Archive for Setembro, 2017

Jornadas Voluntárias de Outono

Ainda muito tímido, o Outono já chegou, e com ele chegam as Jornadas voluntárias de Outono.

Depois de um Verão mais mediterrânico que atlântico, com 4 meses quase sem pinga de água, as plantações dos últimos anos foram postas à prova. Quanto às deste ano, duas regas foram o esforço possível para as salvar. As do ano passado, já mais enraizadas, tiveram que aguentar por si. Nalguns locais houve algumas perdas. Noutros ainda foi possível regá-las também, uma vez.

Como já sabíamos, as plantações geram sempre plantas mais vulneráveis do que as de origem seminal. Mas, por outro lado, não há banco de sementes de árvores e arbustos nativos no solo, e a disseminação activa de sementes conduz a uma baixa taxa de sucesso. Contudo, nos anos em que a produção de bolota [de carvalho-roble] é grande, como a abundância de alimento reduz a pressão dos predadores, a taxa de germinação e sucesso na fixação costuma ser elevada. Ora este é um tal ano: o vingamento foi massivo e, apesar da seca, as bolotas chegam agora à maturação, pelo menos nas árvores mais fortes e bem estabelecidas. Por isso, um dos trabalhos deste Outono, ainda antes da época de plantação, é a colheita e sementeira de bolotas. Também seria importante semear bolotas de sobreiro, pois se a tendência para Verões quentes e secos se mantiver, é mais provável a sobrevivência dos sobreiros. Mas aqui os sobreiros são muito mais imprevisíveis e erráticos na produção de bolota do que os carvalhos.

Alguns de vós estarão a perguntar: então e as famosas bolas e bolachas de sementes, das quais se repetiu uma experiência em 2015/16? O mínimo que se pode dizer é que os resultados não foram conclusivos. Observou-se, com efeito, alguma germinação de bolota, mas dificilmente se pode concluir que foi maior do que se as bolotas tivessem sido semeadas sem bola. E quanto às restantes espécies, praticamente não se observou germinação. Valeria a pena afinar a técnica [repelentes mais eficazes, época de sementeira mais adequada, …], pelo motivo que ficou exposto acima da vantagem de se terem plantas de origem seminal directamente no terreno. Mas de momento, não será muito útil gastar tempo e recursos com a técnica…

Claro, também faremos plantações, provavelmente mais de arbustos do que de árvores, a partir de Novembro.

Então aqui fica o calendário das jornadas de Outono:

30 de Setembro

14 e 28 de Outubro

11 e 25 de Novembro [23: dia da floresta autóctone]

9 de Dezembro

Encontro com os voluntários de Outono já no próximo Sábado. Até lá!

Paulo Domingues

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Mini-CTC e efeméride

Começamos com uma efeméride: há exactamente 12 anos o Cabeço Santo e uma extensa área dos Concelhos de Águeda, Mortágua e Anadia acordava de um pesadelo nocturno: uma noite de vento, um acendimento provocado ao princípio da noite, uma paisagem “pronta” para o que viria a seguir. Infelizmente, não seria a última vez, mas dessa foi um evento particularmente virulento, cujas marcas directas perduraram durante anos e indirectas muito mais, até hoje.

Voltando ao presente, tivemos este fim de semana o aguardado mini-CTC (Campo de Trabalho Científico) dedicado ao controlo de espécies vegetais invasoras e para o qual foram convidados antigos participantes em CTC’s promovidos anualmente pelo grupo das Invasoras da Universidade de Coimbra (Centro de Ecologia Funcional da Universidade de Coimbra e Escola Superior Agrária do Instituto Politécnico de Coimbra) desde 2003.

Os participantes, alguns vindos de longe, começaram a chegar ainda na Sexta à noite, e no Sábado tínhamos perto de 20 voluntários de (quase) todas as idades ao serviço. Com toda a determinação de um início de jornada e braços ainda frescos, este “batalhão” de operacionais “armados” de tesouras, navalhas e facas dirigiu-se para uma formação de mimosas na área da confluência dos vales nºs 3, 4 e 5 com a certeza de “derrotar” o “inimigo” de uma penada… Mas não seria assim: a severa seca deu origem a que a casca se agarrasse com força à parte interior do tronco, tornando muito difícil o descasque. De tal maneira, que se considerou improdutivo continuar e o “batalhão” recuou para reorganização e reflexão.

A estratégia de recurso pareceu funcionar: a equipa dirigiu-se para as mimosas, algumas grandes, que se dispõem ao longo do vale nº 3, um local mais fresco e onde as plantas não estão sujeitas a tão elevado stress hídrico. Aqui foi possível trabalhar o resto da manhã, subindo o vale e reiniciando a recuperação deste troço do mesmo, que em tão críticas condições se encontra. Entre o caminho que o atravessa e o ribeiro, uma área foi afectada pelo incêndio de 28 de Abril, e também aqui foram realizados alguns trabalhos de arranque de rebentação e arrumação de ramadas queimadas.

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Entre mimosas, grandes e pequenas

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Voluntárias em acção

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Algumas mimosas, mais afastadas do vale, sucumbem perante a temível seca

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A encosta sobranceira ao vale encontra-se severamente invadida

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Em grupo não se desanima tão facilmente…

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Vai uma bolacha?

Depois de um almoço a sério à sombra das mimosas acabadas de descascar (!!), o grupo subiu (sobre rodas) o vale nº 3 para abordar a mancha de acácia-de-espigas da zona média-alta do vale. As áreas alvo foram acima e abaixo do caminho que atravessa o vale, ambas onde já se tinham realizado trabalhos e a necessitar de acompanhamento. Acima a situação é pior, com muita rebentação de raízes e alguma germinação. Abaixo, onde os medronheiros (espontâneos e alguns plantados também) se encontram em melhores condições e onde as plantas de acácia-de-espigas são já mais dispersas, a evolução foi mais rápida. As ramadas de cortes anteriores e, já na aproximação ao vale, o silvado, foram os principais obstáculos. Quando, já depois das 18 horas, os trabalhos se deram aqui por terminados, os progressos eram visíveis. Mas podia-se voltar aqui muitos dias seguidos, semanas até, com toda esta equipa, que haveria trabalho para ela, tal é o gigantismo da missão que temos em mãos.

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Quem não se sente intimidado perante um “mar” de acácias-de-espigas? Os voluntários do mini_CTC, tanto graúdos como miúdos!

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Um medronheiro à espera de ser “salvo”!

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Abaixo do caminho, a situação é mais animadora, mas a progressão no terreno também não foi fácil

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O grupo de Sábado, no final do dia

À noite realizou-se uma conferência pública na sala da Junta de Freguesia. Pareceu contudo mais privada que pública, o que não obstou a que fosse muito animada, com intervenções de todas as “cores” e ideias muito imaginativas quanto ao futuro do projecto.

Conferencia16-9-2017cartazNo Domingo de manhã recebemos ainda outros voluntários, alguns já habituais nas jornadas regulares. Com cerca de 30 pares de braços prontos a entrar em acção, a área alvo foi o corredor ribeirinho a jusante e a montante dos portões da mata da Altri Florestal: cortou-se rebentação de eucalipto, arrancaram-se e descascaram-se mimosas e também acácias-de-espigas, fazendo-se um varrimento quase metro a metro da faixa de terreno.

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O arranque para o terreno, no Domingo de manhã

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“De pequenino…”

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Arrancando e descascando

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Louva-a-Deus

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Os carvalhos do Vale de Barrocas e a paisagem de eucaliptos, em segundo plano

O mini-CTC encerrou-se com um almoço no parque de merendas do Moinho de Vento em Belazaima, com um balanço bem positivo. Um agradecimento a todos os participantes, e em especial à Hélia e à Elizabete Marchante pelo seu empenhamento na preparação deste CTC.

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Foto de encerramento, com todos os participantes

Quanto ao futuro, ficou a vontade de repetir, talvez com um evento de maior duração e com mais actividades “paralelas” para os participantes. Fica a ideia a germinar. Oxalá o “solo” seja fértil!

Paulo Domingues

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11 anos depois

Foi mesmo assim: 11 anos depois ainda por cá andamos e com energia para continuar. Como já explicámos, por manifesto incumprimento das promessas da DINA(*) (ou melhor dos meteo’s em nome dela), o Verão ainda não deu tréguas e as condições são difíceis para as árvores e arbustos plantados na última época. Por isso, optámos por ocupar a jornada de aniversário com mais uma operação de rega.

Como a equipa voluntária era grande e não seria muito eficiente andar toda a regar, dividiu-se em dois: um grupo foi regar e o outro foi arrancar mimosas. O grupo da rega começou na Benfeita, como em Julho, o das mimosas deslocou-se até ao Feridouro para intervir na zona da Chousa.

Na Benfeita, as águas cristalinas do Lousadelo corriam ainda abundantes para o tanque (bendita nascente…) e o depósito de 1000 litros encheu-se rapidamente. Depois a rega iniciou-se, junto ao Vale da Estrela. Constatámos que nas zonas mais difíceis já havia algumas baixas; talvez tenhamos que reavaliar as perdas em 20 a 25%. Mas também havia plantas bonitas, outras com sede… Foi-se progredindo para norte com dinamismo, e nem houve oportunidade para fotos.

Nas mimosas nem máquina fotográfica havia, mas os trabalhos parecem ter decorrido também com entusiasmo.

Já passava do meio dia quando a rega na Benfeita se deu por terminada e agora, que o calor começava a apertar, um mergulho no tanque era uma tentação quase irresistível… mas não podia ser: a equipa do Feridouro esperava pela da Benfeita para um almoço em conjunto.

O almoço decorreu na casa do colaborador e voluntário do projecto Jorge Morais, usufruindo de alguns serviços que raramente nos demos ao luxo de ter nos últimos 11 anos! E claro, depois das deliciosas iguarias a que a Ana Teresa já nos habituou, tínhamos de concluir com um bolo de aniversário. Um? Não, dois, que a equipa era grande e só não foi ainda maior porque houve algumas desistências de última hora.

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As especialidades que lembraram o aniversário

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Tertúlia da hora de almoço

Como o dia era de calor, era da maior justeza a fruição do período de sesta, como aconteceu em Julho. Só que desta vez tínhamos de terminar mais cedo, por várias razões, uma delas também relacionada com o projecto: uma tertúlia sobre a floresta para a qual tínhamos sido convidados, em Valongo do Vouga. Deste modo, regámos e arrancámos mimosas a montante do Feridouro, logo a seguir ao almoço. Aí tivemos a parte mais dura do dia. Mas ninguém desanimou (demasiado!) e pelas 16:30h já a foto de despedida se tomava, de novo nas instalações do Jorge Morais.

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De volta ao terreno na parte mais quente de um dia quente…

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Regando um frágil medronheiro, entre pedras e vigorosas plantas do matagal

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As condições foram difíceis este ano. Mas as plantas lá se foram aguentando…

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Gestão da longa mangueira, junto à carrinha de apoio

Tinha sido um dia produtivo e ao mesmo tempo instrutivo para as muitas caras novas entre os participantes. Uma jornada digna de um aniversário. Obrigado a todos os voluntários.

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Equipa de voluntários presentes

Para terminar acrescentam-se ainda duas fotos da tertúlia de Valongo do Vouga, bastante participada. Agora só falta passar das palavras à acção (bem , em rigor já há também por ali quem dê exemplos e inspiração). E um primeiro alvo foi fácil de identificar: o Rio Marnel logo a montante de Brunhido, as suas margens e encostas adjacentes, presentemente num estado de notável degradação paisagística, que pouco justificam uma caminhada pelo Trilho das Levadas, aliás presentemente encerrado. Vamos para o terreno?

Valongo Tertúlia Floresta (22)

A tertúlia em Valongo do Vouga, bastante participada

Valongo Tertúlia Floresta (50)

A apresentação do Projecto Cabeço Santo

As fotos de Valongo do Vouga foram gentilmente cedidas pela Ana Paula Lima.

Paulo Domingues

(*) Depressão Isolada em Níveis Altos, o fenómeno meteorológico que se verificou na semana passada na Península Ibérica e que, não obstante as muitas previsões de chuva emitidas, acabou por deixar quase a seco muitas regiões

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