a realizar entre Julho e Setembro no Cabeço Santo. Estas jornadas têm a particularidade especial de “atravessarem” a data na qual se perfazem 10 anos do início das actividades do Projecto, que, pelo menos em pleno campo e com voluntários em realização de trabalho, se iniciou com um Campo de Trabalho Voluntário (CTV) de 5 dias, entre 1 e 5 de Setembro de 2006. Por isso, todos os anos se tem realizado uma “jornada de aniversário” por volta dessas datas. Mas este ano são 10 anos, pelo que se prepara um conjunto especial de iniciativas. E a primeira é exactamente uma jornada voluntária de aniversário, a levar a efeito no dia 3 de Setembro de 2016. Outras serão uma Conferência a realizar no Salão Nobre da Câmara Municipal de Águeda com a presença de vários conferencistas, no dia 8 de Outubro, uma exposição fotográfica sobre os 10 anos do Projecto e ainda outros eventos, dos quais se darão notícias posteriormente.

Mas as jornadas de Verão iniciam-se ainda em Julho com duas jornadas em 9 e 23 de Julho. Agosto será de férias, como tradicionalmente acontece. Em Setembro teremos então a jornada de 3 e outra ainda a 17, mesmo a tempo de encerrar o Verão.

Seria interessante reunir pelo menos alguns elementos da equipa que participaram no primeiro CTV, e da maior parte dos quais se perdeu o contacto, e até de outros que participaram ao longo de anos e que depois seguiram outros caminhos. Quanto aos primeiros, aqui ficam duas fotos tiradas durante o CTV. Ainda estão por aí? Digam coisas!

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Equipa no final de um dos dias de trabalho

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No último dia do CTV realizou-se um almoço de despedida no restaurante local. Já não estavam todos os participantes

Paulo Domingues

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A última Jornada de Primavera

A última jornada de Primavera, aconteceu, não obstante os apelos e a necessidade, com apenas 3 voluntários activos, após uma semana fresca, mas já a adivinhar o calor que as previsões e a chegada próxima do Verão faziam esperar. O trabalho previsto era aquele já programado para a jornada de 14 de Maio que não se tinha podido realizar devido às condições meteorológicas: cortar rebentação de eucalipto numa área em início de reconversão em torno do Vale de Barrocas, um vale da margem sul do ribeiro com pelo menos três nascentes de água para consumo humano ainda em uso. Sobretudo por este motivo, tomou-se a decisão de aqui evitar a todo o custo o uso do herbicida e tentar a desvitalização das toiças de eucalipto por corte repetido da rebentação. Mas são talvez milhares de toiças numa área de, pelo menos, 3 ha em torno dos dois braços principais do vale.

Já aqui se tinha realizado trabalho em jornadas especiais durante a semana, neste blogue reportadas, mas mesmo as toiças então trabalhadas já se encontravam com rebentação outra vez, tendo-se optado por cobrir toda a área acima do antigo caminho para Belazaima-a-Velha, independentemente do estado da rebentação. Claro, já sabemos que não é numa vez, nem talvez em duas, que se consegue a desvitalização; este é um trabalho que terá de ser repetido várias vezes, até “cansar” as toiças, mas vamos tentar distribuir as acções de corte da rebentação de maneira a minimizar o esforço.

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O vale de Barrocas e o seu “ramo” principal. A área de intervenção é entre os caminhos

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Vista geral da área. O antigo caminho para Belazaima-a-Velha é o de baixo

O trabalho faz-se com machados, e de facto cortar um rebento de eucalipto até nem é difícil, não fossem às vezes as dezenas de rebentos por toiça e o número de toiças, não apenas as originalmente plantadas mas também as dos eucaliptos que germinaram após o incêndio de 2005.

Os elementos da equipa trabalharam tendencialmente ao longo das linhas de nível, por faixas de progressão, para minimizar o esforço, e como eram tão poucos para um trabalho tão volumoso, tiveram que se aplicar afincada e metodicamente, começando no ramo principal do vale e avançando para oeste. Quando chegámos ao limite do terreno, o calor já se fazia sentir, mas uma surpresa agradável esperava-nos: apesar da cota elevada em que estávamos, uma das nascentes do vale estava logo ali, e devido à chuvosa Primavera, a água transbordava da sua caixa de retenção, podendo ser recolhida,… e bebida! Nada soube melhor que essa água que brotava directamente das entranhas da Terra, fresca e “perfumada”.

