Archive for Março, 2017

Jornadas Voluntárias de Primavera

A Primavera já se anuncia em cada botão de árvore e em cada planta verde e as jornadas de Primavera também não se irão atrasar: começam logo no primeiro Sábado de Primavera e prolongar-se-ão até ao último. Eis o calendário:

  • 25 de Março (jornada cancelada)
  • 8 de Abril
  • 29-30 de Abril e 1 de Maio: campo de trabalho científico (CTC) dedicado às invasoras
  • 20 de Maio: jornada de visita
  • 3 e 17 de Junho

O CTC de 3 dias está a ser organizado em parceria com o grupo das invasoras da Universidade de Coimbra e é uma iniciativa um pouco à imagem e por inspiração dos CTC’s que este grupo tem realizado ao longo dos anos em locais de interesse conservacionista. Envolverá antigos participantes de outros CTC’s e logo veremos se no Sábado poderemos também acolher alguns dos participantes habituais nas nossas jornadas. Claro, o tema deste CTC é o controlo das espécies invasoras. Utilizaremos as técnicas já conhecidas e actualizaremos conhecimentos com quem está na “crista da onda” neste assunto.

Nas restantes jornadas continuaremos o trabalho das invasoras e cuidaremos das árvores plantadas nos últimos anos, começando desde logo com as plantadas este ano, assinalando-as com estacas para que possam ser facilmente encontradas e cuidadas mais tarde.

Embora não incluído no calendário acima, nos dias 5, 6 e 7 de Maio decorrerá a Expo-florestal, onde o Núcleo de Aveiro da Quercus estará presente e onde o projecto deverá ter exposição destacada.

No dia 20 de Maio teremos a já “tradicional” jornada de visita, um momento privilegiado para dar a conhecer a evolução do projecto, os valores naturais que nesta altura se mostram efusivamente, e claro, também os aspectos menos positivos, até negativos… Um momento de celebração, contemplação, reflexão, e, no almoço que se lhe seguirá, até discussão.

Temos assim uma Primavera bem cheia! Até já!

Paulo Domingues

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Última Jornada de Plantação

A última jornada regular deste Inverno, e também a última de plantação de árvores, foi uma notável congregação de 19 vontades (humanas, mais 4 caninas) muitas delas pela primeira vez, que deram uma contribuição determinante para que as mais de 250 árvores que ainda tínhamos para plantar neste dia o tivessem sido, para além de outros trabalhos realizados. Foi ainda uma jornada “intercontinental” com participantes de dois continentes e quatro países!

A equipa começou, como previsto, pelo Vale de Barrocas, abaixo do caminho principal. Já aí tínhamos estado, mas neste dia avançámos encosta abaixo em direcção ao ribeiro. Não foi um início fácil porque o terreno era pedregoso, o mato denso, e as ramadas de eucalipto abundantes. Para além disso, a encosta tornava-se extremamente declivosa à medida que nos aproximávamos do ribeiro. Para além da plantação de árvores, alguns voluntários dedicaram-se ao corte de rebentação de eucalipto.

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Voluntárias em acção

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Equipa “internacional”

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Em terreno muito inclinado!

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Lódão-bastardo já rebentado, acabado de plantar

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Vista do ribeiro, lá em baixo

Depois de dois dias de autêntico Verão antecipado, o dia estava fresco e os trabalhos avançaram com determinação. Mas o espaço disponível aqui já não era muito pelo que ainda antes do final da manhã o trabalho deu-se por terminado e a equipa dirigiu-se para montante, subindo da cota dos 170 metros até à dos 270, no ponto mais elevado desta área de intervenção. Após esta subida de 100 metros achou-se por bem almoçar, para recuperar energias…

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Reforço de energias com especialidades vegetarianas e bolo para terminar!

