Jornada do 9º aniversário

Quase nove anos depois do primeiro CTV (Campo de Trabalho Voluntário, como então se chamava) realizado no Cabeço Santo entre 1 e 5 de Setembro de 2006, eis que o Projecto Cabeço Santo não só ainda se encontra em plena actividade, como se prepara para novas avenidas para os anos que virão. De facto, o objecto do seu trabalho não se esgotará nem no espaço de uma vida humana, quanto mais nos poucos anos que passaram desde que as primeiras acácias foram arrancadas no decurso desse primeiro CTV.

Para esta jornada apresentaram-se 6 voluntários, um dos quais “caloiro”. De manhã a equipa deslocou-se até ao vale nº 6, que tem sido um alvo privilegiado das jornadas voluntárias deste ano, tendo-se lá trabalhado pela última vez na jornada de Julho. Mas enquanto nesta o tempo estava fresco e o céu nublado, para a presente jornada previa-se um dia com temperatura máxima a rondar os 30ºC e céu limpo. Por isso, já se tinha decidido trabalhar aí apenas de manhã.

Inspecção à área trabalhada na última jornada

Inspecção à área trabalhada na última jornada

Depois de uma apreciação do trabalho da última jornada e a constatação de que não era possível continuar a subir o vale, os trabalhos prosseguiram ao longo da encosta adjacente ao ribeiro, a montante do vale nº 6. Quase 10 anos depois do fogo, restos das mimosas então queimadas continuaram a ser um obstáculo importante à progressão no terreno. A primeira intervenção aqui realizada pelo projecto foi já em 2008, com o corte da imensa massa de eucaliptos e mimosas que aqui tinha surgido na sequência do incêndio. No entanto, a posterior pulverização da rebentação com herbicida foi muito dificultada pelas características do terreno e pela árvores caídas. Por isso, passados poucos anos, parecia que a encosta estava outra vez coberta das indesejadas plantas. Mas, uma análise atenta, permitia verificar que a densidade dessas plantas era já muito inferior à original, e que, embora fossem dominantes à vista distante, a presença de plantas nativas como o medronheiro era já significativa. Por isso, se o trabalho agora levado a cabo não é “definitivo” (nunca é definitivo!), pelo menos permitirá que, pela primeira vez, as exóticas deixem de “dominar”.

Trabalhos na encosta

Trabalhos na encosta

Evoluir dos trabalhos na encosta

Evoluir dos trabalhos na encosta

Um pouco mais tarde, do mesmo local...

Um pouco mais tarde, do mesmo local…

A antiga levada continuou a ser desobstruída, pois que é a “via” mais fácil de acesso ao longo de uma encosta rochosa e escarpada, e os trabalhos em geral prosseguiram com muita animação, indiferentes à temperatura que ia subindo, lentamente. A água, que, embora pouca, corria cristalina lá em baixo no ribeiro, foi sendo cada vez mais atractiva para os voluntários, até que finalmente um deles não resistiu a tentar ir até lá… mas o melhor que conseguiu foi uma grande arranhadela de silva num braço. Paciência, pelo menos havia água de garrafão em abundância!

Perspectiva da paisagem, a montante

Perspectiva da paisagem, a montante

A jusante, a mancha de carvalhal do Cambedo

A jusante, a mancha de carvalhal do Cambedo

Trabalharam serras de mão, tesourões, uma pequena motosserra e os pequenos pulverizadores de mão com herbicida para colocar na superfície de corte de cada árvore. As ramadas foram cuidadosamente arrumadas para não estorvarem trabalhos futuros. Não havia repórter de serviço, pelo que só fugazmente alguém pegava na máquina fotográfica para tirar uma foto. Parecia que todos tinham pressa de ver de novo esta encosta “ao natural”! E a “coisa” avançou, de tal maneira que começou a parecer que mais uma jornada aqui, e… já está! Mas de facto o outro lado da ribeira lá estava para nos lembrar do contrário: aí ainda há muito trabalho a fazer nesta zona.

Voluntário apreciando o trabalho realizado

Voluntário apreciando o trabalho realizado

Já eram 13 horas, estava calor e as t-shirts encontravam-se completamente encharcadas. Queríamos ir almoçar. Mas um voluntário demorava-se: queria deixar aquele recanto como se lá nunca mais voltasse!

Mas finalmente fomos. Dado o calor que se previa para a tarde tinha-se planeado trabalhar à sombra e logo numa das novas áreas de intervenção do projecto, junto à aldeia Feridouro. Assim, como aí havia sombra (ainda que de mimosa!) almoçou-se nela, mesmo junto ao ribeiro, e no final, para marcar condignamente a data, partilhou-se um bolo de aniversário!

Bolo de aniversário

Bolo de aniversário

Comemorando!

Comemorando!

Houve também algum tempo para relaxamento e contemplação durante o qual se observaram pequenas grandes maravilhas da natureza. Vejam só esta. Não representa excepcionalmente este dia?

Pequena maravilha durante o período de contemplação

Pequena maravilha durante o período de contemplação

À tarde cortaram-se mimosas de pequeno diâmetro e trituraram-se com um triturador de ramada. Pela experiência que temos tido, a ramada de mimosa triturada parece ser um bom material para cobertura e melhoramento do solo dos locais de plantação de árvores, pelo que de um trabalho se obtêm duas vantagens: removem-se as mimosas e obtém-se um material útil. Com a temperatura agora a descer, os trabalhos prolongaram-se até às 19 horas, tendo-se gerado dois montes de ramada triturada e deixado um recanto muito menos invadido do que estava à chegada. De facto, nem houve a preocupação de cortar todas as árvores exóticas já que duas equipas andam nesta zona a retirar as mimosas para lenha e estilha. Mas, enquanto que a essas equipas interessam mais as árvores grandes, para o nosso triturado são as pequenas que são mais interessantes. Claro, é um trabalho bastante mão-de-obra intensivo, mas com tantos braços voluntários, funcionou lindamente e com muita eficiência no que à utilização da máquina diz respeito.

Área de intervenção da tarde

Área de intervenção da tarde

Triturando ramada

Triturando ramada

Equipa em acção

Equipa em acção

Equipa em acção

Equipa em acção

Comparem com a foto acima... Não vêm diferença?!

Comparem com a foto acima… Não vêm diferença?!

E desta perspectiva?

E desta perspectiva?

Um dos montes de ramada triturada produzido

Um dos montes de ramada triturada produzido

No final a conclusão só podia ser uma: tinha sido mais uma extraordinária jornada voluntária! Uma jornada voluntária bem digna de um aniversário! Para ser perfeita, só faltou… Adivinhem vocês!

“Foto de família” no final de uma grande jornada

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2 Respostas so far »

  1. 2

    Abel Barreto said,

    Excelente trabalho. Tive pena não estar em Aveiro nesse dia para poder participar, mas fica para a próxima.


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