Jornada de aniversário

Inicialmente prevista para dois dias, esta memorável jornada acabou, por condicionalismos diversos, de entre os quais a chuva, que começou mansamente a cair ainda na tarde de Sexta, por se realizar apenas no Sábado. Mas não foi por isso que foi menos intensa, bem pelo contrário: aproveitando a dinâmica de dezoito braços, dos mais jovens aos mais veteranos, e apenas um dia para fazer uso de toda essa energia, decidiu-se abordar dois terrenos particularmente difíceis.

Logo pela manhã rumou-se à cabeceira do vale nº 3, onde anteriormente ao incêndio de 2005 existia a mais densa e desenvolvida mancha de Acacia longifolia de toda a área de intervenção do projecto. Depois do fogo, claro, ainda mais densa ficou, e não tendo sido possível fazer aí grandes trabalhos de arranque enquanto a dimensão das plantas o permitia, só em 2007 se começaram a abrir umas galerias de acesso através de uma densa mancha com plantas de mais de 2 metros de altura. Mas nesse momento a mão-de-obra era ainda escassa e só em 2009 uma equipa de sapadores florestais cortou pela primeira vez toda a mancha, de cerca de 1 ha. Só que, a lenha queimada ainda acumulada e as dificuldades do terreno (declivoso, rochoso) não permitiram cortar as plantas bem pela base, como seria desejável. Resultado: parte significativa das toiças rebentaram e a mancha começou a reconstituir-se. Já no Inverno deste ano decidiu-se avançar para novo corte, mas limitado a uma faixa de cerca de 20 m de largura. A equipa de sapadores da AFBV procurou agora fazer um corte o mais baixo possível de todas as plantas, ainda que com progressão mais lenta. Mesmo assim, algumas plantas ainda rebentaram e a intervenção voluntária deste dia tinha como objectivo cortar estas plantas e finalmente aproximar-se da eliminação total das acácias nesta faixa. Mais uma vez, as dificuldades maiores residiam no facto de haver muita lenha espalhada pelo terreno, obrigando por vezes a mudá-la de sítio para se conseguir chegar ao ponto de rebentação das plantas. Por outro lado, é reconfortante verificar que, aqui e ali despontam já plantas nativas, desde as mais vulgares urzes e cistácias a arbustos como o lentisco e o medronheiro. E foi com determinação que a equipa avançou durante a manhã cerca de 100 m, conseguindo fazer um excelente trabalho ao longo de quase toda a extensão da faixa. Neste difícil local, será provavelmente assim que se progredirá, lentamente, mas com confiança, ao longo dos próximos anos: uma equipa profissional faz uma faixa por ano, e as equipas voluntárias fazem o acompanhamento.

Cortando as plantas de acácia-de-espigas que ainda resistem

Perspectiva do trabalho realizado

Quando chegou a hora do almoço, foi com toda a justificação que a equipa se deslocou até à Casa de Santa Margarida para um recuperador almoço. Como estamos em período de aniversário do projecto este almoço foi à mesa e com comida cozinhada com especiais dotes culinários! Para culminar com “a cereja em cima do bolo” deu-se a conhecer aos voluntários presentes que a Altri Florestal, gestora deste património, tinha dado luz verde para a recuperação desta grande casa de antigos trabalhadores florestais para fins de educação e promoção ambiental. Claro que até aí se chegar ainda haverá um longo caminho a percorrer, mas tudo começa com uma intenção e com a persistência necessária para se atingir o objectivo imaginado. E afinal, mesmo sem qualquer intervenção, já esta grande casa está ao serviço dessa intenção!

Almoço de prato e garfo na Casa de Santa Margarida

À tarde a equipa deslocou-se até outra área bem difícil: uma zona intermédia do vale nº 5, onde as mimosas e até alguns eucaliptos continuam a desafiar, mais uma vez, a nossa paciência e persistência. Ainda um vale sobrecarregado de lenha agora já semi-podre por onde as mimosas crescem sem às vezes se conseguir vislumbrar de onde brotam. Mas aqui um solo fértil, onde o silvado também cresce com força, dificultando a penetração no terreno. Mas lá se foi evoluindo e redescobrindo os carvalhos aqui plantados em 2010, para deixar a encosta sobranceira ao vale com um aspecto bem diferente do inicial. Logo a jusante do caminho principal de acesso à mata outra mancha de mimosas ainda mais vigorosa lançava a sua sombra. Mas essa já necessitará de outro tipo de abordagem.

À tarde, numa encosta sobranceira ao vale nº 5

Voluntários em acção

Equipa, ainda no terreno

E foi com estas duas exigentes intervenções que a equipa concluiu o dia, pronta e bem merecedora da anunciada prova de mel Cabeço Santo, colheita de 2012. Já na base de operações, a prova foi feita, com pão de confecção local e broa do Caramulo. Foi percepção unânime de que se trata de um mel de sabor intenso, muito doce e aromático, fazendo ainda lembrar as urzes e os medronheiros de onde provém. Já a partir do Outono todos os voluntários receberão um frasquinho de mel de 150g por cada participação numa jornada (até ao fim do stock).

Prova de mel

E assim, cansados mas regenerados os 10 voluntários (9 no campo mais um(a) na retaguarda, quer dizer, na cozinha) deram a jornada por finda. A época de Verão será concluída já no próximo dia 8 de Setembro.

Obrigado a todos os voluntários!

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