À tarde, e reabastecido o stock de árvores, a plantação continuou entre um braço muito secundário do vale e o principal. Aqui havia mais solo e menos pedras do que lá em baixo, pelo que o esforço adicional de transportar os materiais encosta acima era algo compensado pela maior facilidade em plantar as árvores. Também lá em cima uma equipa se dedicou à rebentação de eucalipto, esta bem mais difícil do que lá em baixo porque era a primeira vez que era cortada.

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Caminhada até à área seguinte numa cota mais elevada do vale

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Cá em cima os rebentos de eucalipto eram bastante grandes

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Trabalhos em curso, apreciados ao longe

Os trabalhos avançaram durante a tarde e foi já em pleno “coração” do Vale de Barrocas que as árvores se esgotaram, as energias também já não estavam longe disso, e o sol, já bem escondido atrás do Cabeço do Meio, fazia parecer ainda mais frio o ar que o vento trazia de nordeste, bem diferente do dos últimos dois dias, o temível vento de sudeste.

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Perspectiva do vale, terminados os trabalhos

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A equipa deste dia, já sem a presença de três voluntárias

E foi assim que se encerrou a época de plantação de árvores. Se poderá não impressionar pelo número de árvores plantadas (pouco mais de 2000), não deixa de ser expressivo o número de jornadas realizadas (9), o número de voluntários envolvidos (várias dezenas, num total de cerca de 120 participações) e sobretudo o esforço desenvolvido na realização de um trabalho que é um dos mais exigentes que pedimos aos voluntários, e cujo resultado leva muitos anos a tornar-se visível. Como bem ficou patente ao longo da época, trabalhámos quase invariavelmente em locais de acesso e movimentação difíceis, os locais de plantação tiveram que ser pesquisados em terreno por vezes pedregoso e densamente percorrido por raízes de eucalipto, com ramadas dos últimos cortes frequentemente depositadas e ainda com a presença do matagal, ainda que “amassado” pela queda dos eucaliptos e os movimentos de rechega. E, apesar das dificuldades, muitos dos voluntários voltaram uma e outra vez, num movimento que quase sempre excedeu as 10 pessoas por jornada e que permitiu a realização de outros trabalhos importantes como o corte das rebentações de eucalipto. Creio não ser excessivo afirmar que foi um esforço notável, que merece, neste momento, um reconhecimento especial.

Os trabalhos, é claro, vão continuar já no início da Primavera que se aproxima, e em breve serão anunciadas as Jornadas Voluntárias de Primavera de 2017!

Até já!

Paulo Domingues

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Jornada do Vale de São Francisco

Ainda a tempo, eis a reportagem da jornada voluntária de Sábado passado.

Foi uma jornada muito participada, e com um número significativo de “caloiros”. Não foi por isso, contudo  (porque entre nós os novos têm sempre um especial acolhimento) que neste dia optámos por uma jornada de plantação de árvores e arbustos num dos sítios mais difíceis que podíamos escolher: o Vale de São Francisco.

Esta propriedade de cerca de 3 ha é uma adição recente à área de intervenção do projecto e inclui uma extensão de cerca de 400 metros deste vale que desce do Cabeço Santo até desaguar no ribeiro junto ao Feridouro, passando, lá mais acima, pelo terreno que a Quercus aqui adquiriu em 2006.

É a nossa oportunidade para recuperar um vale com várias escarpas, às quais a água confere o seu especial encanto quando corre com abundância. No entanto, como quase cada recanto desta região, encontra-se num avançado estado de degradação devido ao excessivo aproveitamento para o cultivo de eucalipto e à ocupação por mimosas. Esse estado agravou-se bastante após o incêndio de 2005, quando densas manchas de eucaliptos de origem seminal se implantaram, chegando até agora como formações de eucaliptos quase impenetráveis, ainda que, nesses condições, não pudessem ter crescido muito.

