Finalmente uma jornada!

Foi finalmente no Sábado, 19 de Fevereiro que se conseguiu realizar a 1ª jornada voluntária de Inverno no Cabeço Santo! E o tempo atmosférico, como que a querer compensar-nos por todos os dias de chuva com que nos impediu de realizar várias jornadas, presenteou-nos desta vez com um radioso e brilhante dia de sol, ainda que frio, claro, como convém a um bom dia de Inverno.

Mas, como não há frio suficiente capaz de desanimar um decidido grupo de voluntários,  eis que pouco depois das 9 da manhã já se rumava ao Cabeço Santo. Objectivo principal: Cuidar das árvores que são a “espinha dorsal” do bosque que se procura recuperar, sobretudo nas terras mais férteis dos vales: os carvalhos (da espécie Quercus robur), árvores que, para além da sua enorme importância ecológica, são de uma grande beleza, em qualquer estágio do seu desenvolvimento e em qualquer Estação do ano. Por isso, vir realizar um dia de trabalho numa área de carvalhal não é só vir trabalhar, é também ter a enorme, emocionante e curativa satisfação de admirar as árvores, cada árvore. É curar-se e ajudar a curar as feridas de uma Natureza que aqui foram tão profundas. E cada ano que passa, os voluntários, que sentem o pulsar desta terra mais intensamente do que qualquer outro trabalhador que por aqui passe, ou mesmo que qualquer visitante, têm a satisfação adicional de olhar para as árvores, e ver que estão ainda mais belas que no ano anterior, e que valeu a pena o esforço. E sentiram isso agora mesmo, que as árvores estão despidas ou ainda vestidas, mas de uma folhagem castanha, pois na Primavera e no Verão toda a vegetação à sua volta está activa e vibrante, e o verde e as cores chamam de todas as direcções. Mas agora, com a vegetação no seu repouso invernal, parece que apenas as árvores dão vida a esta paisagem, apesar do seu próprio “repouso”.

Ribeiro de Belazaima

Paisagem matinal

Carvalhal junto ao Ribeiro de Belazaima

Jovem carvalhal na bruma matinal

Jovem carvalho plantado em 2010

Jovem carvalho plantado em 2010

Paisagem ribeirinha

Apesar da geada, os salgueiros já estão em flor

Quando a equipa chegou, o branco da geada cobria as terras do vale do ribeiro onde o sol ainda não tinha chegado, mas ao mesmo tempo os primeiros raios da manhã criavam uma neblina que dava ao vale um ar “misterioso”. Os trabalhos a realizar consistiam em cortar a rebentação secundária, sobretudo das árvores originárias de rebentação de toiças, efectuar alguma desramação, desbastar rebentos ou árvores demasiado próximas umas das outras, e cortar vegetação concorrente, sobretudo silvado, mas este não tão prioritário como os outros trabalhos.

Voluntários em acção

Voluntários cortando rebentação em carvalhos de rebentação de toiça

Jovem carvalhal com 3 anos

Voluntário em acção numa encosta com carvalhos plantados em 2010

De todos os trabalhos o mais difícil de realizar, ou melhor, de decidir, é o desbaste de rebentos ou árvores próximas. Quando os rebentos ou as árvores em excesso são muito desiguais, aí não é tão difícil: remove-se a mais fraca. Mas o problema é quando as árvores ou os rebentos são quase iguais, o que acontece com frequência. Aí olha-se de um lado, e de outro, com pena de cortar uma, com pena de não conseguir esticar o espaço… Às vezes pede-se a opinião a outro voluntário, que também olha, sofre,… e decide que não se corta, que é melhor deixar a decisão para o próximo ano!

E foi assim, entre os carvalhos de rebentação de toiça, já com 7 anos de crescimento desde 2005 e os últimos carvalhos plantados, sobretudo nos anos de 2009 e 2010, que se passou uma intensa jornada de trabalho voluntário que só terminou porque começou a escurecer, pois vontade de continuar não faltava. Aliás, não se pôde concluir este trabalho essencial, pelo que, em princípio, a jornada de 9 de Março ainda lhe será dedicada. A foto de encerramento teve como “enquadramento” a escada que serviu de ponte improvisada para atravessar o ribeiro, que agora levava bastante água.

Foto de despedida

No final de mais uma jornada

Claro, os voluntários presentes tomaram posse do seu frasquinho de mel de 150g e regressaram a casa revitalizados, pelo menos interiormente, já que os corpos ansiavam por descanso.

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2 Respostas so far »

  1. 2

    João Paulo said,

    O meu frasquinho de mel ofereci-o ontem ao Mário Laginha, em Águeda, depois de um espectáculo memorável. Disse-me ele, depois de abrir o frasquinho e cheirar o mel e dizer que este era daquele “selvagem”, que lá em casa adoram mel, todos os dias comem mel ao pequeno-almoço. Até me senti mal por lhe oferecer um frasco tão pequenino… se ele gostar tenho que ir ao Cabeço Santo trabalhar de voluntário uma semana inteira, pra depois lhe oferecer um frasco de Kg! O mel estava já cristalizado, um dia ele tem que provar sem estar cristalizado, porque aí é que vai ver o que é mel muito bom! Se bem que cristalizado, para comer em torradinhas, hummmmmmmmmm!!!


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