Novo ano, novos trabalhos…

Bem vindos a 2010! Neste novo ano, dedicado à biodiversidade, o Projecto Cabeço Santo continuará a trabalhar em favor dela como primeirissima prioridade, embora sem esquecer que um movimento continuado e alargado em defesa da biodiversidade e da paisagem requer um maior empenhamento por parte das pessoas do que aquele que existe hoje, e portanto que um contínuo trabalho de educação e sensibilização ambiental é quase tão necessário como o trabalho de campo propriamente dito. O Núcleo de Aveiro tem também investido nesta área, ainda que de forma limitada devido à escassez de recursos humanos. Assim, no âmbito do Projecto Cabeço Santo, no ano de 2009, as escolas foram convidadas a realizar visitas de estudo ao Cabeço Santo, e as pessoas individuais foram convidadas a visitar e a contribuir de diversas formas para os trabalhos. No entanto, há que reconhecê-lo, essa abertura teve um acolhimento escasso. A conclusão que há que tirar destes últimos três anos de desenvolvimento do projecto é que, apesar dos enormes desafios que as condições do terreno lhe colocaram desde o início, a integração do factor humano terá sido um desafio anda maior, e menos conseguido que o primeiro!

A falta de envolvimento dos cidadãos em projectos e iniciativas como esta é tanto mais supreendente quanto a paisagem da nossa região é uma das mais degradadas do ponto de vista biológico e paisagístico. O vale do Rio Águeda e os seus afluentes, sobretudo a montante de Bolfiar, são um autêntico grito de desespero que ecoa por uma paisagem humana muito pouco disponível para o ouvir. São muitas dezenas de quilómetros de cursos de água com as margens completamente invadidas por mimosas e degradadas pelas mobilizações de solo para plantações de eucalipto. O Projecto Cabeço Santo tem como objectivo de curto prazo a recuperação de apenas 2,5 km de um desses cursos de água. Seriam necessárias dezenas de projectos como este no Concelho de Águeda para apenas ensaiar a recuperação dessas áreas! E isto se nos limitarmos às áreas ribeirinhas.

Será a dimensão do desafio que bloqueia a acção? Será o sentimento de que já está tudo tão estragado que não vale a pena fazer nada? Será a simples anestesia das consciências numa sociedade absorvida por ruído e futilidades? Será a falta de atenção devido à pressão pela sobrevivência numa inóspita sociedade global movida pela competição e marcada pelo desemprego?

Seja o que for, a verdade é esta: não precisamos de ir mais longe do que a nossa própria soleira para contemplar uma das paisagens que mais contribui para essa crise global da vida no nosso planeta que é a da extinção das espécies, das paisagens, da beleza com que ele, planeta, ao longo de muitos séculos e milénios amenizou as dores e as penas da existência humana sobre a sua superfície. E é também verdade que entre muita retórica e boas intenções, pouco tem sobrado para o que realmente pode contribuir para inverter a situação descrita.

Mas que não sejam apenas percepções negativas: o que a experiência do projecto Cabeço Santo tem demonstrado é que, não obstante o escasso empenhamento da comunidade local/regional e o difícil estado do terreno, muito foi possível fazer: um aproveitamento máximo dos requisitos mais recentes relativamente à actividade de exploração florestal e mesmo uma boa vontade e compreensão por parte de gestores dessa actividade como talvez não fosse possível há 20 anos (uma referência, evidentemente, à Silvicaima) permitiu intervir em extensas áreas de terreno sem ser necessário investir na sua compra; relativamente aos proprietários locais, embora a possibilidade de intervir tivesse passado em geral pela compra, a grande maioria deles foi compreensiva; tem havido um apoio continuado por parte do poder local (Câmara Municipal); houve um financiamento europeu para o projecto.

O que isto mostra é que não é necessário um grande empenhamento local para se fazer algo, e que, se não de imediato, pelo menos quando os resultados do trabalho forem mais visíveis, talvez um projecto como este constitua uma fonte de inspiração que faça mover muito mais gente para uma causa que é simultaneamente local e planetária. E mostra também que um escasso número de pessoas com grande determinação pode fazer a diferença no terreno.

Pelo descrito, e apesar de o envolvimento voluntário dos cidadãos no projecto ter sido continuadamente reduzido ao longo dos últimos três anos, e apesar de a persecução dos seus objectivos não ser posta em causa por esse modesto envolvimento, o projecto continuará a promovê-lo e a acolhê-lo, e a promover até a simples visita sem verdadeiro envolvimento, como acontecerá com a demarcação de um percurso pedestre, a implementar este ano.

