Mini-CTC sobre Invasoras

É já no próximo fim de semana: o Projecto Cabeço Santo, em colaboração com o Centro de Ecologia Funcional da Universidade de Coimbra (CEF/UC) e a Escola Superior Agrária do Instituto Politécnico de Coimbra (ESAC/IPC), organizam um “mini” Campo de Trabalho Científico sobre controlo de plantas invasoras (mini-CTC) no Cabeço Santo. Realiza-se de Sábado, 29 de Abril a Segunda, 1 de Maio.

Este mini-CTC é herdeiro de uma experiência de mais de 10 anos do CEF/UC e da ESAC/IPC na organização de campos de trabalho voluntário, com duração de uma semana, que visam promover a sensibilização sobre invasões biológicas entre estudantes universitários e profissionais, nomeadamente através de acções de formação e controlo de plantas invasoras em áreas com interesse para a conservação. Este “mini-CTC” é uma versão mais reduzida dos CTC, contando com a contribuição de participantes em eventos anteriores. No entanto, no Domingo o CTC abre-se a outros participantes, quer sejam voluntários que normalmente participam nas jornadas voluntárias do projecto, quer outras pessoas que se interessem pelo tema e pelo projecto. O acolhimento a estes participantes está previsto para as 9:00 horas, prolongando-se os trabalhos até às 18 horas, com almoço servido no campo.

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Mimosas no Ribeiro de Belazaima, uma das áreas alvo de intervenção deste CTC

No Sábado à noite teremos ainda uma tertúlia pública com uma apresentação do projecto para os presentes (participantes no CTC e cidadãos em geral) e com uma apresentação do tema das invasoras por quem mais sabe sobre o assunto: uma das responsáveis pelo grupo das invasoras da Universidade de Coimbra. Este evento realiza-se pelas 21:30 horas na sede da Junta de Freguesia em Belazaima do Chão.

Espera-se, naturalmente, que este evento contribua para melhorar a nossa capacidade de intervenção no que ao infindável trabalho de controlo das espécies invasoras do Cabeço Santo diz respeito, e para aumentar a dinâmica do trabalho voluntário mais regular nesta área, agora que a época de plantação de árvores acabou.

Paulo Domingues

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Primeira jornada de Primavera

As jornadas de Primavera tiveram um “arranque” difícil. Depois de um cancelamento provocado pela chuva, tivemos um dia quente (sim, foi já a 8 de Abril!), a lembrar mais o Verão do que a Primavera ainda agora chegada, com um vento do quadrante leste que quase sempre traz temperaturas elevadas e baixa humidade.

O objectivo para este dia era dar continuidade à última jornada especial de Inverno, participada pelos pequenos escuteiros: colher mais estacas e depois colocá-las, sinalizando as árvores plantadas no Inverno. Como na jornada anterior, as estacas foram colhidas de rebentos de eucalipto junto à represa da Benfeita, onde também se encontra uma faixa com rebentação de carvalho a recuperar para fins de conservação. A manhã foi um pouco acidentada, mas pelo seu final o atrelado do pequeno tractor de transporte encontrava-se bem preenchido de estacas já cortadas com uma medida adequada, e afiadas.

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Preparação das estacas

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À esquerda, a faixa com rebentação de carvalho que está também em recuperação

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O trabalho decorreu com animação e o atrelado do tractor foi-se enchendo de estacas

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Uma urze branca em flor destacava-se contra a superfície escura das águas da represa

O almoço fez-se já junto à área do Vale de Barrocas, onde iríamos colocar as estacas, quando a temperatura já estava elevada, pelo que uma pequena sesta foi essencial para recuperar energias. O problema era encontrar uma boa sombra…

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O almoço, à débil sombra das copas dos eucaliptos…

À tarde iniciou-se o trabalho de transportar as estacas, primeiro encosta abaixo (mais fácil) e depois encosta acima (bem mais penoso), e colocá-las junto a cada árvore plantada. “Descobriu-se” que teria sido muito vantajoso preparar as estacas com alguns meses de antecedência para que pudessem secar e ficar mais leves. Mas agora era tarde de mais… O problema era que, mais do que pela temperatura elevada, a baixa humidade secava rapidamente a boca e parecia que nem a água nem as saborosas laranjas do Feridouro eram capazes de saciar duradouramente a sede. Uma hora de trabalho realizada e um novo período de repouso regenerador revelou-se essencial…

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Estacas colocadas, no terreno de Vale de Barrocas

Mas ainda havia muitas estacas e era necessário continuar. E continuou-se, até praticamente todas as estacas estarem colocadas, já o sol se escondia atrás do Cabeço do Meio e as forças pareciam esgotar-se mais depressa do que na aparentemente mais exigente plantação das próprias árvores.