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O Vale de S. Francisco encontra-se num estado limite de degradação

Após o corte inicial dos eucaliptos (para venda) procedeu-se à remoção das mimosas e dos eucaliptos que não tinham aproveitamento e que ocupavam o vale e as zonas mais inacessíveis. Muita dessa lenha e ramada foi retirada, mas muita não o foi por dificuldades várias, a principal das quais o acesso difícil. Seguiu-se a dolorosa mas necessária pulverização com herbicida para eliminar toda a rebentação (de mimosas e eucaliptos) que ocorreu depois dos cortes, e finalmente, quase dois anos após o corte inicial dos eucaliptos, o terreno ficou disponível para os trabalhos de plantação. O seu aspecto não é animador: quem neste dia olhasse com atenção o cenário, ao mesmo tempo grandioso e caótico, belo e horrível, que se mostrava diante de si, não podia deixar de se perguntar: como deixámos a terra neste estado? Como foi possível que, colectivamente, tivéssemos deixado estragar tanto, para beneficiar tão pouco?

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Vista de parte do terreno a partir de cima, com a área de socalcos em 2º plano

Mas voltemos ao trabalho, que agora é o que podemos fazer para reverter os erros passados: com elevados declives, lenha depositada, parte do terreno armado em socalcos há 10 anos e afloramentos rochosos extensos, não se esperava que o trabalho fosse fácil, e assim aconteceu: embora na zona dos socalcos, que trabalhámos de manhã, o solo não estivesse muito compactado, a abundância de pedra solta tornava às vezes quase impossível abrir uma cova com solo suficiente para plantar uma árvore. Dado os acessos serem poucos e difíceis, todos os materiais e equipamento tiveram de ser deslocados entre socalcos graças a uma escada. Mas, ainda assim, e graças ao número e aplicação dos voluntários, pelo meio dia já a maior parte das árvores tinha sido plantada e foi necessário ir buscar mais! Foram pinheiros, sobreiros, medronheiros, lentiscos e murtas as espécies plantadas. Também alguns carvalhos, poucos, que as condições não eram favoráveis.

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Como sempre, a formação foi atentamente seguida

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Para as deslocações entre socalcos teve que se usar uma escada

O almoço tomou-se em pleno coração do vale, aproveitando o único caminho que o atravessa dentro deste terreno, e usufruindo das suas águas cristalinas, até para beber!

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O almoço fez-se de especialidades vegetarianas a que já nos começamos a habituar…

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Provou-se a água do Vale de São Francisco, junto a uma captação ainda em uso na aldeia do Feridouro

À tarde trabalhou-se acima do caminho, já em zona não sujeita a mobilização de solo anterior, mas com afloramentos rochosos mais extensos. Cada local de plantação tinha de ser procurado com cuidado, em busca dos locais onde o solo se acumulou. Os trabalhos prolongaram-se por toda a tarde e parecia que o inevitável cansaço sempre se conseguia ultrapassar com uma tangerina ou um golo de água do Vale de São Francisco. Ou com a ajuda invisível do Santo, quem sabe? A verdade é que o segundo lote de árvores se plantou por completo, e a contabilidade final deve ter excedido bem as 300 árvores e arbustos plantados. Para as condições em que se realizou, e mesmo não podendo falar de uma perspectiva totalmente imparcial, temos de considerar que foi um facto notável!

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Uma esfarrapada mimosa é, apesar de tudo, o único elemento colorido nesta paisagem!

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À tarde, os trabalhos decorreram numa parte da encosta sem socalcos

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Equipa em acção. Os eucaliptos ainda em pé são plantas de origem seminal, que em breve serão cortados.

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Plantas, ferramentas e braços, a combinação perfeita

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O trabalho mais difícil, mas que teve braços disponíveis por todo o dia!

Obrigado aos voluntários presentes pela sua dádiva e superação!

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Uma das muitas árvores plantadas, um medronheiro

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A fantástica equipa deste dia!

No próximo dia 11 de Março teremos a última jornada de plantação de árvores desta época. Voltaremos ao Vale de Barrocas, para aquela que será também a última jornada regular deste Inverno! Não percam! Até lá.

Paulo Domingues

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