O trabalho progrediu com muita dinâmica durante a manhã e nem a sua monotonia desanimou os voluntários. O cansaço já era muito na tardia hora de almoço, e foi necessário fazer uma pequena sesta. O problema é que a única sombra disponível era a de uns eucaliptos que ali perto ainda estavam por cortar, e como se sabe, a sombra dos eucaliptos é muito fraquinha. Desse modo, quando o sono estava quase a chegar era necessário mudar de sítio porque a escassa sombra já se tinha movido! Finalmente uma solução definitiva: voltar ao trabalho!

À tarde subiu-se ainda mais na cota do terreno até chegar a um caminho que servirá de limite a esta área de conservação. Aqui a principal dificuldade foi a ramada de eucalipto deixada no chão, que em muito dificultava a progressão no terreno. Mas nem isso, nem o cansaso crescente conseguiu desmotivar os voluntários, que progrediram de novo em direcção ao ramo principal do vale, que ultrapassaram, quase cobrindo os cerca de 2 ha que esta área tem. No final, todos estavam surpreendidos com a quantidade de trabalho realizado, com apenas 3 pares de braços. Naturalmente, pusemo-nos a imaginar o quanto seria possível fazer com 6, 9, ou 12 voluntários! Só houve um pequeno senão: não houve muita disponibilidade para tirar fotos, foi só no princípio e no fim. Quanto aos voluntários, agora só no Verão poderão retomar a sua participação. E para lhes dar oportunidades está já a ser planeada uma série recheada de jornadas… e de supresas! A próxima data é 9 de Julho. Mas os detalhes virão muito em breve.

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Vista da área pelo final da tarde. A posição do sol não facilitava a obtenção de uma boa foto

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A pequena grande equipa

Paulo Domingues

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5ª Jornada de Primavera

Depois da caminhada do passado Sábado, dia 21, voltámos aos trabalhos de campo, com o propósito de cortar rebentação das toiças dos eucaliptos no Vale de Barrocas e zona ribeirinha.

Esta foi mais uma jornada extra, tendo-se desenvolvido esforços para conseguir a disponibilidade do maior número possível de voluntários, e oferecendo-se condições facilitadoras de transporte e estadia para quem veio de longe. Infelizmente, não estamos a conseguir captar o interesse de pessoas de mais perto, vamos tentar outras estratégias e chegar a instituições e grupos que desconhecem o projeto.

Devido à falta dos meios logísticos habituais, o dia começou com uma caminhada pelo caminho de acesso à Mata do Cabeço Santo, passando pelo Chão do Linho e depois subindo o Vale de Barrocas para acesso à área que não foi intervencionada na última jornada. Foi um inicio exigente com a caminhada e o corte dos eucaliptos pela encosta acima.

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Inicio da caminhada, observando as novas e futuras áreas de intervenção

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O inicio dos trabalhos aconteceu entre os fetos, na encosta do lado esquerdo do Vale

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Voluntário em acção no corte dos eucaliptos

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Trabalhos de corte da rebentação da toiça

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Os trabalhos continuavam encosta acima

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Centenas de rebentos em toiças para serem cortados

Vista da encosta de cima para baixo

Vista da encosta de cima para baixo

Os trabalhos desenrolaram-se a bom ritmo, e chegada a hora do almoço voltámos a descer o vale para descobrir uma sombra para uma merecida pausa. Pelo caminho puderam apreciar-se os trabalhos e as bonitas árvores que foram por nós plantadas.

Castanheiro, plantado à cerca de 2 anos

Castanheiro, plantado há cerca de 2 anos

Azereiro plantado este ano com a encosta virada a norte do ribeiro, em pano de fundo

Azereiro plantado este ano com a encosta virada a norte, a sul do ribeiro, em 2º plano

A acção seguinte era a continuação do corte da rebentação de eucalipto na zona ribeirinha. Aqui os rebentos dos eucaliptos eram maiores, o terreno mais declivoso e com a presença de sobras de ramada e de lenha deixadas aquando do corte.

O esforço foi imenso: tentámos trabalhar em linha para conseguir percorrer toda a largura da encosta.