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A equipa no final de jornada

Tinha sido uma jornada invulgar e inesperadamente exigente. Mas por outro lado foi animador visitar cada árvore plantada e, com pouquíssimas excepções, constatar o seu bom estado. Obrigado a todos os voluntários, e à Maria João também pelas fotos, que entretanto já estão, com mais variantes, no Facebook!

Paulo Domingues

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Actualização

Finalmente é possível trazer a estas páginas uma actualização sobre acontecimentos passados e ainda não relatados bem como perspectivar o futuro próximo.

No dia 18 de Março tivemos (em repetição) a presença de um grupo de escuteiros de Travassõ com os respectivos pais, numa comemoração antecipada do Dia do Pai. Foi uma autêntica jornada de trabalho voluntário em que miúdos e graúdos trabalharam a sério, só sendo mais curta que uma jornada normal.

De manhã o grupo dividiu-se: uma parte ficou a cortar rebentos de eucalipto junto à represa da Benfeita, a fim de com eles fazer estacas de sinalização. Outra parte foi fazer uma “inspecção” das áreas mais a montante, plantadas no ano passado, e verificar se as árvores precisavam de algum cuidado, bem como levantar a situação quanto à ocorrência de plantas de espécies invasoras.

O trabalho mais exigente foi o primeiro, que requeria o corte dos rebentos, o seu transporte para a beira do caminho, o respectivo corte à medida e desramação, e finalmente afiação. A contribuição dos pais das crianças no manejo das ferramentas mais exigentes foi fundamental para o sucesso da operação. No final da manhã, e depois de os grupos terem rodado para todos experimentarem as diferentes actividades, já um atrelado de um pequeno tractor estava cheio de estacas.

Depois de um almoço de campo, que decorreu junto à ponte da Benfeita, os pequenos e grandes voluntários foram colocar as estacas nas árvores plantadas logo ali numa das primeiras jornadas de plantação desta época. No entanto, também ainda houve tempo para plantar mais algumas árvores, de facto, estas sim, as últimas árvores plantadas esta época, mesmo com o Inverno a terminar.

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Já ao almoço. De manhã não tinha havido tempo para fotos!

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Colocação das estacas

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Foram passadas de mão em mão, para minimizar o esforço.

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Trabalhos com carqueja em flor em primeiro plano

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Com um raio de sol a abençoar

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A equipa, no final da jornada

E assim se concluiu esta jornada especial, que encerrou as actividades voluntárias de Inverno no Cabeço Santo. Obrigado a todos os pequenos voluntários, pais, mães e chefes!

No Sábado seguinte, 25 de Março, estava prevista a primeira jornada voluntária de Primavera, mas não se chegou a realizar. A chuva prevista caíu com efeito toda a manhã, pelo que a opção de cancelar, sempre difícil de tomar quando as previsões não são de temporal, acabou por ser a melhor. Deste modo, a primeira jornada de Primavera passa para 8 de Abril, de acordo com o calendário previsto. Desta vez tudo indica que iremos ter um verdadeiro Verão antecipado, pelo que o tempo não será obstáculo. E o que iremos fazer? Em princípio, iremos continuar o trabalho da última jornada especial de Inverno agora reportada, recolhendo mais estacas (bastantes ainda sobraram dos trabalhos dessa jornada) e iniciando a sinalização na zona do Vale de Barrocas, onde plantámos mais árvores. Esta sinalização é importante sobretudo onde ocorrem fetos, já que estes crescem rápida e por vezes densamente, facilmente se perdendo as pequenas plantinhas no meio deles. Ao mesmo tempo verificamos se está tudo a correr bem com elas, neste primeiro “renascimento” no seu local definitivo.

Se houver mão de obra para tal, ainda cortaremos os últimos rebentos de eucalipto do Vale de Barrocas.

Voluntários de Primavera, estão prontos?! Cá vos esperamos!

