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2ª jornada de Outono e dias seguintes

Na segunda jornada de Outono, decorrida já a 14 de Outubro, tivemos apanha de bolota em segunda edição, mas com novos voluntários.

Um grupo seguiu o mesmo caminho da 1ª jornada de Outono, caminhando para montante ao longo do Ribeiro, a partir da Quinta das Tílias, enquanto outro pequeno grupo foi instalar duas barreiras para sinalizar (para quem tem dificuldade em compreender sozinho) que um troço de um vale, como o Vale da Estrela, não deve ser percorrido de nenhuma maneira e muito menos por veículos motorizados de duas rodas. O facto de acontecer, e não apenas no Vale da Estrela, mostra como a consciência face à dramática situação da nossa paisagem pode ser tão diminuta, num momento em que era necessário que fosse enorme.

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Um castanheiro cheio de luz, na Várzea-de-Além. Foto da voluntária Paula Pires (PP).

Os dois grupos encontraram-se na Benfeita, onde um formoso carvalho proporcionou uma excelente colheita.

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Voluntárias estreando-se na apanha da bolota (PP).

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Apanhando bolota num generoso carvalho da Benfeita (PP).

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Preciosas bolotas (PP).

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O carvalho da Benfeita

Seguindo o modelo da jornada anterior, a equipa dirigiu-se depois à área da Ponte Nova, onde vale sempre a pena voltar, quanto mais não seja para admirar a paisagem. Mas desta vez não almoçámos aí, simplesmente porque a comida não tinha ido…

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À Ponte Nova vale sempre a pena voltar (PP).

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As preciosas bolotas da Ponte Nova (PP).

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Esta ainda não era a foto de despedida, a não ser para os dois voluntários que aqui terminavam a sua participação

À tarde rumámos ao Feridouro, percorrendo várias parcelas do Cortinhal, uma área em grande revolução desde que se decidiu aí reverter o eucaliptal para terra de cultivo. Os carvalhos que lá existiam parecem ter ficado agradecidos e alguns produziram bolota abundantemente.

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Bolotas em plena árvore num dos carvalhos do Cortinhal

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Equipa voluntária muito concentrada na apanha.

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Junto ao Ribeiro de Belazaima, onde ainda corria um “fio de água” (PP).

Como duas semanas antes, a equipa terminou a apanha da bolota pelo meio da tarde e consumiu as energias restantes a descascar mimosas por ali perto.

A foto final tirou-se já na base de operações, em torno do resultado do trabalho desse dia: mais uns 100 kg de bolota, para não ficar atrás da equipa da jornada anterior.

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Foto final com o produto da colheita.

Depois veio o Domingo, em que o Inferno desceu à terra, como está ainda bem presente na memória de todos. Na vizinhança imediata do Cabeço Santo não houve fogo, mas as colunas de fumo observavam-se num raio de quase 360°: dos incêndios de Vouzela a nordeste, Tondela a nascente, Mortágua e Santa Comba Dão a sudeste, Penacova a sul, Vagos a sudoeste, Oiã a oeste… O ar ficou saturado de fumo e o sol empalideceu. O vento, enraivecido, juntava ao fumo o pó da terra seca, levantando nuvens de poeira. A temperatura, elevadíssima, a humidade do ar, baixíssima (35° de máxima em Belazaima, ainda 30° pelas 19 horas, com 20% de humidade relativa). As árvores, já num enorme stress hídrico, depois de 4 meses e meio sem chuva, suportaram, quiçá no limite das suas “forças“, mais esta provação, onde tiveram a sorte de escapar à voragem das chamas. Vou ao encontro delas e o que encontro? Homens de armas na mão! A Terra “grita” por cuidados com todas as suas forças e as únicas pessoas que encontro são homens de armas na mão! Do céu vem uma chuva de cinzas que tudo cobre de cinzento, e este triste dia chega ao fim.