Um dos elementos progrediu junto ao ribeiro, que é a parte mais densa, mas acabou por se deixar essa faixa para análise da equipa coordenadora para estudo de possíveis alternativas, pois que se trata de uma área muito densa de eucaliptos, mimosas, matagal e lenha.

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Voluntário em acção

voluntário "perdido" no meio dos rebentos

Voluntário “perdido” no meio dos rebentos

Para alguns voluntários esta foi uma tarde de grande exigência, apesar das temperaturas amenas, tendo-se os trabalhos prolongado até ao fim da tarde.

Cobrimos uma grande área, na qual os trabalhos vão continuar até à entrada do Feridouro nas próximas semanas.

fotografia, antes do corte

Fotografia, antes do corte

fotografia depois do corte

Fotografia depois do corte

a olhar a mancha de carvalhal que sobreviveu ao incêndio de 2005

Observando a mancha de carvalhal que sobreviveu ao incêndio de 2005

incorrecto corte de rebentação, o ação necessaria é esgassar e corte rente á touça para adiar o rebentamento

Corte de rebentação incorrectamente realizada, a técnica mais apropriada é a eliminação pela base da rebentação, junto à casca da toiça

Aqui fica o meu agradecimentos a todos os voluntário pelo esforço, dedicação em prol do projecto e da Natureza.

Mais uma jornada extra está a ser planeada ainda para esta Primavera, será anunciada a data em breve.

Aqui fica o meu agradecimento pela disponibilidade das fotos da Maria Teresa.

a habitual foto de família, com um sabugueiro em pano de fundo

A habitual foto de família, com um sabugueiro em 2º plano, faltando um voluntário

Até breve!

Um bem haja a todos!

Jorge Morais

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Visita guiada de 21 de Maio

A visita guiada ao Cabeço Santo decorreu num dia fresco e cinzento, como que a querer contrariar toda a exuberância e colorido do coração da Primavera. Mas os participantes não se sentiram intimidados, e pouco depois das 9:00h subiam já o Cabeço Santo pelo caminho mais curto, paralelo ao Vale de S. Francisco.

A primeira paragem, à entrada de uma área de intervenção onde os trabalhos de reconversão do eucaliptal e de recuperação do vale se iniciaram apenas em 2015, foi motivo para uma animada conversa. Mas o estado do terreno, de cerca de 3,5 ha, onde ainda abundam as rebentações de eucalipto e onde ainda há muito a fazer nas mimosas, convida mais à acção do que à conversa, não obstante todas as reflexões sobre o que e como fazer aqui sejam bem-vindas. As águas ainda corriam abundantes nas várias cascatas deste vale mas a neblina não as deixava ver, pelo que os visitantes tiveram que imaginar.

A paragem seguinte foi à chegada ao terreno adquirido nas Bicas de Aguadalte pela Quercus em 2006, onde se fez um pequeno historial do projecto, que praticamente “nasceu” aqui.

Depois do atravessamento de uma área de eucaliptal, a subida fez-se ao longo da cumeada que limita o terreno da Quercus, e começaram a ver-se coisas interessantes, ainda que aqui o solo seja muito pobre: estamos no reino do matagal atlântico, onde só um medronheiro ou um pinheiro ousam subir mais alto do que a generalidade dos arbustos desse matagal: as urzes, os tojos, a carqueja, e as cistáceas.

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Cistus salvifolius, um dos arbustos do matagal

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Halimium ocymoides, outra cistácea bem colorida

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Genista triacanthos, um tojo de abundante floração, que forma matas muito densas

Mas foi preciso chegar ao antigo caminho da propriedade da Altri Florestal, onde entretanto se tinha entrado, para se começar a observar um mais vasto cortejo florístico, que agora se mostra em todo o seu colorido. A densa neblina, que só agora se começava a dissipar, impregnava vários reinos da natureza, deixando-os com um encanto especial.

