Notícias de volta

Depois de uma relativamente longa ausência do mundo virtual, eis novidades do Projecto Cabeço Santo.

A última jornada de Primavera não se chegou a realizar, primeiro porque não havia voluntários, segundo porque choveu, não muito mas choveu. Já no princípio de Julho estava prevista uma jornada com a participação de elementos da Fundação Mata do Buçaco, mas esta foi cancelada uns dias antes devido à onda de calor que se fazia sentir. Entretanto, e depois de terminadas as ondas de calor e alguns sobressaltos a elas associadas, Julho decorreu ameno e sossegado…

Como passou tanto tempo desde o último artigo, antes de mais aqui fica o convite para uma visita virtual com imagens de 23 de Julho.

Na cabeceira do vale nº1 fica uma área muito íngreme, onde praticamente não tem havido trabalho voluntário, mas apenas profissional. É uma área de medronhal, com pinheiros de origem seminal dispersos. A rebentação de eucalipto deverá ser cortada no Outono, com “picelamento” do corte.

Cabeceira do vale nº 1

Cabeceira do vale nº 1

Mais à frente, já na Cabeceira do vale nº 2, eis uma área, esta sim, onde as equipas voluntárias já deram importantes contribuições. Esta área já esteve densamente invadida com acácia-de-espigas, tendo sido gradada com uma grade de discos pesada em 2009. Mais tarde uma equipa profissional cortou e arrancou rebentação remanescente. Depois os voluntários plantaram a área com medronheiros e uns poucos carvalhos, e fizeram uma segunda ronda a cortar e arrancar acácia-de-espigas. Neste momento, ainda há zonas com bastantes acácias, e há sobretudo acácias dispersas, mas pode-se justamente dizer que a vegetação nativa (espontânea e introduzida) já domina a área.

Cabeceira do vale nº 2

Cabeceira do vale nº 2

Vegetação herbácea em tonalidades de Verão

Vegetação herbácea em tonalidades de Verão

Carvalho plantado em 2010

Carvalho plantado em 2010

Acima do caminho florestal fica uma área gerida pela Altri florestal, mas onde o projecto também tem dado a sua contribuição, sobretudo na recuperação de uma singular mancha espontânea de carvalho-roble que aí existe. Como por todo o lado este ano, os carvalhos estão com muita vitalidade. Também os carvalhos nessa área plantados pela Altri florestal já se mostram, e embora a maioria não tenha sobrevivido, os que o conseguiram justificam plenamente o esforço.

Pequena mancha de carvalhal em torno do ponto mais alto do Cabeço Santo

Pequena mancha de carvalhal em torno do ponto mais alto do Cabeço Santo

Descendo agora um pouco, passamos a uma área de reconversão de eucaliptal, em boa hora decidida pela Altri florestal. O solo é bastante pobre e ainda há muitas plantas isoladas de acácia-de-espigas, mas os medronheiros aí plantados pelo projecto estão bem ancorados e a vegetação espontânea fez o resto do trabalho. Há grandes “canteiros” de Cistus salvifolius (sanganho-mouro), agora com os seus “botões” castanhos cheios de sementes, prontas a iniciar a próxima “campanha”.

Medronheiros plantados e a sempre presente indesejável companhia

Medronheiros plantados e a sempre presente indesejável companhia

Mancha de sanganho-mouro

Mancha de sanganho-mouro

Detalhe das cápsulas de sanganho-mouro cheias de sementes

Detalhe das cápsulas de sanganho-mouro cheias de sementes

Um pouco mais à frente e já estamos na cabeceira do vale nº 3, na que já foi a mais “aguerrida” mancha de acácia-de-espigas do Cabeço Santo. Depois de um primeiro corte já em 2009 ou 2010, decidiu-se que não havia condições para debelar esta mancha de uma só vez. Isto porque cada corte exige depois um acompanhamento cuidado para não deixar a rebentação voltar. Assim, no Inverno de 2012 uma equipa da Associação Florestal do Baixo Vouga fez o corte cuidado de uma estreita faixa. Depois, na jornada voluntária de aniversário (Agosto) de 2012, uma equipa voluntária fez um difícil trabalho de acompanhamento. Um ano depois a faixa está bastante liberta mas ainda é necessário lá voltar, talvez na próxima jornada de aniversário. Entretanto, já no Inverno de 2013, uma equipa da AFBV efectuou o corte de outra faixa, que também será necessário visitar.

Faixa de acácia-de-espigas cortada em 2012

Faixa de acácia-de-espigas cortada em 2012

Do lado de cima do antigo caminho florestal, também ainda há muitas acácias, mas a vegetação nativa domina. Mas esta palavra é enganadora: “domina” significa “ocupa a maior parte do espaço”, mas não significa que a vegetação nativa seja capaz, por si só, de substituir a vegetação invasora.

Acima do caminho florestal...

Acima do caminho florestal…

Vale nº 5: cortado, pulverizado, queimado, pulverizado de novo, semeado, plantado, cortado de novo… muitas operações para um vale difícil, pelo estado em que se encontrava inicialmente, pelos declives, pela lenha que lá ficou “sepultada”. Entre a cabeceira e a zona média do vale apenas se semeou. Este ano, como há carvalhos para plantar, deverá avaliar-se o sucesso das últimas duas operações de sementeira e complementar com plantação. A rebentação remanescente de carvalho e mimosa deverá ser cortada.

