Extraordinária jornada!

Poderia dizer-se que a jornada voluntária prevista para 18 de Julho era sempre um empreendimento arriscado, devido às elevadas temperaturas próprias deste mês, com ou sem o temível vento de leste, mas muito, muito pior com ele. Mas, ao contrário de Maio e Junho, que foram presa desses ocasionais períodos de “febre”, Julho tem sido um mês sereno, sempre banhado pelos frescos e húmidos ventos oceânicos (pelo menos aqui no litoral, que no interior e no sul já não é bem assim). Entre estes, uns mais e outros menos, claro, mas este 18 de Julho não só foi bastante fresco, como ainda razoavelmente nublado, permitindo aos voluntários deste dia, digamos, trabalhar sempre “à sombra”.

Os voluntários eram cinco, alguns já veteranos mas também um “caloiro”, e o destino foi a zona do Cambedo, onde a presença voluntária tem sido frequente este ano no cuidado da sua já quase “famosa” mancha de carvalhal. A montante desta mancha, o vale nº 6 no seu encontro com o ribeiro, numa área rochosa e escarpada ainda com muitos eucaliptos e mimosas, onde a equipa da última jornada já tinha trabalhado. Ora a equipa deste dia começou exactamente onde a anterior tinha terminado. O facto de o vale se encontrar agora seco facilitava muito os trabalhos, e o que mais os dificultava eram os restos de ramada das muitas mimosas que aqui já foram cortadas no passado. Deve-se contudo reconhecer que, apesar da sua abundância, a densidade de eucaliptos e mimosas neste local já é muito inferior ao que já foi, talvez uns… 70%. Para animar a equipa, muitas plantas nativas já se encontram também por aqui bem desenvolvidas, em particular os medronheiros. A certa altura, abordou-se uma densa mancha de mimosas bem no coração do vale, para descobrir atrás delas um formoso medronheiro que contudo se encontrava completamente ocultado.

Perspectiva dos trabalhos, já a manhã ia avançada

Perspectiva dos trabalhos, já a manhã ia avançada

Barreira de mimosas...

Barreira de mimosas…

... escondiam um bonito medronheiro!

… escondia um bonito medronheiro!

Os medronheiros eram, neste solo rochoso e agreste, as principais plantas nativas

Os medronheiros eram, neste solo rochoso e agreste, as principais plantas nativas

Com o tempo a ajudar, o trabalho ao longo da manhã foi verdadeiramente frenético, ou vá lá, no mínimo, muitíssimo animado. Vale acima, escarpas abaixo, a antiga levada que aqui se encontrava completamente obstruída foi sendo limpa, servindo agora de carreiro de acesso, e os eucaliptos e as mimosas foram sendo cortados com todas as ferramentas disponíveis e apropriadas: motossera pequena, serra de mão e tesourão. Indispensáveis foram também os pequenos pulverizadores de mão, para colocar herbicida nas superfícies de corte das indesejadas plantas e minimizar a sua rebentação. Mas claro, já sabemos que não será a última vez: a presença destas plantas tende assintóticamente para zero! Incrivelmente, ainda se encontraram quatro troncos de mimosa queimados em 2005 ainda em pé. Quase 10 anos depois!

Ver para crer: quatro mimosas queimadas em 2005 ainda em pé!

Ver para crer: quatro mimosas queimadas em 2005 ainda em pé!

A vegetação cortada foi devidamente arrumada, para não estorvar trabalhos posteriores

A vegetação cortada foi devidamente arrumada, para não estorvar trabalhos posteriores

Vista do vale, já pelo final da manhã

Vista do vale, já pelo final da manhã

Vista da encosta a montante do vale

Vista da encosta a montante do vale

Depois de uma manhã destas o resultado do trabalho já se via bem e até nem apetecia ir lá acima ao caminho para o almoço. Contudo, depois deste achou-se por bem fazer uma pequena sesta, e até soube melhor fazê-la à sombra dos bonitos carvalhos do Cambedo, que já tinham dado tanto trabalho a cuidar.

Depois do regenerador descanso, a dinâmica repetiu-se à tarde, mas agora um novo trabalho se acrescentou: a motoroçadora trabalhou toda a tarde, cortando não apenas silvado e fetos mas também rebentação de mimosas, daquelas que foram cortadas no final do Inverno e que propositadamente não levaram herbicida pois estavam, em geral, em situação de serem facilmente acompanhadas por meios mecânicos. Dava gosto ficar a apreciar os belos carvalhos que aqui habitam, mas o vigoroso silvado também não dava muitas tréguas. Claro, no vale os trabalhos também avançaram dramaticamente, quase se chegando ao caminho.

Carvalhal e rebentação de mimosas

Carvalhal e rebentação de mimosas

Após um trabalho de limpeza com motorroçadora

Após um trabalho de limpeza com motorroçadora

Surpreendentemente, houve energias para trabalhar quase até às 19 horas! Tinha sido um dia fantástico!

A equipa no final

A equipa no final

Agora os trabalhos agendados voltam só no final de Agosto, com a jornada de aniversário. Mas, estejam atentos: poderá haver entretanto outros trabalhos com possibilidade de envolverem voluntários. E, por certo, haverá notícias. Boas notícias dos progressos conseguidos recentemente relativamente à área de intervenção do projecto. Até breve!

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