Primeira Jornada de Outono

Nesta primeira Jornada de Outono, duas decididas voluntárias compareceram, com vontade suficiente para varrer as acácias do Cabeço Santo, tivessem tempo para isso, claro…

Por isso, equipamento na bagagem, subiu-se ao Cabeço e abordou-se uma área imediatamente a norte daquela que foi trabalhada no dia 19 de Junho (lembram-se?). Nesta área, que já foi eucaliptal, de solo muito pobre e degradado pela mobilização a que foi sujeito há já mais de 10 anos, a presença da acácia-de-espigas é significativa mas não preocupante, pois que em geral as plantas ocorrem dispersas e não em formação densa. Por isso, uma equipa determinada, mesmo pequena, consegue avançar de forma visível no terreno no espaço de algumas horas, o que ajuda a manter o ânimo em nível elevado! Para além do mais, esta área contém já um matagal diversificado, onde abundam as gramíneas (agora secas, devido ao repouso estival), e os medronheiros aqui plantados em 2008, não obstante algumas baixas, aparecem com frequência, o que também é motivo de contentamento. Bastantes pinheiros-bravos de regeneração natural ocorrem também, espécie que será mantida, em baixa densidade, consociada com os medronheiros, lentiscos e outras espécies arbustivas, pois que é o pinheiro-bravo a única espécie quase nativa de porte elevado a conseguir sobreviver em solo tão pobre.

Deste modo, voluntários “armados” de tesourão e motosserra pequena, a manhã passou-se depressa. Um vento fresco soprava de Ocidente e nuvens brancas decoravam um céu azul, mas anunciando já as prometidas chuvas abundantes para o dia seguinte. Por isso, não obstante a secura desta terra pouco capaz de conservar a humidade, respirava-se já um ambiente mais viçoso e fresco, próprio do Outono.

Depois de um almoço em que as vespas se fizeram de convidadas, os trabalhos continuaram no mesmo local até às 4 da tarde, deixando uma marca visível na paisagem. Mas depois foi tempo de descer ao vale do Ribeiro para ver como se encontravam os carvalhos e outras plantas aí introduzidas no Inverno passado.

Aqui no vale as mimosas ainda são um problema, embora procuremos aproveitar ao máximo a sua susceptibilidade ao herbicida, usando com o menor impacto possível esta espécie de “bomba”, sem a qual, com efeito, pouco seria possível fazer contra esta agressiva espécie invasora. Também as toiças de eucalipto apresentam por vezes abundante rebentação após a aplicação de herbicida, o que obriga a repetir a aplicação ou o corte. Apesar dos desafios, a visita ao vale deixou as voluntárias bastante animadas. A grande maioria dos carvalhos plantados no Inverno passado apresentava excelente crescimento, a adivinhar uma mudança radical desta paisagem no prazo de poucos anos, e nem as poucas baixas identificadas foram suficientes para quebrar esse ânimo. Claro, aqui no vale ainda há muito para fazer: eliminação em segunda fase de plantas invasoras, arrumação de lenha, corte de silvado, e finalmente plantação de novas árvores. Por isso durante esta jornada decidiu-se que a próxima se realizaria completamente aqui nas margens do Ribeiro de Belazaima, que, espera-se, leve então mais água do que neste dia, o que dá sempre outra vivacidade a uma paisagem ainda tão marcada pela onda de devastação que a atravessou. Aqui fica o repto, já para a próxima jornada, dentro de duas semanas.

Quanto a esta, terminou já perto do pôr-do-sol, e tanta dinâmica levava que nem a hora do lanche a fez interromper! Mais, foi aproveitada até tão perto da hora de voltar que ninguém se lembrou da foto de despedida! Por isso, aqui fica por palavras um obrigado à Xana e à Esteva. E até breve.

E agora as fotos da jornada…

Voluntária atirando uma acácia para trás!

Um medronheiro plantado pelos voluntários em 2008

Medronheiro descoberto pelos trabalhos de 19/6

Algumas acácias secaram com a seca estival

Perspectiva da paisagem alvo dos trabalhos

Voluntária abordando mancha de acácia-de-espigas

P. D.

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1 Response so far »

  1. 1

    Esteva said,

    Olá, Paulo!

    Estive ausente muito tempo, demasiado, para ser sincera. Mas foi tão agradável voltar e ver que todo o esforço de todos os voluntários (e não só) surtiu efeito!

    Fiquei tão orgulhosa e feliz por ver de boa saúde tantos medronheiros plantados no passado, gostei tanto de ver urzes e alfazemas (para além de outras plantas cujo nome não conheço) onde antes só vira um solo quase descoberto. Foi tão bom ver bem crescidos carvalhos que outros voluntários plantaram junto ao Ribeiro!

    É bom saber que o pouco que fazemos (falo por mim, claro) conta e que podemos trazer um pouco de esperança a um mundo onde as pessoas parecem viver de costas para a natureza.

    Obrigada, Paulo!

    E beijinhos à Xana, voluntária intrépida, a quem levantar cedo não mete medo!


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