No dia seguinte, Segunda, previa-se chuva, e logo pela madrugada mirei o céu. Pareceu-me carregado de nuvens, e julguei que começaria a chover a qualquer instante, mas logo que o dia clareou percebi que as nuvens ainda eram de fumo e que a chuva ainda era de cinzas. Esperei pela chuva a sério o dia inteiro, mas ela, importante, desesperadamente aguardada, fez-se esperar. Em Belazaima, passavam alguns minutos da 1 da madrugada de Terça quando começou a cair. Tive receio que fosse um sonho e levantei-me para a sentir nas minhas próprias mãos, no meu corpo inteiro: era mesmo chuva de águas claras e cristalinas (e se não eram assim me pareceram)! Foi-se o sono! Pelo fim da madrugada a chuva parou mas ao nascer do sol contavam-se já 17 litros por metro quadrado, o suficiente para “habituar” a terra à chuva, da qual durante tanto tempo “jejuou”.

Na noite seguinte voltou a chover, agora 19 litros, e parecia que a memória desse inferno de Domingo já era apenas como a de um pesadelo que se desvanece com o acordar. Foi necessário fazer uma viagem, entre Belazaima e Seia, para constatar a dura realidade: durante mais de 50 km, entre Mortágua e Seia, o panorama é desolador: floresta, a de eucaliptos e pinheiros, mas também carvalhos, castanheiros, e mesmo pomares e terras agrícolas com pouco mais do que escasso restolho foram engolidos pelo fogo, que entrou mesmo em jardins, hortas e povoados. Midões, Fiais da Beira, Ervedal da Beira, Travancinha, Sameice, Folgosa da Madalena, terras da Beira Alta de nomes elegantes e paisagens diversas que agora se vestem de negro.

As encostas sobranceiras ao Mondego, já muito degradadas pela ocupação com mimosas, igualmente negras. Uma devastação imensa mas também uma imensa oportunidade de recuperação, em áreas que, ao contrário das zonas (tradicionais) de cultivo de eucalipto, estarão mais disponíveis para intervenção. Mas que ninguém duvide: a recuperação não se produzirá sozinha. Pelo contrário, sem intervenção as mimosas voltarão ainda com mais força, expandir-se-ão ainda para mais longe, e, até ao próximo incêndio, o empobrecimento paisagístico e biológico prosseguirá imparável.

Era necessário que as administrações e as comunidades se unissem num esforço ímpar, num movimento grandioso e determinado. Mas têm, umas e outras, energia e motivação suficientes para isso? Dizem que há 300 000 caçadores em Portugal. Mas, e quantos cuidadores? E voltamos a esse problema, já outras vezes invocado, da extrema discrepância entre o que é necessário fazer e o que as pessoas, as comunidades e as administrações estão dispostas a fazer. No fundo, um problema cultural e civilizacional. Um reflexo do momento de profunda crise e imenso perigo em que, como civilização, nos encontramos. Como invocar essas forças, latentes no fundo da consciência humana, mas numa letargia e numa prisão que parecem não as deixar expressar, para que manifestem todo o seu potencial? Que essas forças existem, não há dúvida. Por meio delas, povos se reergueram da devastação da guerra, civilizações, como a nossa própria, brilharam após séculos de trevas, e, mesmo individualmente, pessoas se elevaram e descobriam destinos valorosos, a partir dos destroços dos seus próprios passados. Como invocar essas forças, e trazê-las à superfície, eis algo tão premente como pôr mãos à obra, pois que a segunda não pode acontecer sem a primeira.

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O Rio Seia, entre Ervedal e Travancinha, em Maio

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O Rio Seia, entre Ervedal e Travancinha, a 22 de Outubro

E depois desta divagação, que ocasionalmente se afasta dos limites do Cabeço Santo, voltamos até ele, já no próximo Sábado, para continuar uma missão que, também ela, nasceu de uma catástrofe de fogo, e também ela se leva avante perante muita resistência e letargia, mas, mesmo assim, se leva avante.

Obrigado a todos os voluntários. E à Paula Pires pelas fotos inspiradas e inspiradoras!

Até Sábado!