Paulo Domingues

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Jornadas Voluntárias de Primavera

A Primavera já se anuncia em cada botão de árvore e em cada planta verde e as jornadas de Primavera também não se irão atrasar: começam logo no primeiro Sábado de Primavera e prolongar-se-ão até ao último. Eis o calendário:

  • 25 de Março (jornada cancelada)
  • 8 de Abril
  • 29-30 de Abril e 1 de Maio: campo de trabalho científico (CTC) dedicado às invasoras
  • 20 de Maio: jornada de visita
  • 3 e 17 de Junho

O CTC de 3 dias está a ser organizado em parceria com o grupo das invasoras da Universidade de Coimbra e é uma iniciativa um pouco à imagem e por inspiração dos CTC’s que este grupo tem realizado ao longo dos anos em locais de interesse conservacionista. Envolverá antigos participantes de outros CTC’s e logo veremos se no Sábado poderemos também acolher alguns dos participantes habituais nas nossas jornadas. Claro, o tema deste CTC é o controlo das espécies invasoras. Utilizaremos as técnicas já conhecidas e actualizaremos conhecimentos com quem está na “crista da onda” neste assunto.

Nas restantes jornadas continuaremos o trabalho das invasoras e cuidaremos das árvores plantadas nos últimos anos, começando desde logo com as plantadas este ano, assinalando-as com estacas para que possam ser facilmente encontradas e cuidadas mais tarde.

Embora não incluído no calendário acima, nos dias 5, 6 e 7 de Maio decorrerá a Expo-florestal, onde o Núcleo de Aveiro da Quercus estará presente e onde o projecto deverá ter exposição destacada.

No dia 20 de Maio teremos a já “tradicional” jornada de visita, um momento privilegiado para dar a conhecer a evolução do projecto, os valores naturais que nesta altura se mostram efusivamente, e claro, também os aspectos menos positivos, até negativos… Um momento de celebração, contemplação, reflexão, e, no almoço que se lhe seguirá, até discussão.

Temos assim uma Primavera bem cheia! Até já!

Paulo Domingues

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Última Jornada de Plantação

A última jornada regular deste Inverno, e também a última de plantação de árvores, foi uma notável congregação de 19 vontades (humanas, mais 4 caninas) muitas delas pela primeira vez, que deram uma contribuição determinante para que as mais de 250 árvores que ainda tínhamos para plantar neste dia o tivessem sido, para além de outros trabalhos realizados. Foi ainda uma jornada “intercontinental” com participantes de dois continentes e quatro países!

A equipa começou, como previsto, pelo Vale de Barrocas, abaixo do caminho principal. Já aí tínhamos estado, mas neste dia avançámos encosta abaixo em direcção ao ribeiro. Não foi um início fácil porque o terreno era pedregoso, o mato denso, e as ramadas de eucalipto abundantes. Para além disso, a encosta tornava-se extremamente declivosa à medida que nos aproximávamos do ribeiro. Para além da plantação de árvores, alguns voluntários dedicaram-se ao corte de rebentação de eucalipto.

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Voluntárias em acção

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Equipa “internacional”

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Em terreno muito inclinado!

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Lódão-bastardo já rebentado, acabado de plantar

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Vista do ribeiro, lá em baixo

Depois de dois dias de autêntico Verão antecipado, o dia estava fresco e os trabalhos avançaram com determinação. Mas o espaço disponível aqui já não era muito pelo que ainda antes do final da manhã o trabalho deu-se por terminado e a equipa dirigiu-se para montante, subindo da cota dos 170 metros até à dos 270, no ponto mais elevado desta área de intervenção. Após esta subida de 100 metros achou-se por bem almoçar, para recuperar energias…

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Reforço de energias com especialidades vegetarianas e bolo para terminar!

À tarde, e reabastecido o stock de árvores, a plantação continuou entre um braço muito secundário do vale e o principal. Aqui havia mais solo e menos pedras do que lá em baixo, pelo que o esforço adicional de transportar os materiais encosta acima era algo compensado pela maior facilidade em plantar as árvores. Também lá em cima uma equipa se dedicou à rebentação de eucalipto, esta bem mais difícil do que lá em baixo porque era a primeira vez que era cortada.

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Caminhada até à área seguinte numa cota mais elevada do vale

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Cá em cima os rebentos de eucalipto eram bastante grandes

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Trabalhos em curso, apreciados ao longe

Os trabalhos avançaram durante a tarde e foi já em pleno “coração” do Vale de Barrocas que as árvores se esgotaram, as energias também já não estavam longe disso, e o sol, já bem escondido atrás do Cabeço do Meio, fazia parecer ainda mais frio o ar que o vento trazia de nordeste, bem diferente do dos últimos dois dias, o temível vento de sudeste.

