Última jornada de Verão

A última jornada do Verão de 2016 e 2ª comemorativa dos 10 anos do projecto decorreu ontem com a presença de 6 determinados voluntários, 3 deles “caloiros”. Como por aqui os estreantes têm um acolhimento atencioso, preparámos um dia dividido em 3 trabalhos diferentes em 3 locais também diferentes, permitindo dar aos novos uma perspectiva o mais abrangente possível dos horizontes do projecto.

O primeiro trabalho foi de “partir pedra”, numa área onde se desenvolve a primeira intervenção. O local foi a zona das Costas do Rio, a caminho da curva apertada do ribeiro conhecida por “pé torto”. Na margem direita, no terreno da Altri florestal, a intervenção já se tinha iniciado em 2008 numa estreita faixa ribeirinha, mas na margem esquerda o acesso ao terreno só foi possível a partir de 2012, quando as mimosas que densamente ocupavam a margem já estavam bastante crescidas. Nestas condições, a opção considerada mais viável, também tendo em conta o elevado declive da margem em alguns locais, foi o descasque das árvores. Como esta margem tem 1 km de extensão, é talvez trabalho para vários anos, tendo tido o seu início no ano passado.

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Novo voluntário já perfeitamente à vontade na sua missão

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Algumas mimosas eram bastante grossas, mas mesmo uma jovem voluntária não se deixou intimidar

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Os declives elevados foram uma das principais dificuldades. Mas ninguém caíu, felizmente

Foi necessário usar a motoroçadora em alguns sítios para triturar o silvado e facilitar o acesso à árvores. Depois, mãos à obra: equipados com navalhas, facas e uma pequena serra de mão, os voluntários dedicaram-se ao descasque. Inicialmente, não pareceu fácil, com árvores já tão grandes e de casca tão grossa, e com declives frequentemente tão elevados. Para piorar as coisas, havia também muita lenha antiga no chão em alguns locais. Mas viu-se logo que os voluntários deste dia não eram de desanimar à primeira dificuldade e o trabalho prosseguiu até quase às 12 horas, quando se parou para uns merecidos figos do Feridouro.

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Vista da margem direita, onde se podem admirar estes bonitos carvalhos

Mas a agenda da manhã ainda incluía a 2ª acção do dia e esta era a jusante do Feridouro: numa pequena várzea da zona da Chousa, que tinha sido alvo de uma mobilização de solo para facilitar a plantação e a gestão da vegetação, as mimosas germinaram em grandes quantidades e era necessário arrancá-las antes que fosse tarde de mais. Claro, a razão para esta germinação massiva estava na anterior ocupação deste espaço por uma densa mata de mimosas crescidas, que deixaram este solo com um volumoso banco de sementes. A área já tinha sido plantada no último Inverno, quando ainda não havia sinal das mimosas (nem das abundantes plantas herbáceas de caule vermelho que na Primavera haveriam de surgir e que agora ainda davam uma tonalidade avermelhada ao local). Durante mais de uma hora arrancaram-se mimosas, e a surpresa foi que elas afinal eram muito mais abundantes do que parecia à primeira vista. Já o relógio se encaminhava para as 13:30h e parecia que as mimosas nunca mais acabavam (ou até que voltavam a surgir logo umas novas assim que se arrancavam as anteriores!).

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Densa cobertura de mimosas germinadas

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Voluntários em acção, num ambiente de tonalidade avermelhada

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Carvalho plantado no Inverno passado

Finalmente, a fome falou mais alto: mais uma vez, a sombra da tangerineira do Jorge Morais, juntamente com o crepitar das águas da nascente do Vale de Barrocas, foram o ambiente perfeito para um merecido almoço. Seguiu-se, é claro, o relaxamento integral sob a copa dos carvalhos do Cortinhal, o que deixou os voluntários bem preparados para o desafio seguinte.

A 3ª acção do dia decorreu numa zona média-alta do vale nº 3, em torno da cota dos 300 metros, na mata da Altri florestal. Aqui já no passado se tinham arrancado e cortado acácias-de-espigas, e na zona mais fértil, em torno do vale, se tinham mesmo plantado árvores. Mais longe do vale, já numa área de solo marginal, existia uma mancha de medronhal que sobreviveu a décadas de exploração florestal e que agora se recupera, ainda que também aqui as acácias-de-espigas compitam agressivamente com os medronheiros. Ora, num “momento” de desatenção, novas plantas de acácias-de-espigas aqui surgiram e se desenvolveram rapidamente, acabando por dominar a paisagem local. Deste modo, foi necessária uma intervenção de uma equipa de sapadores, que cortou esses arbustos no último Inverno, deixando, muito material lenhoso no chão. O que se veio aqui fazer agora foi acompanhar as rebentações indesejadas das plantas de acácia-de-espigas, cortando-as com tesourões, arrancar plantas de origem seminal, e também iniciar um trabalho de arrumação da ramada, que, em certos locais é um obstáculo à progressão no terreno.

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Na subida para o vale nº 3 observou-se um Laetiporus sulphureus num toco de eucalipto.

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Aqui os voluntários cortaram e arrancaram plantas de acácia-de-espigas

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Nalguns locais a ramada seca era tanta que não se conseguia progredir: terá de ser “arrumada”.

Mais a montante, já numa área rochosa, são visíveis os efeitos da seca estival deste ano, com muitas plantas de acácias-de-espigas secas. Deste ponto de vista, o Verão quente e seco “fez um bom trabalho”, mas ainda deixou imenso para voluntários e não voluntários!

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As plantas secas são acácias-de-espigas que não sobreviveram à seca estival. Mas ainda sobraram muitas!

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A mancha da zona mais rochosa ainda chegou a ser abordada, mas só para fazer o gosto ao dedo…

Lamentavelmente, constatou-se mais um trilho abusivamente aberto pelas hordas de motards que frequentam a região. Sem palavras.

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Trilho “selvagem” (no pior dos sentidos)

Depois de uma semana em que as chuvas voltaram, já com algumas dezenas de litros por metro quadrado, anunciando o fim do Verão e fazendo florescer as primeiras flores Outonais, encerram-se também as jornadas voluntárias de Verão de 2016. Mas as celebrações do 10º aniversário do projecto vão continuar, com as primeiras jornadas de Outono e a grande Conferência comemorativa a realizar no dia 15 de Outubro! Mas, falando de aniversários, não é demais lembrar que hoje mesmo, 18 de Setembro, passam 11 anos sobre o grande incêndio que deixou o Cabeço Santo (e muito mais) em cinzas.

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Voluntários satisfeitos, ao se concluírem os trabalhos

Adeus ao Verão e um grande obrigado a todos os voluntários!

Paulo Domingues

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4 Respostas so far »

  1. 2

    Rocha Grande said,

    Olá 🙂

    Fico feliz por o pessoal estar a “fazer coisas”, coisas realmente significativas.

    Desculpa-me ignorância… Se o objectivo é cortar as mimosas, porquê primeiro o descasque das mesmas?

    Tudo de bom,
    Rocha Grande

  2. 3

    Olá,
    O descasque priva o sistema radicular da árvore do alimento sintetizado na copa verde, levando à sua morte. O corte da árvore verde deixa o sistema radicular intacto, originando uma profusa rebentação tanto do toco como do extenso sistema radicular superficial. Deste modo, não resolve o problema no longo prazo. O descasque, desde que aplicável, e embora mão de obra intensivo, é geralmente eficaz na exclusão definitiva das mimosas.
    Paulo Domingues


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