Paulo Domingues

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11 anos depois

Foi mesmo assim: 11 anos depois ainda por cá andamos e com energia para continuar. Como já explicámos, por manifesto incumprimento das promessas da DINA(*) (ou melhor dos meteo’s em nome dela), o Verão ainda não deu tréguas e as condições são difíceis para as árvores e arbustos plantados na última época. Por isso, optámos por ocupar a jornada de aniversário com mais uma operação de rega.

Como a equipa voluntária era grande e não seria muito eficiente andar toda a regar, dividiu-se em dois: um grupo foi regar e o outro foi arrancar mimosas. O grupo da rega começou na Benfeita, como em Julho, o das mimosas deslocou-se até ao Feridouro para intervir na zona da Chousa.

Na Benfeita, as águas cristalinas do Lousadelo corriam ainda abundantes para o tanque (bendita nascente…) e o depósito de 1000 litros encheu-se rapidamente. Depois a rega iniciou-se, junto ao Vale da Estrela. Constatámos que nas zonas mais difíceis já havia algumas baixas; talvez tenhamos que reavaliar as perdas em 20 a 25%. Mas também havia plantas bonitas, outras com sede… Foi-se progredindo para norte com dinamismo, e nem houve oportunidade para fotos.

Nas mimosas nem máquina fotográfica havia, mas os trabalhos parecem ter decorrido também com entusiasmo.

Já passava do meio dia quando a rega na Benfeita se deu por terminada e agora, que o calor começava a apertar, um mergulho no tanque era uma tentação quase irresistível… mas não podia ser: a equipa do Feridouro esperava pela da Benfeita para um almoço em conjunto.

O almoço decorreu na casa do colaborador e voluntário do projecto Jorge Morais, usufruindo de alguns serviços que raramente nos demos ao luxo de ter nos últimos 11 anos! E claro, depois das deliciosas iguarias a que a Ana Teresa já nos habituou, tínhamos de concluir com um bolo de aniversário. Um? Não, dois, que a equipa era grande e só não foi ainda maior porque houve algumas desistências de última hora.

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As especialidades que lembraram o aniversário

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Tertúlia da hora de almoço

Como o dia era de calor, era da maior justeza a fruição do período de sesta, como aconteceu em Julho. Só que desta vez tínhamos de terminar mais cedo, por várias razões, uma delas também relacionada com o projecto: uma tertúlia sobre a floresta para a qual tínhamos sido convidados, em Valongo do Vouga. Deste modo, regámos e arrancámos mimosas a montante do Feridouro, logo a seguir ao almoço. Aí tivemos a parte mais dura do dia. Mas ninguém desanimou (demasiado!) e pelas 16:30h já a foto de despedida se tomava, de novo nas instalações do Jorge Morais.

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De volta ao terreno na parte mais quente de um dia quente…

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Regando um frágil medronheiro, entre pedras e vigorosas plantas do matagal

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As condições foram difíceis este ano. Mas as plantas lá se foram aguentando…

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Gestão da longa mangueira, junto à carrinha de apoio

Tinha sido um dia produtivo e ao mesmo tempo instrutivo para as muitas caras novas entre os participantes. Uma jornada digna de um aniversário. Obrigado a todos os voluntários.

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Equipa de voluntários presentes

Para terminar acrescentam-se ainda duas fotos da tertúlia de Valongo do Vouga, bastante participada. Agora só falta passar das palavras à acção (bem , em rigor já há também por ali quem dê exemplos e inspiração). E um primeiro alvo foi fácil de identificar: o Rio Marnel logo a montante de Brunhido, as suas margens e encostas adjacentes, presentemente num estado de notável degradação paisagística, que pouco justificam uma caminhada pelo Trilho das Levadas, aliás presentemente encerrado. Vamos para o terreno?

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A tertúlia em Valongo do Vouga, bastante participada

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A apresentação do Projecto Cabeço Santo

As fotos de Valongo do Vouga foram gentilmente cedidas pela Ana Paula Lima.

Paulo Domingues

(*) Depressão Isolada em Níveis Altos, o fenómeno meteorológico que se verificou na semana passada na Península Ibérica e que, não obstante as muitas previsões de chuva emitidas, acabou por deixar quase a seco muitas regiões

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Voltam as jornadas voluntárias!

