Doces notícias

No meio deste doce Verão, que tão frescos dias nos tem trazido, aqui fica outra doce notícia, só para apreciadores: no final de Julho realizou-se a colheita de mel do apiário do Cabeço Santo, tendo resultado em cerca de 40 kg de mel de urze e medronheiro (flora dominante). Trata-se de um mel de cor escura, viscosidade elevada e sabor intenso! Algumas imagens dão conta do processo de extracção na melaria, já que no apiário não foi possível obter fotos:

Quadros na tina de desoperculagem

Desoperculagem dos alvéolos

Centrifugação

Saída do mel e filtragem

Pote de armazenagem temporária

A melaria foi a do Sr. Eugénio de Aguada de Cima, que gentilmente proporcionou a sua estrutura e o seu tempo, o que desde já o Projecto agradece, naturalmente.

Em Setembro o mel será enfrascado e depois estará disponível para ser distribuído. Em breve se detalhará como será possível obter um frasco do precioso nectar.

Ainda não está, conforme previsto, este mel certificado como produto biológico, em particular por não estar ainda disponível uma estrutura de extracção e processamento das ceras em modo biológico. Tentará criar-se já para o próximo ano. De resto, o maneio em si obedeceu às normas exigidas para o bio, concretamente no que respeita ao tratamento de doenças e pragas, e em particular da varroa, onde não foram utilizados insecticidas nem outros produtos de síntese. Também no alimento das abelhas no Inverno, para as colónias que dele necessitaram, se utilizou apenas mel.

Quanto às condições circundantes, não há a certeza absoluta de estarem criadas as condições exigidas: como é sabido, o projecto faz uso do herbicida no controlo da flora invasora, embora utilize apenas um produto de baixa toxicidade para a fauna – o Spasor – e, ainda que a sua suposta inocuidade seja por vezes contestada, a verdade é que, em termos comparativos, não conhecemos outro que seja mais inócuo. Por outro lado, as pulverizações extensivas são realizadas preferencialmente no Verão, sobre plantas sem flor, e deverão praticamente terminar este ano, já que as aplicações por pulverização se fazem apenas na intervenção inicial de remoção de manchas densas.

Outro factor de preocupação resulta do facto de pela primeira vez a Altri Florestal ter feito uso de um insecticida para controlar o gorgulho do eucalipto. No entanto, dado ter-se tratado de uma pulverização única (até ao momento), dado o insecticida utilizado ser supostamente inócuo para as abelhas e dado ter sido realizada uma colheita de mel e abelhas para monitorização, cujos resultados, ainda não conhecidos, se esperam negativos, crê-se que estes factores condicionantes não deverão afectar a qualidade do mel nem comprometer a sua “certificabilidade”. Mas, para o saber, o caminho terá de ser percorrido. O local, já o sabiamos, não é propriamente um paraiso terrestre, mas por isso mesmo é que este Projecto existe.

E já existe há cinco anos! Foi no final de Agosto de 2006 que um campo de trabalho de 5 dias como nunca se voltou a realizar deu um pontapé de saída para um projecto que chegou a ter a ilusão de poder atingir os seus objectivos maiores essencialmente com a força de trabalho voluntária. Claro que depois se verificou não poder ser assim, mas felizmente que foram encontrados os meios que permitiram a contratação da mão-de-obra necessária. E assim, em 2011, podemos dizer que o grande esforço de intervenção inicial está praticamente concluído, tratando-se agora apenas de evitar a regressão e promover a progressão no sentido pretendido: a re-naturalização de áreas muito degradadas pelo cultivo e pela ocupação de espécies invasoras.

Assim, no dia 3 de Setembro vamos começar por voltar ao ponto de partida: a extremidade elevada de um terreno de 7 ha que no final de 2006 viria a ser adquirido pela Quercus. Aí se arrancaram as primeiras plantas de acácia-de-espigas e háquea-picante e aí vamos voltar para ver o que ainda há para fazer. A seguir ao almoço, avançaremos para uma das últimas áreas de intervenção,onde a remoção da vegetação invasora começou apenas em 2010 e onde em 2011 se plantaram as primeiras árvores. Será aí, na frescura das margens do Ribeiro, que realizaremos trabalho de remoção das mimosas que ainda aí resistem, e ao lanche faremos um brinde aos 5 anos de projecto com… uma prova de mel Cabeço Santo!

Suficientemente aliciante?! O repto está lançado!

P. D.

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4 Respostas so far »

  1. 1

    Esteva said,

    Olá!

    Que excelentes notícias, mel do cabeço! Reserva-me já um boião! Quanto a dia 3, não deverei poder estar presente, mas conto poder juntar-me mais uma vez ao projecto muito em breve, ainda por cima arrancar mimosas é uma das minhas tarefas preferidas. Fica para a próxima.

    Beijinho!

  2. 3

    Ana Pereira said,

    Viva!

    Adorei ver as imagens do processo mel e só tenho pena de estar tão inundada de trabalho ao ponto de não poder ceder um dia que seja deste mês para o projecto. Está tudo contadinho. Mas não está esquecido.

    Até breve e boa sorte para o reinício doss trabalhos!

    Ana S.


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