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Gladíolo-silvestre

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Teia de aranha coberta de gotículas

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Vegetação rupícola

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Por esta altura a neblina ainda cobria o cabeço

Mais à frente, não pudemos deixar de nos confrontar com um dos “ossos” mais duros de roer do projecto: a mancha de acácia-de-espigas em torno das cabeceiras dos vales nºs 2 e 3. Ironicamente, esta mancha e o seu impacto negativo, no centro da área de conservação original, foi um dos motivos para a criação do projecto e um dos alvos dos trabalhos iniciais. Mas depois, a verdade é que o desenvolvimento do projecto para as zonas húmidas das cotas mais baixas deixou esta mancha sem o nível de atenção que ela exigia: mas haveremos de cá voltar em força…

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Mancha de acácia-de-espigas (2º plano, à direita) e área já trabalhada (1º plano)

Observaram-se os vales nºs 4 e 5, e a descida iniciou-se no nº 6, observando-se depois como o corte recente pela Altri Florestal de uma mancha de eucaliptal em terreno bastante marginal deixou em pé a maior parte dos muitos eucaliptos germinados por acção do fogo em 2005. Oxalá esta área ainda dê que falar…

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O vale nº 5, onde se têm realizado trabalhos nos últimos anos

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Zona de cultivo marginal: os eucaliptos que ficaram em pé foram os que germinaram em 2005

Já a descida se continuava pelo vale nº 7 e, sem grandes alterações para melhor em relação ao ano passado, se constatava o estado muito crítico deste troço do vale já fora da propriedade da Altri, invadido por mimosas e plantado sem critério paisagístico que se vislumbre.

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Esta zona do vale nº 7 encontra-se em estado muito crítico

Mas foi a chegada ao ribeiro, onde predominam as folhosas, que permitiu respirar de alívio. Depois da ponte do PR8, os castanheiros e os carvalhos aqui plantados em 2010 já dão espessa sombra; até já temos de pensar em desbastes. Depois o olhar sobre o vale nº 6, o pequeno carvalhal do Cambedo, e o desvio do trilho da Serra para a levada que permite aos visitantes atravessar toda uma área cuja recuperação partiu quase do zero em 2009. E assim se chegou aos confins das antigas terras agrícolas de Belazaima-a-Velha, onde o carvalhal dá lugar ao mimosal numa área de margens muito abruptas e onde os visitantes já se imaginavam futuros voluntários a agarrar-se heroicamente a umas pedras soltas para tentar chegar a uma mimosa inacessível ao comum dos mortais…

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Com a chegada às margens do ribeiro, o panorama alterou-se…

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Os participantes (menos uma) posam para a foto na passagem do ribeiro

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Entre árvores plantadas em Janeiro de 2010

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O “mimosal” nos confins das terras de Belazaima-a-Velha. No entanto na margem direita já se realizou intenso trabalho. Não se nota? É vida!

Depois foi de novo o atravessamento do ribeiro, num local que sempre gostamos de lembrar como era em 2007, não vá isso cair no esquecimento, e é bom que existam fotos, porque assim se vai lembrando e certamente ninguém vai achar que aconteceu por evolução espontânea…

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Atravessamento do ribeiro

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Tirada no mesmo local da anterior em 2007. Não parece? Mas é!

O atravessamento do eucaliptal das Costas do Rio foi um pouco árido, já se sabia, 1 km ao longo do ribeiro com eucaliptos de um lado e mimosas do outro, mas a informação de que será uma área de trabalho num futuro próximo permitiu um novo olhar sobre esta zona.

Finalmente a chegada ao Chão do Linho, com um breve olhar sobre vários hectares de encosta em torno do Vale de Barrocas em início de reconversão, e a comprida faixa ribeirinha onde a intervenção se iniciou em 2015 e onde muitos dos voluntários visitantes neste dia já tinham plantado árvores. Já no Feridouro, os visitantes puderam conhecer a “ontem, hoje e amanhã”, o que seria também um bom título para esta caminhada, onde se olhou para o passado, que em alguns locais ainda persiste, se viveu o presente e se imaginou o amanhã.

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Já a caminho do Feridouro, um olhar sobre uma paisagem em recuperação

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“Canteiro” de Linaria triornithophora

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Os medronheiros plantados este ano parecem estar a desenvolver-se bem

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Chegada ao Feridouro

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Ontem, hoje e amanhã

O almoço fez-se junto à Capela de São Francisco, já eram quase duas da tarde e encerrou-se o evento. Ficou a faltar uma visita à área a jusante do Feridouro, até à represa de Belazaima, mas era de mais para uma manhã só. Aqui fica a promessa de uma artigo sobre o estado presente dessa área, para breve.

A página do Cabeço Santo no Facebook tem fotos não incluídas neste artigo.

Até breve.

Paulo Domingues

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