É já no próximo Sábado, 2 de Setembro, que se prevê a realização da jornada voluntária celebrando o 11º aniversário do projecto. Será contudo uma jornada normal, com alguma lembrança pontual destes 11 anos de trabalho. Quanto aos trabalhos a desenvolver, ainda não sabemos ao certo. Depois de uma semana em que a DINA(*) nos criou algumas expectativas de precipitação que ajudassem a suavizar este longo e seco Verão, caíram, até ao momento, apenas umas gotas que nem o pó deram para assentar. Por isso, e dada a ausência de previsões de chuva para as próximas duas semanas, uma possibilidade seria a realização de uma rega, já a segunda deste Verão, depois da que realizámos em Julho. Mas até até lá ainda repensamos.

Entretanto e embora ainda faltem mais de duas semanas, lembra-se também a realização do mini-CTC dedicado às invasoras, entre 15 e 17 de Setembro, organizado em parceria com o grupo das invasoras da Universidade de Coimbra e envolvendo antigos participantes em outros CTC’s organizados por este grupo. Este evento terá contudo um “dia aberto” a todos os que queiram participar, que de facto não será mais de meio dia, pois que é o Domingo e neste dia o CTC é encerrado com um almoço. As inscrições são feitas da forma habitual.

Estas duas jornadas encerrarão a época de trabalho voluntário de Verão. Logo virá o Outono, com muito, muito para fazer.

Até breve.

Paulo Domingues

(*) Depressão Isolada em Níveis Altos

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Incêndio de 28 de Abril: balanço (quase) final

Quase dois meses depois, é tempo de fazer um balanço das consequências do incêndio de 28 de Abril e olhar para uma série de eventos que dele resultaram.

Em primeiro lugar é devido um agradecimento a todos aqueles que de alguma forma quiseram manifestar o seu apoio, por palavras ou acções: quem comentou no artigo então escrito, quem telefonou, quem escreveu mensagens, quem disponibilizou recursos.

Um dos aspectos singulares que marcou este incêndio foi a particular atenção mediática que lhe foi concedida, por certo também relacionada com o facto de ele ter ocorrido num momento invulgar do ano. No próprio dia aconteceram as coberturas da SIC (http://sicnoticias.sapo.pt/pais/2017-04-28-Rajadas-de-vento-dificultaram-combate-as-chamas-em-Agueda) e da TVI (http://www.tvi24.iol.pt/sociedade/fogo-florestal/bombeiros-dao-como-dominado-incendio-em-agueda). Da primeira há a destacar a curiosa referência ao corredor ecológico que o Projecto Cabeço Santo está a criar ao longo do ribeiro, e que assim ganhou uma inesperada exposição. Ainda do dia do incêndio há esta peculiar reportagem (http://portocanal.sapo.pt/noticia/120927/), onde há a destacar dois aspectos: o suposto anúncio de que este ano muito iria arder nesta região, também afirmado por um algo anedótico escrito no Facebook, e o lapso do Vereador Jorge Almeida, por certo mal informado quanto à extensão dos danos causados ao projecto. O primeiro aspecto parece ter sido assumido pelas pessoas da freguesia como uma ameaça real, com risco de se materializar onde ainda não ardeu em 2013, 2016 e 2017. Quanto às razões para uma tal ameaça, ninguém as parece conhecer. [Hoje mesmo, 18 de Junho, quando todas as atenções estão voltadas para a tragédia de Pedrógão Grande, novo acendimento nocturno se produziu em Belazaima, felizmente sem grandes consequências].

Também referência a um artigo saído no jornal Público (https://www.publico.pt/2017/05/02/local/noticia/incendio-de-agueda-afectou-significativamente-projecto-do-cabeco-santo-1770740), segundo uma notícia veiculada pela Agência Lusa, e com claras incorrecções, concretamente no que toca aos motivos para não se terem realizado as limpezas de material combustível. Poucas horas depois de ter saído a notícia propus uma correcção da mesma, apresentando-me como responsável pelo projecto e deixando um contacto telefónico. Mas nada, o Público preferiu ignorar e desinformar os seus leitores. De passagem, o entrevistado visado e presidente da Direcção do Núcleo Regional de Aveiro garantiu-me que não disse aquilo e que o jornalista foi tendencioso… E se assim foi, mais do que tendencioso: deturpador!