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Perspectiva do vale, terminados os trabalhos

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A equipa deste dia, já sem a presença de três voluntárias

E foi assim que se encerrou a época de plantação de árvores. Se poderá não impressionar pelo número de árvores plantadas (pouco mais de 2000), não deixa de ser expressivo o número de jornadas realizadas (9), o número de voluntários envolvidos (várias dezenas, num total de cerca de 120 participações) e sobretudo o esforço desenvolvido na realização de um trabalho que é um dos mais exigentes que pedimos aos voluntários, e cujo resultado leva muitos anos a tornar-se visível. Como bem ficou patente ao longo da época, trabalhámos quase invariavelmente em locais de acesso e movimentação difíceis, os locais de plantação tiveram que ser pesquisados em terreno por vezes pedregoso e densamente percorrido por raízes de eucalipto, com ramadas dos últimos cortes frequentemente depositadas e ainda com a presença do matagal, ainda que “amassado” pela queda dos eucaliptos e os movimentos de rechega. E, apesar das dificuldades, muitos dos voluntários voltaram uma e outra vez, num movimento que quase sempre excedeu as 10 pessoas por jornada e que permitiu a realização de outros trabalhos importantes como o corte das rebentações de eucalipto. Creio não ser excessivo afirmar que foi um esforço notável, que merece, neste momento, um reconhecimento especial.

Os trabalhos, é claro, vão continuar já no início da Primavera que se aproxima, e em breve serão anunciadas as Jornadas Voluntárias de Primavera de 2017!

Até já!

Paulo Domingues

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Jornada do Vale de São Francisco

Ainda a tempo, eis a reportagem da jornada voluntária de Sábado passado.

Foi uma jornada muito participada, e com um número significativo de “caloiros”. Não foi por isso, contudo  (porque entre nós os novos têm sempre um especial acolhimento) que neste dia optámos por uma jornada de plantação de árvores e arbustos num dos sítios mais difíceis que podíamos escolher: o Vale de São Francisco.

Esta propriedade de cerca de 3 ha é uma adição recente à área de intervenção do projecto e inclui uma extensão de cerca de 400 metros deste vale que desce do Cabeço Santo até desaguar no ribeiro junto ao Feridouro, passando, lá mais acima, pelo terreno que a Quercus aqui adquiriu em 2006.

É a nossa oportunidade para recuperar um vale com várias escarpas, às quais a água confere o seu especial encanto quando corre com abundância. No entanto, como quase cada recanto desta região, encontra-se num avançado estado de degradação devido ao excessivo aproveitamento para o cultivo de eucalipto e à ocupação por mimosas. Esse estado agravou-se bastante após o incêndio de 2005, quando densas manchas de eucaliptos de origem seminal se implantaram, chegando até agora como formações de eucaliptos quase impenetráveis, ainda que, nesses condições, não pudessem ter crescido muito.

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O Vale de S. Francisco encontra-se num estado limite de degradação

Após o corte inicial dos eucaliptos (para venda) procedeu-se à remoção das mimosas e dos eucaliptos que não tinham aproveitamento e que ocupavam o vale e as zonas mais inacessíveis. Muita dessa lenha e ramada foi retirada, mas muita não o foi por dificuldades várias, a principal das quais o acesso difícil. Seguiu-se a dolorosa mas necessária pulverização com herbicida para eliminar toda a rebentação (de mimosas e eucaliptos) que ocorreu depois dos cortes, e finalmente, quase dois anos após o corte inicial dos eucaliptos, o terreno ficou disponível para os trabalhos de plantação. O seu aspecto não é animador: quem neste dia olhasse com atenção o cenário, ao mesmo tempo grandioso e caótico, belo e horrível, que se mostrava diante de si, não podia deixar de se perguntar: como deixámos a terra neste estado? Como foi possível que, colectivamente, tivéssemos deixado estragar tanto, para beneficiar tão pouco?

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Vista de parte do terreno a partir de cima, com a área de socalcos em 2º plano

Mas voltemos ao trabalho, que agora é o que podemos fazer para reverter os erros passados: com elevados declives, lenha depositada, parte do terreno armado em socalcos há 10 anos e afloramentos rochosos extensos, não se esperava que o trabalho fosse fácil, e assim aconteceu: embora na zona dos socalcos, que trabalhámos de manhã, o solo não estivesse muito compactado, a abundância de pedra solta tornava às vezes quase impossível abrir uma cova com solo suficiente para plantar uma árvore. Dado os acessos serem poucos e difíceis, todos os materiais e equipamento tiveram de ser deslocados entre socalcos graças a uma escada. Mas, ainda assim, e graças ao número e aplicação dos voluntários, pelo meio dia já a maior parte das árvores tinha sido plantada e foi necessário ir buscar mais! Foram pinheiros, sobreiros, medronheiros, lentiscos e murtas as espécies plantadas. Também alguns carvalhos, poucos, que as condições não eram favoráveis.

