Jornada de 10 de Outubro

No Sábado dia 10 de Outubro realizou-se a primeira jornada voluntária de Outono. Depois de uma semana de chuva e com um dia de sol pela frente, o dia prometia.

A manhã foi dedicada à colheita de bolotas no carvalhal do Valinho Turdo – Pedreira – Ponte Nova, em Belazaima. A abudância era grande pelo que era difícil escolher as melhores árvores. Foi interessante reparar como diferentes árvores, ainda que da mesma espécie, e mesmo sub-espécie (trata-se de facto, sempre, de Quercus robur subsp. broteroana) dão origem a bolotas de tamanhos, formas e mesmo padrões tão diversos. A tendência foi para a colheita dos maiores exemplares, já que têm maior quantidade de nutrientes e certamente que serão capazes de dar mais força à jovem árvore após a sua emergência. Mas procurou-se colher de uma diversidade de árvores-mãe em zonas com diferentes condições de solo e humidade.

Diversidade de bolotas encontradas

Diversidade de bolotas encontradas

O final da manhã foi passado já ao longo do Ribeiro de Belazaima onde, para além de bolotas se colheram também castanhas. Quando a fome começou a apertar tinhamos já três caixotes bem cheios de bolotas e alguns sacos de castanhas, no total cerca de 25 kg de frutos. O almoço fez-se ainda junto dos frondosos carvalhos da área conhecida como Ponte Nova (embora a ponte que existe ali perto seja velha e não nova!).

Uma amostra das bolotas e castanhas colhidas

Uma amostra das bolotas e castanhas colhidas

A seguir ao almoço fomos até ao Cabeço Santo fazer as primeiras sementeiras directas da Estação. Na verdade, as bolotas de sobreiro colhidas apenas duas semanas antes apresentavam estágios de germinação já bastante avançados, pelo que era necessário semeá-las.

As bolotas de sobreiro já estavam a germinar

As bolotas de sobreiro já estavam a germinar

Radícula com apenas duas semanas de crescimento

Radícula com apenas duas semanas de crescimento

A sementeira realizou-se numa área (junto ao marco geodésico, que é o ponto mais alto do Cabeço Santo) que ainda há seis meses estava severamente invadida com Acacia longifolia, tendo-se aí realizado uma operação com grade de discos (de 4 toneladas) que enterrou as acácias, tendo deixado o solo relativamente desimpedido. Claro, é absolutamente necessário fazer agora um trabalho de acompanhamento que consiste essencialmente em arrancar as inúmeras plantas que, com origem em fragmentos de raízes enterradas, despontaram algumas semanas após a operação de gradagem. Essas plantas são, em geral, extremamente fáceis de arrancar pelo que, mais uma vez, aqui fica um vivo apelo aqueles que se queiram voluntariar para participar nestes trabalhos, pois que, embora fáceis de realizar, são de mão de obra muito intensiva, e ficarão necessariamente dispendiosos se tiverem que ser realizados por pessoal remunerado. Ou, pior ainda, como último recurso, será utilizado herbicida, já não o relativamente benigno Spasor, eficaz apenas nos eucaliptos e nas mimosas, mas o Basta, certamente mais tóxico, mas apenas ele eficaz na Acacia longifolia.

Área alvo da sementeira

Área alvo da sementeira

Contudo, na área onde se realizou a sementeira não se utilizará herbicida pois que a densidade das plantas de acácia emergentes não é demasiado elevada. Semearam-se bolotas de sobreiro e carvalho numa tentativa de emular o mais possível a disseminação natural destas sementes, isto é, enterrando-as um pouco e deixando o local com um mínimo de vestígios que possam atrair predadores. Como foi já referido, esta operação conta também com a extrema abundância de bolotas de carvalho que ocorreu este ano, que, espera-se, atraia a atenção dos predadores para as bolotas de fácil acesso, junto às árvores. É, em todo o caso, uma experiência, cujo resultado deverá ser avaliado mais tarde. Se não tiver um sucesso expressivo, a disseminação destas árvores terá de continuar a basear-se na plantação, operação muito mais dispendiosa.

E assim se passou a tarde na sementeira de bolotas. Quando a pequena equipa interrompeu para o lanche, já era quase tempo de regressar. Depois de uma pequena volta em que se provaram os medronhos ainda duros e amargos (mas parece que souberam a doce a alguns participantes!) descemos o monte para só cá em baixo posarmos para a tradicional “foto de família”. Um obrigado aos voluntários!

Os voluntários, já cá em baixo

Os voluntários, já cá em baixo

As jornadas continuam sempre que houver voluntários disponíveis! Até breve.

Paulo Domingues

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1 Response so far »

  1. 1

    Parabéns pelo excelente trabalho que têm desenvolvido. Eu também participei há já bastante tempo numa acção aí mas não tenho podido alinhar por causa da minha ciática que me deixa de rastos após qualquer tipo de esforço físico que envolva movimentos de costas. Bem hajam.


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