Ainda no que toca a reflexos mediáticos do incêndio, há a destacar a reportagem especial realizada pela SIC, já em jeito de reflexão (http://sicnoticias.sapo.pt/programas/reportagemespecial/2017-06-12-A-prova-de-fogo-1).

Entre as ofertas de apoio mais explícitas há que referir as dos grupos congéneres Movimento Gaio e Associação Montis, mas particularmente esta última e do seu responsável, Henrique Pereira dos Santos, de cuja pena saíu o artigo http://montisacn.blogspot.pt/2017/05/aprender-em-conjunto.html. Embora sabendo bem que o uso de fogo controlado é sempre uma opção discutível (ver por exemplo http://blogueiros.axena.org/2013/09/06/incendios/) uma perspectiva a posteriori dos acontecimentos de Belazaima leva-nos de facto a concluir que, se não integralmente, pelo menos um fogo controlado parcial teria sido uma opção sensata.

Também em resultado das manifestações de apoio recebidas, os dois colaboradores da Montis estiveram um dia inteiro no Cabeço Santo realizando trabalhos de engenharia natural de contenção da erosão numa área ribeirinha muito declivosa da mata da Altri Florestal. Aproveitamos para a agradecer à Montis esta contribuição! As fotos desse dia, 31 de Maio, são da Sara.

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Perspectiva da área sob intervenção

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Aqui, onde o fogo foi detido, cortaram-se árvores queimadas e usaram-se os ramos para criar barreiras contra a erosão

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Ao longo da encosta, havia varas de eucaliptos, que tinham sido recentemente cortados, e que foram usadas para as barreiras anti-erosão

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Outra perspectiva

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Barreira de pedras em saco de nylon

Quanto às consequências para as árvores e arbustos plantados este ano, criou-se inicialmente uma certa expectativa quanto à possibilidade de muitos deles rebentarem. No entanto pode-se já afirmar que não foi assim: a grande maioria não rebentou e terão de ser replantados na próxima época, aproveitando os mesmos locais e a fertilização e mobilização do solo já realizadas. De facto, ainda antes da plantação, e usufruindo do facto de se esperar uma grande produção de bolota de carvalho-roble este ano, deverão realizar-se sementeiras ao longo dos mais de 12 ha que estarão disponíveis para se iniciar ou retomar a recuperação a partir deste ano.

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Perspectiva do Vale de Barrocas, já “manchado” de verde

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Uma das pouquíssimas excepções: um carvalho plantado este ano em rebentação

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Os carvalhos estabelecidos, encontram-se, em geral, a rebentar em força

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Um tubo deformado, e lá dentro…

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… um carvalho a rebentar!

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Pequeno carvalho a rebentar

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Os carvalhos que existiam no coração do vale perderam completamente a parte aérea. Mas já têm um palmo de rebentação na sua base.

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As partes aéreas queimadas já começaram a ser cortadas

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As árvores plantadas há alguns anos que ainda tinham tubos de protecção estão a ter dificuldade em rebentar: uma lição!

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Alerta! Vêm aí as mimosas! Mais um trabalho para daqui a umas semanas: arrancar mimosas de origem seminal.

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Os eucaliptos das Costas do Rio / Pé Torto, serão agora cortados. São mais 7,5 ha a juntar à área de intervenção!

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O estado da zona ribeirinha é assustador… Mas, uma coisa de cada vez.

