Os trabalhos continuam

No Cabeço Santo, os trabalhos aproximam-se do seu pico de intensidade. Junto ao Ribeiro de Belazaima, uma equipa de sapadores florestais da Associação Florestal do Baixo Vouga continua a evoluir para jusante, estando agora prestes a atingir as últimas antigas parcelas de terra agrícola pertencentes à aldeia abandonada de Belazaima-a-Velha.  É nestas que a situação se tem apresentado mais complicada devido ao emaranhado de lenha de mimosa queimada, silvado e rebentação jovem de mimosas e eucaliptos. As “armas” utilizadas para vencer estes obstáculos são as motosserras mas, nestas condições, o progresso é lento, mesmo para uma equipa de profissionais com quatro homens [1-3]. Curiosamente, mesmo assim, por vezes encontra-se um rebento de carvalho com 2 metros de altura no meio dessa confusão. É tal a quantidade de lenha que fica no solo após o avanço dos homens que, mesmo assim, é difícil caminhar nesse espaço, pois o caminhante se vê “engolido” por uma massa de lenha que frequentemente lhe ultrapassa os joelhos. Acresce que os acessos não são fáceis para retirar toda essa lenha daí. E ainda, existem no local uma a duas dúzias de eucaliptos adultos que terão de ser cortados e retirados [4]. As margens do Ribeiro terão aqui que ser recuperadas praticamente do zero pois que quase só existe nesta zona vegetação invasora [5].

É interessante, aliás, verificar como as mimosas se desenvolvem com carácter invasor em ambientes tão distintos como as férteis e húmidas margens de um ribeiro e as rochas mais expostas, secas e isentas de solo. Esta imagem [6] mostra uma autenticamente em cima de uma rocha compacta, e mesmo assim, frutificando!

Entretanto as pulverizações com herbicida tiveram já de ser iniciadas, em áreas cortadas no ano passado mas que não chegaram a ser então pulverizadas, e, mais pontualmente, em áreas já no ano passado pulverizadas mas que este ano têm de receber um trabalho de acompanhamento, pois que é impossível eliminar todos os focos de vegetação invasora de uma só vez. Estas segundas foram aliás áreas entretanto já plantadas e portanto agora o trabalho tem de ser feito com cuidados acrescidos para não atingir essas novas plantas [7]. Nestas é agora ocorrência frequente o craveiro-do-monte (Simethis planifolia) [8].

Ao longo do vale 6, a montante da “famosa” cascata, foram mesmo plantadas árvores sem ter havido qualquer pulverização. Em parte porque o corte foi realizado no ano passado já relativamente tarde, e em parte porque havia a intenção de não pulverizar na vizinhança do vale, procurando eliminar a vegetação por corte repetido. Mas o panorama é tal que uma abordagem dessa natureza não seria realmente viável, pelo menos sem custos muito elevados [9-10]. Por outro lado, este ano o projecto utiliza um herbicida não tóxico para animais, mesmo insectos e organismos aquáticos, o que nos permite utilizar o produto com mais confiança, mesmo na vizinhança de cursos de água.

Sabemos muito bem, e algumas pessoas o lembram de tempos a tempos, que a solução “herbicida” é uma espécie de “bomba” cuja utilização seria preferivel evitar. E sem dúvida que sim. Mesmo que o herbicida utilizado seja inócuo para a fauna, sempre há plantas nativas que são atingidas. Mas a verdade é que, nas condições presentes, e após consulta das entidades mais competentes na matéria em Portugal (como o grupo das Invasoras da Universidade de Coimbra) nenhuma solução alternativa viável foi encontrada.

Portanto, tiveram mesmo que se realizar pulverizações ao longo do vale 6. Como já lá estavam carvalhos plantados, e aliás bem bonitos, tiveram de ser individualmente cobertos com sacos plásticos para não serem atingidos [11-12]. Felizmente nesse dia o céu estava enevoado, o que perimitiu às árvores não “sufocarem” muito durante a cerca de meia hora em que ficaram cobertas. A montante da cascata tem-se esta vista do vale 6 [13], com o caminho principal abaixo, depois uma zona cortada no ano passado e já pulverizada este ano, outra já pulverizada no ano passado e plantada já este, depois a área ribeirinha cuja aquisição a Quercus realizará, pois que já se encontra fora da propriedade da Silvicaima, e ao fundo uma enorme área mobilizada este ano para plantação com eucaliptos, já no Cabeço do Meio.

Entretanto, as árvores e arbustos plantados no ano passado crescem a bom ritmo enquanto a água no solo é ainda abundante. Claro, alguns insectos aproveitam-se da frescura da folhagem, uns “bons”, outros não tanto [14-15]. Na zona superior do vale 4b, onde ainda no ano passado os eucaliptos formavam um tapete contínuo e exclusivo de qualquer outra espécie, este ano cresce uma cobertura de erva-loira-de-flor-pequena e bole-bole-maior entre os carvalhos plantados [16].

Chegamos agora à altura do ano em que a gramínea Agrostis forma as suas espectaculares manchas, mesmo nos caminhos e suas bordaduras [17-18].

Na estufa, carvalhos e castanheiros desenvolvem-se rapidamente em tabuleiros de alvéolos [19]. Em breve, será tempo de virem para o exterior, para um terreiro sombreado, onde ficarão até à próxima época de plantação. Também os medronheiros semeados em tabuleiros de sementeira têm agora de ser repicados para contentores individuais.

No dia 18 de Julho poderemos, caso haja voluntários interessados e disponíveis, fazer um encontro de trabalho voluntário, onde faremos coisas leves como percorrer as áreas plantadas este ano e dar às árvores alguns cuidados, como limpar vegetação que com elas esteja a concorrer demasiado.

A visita prevista para 23 de Maio e duas vezes adiada não se chegou, afinal, a realizar. A maior parte dos cerca de meia dúzia de interessdos iniciais também não estava disponível no dia 13 de Junho. Paciência. As “portas”, felizmente, estão sempre abertas.

Paulo Domingues

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2 Respostas so far »

  1. 1

    Parabens pelo avanço deste processo que, embora lento e penoso, começa a mostrar frutos.

  2. 2

    João Paulo Pedrosa said,

    Bela reportagem, com as fotos dá bem para ver as evoluções. Vou divulgar o dia 18 na comunidade da QUERCUS Coimbra, vamos lá ver se alguém quer aparecer. Por mim está na minha agenda com um ponto de interrogação, porque 16 vou a Águeda ao Festim, talvez dê para ficar para 17 e 18 de manhã, tenho que confirmar com a Zé!


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