Jornada de 21 de Junho

No dia 21 de Junho, primeiro dia do Verão, realizou-se a jornada de trabalho prevista, que tinha como objectivo realizar algum trabalho de remoção de vegetação exótica e invasora de uma área ribeirinha do Ribeiro de Belazaima, para onde confluem os vales 3, 4 e 5 (ver carta na página “O Cabeço Santo”). Não participaram outros voluntários, e com efeito, o atractivo que uma área no estado em que esta se encontra representa é realmente muito pequeno. Neste local os eucaliptos de origem seminal e as mimosas deram origem, após o fogo, a uma massa vegetal de uma densidade maior do que noutros locais mais secos e porventura de solo mais pobre. Uma densidade tão elevada (muitas dezenas de plantas por metro quadrado) que agora, que estas plantas têm frequentemente mais de dois, às vezes três, quatro ou mesmo cinco metros de altura, se constituem estas formações como barreiras frequentemente impenetráveis para um ser humano, e mesmo para um animal com o porte de uma raposa. Para dificultar as coisas, o terreno é rochoso, o declive é por vezes elevado, e se só isto não bastasse, um emaranhado de ramos queimados de acácia e frequentemente também de eucalipto, ficou no solo, misturando-se com as plantas verdes. Que melhor exemplo do estado de degradação em que a intervenção humana deixou esta paisagem? A sensação é realmente de uma devastação impressionante, e contudo, mesmo aqui encontramos motivos de contentamento e de esperança. Para começar aqui o solo nunca chegou a ser mobilizado e mostra-se bem estruturado (por isso a germinação de sementes ocorreu em tão elevada proporção). Como antes do fogo a densidade de eucaliptos não era especialmente elevada, havia arbustos nativos, que rebentaram após o fogo. Agora, lutam desesperadamente por espaço e por luz, mas ainda estão lá, e, em geral, a tempo de serem salvos. Na pequena área que pôde ser trabalhada neste dia por dois homens (um não voluntário) encontrou-se murta, lentisco, aderno, medronheiro, salgueiro, e mesmo carvalho!

Vale 4 pouco antes de chegar ao Ribeiro de Belazaima Vegetação exótica e invasora

Um salgueiro agora mais desafogado madeira queimada espalhada pelo chão Pequeno carvalho roble

A água, que ainda corria abundante nesta zona inferior do vale 4, onde andámos todo o dia, era praticamente o único som que escutávamos com constância, pois poucas aves se atrevem a voar até aqui. Foi um trabalho de paciência, arrancando os eucaliptos que ainda se podiam arrancar, e cortando com tesourões de poda os restantes e as acácias. Uma dificuldade inesperada foi arranjar local para pôr as plantas cortadas. Acabaram por ficar a obstruir um bocado o vale, um inconveniente que se espera temporário. No final do dia, tinha-se aberto uma clareira no coração do vale de seguramente não mais de duas ou três centenas de metros quadrados, quase atingindo a foz no Ribeiro de Belazaima, onde praticamente não se conseguia chegar, devido ao estado caótico em que se encontram as margens. O grosso do trabalho deverá agora ser feito pelo pessoal contratado, esperemos que com os devidos cuidados.

Obstáculo intransponvel Trabalho realizado

Entretanto houve oportunidade para dar uma olhadela às áreas já trabalhadas pelas equipas quase a tempo inteiro no terreno. Aqui ficam algumas imagens.

primeira fase do trabalho realizada trabalho iniciado

Paulo Domingues

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