Cabeceira do vale nº 5

Cabeceira do vale nº 5

Vale nº 4. Primeiro plano: reconversão de eucaliptal. Segundo plano: antigo pinhal do qual só restou depois de 2005 o medronhal. Terceiro plano: reconversão de eucaliptal. Quarto plano: eucaliptal replantado em 2007 pela Altri. Aqui o trabalho é essencialmente de corte da rebentação remanescente de eucaliptos. Ao longo de toda a faixa do “sub-vale” b (4b) foram plantados carvalhos em 2010. Uma grande parte deles estão com boa vitalidade.

Cabeceira do vale nº 4

Cabeceira do vale nº 4

Carvalho plantado em 2010 na cabeceira do vale nº 4(b)

Carvalho plantado em 2010 na cabeceira do vale nº 4(b)

Agora descemos a montanha em torno do vale nº 3 para encontrar a “tal” segunda faixa da difícil mancha de acácia-de-espigas cortada este ano (é que este ano decidiu-se continuar, mas de baixo para cima, para facilitar a remoção para baixo da lenha cortada; deste modo as duas faixas já cortadas estão em extremidades opostas da mancha). Esta segunda faixa tinha bastantes eucaliptos, cuja rebentação (visível na foto) foi entretanto já pulverizada com herbicida. Deste modo, quando se fizer o trabalho de acompanhamento, estes rebentos deverão já estar secos. Como se observa, os medronheiros rebentados já são bastante grandes.

Rebentação de eucalipto na faixa de acácia-de-espigas cortada este ano

Rebentação de eucalipto na faixa de acácia-de-espigas cortada este ano

Continuando agora a descer o vale nº 3, a área de conservação reduz-se a uma faixa entre o eucaliptal em exploração, mas é uma faixa interessante. Fez-se aí um fogo controlado para se poder lá entrar, e depois arrancaram-se todas as plantas de acácia-de-espigas germinadas por acção dessa queimada. Plantou-se todo o vale com carvalhos e medronheiros. Mas agora verifica-se que ainda há muitas plantas de acácia-de-espigas (e rebentação de eucalipto) para cortar ou arrancar…! Mas claro, como por todo o lado, o que não se pode é desistir.

Faixa de conservação em torno do vale nº 3

Faixa de conservação em torno do vale nº 3

Vale nº 3 e encostas adjacentes

Vale nº 3 e encostas adjacentes

Entretanto já estamos cá em baixo, quase no ribeiro, na área de confluência dos vales nºs 3, 4 e 5. Uma das primeiras áreas a ser cortada da sua densa rebentação de eucalipto e mimosa, em 2008. Pulverizada, plantada, acompanhada, sobretudo, ao longo dos primeiros anos, mas uma área muito difícil, devido aos declives e à imensa lenha queimada que aí ficou depositada e que, passados quase 8 anos do incêndio ainda estorva! Como resultado, há áreas conde não foi possível fazer o controlo de continuidade da rebentação de mimosa. Noutras (foto), fez-se e as plantas nativas encontram-se bem ancoradas, mas ainda há muitas plantas dispersas das exóticas, que é necessário cortar antes que cresçam demasiado. Não desistir…! Noutra foto, mostra-se o “pé-torto”, curva apertada do rio, ainda com eucaliptos na margem sul, mas só até ao próximo corte.

Área de confluência dos vales nºs 3, 4 e 5

Área de confluência dos vales nºs 3, 4 e 5

Pé torto

Pé torto

Subimos agora o ribeiro, e, ao chegar às primeiras antigas terras agrícolas de Belazaima-a-Velha, ainda em terreno íngreme, o panorama não é muito diferente: vegetação nativa bem estabelecida, mas muitas mimosas dispersas…

Encosta antes de aparecerem as primeiras antigas terras agrícolas de Belazaima-a-Velha

Encosta antes de aparecerem as primeiras antigas terras agrícolas de Belazaima-a-Velha

Finalmente terminamos a nossa visita já nessas antigas terras agrícolas, onde a vegetação herbácea e o silvado crescem explosivamente no final da Primavera e início do Verão. Os carvalhos e outras árvores aí plantadas também têm crescido muito bem, mas, por unidade de área, são estes locais que requerem mais trabalho de todo o projecto, pois sem várias operações de corte de vegetação espontânea por ano, sobretudo o silvado e os fetos, esta vegetação comprometeria o desenvolvimento das árvores plantadas ou mesmo impedi-lo-ia. Assim se constatou que neste dia 23 de Julho, o trilho ribeirinho percorrido no dia 25 de Maio já se encontrava completamente intransitável. Também nestes locais em geral planos e de fácil acesso o controlo das mimosas que ainda vão surgindo se faz pelo corte repetido pela motorroçadora, ferramenta indispensável nestas áreas.

Carvalho plantado em antigas terras agrícolas

Carvalho plantado em antigas terras agrícolas

É sempre bom observar uma libelinha

É sempre bom observar uma libelinha

E assim se “abriu o apetite” para a próxima jornada voluntária, a jornada que marcará o 7º aniversário do projecto. O anúncio virá já a seguir, pois que este artigo já vai longo.

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1 Response so far »

  1. 1

    Abel said,

    Excelente visita guiada, Paulo.


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