Um dia difícil

O Sábado 5 de Março não começou com bons augúrios: ainda em Aveiro, a saída dos voluntários foi acompanhada de chuva, as previsões para o dia eram incertas, e um dos voluntários estava com inexplicáveis dores de costas. Além disso, a área de intervenção era uma das mais difíceis desta temporada.

Mas comecemos pelo dia anterior. Tinham-se realizado na Sexta-feira duas queimadas controladas: uma no vale nº 7 e outra no vale nº 5. Tiveram como objectivo queimar a enorme quantidade de lenha de mimosa e eucalipto que permanecia em parte desses vales desde que se realizaram os cortes da vegetação verde, em 2008 e 2009. No entanto, boa parte dessa lenha era ainda das mimosas queimadas no incêndio de 2005, e que ainda aí permanecia. Foi um trabalho exigente, que envolveu durante um dia inteiro uma equipa de 7 homens da Associação Florestal do Baixo Vouga. Tal como aconteceu no vale nº 2, é provável que esta operação tenha que ser seguida, no final do Verão, por uma acção de arranque de plantas indesejáveis, antes das áreas serem plantadas, no próximo Inverno.

Mas voltando a Sábado, a equipa de 5 voluntários dirigiu-se para a área junto ao Ribeiro de Belazaima onde já estivera duas semanas antes. Aí formaram-se dois grupos de trabalho: um foi plantar medronheiros numa área de reconversão de eucaliptal, e o outro foi com motosserras abrir passagens numa área de deposição de lenha que permitisse plantá-la e chegar fácilmente às margens do rio. Ambos foram trabalhos difíceis: o primeiro grupo encontrou um solo rochoso e também bastante lenha no chão. O segundo abriu caminho através de uma das áreas mais desoladoras de todo o Cabeço Santo. De facto, o panorama que se nos depara ao chegar às margens do Ribeiro neste local é o de um autêntico cenário de guerra, um cenário que parece difícil suscitar a indiferença de alguém: ou se foge dele ou se abraça com todas as forças. Se esta paisagem gritasse de dor, os seus gritos seriam ensurdecedores. Felizmente isso não acontece, mas ocorreu-me até se certas dores que apoquentam algumas almas não serão a forma de a natureza ferida expressar a dor que não sente…

As motosserras trabalharam até ficarem ambas inoperacionais porque as ferramentas necessárias para lhes prestar assistência tinham desaparecido. Então, já à tarde, pôde-se chegar até às margens do rio e plantar aqui carvalhos. Na encosta adjacente também ainda se plantaram mais alguns, mas poucos porque se tornava demasiado íngreme e rochosa. O dia terminou com todos os medronheiros plantados mas com apenas 20 carvalhos no solo, um número pequeno para tão grande esforço. Tinha sido um dia difícil, mas pelo menos a chuva deu uma ajuda: apenas umas gotícolas pequenas nos vieram lembrar que existe e que, no tempo certo, é uma benção…

No dia 19 será a última jornada de plantação deste Inverno. Depois de várias jornadas em terreno difícil, o espaço a plantar nesse dia será muito mais fácil: uma área plana e relativamente livre de lenha que se situa exactamente do lado oposto ao trabalhado nesta jornada.

Um obrigado aos aventureiros voluntários deste dia.

Uma apresentação de slides ilustra os dois dias de uma assentada.

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P. D.

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2 Respostas so far »

  1. 1

    Impressionantes as fotos das quantidades de lenha, e das labaredas. Tentou salvar-se um sobreiro (ou salvou-se????)? Até parece que se deixou arder um sobreiro, espécie protegida… explica lá aqui, que são apenas pequenas rebentações resultantes do fogo de 2005 e que no meio desta rebentação toda de acácias nunca teriam hipóteses de sobreviver!! E vamos esperar que tenham sobrevivido ao calor, era uma grande ajuda na recuperação!
    Parabéns aos voluntários que ajudaram na plantação!

  2. 2

    Havia de facto um pequeno núcleo constituído por um carvalho, dois sobreiros e um medronheiro, tudo rebentos de 2005/6. Tentaram proteger-se limpando a lenha à sua volta, mas a turbulência de ar e fumo quente que se gerou acabou por incendiar o medronheiro e a parte aérea de um dos sobreiros também se perdeu. O outro salvou-se. O carvalho perdeu, devido ao calor, a folhagem jovem que rebentava, mas não ardeu. Espera-se que rebente de novo. Em todo o caso, trata-se de plantas com 4 ou 5 metros de altura, dado serem rebentos jovens. Em todo o caso ainda, não seriam viáveis no médio prazo se as mimosas não tivessem sido activamente excluídas deste local.


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