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Como sempre, a formação foi atentamente seguida

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Para as deslocações entre socalcos teve que se usar uma escada

O almoço tomou-se em pleno coração do vale, aproveitando o único caminho que o atravessa dentro deste terreno, e usufruindo das suas águas cristalinas, até para beber!

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O almoço fez-se de especialidades vegetarianas a que já nos começamos a habituar…

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Provou-se a água do Vale de São Francisco, junto a uma captação ainda em uso na aldeia do Feridouro

À tarde trabalhou-se acima do caminho, já em zona não sujeita a mobilização de solo anterior, mas com afloramentos rochosos mais extensos. Cada local de plantação tinha de ser procurado com cuidado, em busca dos locais onde o solo se acumulou. Os trabalhos prolongaram-se por toda a tarde e parecia que o inevitável cansaço sempre se conseguia ultrapassar com uma tangerina ou um golo de água do Vale de São Francisco. Ou com a ajuda invisível do Santo, quem sabe? A verdade é que o segundo lote de árvores se plantou por completo, e a contabilidade final deve ter excedido bem as 300 árvores e arbustos plantados. Para as condições em que se realizou, e mesmo não podendo falar de uma perspectiva totalmente imparcial, temos de considerar que foi um facto notável!

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Uma esfarrapada mimosa é, apesar de tudo, o único elemento colorido nesta paisagem!

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À tarde, os trabalhos decorreram numa parte da encosta sem socalcos

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Equipa em acção. Os eucaliptos ainda em pé são plantas de origem seminal, que em breve serão cortados.

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Plantas, ferramentas e braços, a combinação perfeita

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O trabalho mais difícil, mas que teve braços disponíveis por todo o dia!

Obrigado aos voluntários presentes pela sua dádiva e superação!

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Uma das muitas árvores plantadas, um medronheiro

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A fantástica equipa deste dia!

No próximo dia 11 de Março teremos a última jornada de plantação de árvores desta época. Voltaremos ao Vale de Barrocas, para aquela que será também a última jornada regular deste Inverno! Não percam! Até lá.

Paulo Domingues

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A jornada TEDx

Finalmente a reportagem da jornada especial do Sábado passado, participada pelo grupo organizador dos TEDx Aveiro. Esta jornada foi marcada por alguma incerteza, pois as previsões apontavam para alguma chuva, mas a ousadia prevaleceu sobre o receio e o grupo decidiu manter a sua participação.

Como que para assustar os mais temerosos, pelas 9 horas, hora prevista para o grupo sair de Aveiro, chovia copiosamente, mas logo chegaram notícias animadoras provenientes dos lados de Vagos: a chuva deveria passar em breve! E assim foi: pelo meio da manhã, quando o grupo finalmente conseguiu chegar ao terreno, já o sol brincava com as nuvens.

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A chegada

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A caminhada até ao local de plantação

O local escolhido foi a encosta a nascente da linha principal do Vale de Barrocas, onde só ainda se tinha plantado uma pequena faixa. Claro, iniciou-se com a necessária “formação”, para que todos trabalhassem de forma esclarecida…

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A formação

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Ainda a formação

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A área a plantar

Como era um grupo grande, uma parte dedicou-se ao corte de rebentação de eucalipto, mais para oeste na parcela. O grupo que iniciou a plantação deparou-se com uma área bastante dura: solo superficial e pedregoso, declive elevado… Foi um acolhimento difícil, mas ninguém desanimou e a verdade é que, com a progressão, o solo se tornou mais fácil de trabalhar.

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A acção

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Azevinhos

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Muitas plantas diferentes para conhecer

O almoço contou com umas novas especialidades caseiras produzidas por uma colaboradora aveirense, e foram bastante apreciadas…

À tarde o cansaço foi-se apoderando de alguns voluntários menos habituados a estes exigentes trabalhos, mas outros deram provas da sua resistência e a actividade prolongou-se até quase às 17 horas, quando se estava já a cruzar o vale.

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O trabalho mais difícil

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O corte da rebentação de eucalipto

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O final

Eram voluntários de 1º experiência (no Cabeço Santo), mas apesar disso quase tudo decorreu muito bem. As fotos são do voluntário Ivo Tavares – Ivo Tavares Studio e uma colecção mais completa pode ser visitada na página do TEDx Aveiro no Facebook.

Um obrigado a todos!

Paulo Domingues

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