As últimas jornadas

Eis uma pequena “reportagem” das primeiras jornadas de trabalho voluntário deste Verão.

A primeira, realizada a 3 de Julho, contou apenas com um voluntário, pelo que se aproveitou para realizar um trabalho adaptado a esta condição. Esse trabalho consistiu em procurar as árvores plantadas este ano nas zonas ribeirinhas, as de solo mais fértil e húmido, e limpar o silvado e os fetos que durante a Primavera cresceram de forma vertiginosa em torno delas, atingindo por vezes mais de 2 metros de altura. Claro que este trabalho já vinha a ser feito há algum tempo, mas ainda havia locais onde não tinha chegado. Ora ele é essencial nestas áreas pois a sua falta pode comprometer o sucesso das árvores com tanto esforço plantadas por voluntários e profissionais. Uma das ferramentas essenciais para este trabalho é a motorroçadora, e de facto o ruído desta dominou este dia. Felizmente o dia estava fresco, o que ajudou.

A hora do almoço passou-se numa deliciosa sombra de salgueiros com ervas verdes à beira do regato, o que convidou a outra não menos deliciosa sesta para recuperar do esforço dispendido de manhã, desta vez tendo como som de fundo o canto das aves.

Já pelo fim da tarde limpou-se da lenha queimada uma antiga levada que atravessava o vale nº 6 e aqui, ao longo deste troço do vale ainda dominado pela vegetação invasora se cortaram algumas mimosas e eucaliptos. No entanto as plantas nativas, introduzidas e espontâneas, também lá estão, em bom número e densidade, pelo que agora só há que manter o esforço sobre as invasoras.

A volta fez-se pelo antigo caminho para Belazaima, durante séculos percorrido a pé pelos de Belazaima-a-Velha e Cêpos, e agora ladeado de eucaliptos e decorado com plásticos, por vezes muitos plásticos. Tristes tempos…

A jornada de 17 de Julho contou com 4 voluntários, uma força de trabalho expressiva. Os trabalhos iniciaram-se na área ribeirinha de confluência dos vales 3, 4 e 5, uma das primeiras áreas a ser cortada e tratada ainda em 2008 e plantada em 2009. O trabalho aqui requerido é o que será necessário realizar em todas as áreas deste projecto ao longo de anos: depois da intervenção inicial, plantas de espécies invasoras muito mais dispersas do que inicialmente mas ainda assim de ocorrência mais ou menos frequente conforme os locais, surgem e desenvolvem-se rapidamente. É necessário cortá-las, sempre cortá-las e pincelar a superfície de corte com herbicida até que desistam. Neste local as árvores e arbustos plantados em 2009 encontram-se em geral com muito bom aspecto, mas desenvolvem-se muito mais lentamente do que as mimosas e os eucaliptos. Se mais nada fosse feito durante alguns anos, sem dúvida que a vegetação exótica acabaria por tomar conta do espaço de novo.

Os trabalhos iniciaram-se com um contratempo: uma pequena motoserra, usada para cortar as árvores maiores, recusou-se a trabalhar. Deste modo duas equipas com tesourões avançaram para o terreno: um elemento de cada com tesourão, outro com pulverizador e pincel. E assim se passou a manhã cortando mimosas e eucaliptos. No vale nº 4 ainda corria um bom caudal de águas muito límpidas, cuja simples presença era refrescante. As famosas laranjas de Belazaima também ajudaram. E lá no céu, um par de águias surgia com frequência e lançava os seus gritos, certamente significando, na sua linguagem, palavras de ânimo.

O local para o almoço é que não foi muito próprio, já que não havia um bom local à sombra. Mas mesmo assim, contámos com um quinto comensal: uma vespa que várias vezes se deslocou ao piquenique para usufruir da generosidade dos voluntários, que de boa vontade (e sem receios) partilharam um pedaço de ovo.

Após uma boa sesta, um novo trabalho em perspectiva: numa encosta fresca junto ao vale nº 5 os fetos cresciam para cima dos carvalhos plantados em 2009: era necessário ir lá, procurar as árvores e limpar os fetos em volta. Foi um trabalho que levou a equipa até à hora do lanche. Depois deste, o cansaço já era grande mas a frescura do fim de tarde ainda convidava a uma subida ao monte para um “ensaio” de intervenção na mancha de acácia-de-espigas junto ao vale nº 3.

O ânimo dos voluntários ainda era elevado, mas o panorama encontrado no local escolhido desafiava-o: ou o mato era denso e picante, devido à presença do tojo-molar, ou a lenha das acácias queimadas ainda no chão tornava o terreno intransitável. Este é realmente um local problemático e desanimador pois as acácias ainda são muitas e é praticamente impossível cortá-las junto à terra devido à lenha, o que torna os rebentamentos muito prováveis. A conclusão é que deveremos concentrar-nos em torno dos arbustos nativos, agora já bem desenvolvidos, e deixar o grosso da mancha durante mais alguns anos, até quando a lenha queimada tiver apodrecido.

Apesar do panorama algo desanimador e as forças já em baixa, alguns voluntários demonstraram uma última vaga de energia e conseguiram alguns factos notáveis (ver apresentação).

E assim se terminou este dia com uma foto tirada junto à área trabalhada na jornada de 19 de Junho, uma foto especialmente dedicada a um dos voluntários mais assíduos e empenhados deste ano de 2010, e que em breve inicia uma nova fase da sua vida, longe da região: o Telmo.

Uma apresentação do Power point “conta” a história destas duas jornadas por imagens, ainda com passatempos para as férias! (Se não correr a apresentação, clique F5)

Até breve!

P.D.

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2 Respostas so far »

  1. 1

    Ricardo Dias said,

    Olá,

    Fico contente ao ver que apesar das adversidades o trabalho continua com muito bom humor.
    Ainda não tive oportunidade de experimentar a poção mágica do Cabeço Santo, mas pelos resultados as acácias e os eucaliptos que se cuidem…
    Espero juntar-me novamente aos trabalhos em Setembro. Até lá continuação de bom trabalho e boas férias.

    Abraço,
    Ricardo

  2. 2

    Gostei muito da reportagem em ppt, com a novidade dos passatempos, que para mim foram fáceis, porque eu estive lá (só eu sei, porque não fico em casa, lá lá lá lá lá lá lá).


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