Por isso, aqui fica desde já o convite para participação nas Jornadas Voluntárias de Inverno no Cabeço Santo: Jornadas de Inverno. O ficheiro pdf pode ser descarregado e divulgado, e o seu conteúdo é repetido abaixo.

Também ainda estão disponíveis os calendários para 2010 editados recentemente. Com um preço (5 Euros) pouco superior ao seu custo, o seu principal objectivo é dar a conhecer,… e a amar. Mais uma vez se apela a quem quiser apoiar o projecto desta forma que peça alguns exemplares para vender ou oferecer a amigos e colegas de trabalho.

Então para terminar aqui vai o texto de divulgação das Jornadas Voluntárias de Inverno.

 JORNADAS DE INVERNO NO CABEÇO SANTO

O Núcleo de Aveiro da Quercus promove e organiza as Jornadas de Inverno no Cabeço Santo, um conjunto de dias de Sábado ao longo do Inverno dedicados à participação voluntária nos trabalhos de Recuperação Ecológica levados a cabo pelo projecto neste monte da freguesia de Belazaima do Chão, Concelho de Águeda. 

Os trabalhos propostos desenvolvem-se na sequência dos trabalhos realizados no ano anterior por equipas profissionais, e serão bastante variados, consoante as especificidades de cada local.

 Trabalhos a realizar

 Nas áreas ribeirinhas ao Ribeiro de Belazaima identificamos os seguintes:

  • Limpeza dos restos de ramos secos e queimados do terreno
  • Plantação de carvalhos e castanheiros
  • Limpeza de trilhos para integração no percurso pedestre a demarcar este ano
  • Corte de mimosas e eucaliptos, descasque de mimosas

Na área de acácia-de-espigas onde se realizou uma gradagem:

  • Arranque e corte das plantas de acácia-de-espigas remanescentes
  • Plantação de arbustos como o medronheiro e a murta

Nas áreas mais problemáticas de acácia-de-espigas não sujeitas a mobilização:

  • Corte a arranque de plantas de acácia

Os trabalhos serão, em cada dia, adaptados ao número e características dos voluntários presentes.

 Destinatários

Todos os cidadãos ou grupos de cidadãos que queiram contribuir de forma voluntária para este projecto. De forma especial, são convidados os cidadãos da Freguesia de Belazaima e do Concelho de Águeda.

São também bem-vindos grupos de empresas, associações, escolas, escuteiros, etc. que se queiram organizar para realizar uma jornada. Poderão ser marcados dias específicos para estes grupos.

 Calendarização das Jornadas de Trabalho Voluntário de Inverno

  • Janeiro: 23
  • Fevereiro: 6 e 20
  • Março: 6 e 13

 Realizar-se-ão jornadas sempre que haja pelo menos 2 voluntários inscritos até à Quinta-feira à noite anterior ao Sábado previsto.

 Apoio aos Voluntários:

  • Alimentação oferecida pela organização podendo, quando as condições o permitirem, incluir um cozinhado solar.
  • Possibilidade de transporte a partir de Aveiro e de Águeda.
  • Entrega de certificados de participação a todos os participantes.
  • Oferta de um calendário para 2010, alusivo ao projecto, a todos quantos participarem pelo menos duas vezes nos Trabalhos de Inverno.

 Formas Alternativas de Colaboração

 Através de donativos em dinheiro, que complementam os apoios institucionais:

  • Por cheque enviado para o Núcleo de Aveiro da Quercus, conta “Cabeço Santo” na CGD, com o número 0239 018448 830
  • Por transferência bancária para o NIB 0035 0239 0001 8448 8309 4 (enviando comprovativo por correio postal ou e-mail para cabsanto@gmail.com, com identificação do número de contribuinte).

Adquirindo o calendário para 2010 alusivo ao projecto, pelo valor de 5€ (envio pelo correio acrescido de 1€)

 Os donativos privados (particulares ou empresariais) permitem a atribuição de benefícios fiscais, em sede de IRS ou de IRC.

 Mais informação:

 Apoios institucionais ao Projecto:

  •  Mecanismo Financeiro do Espaço Económico Europeu (EEA Grants) (fundos)
  • Câmara Municipal de Águeda (fundos).
  • Silvicaima Lda (espaço de intervenção).
  • Junta de Freguesia de Belazaima (terreno, tractor)
  • Associação Florestal do Baixo Vouga (mão de obra)
O Ribeiro de Belazaima

O Ribeiro de Belazaima, trabalhos em perspectiva

Futuro trilho pedestre

Progredindo para montante, futuro trilho a limpar

Carvalhal em recuperação

Carvalhal já visível, mas em recuperação

P.D.

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: