Archive for jornadas de trabalho

1ª Jornada de Outono

A jornada de 30 de Setembro, a primeira deste Outono que ainda parece Verão, foi dedicada a duas actividades distintas: apanha de bolotas e castanhas e arranque/descasque de mimosas.

Como já foi explicado no artigo de apresentação das jornadas de Outono, este ano planeamos fazer uma sementeira importante de bolotas, aproveitando o facto de a produção ser elevada, embora a intensa seca que estamos a viver esteja já a comprometer a produção de muitas árvores. Deste modo, têm que se seleccionar árvores com bolotas em bom estado, de maneira a melhorar a viabilidade das sementes.

A equipa começou pelos carvalhos da Quinta das Tílias, progredindo em direcção ao ribeiro, onde se apanharam também castanhas nos castanheiros que residem nas margens. Embora severamente afectados na Primavera pela “nova” vespa-das-galhas-dos castanheiros, no Verão as árvores recuperaram, lançaram novas folhas já não afectadas e acabaram por dar uma produção interessante.

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Apanhando castanhas

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Apanhando bolotas

Depois de atravessar o ribeiro, onde ainda corre um fio de água, a equipa seleccionou alguns dos melhores carvalhos, um deles o maior da zona, onde valeu a pena ir só para o contemplar, e aí concluiu esta parte da colheita.

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Sob um formoso carvalho isolado…

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Na intimidade de um carvalho…

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Junto ao maior carvalho da zona

Ainda durante a manhã deslocámo-nos à zona da Ponte Nova, onde alguns carvalhos eram já conhecidos pela sua generosidade. E generosa foi também a sombra e o ambiente proporcionado por aquelas grandes árvores durante o período de paragem para o almoço.

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Uma das árvores notáveis da zona da Ponte Nova

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Uma formosa tília-de-folha-pequena

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Aqui as águas do ribeiro encontravam-se cobertas com algas, talvez devido aos excessivos nutrientes dissolvidos

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O almoço fez-se à sombra destas árvores!

À tarde a equipa deslocou-se até ao Feridouro, para apanhar bolotas debaixo dos grandes carvalhos junto ao Vale de São Francisco, e depois nos do Cortinhal. No Vale de São Francisco uma nascente ainda pingava uma água preciosa, mas pareciam ser mesmo os últimos pingos de um Verão que teima em não terminar.

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À tarde, junto aos grandes carvalhos do Vale de São Francisco

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Mesmo junto ao Vale de São Francisco

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Uma nascente ainda pingava. Preciosa!

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A apanha concluiu-se sob os carvalhos do Cortinhal

Já a tarde ia adiantada quando se deu a colheita por terminada e se passou a um trabalho diferente, para diversificar: na zona da Chousa (a jusante do Feridouro), descascaram-se e arrancaram-se mimosas em torno do ribeiro. Esta zona é preciosa, mas encontrava-se muito invadida de grandes mimosas (que foram entretanto removidas), sendo agora necessário não deixar crescer muito as imensas plantas que, talvez mais originadas por rebentamento de raízes do que por germinação de sementes, vão aparecendo e crescendo rapidamente. Nalguns casos tiveram que se fazer equipas de dois, três, ou mesmo quatro voluntários para arrancar algumas mimosas mais agarradas. Foi um bom exercício, onde se esgotaram as energias do dia.

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Na Chousa descascaram-se e arrancaram-se mimosas

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O leito, aqui seco, do ribeiro, com as mimosas arrancadas das margens

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O trabalho de equipa foi essencial para o arranque de algumas mimosas

Quanto às bolotas e castanhas apanhadas, estima-se em 100 kg a quantidade recolhida. Estas sementes foram depois seleccionadas, limpas e colocadas numa câmara frigorífica para manterem boa capacidade germinativa até ao momento de poderem ser semeadas. Com o tempo quente e seco que tem estado, as bolotas perdem rapidamente a capacidade germinativa se não forem guardadas num ambiente de elevada humidade. Por outro lado, a baixa temperatura da câmara atrasa a germinação, garantindo que, ainda que sejam semeadas só em Novembro ou Dezembro, se encontram em boas condições. No entanto também não devemos atrasar demasiado a sementeira pois quanto mais tarde, maior é a pressão predatória. Novembro, será o mês mais próprio.

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O resultado da apanha

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A equipa voluntária da jornada

Obrigado a todos os voluntários. As jornadas de Outono continuam já no próximo Sábado!

Paulo Domingues

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Mini-CTC e efeméride

Começamos com uma efeméride: há exactamente 12 anos o Cabeço Santo e uma extensa área dos Concelhos de Águeda, Mortágua e Anadia acordava de um pesadelo nocturno: uma noite de vento, um acendimento provocado ao princípio da noite, uma paisagem “pronta” para o que viria a seguir. Infelizmente, não seria a última vez, mas dessa foi um evento particularmente virulento, cujas marcas directas perduraram durante anos e indirectas muito mais, até hoje.

Voltando ao presente, tivemos este fim de semana o aguardado mini-CTC (Campo de Trabalho Científico) dedicado ao controlo de espécies vegetais invasoras e para o qual foram convidados antigos participantes em CTC’s promovidos anualmente pelo grupo das Invasoras da Universidade de Coimbra (Centro de Ecologia Funcional da Universidade de Coimbra e Escola Superior Agrária do Instituto Politécnico de Coimbra) desde 2003.

Os participantes, alguns vindos de longe, começaram a chegar ainda na Sexta à noite, e no Sábado tínhamos perto de 20 voluntários de (quase) todas as idades ao serviço. Com toda a determinação de um início de jornada e braços ainda frescos, este “batalhão” de operacionais “armados” de tesouras, navalhas e facas dirigiu-se para uma formação de mimosas na área da confluência dos vales nºs 3, 4 e 5 com a certeza de “derrotar” o “inimigo” de uma penada… Mas não seria assim: a severa seca deu origem a que a casca se agarrasse com força à parte interior do tronco, tornando muito difícil o descasque. De tal maneira, que se considerou improdutivo continuar e o “batalhão” recuou para reorganização e reflexão.

A estratégia de recurso pareceu funcionar: a equipa dirigiu-se para as mimosas, algumas grandes, que se dispõem ao longo do vale nº 3, um local mais fresco e onde as plantas não estão sujeitas a tão elevado stress hídrico. Aqui foi possível trabalhar o resto da manhã, subindo o vale e reiniciando a recuperação deste troço do mesmo, que em tão críticas condições se encontra. Entre o caminho que o atravessa e o ribeiro, uma área foi afectada pelo incêndio de 28 de Abril, e também aqui foram realizados alguns trabalhos de arranque de rebentação e arrumação de ramadas queimadas.

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Entre mimosas, grandes e pequenas

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Voluntárias em acção

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Algumas mimosas, mais afastadas do vale, sucumbem perante a temível seca

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A encosta sobranceira ao vale encontra-se severamente invadida

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Em grupo não se desanima tão facilmente…

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Vai uma bolacha?

Depois de um almoço a sério à sombra das mimosas acabadas de descascar (!!), o grupo subiu (sobre rodas) o vale nº 3 para abordar a mancha de acácia-de-espigas da zona média-alta do vale. As áreas alvo foram acima e abaixo do caminho que atravessa o vale, ambas onde já se tinham realizado trabalhos e a necessitar de acompanhamento. Acima a situação é pior, com muita rebentação de raízes e alguma germinação. Abaixo, onde os medronheiros (espontâneos e alguns plantados também) se encontram em melhores condições e onde as plantas de acácia-de-espigas são já mais dispersas, a evolução foi mais rápida. As ramadas de cortes anteriores e, já na aproximação ao vale, o silvado, foram os principais obstáculos. Quando, já depois das 18 horas, os trabalhos se deram aqui por terminados, os progressos eram visíveis. Mas podia-se voltar aqui muitos dias seguidos, semanas até, com toda esta equipa, que haveria trabalho para ela, tal é o gigantismo da missão que temos em mãos.

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Quem não se sente intimidado perante um “mar” de acácias-de-espigas? Os voluntários do mini_CTC, tanto graúdos como miúdos!

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Um medronheiro à espera de ser “salvo”!

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Abaixo do caminho, a situação é mais animadora, mas a progressão no terreno também não foi fácil

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O grupo de Sábado, no final do dia

À noite realizou-se uma conferência pública na sala da Junta de Freguesia. Pareceu contudo mais privada que pública, o que não obstou a que fosse muito animada, com intervenções de todas as “cores” e ideias muito imaginativas quanto ao futuro do projecto.

Conferencia16-9-2017cartazNo Domingo de manhã recebemos ainda outros voluntários, alguns já habituais nas jornadas regulares. Com cerca de 30 pares de braços prontos a entrar em acção, a área alvo foi o corredor ribeirinho a jusante e a montante dos portões da mata da Altri Florestal: cortou-se rebentação de eucalipto, arrancaram-se e descascaram-se mimosas e também acácias-de-espigas, fazendo-se um varrimento quase metro a metro da faixa de terreno.

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O arranque para o terreno, no Domingo de manhã

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“De pequenino…”

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Arrancando e descascando

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Louva-a-Deus

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Os carvalhos do Vale de Barrocas e a paisagem de eucaliptos, em segundo plano

O mini-CTC encerrou-se com um almoço no parque de merendas do Moinho de Vento em Belazaima, com um balanço bem positivo. Um agradecimento a todos os participantes, e em especial à Hélia e à Elizabete Marchante pelo seu empenhamento na preparação deste CTC.

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Foto de encerramento, com todos os participantes

Quanto ao futuro, ficou a vontade de repetir, talvez com um evento de maior duração e com mais actividades “paralelas” para os participantes. Fica a ideia a germinar. Oxalá o “solo” seja fértil!

Paulo Domingues

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11 anos depois

Foi mesmo assim: 11 anos depois ainda por cá andamos e com energia para continuar. Como já explicámos, por manifesto incumprimento das promessas da DINA(*) (ou melhor dos meteo’s em nome dela), o Verão ainda não deu tréguas e as condições são difíceis para as árvores e arbustos plantados na última época. Por isso, optámos por ocupar a jornada de aniversário com mais uma operação de rega.

Como a equipa voluntária era grande e não seria muito eficiente andar toda a regar, dividiu-se em dois: um grupo foi regar e o outro foi arrancar mimosas. O grupo da rega começou na Benfeita, como em Julho, o das mimosas deslocou-se até ao Feridouro para intervir na zona da Chousa.

Na Benfeita, as águas cristalinas do Lousadelo corriam ainda abundantes para o tanque (bendita nascente…) e o depósito de 1000 litros encheu-se rapidamente. Depois a rega iniciou-se, junto ao Vale da Estrela. Constatámos que nas zonas mais difíceis já havia algumas baixas; talvez tenhamos que reavaliar as perdas em 20 a 25%. Mas também havia plantas bonitas, outras com sede… Foi-se progredindo para norte com dinamismo, e nem houve oportunidade para fotos.

Nas mimosas nem máquina fotográfica havia, mas os trabalhos parecem ter decorrido também com entusiasmo.

Já passava do meio dia quando a rega na Benfeita se deu por terminada e agora, que o calor começava a apertar, um mergulho no tanque era uma tentação quase irresistível… mas não podia ser: a equipa do Feridouro esperava pela da Benfeita para um almoço em conjunto.

O almoço decorreu na casa do colaborador e voluntário do projecto Jorge Morais, usufruindo de alguns serviços que raramente nos demos ao luxo de ter nos últimos 11 anos! E claro, depois das deliciosas iguarias a que a Ana Teresa já nos habituou, tínhamos de concluir com um bolo de aniversário. Um? Não, dois, que a equipa era grande e só não foi ainda maior porque houve algumas desistências de última hora.

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As especialidades que lembraram o aniversário

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Tertúlia da hora de almoço

Como o dia era de calor, era da maior justeza a fruição do período de sesta, como aconteceu em Julho. Só que desta vez tínhamos de terminar mais cedo, por várias razões, uma delas também relacionada com o projecto: uma tertúlia sobre a floresta para a qual tínhamos sido convidados, em Valongo do Vouga. Deste modo, regámos e arrancámos mimosas a montante do Feridouro, logo a seguir ao almoço. Aí tivemos a parte mais dura do dia. Mas ninguém desanimou (demasiado!) e pelas 16:30h já a foto de despedida se tomava, de novo nas instalações do Jorge Morais.

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De volta ao terreno na parte mais quente de um dia quente…

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Regando um frágil medronheiro, entre pedras e vigorosas plantas do matagal

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As condições foram difíceis este ano. Mas as plantas lá se foram aguentando…

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Gestão da longa mangueira, junto à carrinha de apoio

Tinha sido um dia produtivo e ao mesmo tempo instrutivo para as muitas caras novas entre os participantes. Uma jornada digna de um aniversário. Obrigado a todos os voluntários.

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Equipa de voluntários presentes

Para terminar acrescentam-se ainda duas fotos da tertúlia de Valongo do Vouga, bastante participada. Agora só falta passar das palavras à acção (bem , em rigor já há também por ali quem dê exemplos e inspiração). E um primeiro alvo foi fácil de identificar: o Rio Marnel logo a montante de Brunhido, as suas margens e encostas adjacentes, presentemente num estado de notável degradação paisagística, que pouco justificam uma caminhada pelo Trilho das Levadas, aliás presentemente encerrado. Vamos para o terreno?

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A tertúlia em Valongo do Vouga, bastante participada

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A apresentação do Projecto Cabeço Santo

As fotos de Valongo do Vouga foram gentilmente cedidas pela Ana Paula Lima.

Paulo Domingues

(*) Depressão Isolada em Níveis Altos, o fenómeno meteorológico que se verificou na semana passada na Península Ibérica e que, não obstante as muitas previsões de chuva emitidas, acabou por deixar quase a seco muitas regiões

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2ª Jornada de Verão

A segunda jornada voluntária de Verão, e última antes das “férias voluntárias”, decorreu no dia 15 de Julho e foi dedicada à rega das árvores e arbustos plantados no último Inverno.

Com uma participação de 8 voluntários (9 de manhã), e a experiência adquirida a duras penas no ano passado, a equipa foi para o terreno devidamente equipada, com um depósito de mil litros na carrinha, uma mangueira de 50 metros com torneira na extremidade, vários regadores e uma moto-bomba a gasolina. Os trabalhos iniciaram-se na Benfeita e aí decorreram quase toda a manhã, em terreno difícil, tendo o mais fácil sido mesmo o enchimento do depósito, a partir do tanque de rega aí existente. As árvores lá se encontravam, em geral em bom estado, até mesmo algumas das que foram afectadas pelo incêndio de 28 de Abril!

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Trabalhos em curso na Benfeita

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O terreno acidentado e os obstáculos (neste caso ramada de eucalipto) foram as principais dificuldades a ultrapassar.

O dia estava quente, embora não excessivamente, mesmo assim, e dado o esforço da manhã, justificou-se plenamente um repouso um pouco mais alongado a seguir ao almoço, à sombra revigorante dos carvalhos do Cortinhal.

À tarde, os trabalhos continuaram a montante do Feridouro, no “corredor” ribeirinho, mas o calor ainda era bastante, o que desafiou a capacidade de resistência dos voluntários.

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Já a montante do Feridouro, uma árvore espontânea. Menos vulnerável do que as plantadas, por certo que também agradece a ajuda.

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Rega “directa”!

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Uma perspectiva do estado actual do “corredor” ribeirinho

Já a tarde ia avançada quando nos deslocámos até ao terreno do Vale de São Francisco para a parte final da rega. Primeiro os socalcos, do lado de baixo do caminho e finalmente acima dele, com a ajuda da moto-bomba. Este terreno, já se sabia, não era nada fácil e a rebentação de eucalipto remanescente contribui para o tornar ainda paisagisticamente difícil de apreciar. Mas as árvores plantadas lá estão, com algumas baixas, é certo, que as condições são duras, mas para as resistentes esta rega deve ter sido um bálsamo. Esperamos reencontrá-las de boa saúde no final do Verão!

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Um medronheiro, já no Vale de São Francisco

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Os últimos litros

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A equipa que fez todo o dia

Quando a jornada terminou já eram quase 19 horas. Tinha sido uma grande jornada e um esforço notável de todos os voluntários. Obrigado!

Os trabalhos voluntários voltam logo no início de Setembro. Mas até lá muito vai acontecer no Cabeço Santo! Boas férias!

Paulo Domingues

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1ª Jornada de Verão

Realizou-se no dia 1 de Julho a primeira jornada voluntária do Verão de 2017. Participada por voluntários de quase meio país, a maior parte deles estreantes, contou com um dia fresco e agradável, nem parecendo dar as boas vindas ao mês mais quente do ano.

Os trabalhos decorreram numa área da Benfeita onde se tinham plantado árvores no último Inverno e onde o fogo chegou a tocar no dia 28 de Abril, embora sem fazer grandes estragos. Aqui a rebentação das antigas toiças de eucalipto tem-se realizado por persistente intervenção de corte e de facto muitas “compreenderam” que o seu tempo já terminou, mas outras ainda continuam a insistir. Por isso os trabalhos deste dia consistiram essencialmente no corte de rebentação com machados. Ainda houve também uma pequena intervenção numa mancha complicada de Acacia melanoxylon que aí existe, mas a densidade das plantas é tão grande que parece exigir outro tipo de intervenção.

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Embora fosse eucaliptal, já por aqui existiam outras espécies, sobretudo sobreiros, carvalhos e medronheiros

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Foi um trabalho de machados na mão

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A rebentação de eucalipto já não era muito densa

Depois do almoço a equipa fez uma interrupção um pouco mais prolongada para efectuar uma “visita de estudo” à área florestal da Quinta das Tílias afectada pelo incêndio. Observaram-se árvores mais e menos danificadas e discutiram-se as causas para os danos maiores e o que haverá a fazer para os minorar no futuro. Aqui havia manchas de matagal, embora não sob a copa das árvores. Contudo, o vento fez as chamas e o calor deslocarem-se lateralmente atingindo copas a 3 ou 4 metros dessas manchas. Conclui-se que não pode haver manchas de matagal crescido mesmo a essas distâncias das copas, o que por sua vez requer uma maior densidade de plantação, para, tão cedo quanto possível, limitar o crescimento dessas manchas. Verificou-se também como os fetos secos do ano anterior podem causar grandes danos às copas das árvores, mesmo já relativamente crescidas.

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Visita à área afectada pelo incêndio

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À esquerda, um pequeno sobreiro, mas já com a copa praticamente recuperada. Os carvalhos, é certo, são, com este tamanho, mais vulneráveis

Depois da visita, os voluntários voltaram ao trabalho na Benfeita, conseguindo concluir o trabalho na rebentação de eucalipto antes do final do dia. Tiveram também oportunidade de constatar o bom crescimento das árvores plantadas este ano.

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De volta à rebentação de eucalipto, na zona onde o fogo foi detido

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Só ficaram rebentos maiores, que serão cortados mais tarde com motoserra

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Um céu de fim de tarde, sob o alvo das atenções deste dia!

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A equipa do dia, já na base de operações

Foi um dia produtivo e instrutivo. Obrigado aos voluntários, em particular aos novos e vindos de longe! As fotos são da Esmeralda, da Filipa e do Pedro.

Continuamos já no terceiro Sábado de Julho! Até já.

Paulo Domingues

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Cuidar das árvores

A jornada de 3 de Junho decorreu com um dia fresco e húmido, no qual o sol ficou escondido atrás da neblina matinal até quase ao meio dia. Foi participada por 5 voluntários, que se empenharam na importante acção de cuidar das árvores plantadas nos últimos dois anos, mas principalmente das plantadas em 2016, já que a maior parte das plantadas em 2017 desapareceu no incêndio de 28 de Abril.

O cuidado que as árvores precisam é a remoção de plantas espontâneas que se implantam, por vezes vigorosamente, junto aos pés das árvores plantadas, e a reconstrução, se necessário, das pequenas caldeiras em torno das árvores, para que melhor possam aproveitar a água da chuva.

Os trabalhos iniciaram-se nos antigos socalcos de eucalipto da área conhecida por “Costa”, logo a jusante das terras do Feridouro. Apesar das condições difíceis do solo, a maior parte das árvores encontrava-se com boa vitalidade. Uma surpresa agradável foi a observação de um ninho de águia-de-asa-redonda, ironicamente numa grande mimosa, de onde as duas crias ensaiavam os primeiros voos.

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Os trabalhos iniciaram-se nos socalcos da Costa

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Um lódão-bastardo

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Um medronheiro

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Um carvalho

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Concorrência de uma planta espontânea, aliás exótica e invasora, com um medronheiro

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Trabalho em curso

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Continuação do trabalho

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Quase concluído!

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Um ninho de águia-de-asa-redonda numa mimosa!

Foi-se depois avançando para jusante, para as antigas várzeas da Chousa, antes completamente invadidas por mimosas. Por isso ainda agora, e mesmo depois de já aqui se terem arrancado milhares de jovens plantas de mimosa, estas continuam com abundante presença. Contudo na primeira das várzeas, onde se realizou uma mobilização de solo para arranque dos tocos de mimosa, a terra era agora dominada pelas dedaleiras, uma planta pioneira em solos perturbados. Nesta várzea foi já plantada uma dúzia de espécies de plantas nativas, entre árvores e arbustos. Estavam em geral bastante crescidos, com os carvalhos a serem aqui os mais débeis.

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Numa das várzeas da Chousa

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Um freixo depois de cuidado

Atravessou-se o ribeiro para a parcela a sul do mesmo, onde uma antiga plantação de freixos exóticos ainda chama a atenção. O silvado é que se foi aproveitando da luz deixada pela saída das grandes mimosas que aqui se encontravam e por pouco já era um obstáculo à simples passagem.

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Como habitualmente, não foi só trabalhar!

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Uma bonita borboleta numa flor de batón-azul

Seguiu-se a encosta da Chousa, uma área inclinada e rochosa, onde se tinham plantado sobretudo medronheiros e sobreiros, e onde surgiu uma mancha de plantas pioneiras “não convidadas”: as giestas. Quanto aos medronheiros e aos sobreiros, encontravam-se com muito boa apresentação! Mas a manhã chegava ao fim e não era possível continuar para jusante, até à represa: para a tarde tínhamos planos de trabalho mais para montante.

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Um medronheiro na encosta da Chousa, em companhia de uma gramínea espontânea

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Voluntário cuidando de um sobreiro

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Voluntário arrancando uma mimosa

Depois de um agradável almoço ao som do crepitar das águas do ribeiro, dos cantos das aves (e um especialista a identificá-los!), e depois de uma boa sesta, os trabalhos continuaram, agora no corredor ribeirinho a jusante dos portões da Mata da Altri Florestal, primeiro logo a seguir ao Feridouro e depois dos portões para jusante. Aqui, não obstante a dureza das condições do terreno e a exposição sul, constatou-se que as árvores plantadas em 2016 tinham crescido surpreendentemente bem!

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Trabalhos a seguir ao Feridouro

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Perspectiva do corredor ribeirinho. A sul do ribeiro, o eucaliptal queimado no dia 28 de Abril

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Arranque de mimosas em zona difícil

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Vista geral dos trabalhos e do “corredor ecológico”

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Contrastes!

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Um carvalho de origem seminal

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O que ainda há dois anos era um morro inóspito e nu vai-se tornando mais vivo

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Um medronheiro plantado em 2016

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Agora já junto aos portões da mata, um lódão-bastardo já crescido, mas com muita “concorrência”

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Depois de cuidado!

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Voluntário visivelmente impressionado com o estado de desenvolvimento desta árvore!

E a tarde não iria acabar sem mais uma observação deliciosa: um ninho com crias (o segundo do dia!), muito provavelmente de águia-de-asa-redonda, mas curiosamente numa árvore (desta vez um carvalho!) que tinha sido bastante chamuscada pelo incêndio de 28 de Abril, quando por certo já havia pelo menos ovos em choco.

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Para terminar em beleza: observação de um ninho de águias, agora mais jovens do que as primeiras

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Outra observação animadora: as árvores queimadas em 28 de Abril já rebentam!

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A feliz equipa deste dia

Foi o final de um dia muito produtivo e animador (provavelmente mais de 90% das árvores plantadas encontravam-se vivas e bem de saúde!), quase a fazer esquecer a paisagem queimada que também nos acompanhou ao longo de todo o dia em 2º plano. Voltaremos a ela em força, noutra oportunidade!

Até breve!

Paulo Domingues

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Primeira jornada de Primavera

As jornadas de Primavera tiveram um “arranque” difícil. Depois de um cancelamento provocado pela chuva, tivemos um dia quente (sim, foi já a 8 de Abril!), a lembrar mais o Verão do que a Primavera ainda agora chegada, com um vento do quadrante leste que quase sempre traz temperaturas elevadas e baixa humidade.

O objectivo para este dia era dar continuidade à última jornada especial de Inverno, participada pelos pequenos escuteiros: colher mais estacas e depois colocá-las, sinalizando as árvores plantadas no Inverno. Como na jornada anterior, as estacas foram colhidas de rebentos de eucalipto junto à represa da Benfeita, onde também se encontra uma faixa com rebentação de carvalho a recuperar para fins de conservação. A manhã foi um pouco acidentada, mas pelo seu final o atrelado do pequeno tractor de transporte encontrava-se bem preenchido de estacas já cortadas com uma medida adequada, e afiadas.

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Preparação das estacas

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À esquerda, a faixa com rebentação de carvalho que está também em recuperação

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O trabalho decorreu com animação e o atrelado do tractor foi-se enchendo de estacas

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Uma urze branca em flor destacava-se contra a superfície escura das águas da represa

O almoço fez-se já junto à área do Vale de Barrocas, onde iríamos colocar as estacas, quando a temperatura já estava elevada, pelo que uma pequena sesta foi essencial para recuperar energias. O problema era encontrar uma boa sombra…

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O almoço, à débil sombra das copas dos eucaliptos…

À tarde iniciou-se o trabalho de transportar as estacas, primeiro encosta abaixo (mais fácil) e depois encosta acima (bem mais penoso), e colocá-las junto a cada árvore plantada. “Descobriu-se” que teria sido muito vantajoso preparar as estacas com alguns meses de antecedência para que pudessem secar e ficar mais leves. Mas agora era tarde de mais… O problema era que, mais do que pela temperatura elevada, a baixa humidade secava rapidamente a boca e parecia que nem a água nem as saborosas laranjas do Feridouro eram capazes de saciar duradouramente a sede. Uma hora de trabalho realizada e um novo período de repouso regenerador revelou-se essencial…

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Estacas colocadas, no terreno de Vale de Barrocas

Mas ainda havia muitas estacas e era necessário continuar. E continuou-se, até praticamente todas as estacas estarem colocadas, já o sol se escondia atrás do Cabeço do Meio e as forças pareciam esgotar-se mais depressa do que na aparentemente mais exigente plantação das próprias árvores.

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A equipa no final de jornada

Tinha sido uma jornada invulgar e inesperadamente exigente. Mas por outro lado foi animador visitar cada árvore plantada e, com pouquíssimas excepções, constatar o seu bom estado. Obrigado a todos os voluntários, e à Maria João também pelas fotos, que entretanto já estão, com mais variantes, no Facebook!

Paulo Domingues

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