3ª Jornada de Inverno

Mais de uma semana depois aqui fica uma singela reportagem da última jornada voluntária de Inverno de 2014, a terceira da Estação e a quinta dedicada à plantação de árvores e arbustos. Esta contou com a participação de um generoso número de voluntários, incluindo uma já invulgar, mas bem-vinda presença feminina (atenção, não digo isto apenas devido ao bolo de laranja!), e ainda de uma presença ainda mais rara: uma presença canina!

Nesta última jornada voltou-se ao local da primeira (de plantação, em Novembro), em Chão do Linho / Vale de Barrocas, para plantar azevinhos entre os carvalhos que já tinham sido plantados no dia da floresta autóctone. Uma dificuldade adicional é que agora não havia ponte, pois tinha sido arrastada pelas cheias… Mas nada que impedisse os voluntários de chegar à outra margem do ribeiro.

Azevinho plantado

Azevinho plantado

Carvalho de origem seminal (sementeira de 2012)

Carvalho de origem seminal (sementeira de 2012)

Enquanto um grupo de voluntários ia plantando azevinhos neste espaço, outro grupo foi limpar uma área mais a montante para também se poder plantar. Esta área era uma antiga leira agrícola, muito estreita, mesmo junto ao curso do ribeiro, e por onde só se tinha acesso por um carreiro de pé-posto. Esse carreiro esteve obstruído muitos anos, pelo menos desde 2005, quando um “dilúvio” de lenha queimada se abateu sobre a encosta. No entanto, desde o ano passado, foi sendo desobstruído e finalmente agora podia dar acesso à leira. Também esta esteve todo este tempo obstruída com imensa lenha, mas como alguma foi apodrecendo, agora já não dava um trabalho excessivo limpá-la para finalmente plantar. De facto, o trabalho de a limpar foi muito maior do que o de a plantar, pois que, para além de lenha espalhada, ainda havia o silvado e… o lixo. Encontraram-se bidóns metálicos, um recipiente de pintura, e mesmo uma bateria de chumbo! Como é que tudo aquilo foi parar a uma leira inacessível? Simples: entre a leira e o caminho mais próximo encontra-se uma encosta muito inclinada, e parece que encostas inclinadas são os sítios preferidos para depositar lixo. Deve dar a ideia que “desaparece”, porque não fica onde foi depositado.

Parte da leira já tinha carvalhos que, embora com danos, mantiveram a parte aérea após o incêndio de 2005. Após anos de lenta recuperação, estes carvalhos estão agora bonitos e também eles foram cuidados, cortando-se rebentos secundários e fazendo algum desbaste de árvores decrépitas. Também aqui a equipa de “arrumação” trabalhou diligentemente para deixar este local um “brinquinho”, onde vale a pena voltar com frequência. Na outra margem do ribeiro são ainda as mimosas que dominam, mas felizmente também será possível intervir aí.

Arrumação de lenha na leira a montante

Arrumação de lenha na leira a montante

Foi com surpresa que o nosso “biólogo de serviço” identificou sinais da presença de lontra numa pedra da margem do ribeiro! Se não fosse ele a fazê-lo, talvez não se acreditasse, mas como foi… Já a surpresa não foi tão grande quando se observaram várias salamandras (Salamandra lusitanica) ao se levantar um tronco do solo. Isto porque a presença desta espécie era já conhecida.

Finalmente, já a manhã terminava quando se plantaram as árvores na leira agora desobstruída. A montante, a leira termina num antigo moinho-de-água agora em ruínas, e a partir daí para montante a encosta muito inclinada “mergulha” directamente no ribeiro, sendo muito difícil percorrer a margem.

A equipa regressou assim à carrinha de serviço e o almoço decorreu animado à sombra de uns eucaliptos que cairão em breve para dar lugar a uma nova área de intervenção do projecto, culminando (o almoço) com o já referido bolo de laranja, que tantos elogios fez proferir!

À tarde a equipa deslocou-se para montante do vale nº 6 para plantar as últimas árvores numa encosta já plantada há alguns anos mas onde havia ainda alguns espaços vazios. É o local por onde também passa o percurso PR8, e onde também existe uma ponte para atravessamento do ribeiro, esta, danificada e inoperacional mas ainda junto ao local de implantação. E onde também existe um moinho-de-água em ruínas! Alguns voluntários só fizeram trabalho de limpeza de mimosas, outros de silvado, enquanto os outros plantaram as árvores. Todo o espaço disponível e próprio foi plantado e muito trabalho de limpeza e arrumação foi realizado. É incrível o que acontece quando se junta uma equipa numerosa de voluntários motivados!

Perspectiva do ribeiro, a montante do vale nº 6

Perspectiva do ribeiro, a montante do vale nº 6

Pelo final do dia a equipa reuniu-se tendo por fundo, lá ao longe, um formoso carvalho sobrevivente ao fogo de 2005, e, encerrando uma produtiva série de jornadas essencialmente dedicadas à plantação de árvores e arbustos, tirou uma foto de despedida! Adeus Inverno! Bem-vinda Primavera! Não tinha havido muitas fotos mas as da Odete ainda não chegaram. Talvez mais tarde…!

DSC_0014

Já a seguir não percam: as Jornadas voluntárias de Primavera de 2014!

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2 Respostas so far »

  1. 1

    Abel said,

    Reportagem singela mas esclarecedora.
    Gostei do comentário sobre o lixo e a tendência das pessoas o lançarem em locais como aquele. De facto é uma boa explicação.
    Abel


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