5ª Jornada de trabalho voluntário

Para a última jornada de trabalho voluntário, realizada no dia 5 de Abril, inscreveram-se apenas dois voluntários, devendo-se contudo esclarecer que o número de voluntários no campo é sempre mais um que o número de inscritos. Mas realizou-se na mesma, aliás um dos inscritos já tinha dado o mote: “poucos, mas bons” (desculpem os leitores a falta de modéstia).

A equipa, ainda reduzida a dois elementos, subiu ao Cabeço Santo pouco depois das 9:30h. O objectivo era prioritariamente realizar uma intervenção sobre o que ainda restava da mancha de eucaliptos do terreno da Quercus, na encosta voltada a noroeste. Nestes eucaliptos tinha-se evitado até agora usar herbicida, devido à densidade e proximidade de vegetação nativa. Por isso, os rebentos das primitivas árvores tinham sido já cortados duas vezes, uma no final de 2006 e outra no final de 2007, e na “pior” altura para a sobrevivência dos eucaliptos, que é o final do Outono. Mesmo assim ainda se verificava a presença de muitos rebentos e também ainda de bastantes plantas de origem seminal, embora já tivessem também sido arrancadas duas vezes.

Desta vez optou-se por usar herbicida, pelo menos na mancha de eucaliptos mais densa, acessível e menos misturada com vegetação nativa. Essa opção deveu-se também ao facto de o tempo estar óptimo para o efeito, e de os rebentos de eucalipto terem também agora uma dimensão apropriada (nem muito grandes nem muito pequenos).

Na maior parte da área de intervenção o trabalho foi manual, arrancando os eucaliptos de origem seminal, cortando com machadas os rebentos e cortando as acácias-de-folhas-longas com tesourões de cabos compridos.

Quando o terceiro voluntário chegou, uma faixa de antigo eucaliptal havia já sido trabalhada deparando-nos agora com uma área com um número significativo de plantas de acácia-de-folhas-longas. Aqui o problema é que estas estavam muito misturadas com o matagal nativo e particularmente com tojos da espécie Genista triacanthos. Para quem ainda não teve a oportunidade de contactar com estes tojos esclarece-se que arranham muito, pois que embora não tenham espinhos tão possantes como os do gérnero Ulex, são muito abundantes e as plantas da espécie formam matagais muito impenetráveis. Resultado: braços muito arranhados, coisa que os voluntários toleraram estoicamente. Nesta zona havia também muitas flores, sobretudo de sanganho-mouro, e outras cuja floração já se adivinhava, o que contribuiu para atenuar as dores. Aliás toda esta área na zona sul do terreno da Quercus foi muito pouco pressionada desde o fim do modo de vida tradicional, o que lhe permitiu ser livremente ocupada por uma vegetação nativa diversa e de grande beleza.

Entretanto era hora do almoço e a equipa procurou uma sombra para o efeito. À tarde uma nova voluntária juntou-se ao grupo: a Urze, e já eramos quatro! Os trabalhos continuaram na encosta do lado sul do terreno da Quercus, mas agora em direcção ao vale: mais eucaliptos e depois, já perto do vale, mais acácias. O trabalho não foi muito diverso, mas as flores, a passagem ocasional de uma rapina, as paragens para umas deliciosas tangerinas, a camaradagem, e o sentimento de contribuir para uma causa nobre decerto que muito ajudaram a moderar os efeitos do esforço requerido.

Já pelo final da tarde, no vale, uma preciosa recompensa: duas delicadas flores de campainhas-amarelas: dois dos voluntários não as puderam apreciar porque se encontravam afastados pelo que, para eles em primeiro lugar, aqui ficam algumas fotos delas.

A tarde aproximava-se do fim e um vento fresco de oeste, bem diferente do que havia soprado nos dias anteriores, alimentava a vontade de continuar, tanto mais que ainda ficou aqui trabalho para fazer. Mas não podia ser: até mesmo as coisas boas devem terminar para que outras coisas boas possam surgir. Então o grupo desceu a montanha e, já cá em baixo, desfez-se com abraços… até uma próxima jornada.

 Eucaliptos pulverizados Paisagem florida com predominância de sanganho-mouro Genista triacanthos, tojo-molar

 Flores de sanganho-mouro campainhas-amarelas campainhas-amarelas

Nesta imagem há dois voluntários em acção; procure-os! Frutos de salsaparrilha-bastarda e flores de urze-branca Três dos quatro voluntários participantes neste dia

Paulo Domingues

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5 Respostas so far »

  1. 1

    Ah! Umas plantinhas para alegrar! 🙂 Então e os nomes botânicos?!

    Aqui ficam as minhas sugestões: Cistus salvifolius (florinhas brancas) Narcissus bulbocodium (as campaínhas amarelas) Erica arborea (a urze) e não me lembro nem sei onde pára o nome da salsaparrilha. Última foto: Paulo Domingues, … ups!

  2. 2

    Quem é vivo sempre aparece: Smilax aspera (a das bolinhas vermelhas)

  3. 3

    Urze said,

    Humm, apanhei cá um escaldão nos braços…

  4. 4

    Esteva said,

    OLÁÁÁÁÁ!!!!!!!!!!!!!!!!!!

    Foi um dia espectacular! Gostei muito de conhecer a Urze e o Raul, gente bem-disposta geniquenta e que se não deixa derrotar por qualquer “triacanthos” mal intencionado. A propósito, eu acho que se devia chamar “picanthos”: ui! ui! era o que mais se ouvia no Cabeço Santo, isso e, claro, o som da cascata que o Raul descobriu 😀

    Venha a próxima!

    Beijinhos para todos!

  5. 5

    Urze said,

    E, na próxima, levamos fatos de banho!
    (Ai-ai, com esta chuva, lá se vai o chá de carqueja…)

    Boa semana para os “pele-arranhada”!
    (os tais que gritam «ui-ui» e gesticulam com machadas e tesouras compridas como arcos de flechas…)


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