Entretanto, a jornada prevista para 17 de Junho, a última da Primavera de 2017, foi adiada por previsão de temperaturas elevadas, que tornam qualquer trabalho de campo durante o dia extremamente desgastante. Adiou-se para o Sábado seguinte, tornando-se assim a primeira jornada de Verão. No calendário, claro, porque no terreno já é Verão há muito tempo. O anúncio das Jornadas Voluntárias de Verão virá já a seguir. Oxalá seja mais sereno que a Primavera que o precedeu…

Paulo Domingues

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Jornada de visita

É já no próximo Sábado, 20 de Maio, que teremos uma jornada no Cabeço Santo exclusivamente dedicada à observação, à apreciação, à reflexão, … e outras coisas que caibam na visita anual que vamos realizar à área de intervenção do Projecto. Será um percurso circular de cerca de 7,5 km, com início na Capela de São Francisco no Feridouro. Vamos estar atentos tanto às coisas belas como às que dessa qualidade estão mais deficitárias, tanto aos sucessos do projecto como aos (relativos) insucessos, tanto ao que já foi feito, como ao que falta fazer… certos de que tudo isso é necessário para terminarmos esta jornada especial mais conscientes do nosso papel no cuidado (deste pequeno pedaço) da Terra e das suas criaturas.

O que pretendemos pois é que esta caminhada não seja apenas um passeio desatento e quiçá mais motivado pela forma física de cada um, mas que seja um investimento na motivação dos participantes para que se envolvam (os que puderem, claro) mais activamente em todas as outras jornadas do ano: as jornadas de trabalho voluntário! É com efeito imenso o que há a fazer para recuperar (o que é possível de) uma paisagem tão imensamente degradada, pelo que todas as boas-vontades são necessárias.

Vamos agora aos aspectos mais práticos: é obrigatória a inscrição para efeitos de seguro, para a caixa de correio cabecosanto@quercus.pt com indicação de um contacto de telemóvel, nome completo, NIF e data de nascimento. Caso haja possibilidade disso, poderemos coordenar boleias desde Aveiro ou Águeda. Teremos um ponto de encontro em Belazaima, no parque do Moinho de Vento, pelas 8:45h e outro na Capela de São Francisco, no Feridouro, pelas 9:00h. A visita inicia-se com a subida do cabeço, até à cota dos 400 metros, e depois segue-se quase 2 km ao longo da linha de nível. Inicia-se então a descida até ao ribeiro, e segue-se depois a travessia do corredor ecológico ribeirinho entre o Cambedo e a Ribeira do Tojo. Finalmente passaremos pela zona do Vale de Barrocas, a parte mais “dolorosa” da visita, dados os acontecimentos recentes. Mas, para terminar com uma impressão mais animada, percorreremos os últimos metros até ao Feridouro ao longo do corredor ribeirinho, onde o projecto intervém desde 2015.

Para quem quiser ficar, haverá um almoço (para o qual cada um deve trazer a sua contribuição) no Parque do Moinho de Vento em Belazaima.

Até Sábado!

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28 de Abril de 2017: um olhar

Uma combinação de factores, quase todos no mesmo sentido, deram origem aos tristes eventos que se iniciaram no dia 28 de Abril ao início da madrugada: um mês de Abril sem chuva, e com vários episódios de temperaturas muito elevadas, acompanhados de vento de leste seco e por vezes forte, com predominância noctura; duas noites consecutivas de vento de nordeste forte, a de 27 e a de 28; uma paisagem vulnerável, uniformizada até ao limite; a vontade de causar dano, materializada no atear do fogo, pouco depois da meia noite de 28 de Abril, um momento seleccionado para que o dano fosse o maior possível, e as hipóteses de reacção o mais demoradas e difíceis possível. Apenas um factor em sentido contrário: as temperaturas eram baixas, a mínima dessa noite terá estado entre 6 e 8 ºC, o que pode ter evitado danos maiores em muitas das árvores atingidas, mesmo eucaliptos, mas que não foi suficiente para evitar que as consequências deste incêndio fossem grandes.

Com grande probabilidade, o fogo foi ateado no coração do Vale de Barrocas, ou na sua proximidade, e terá sido a área onde este ano foram plantadas mais de 1500 árvores pelos voluntários do Projecto Cabeço Santo, uma das primeiras a ser atingida. Sabíamos que o local era vulnerável. Os eucaliptos previamente existentes tinham sido cortados e muita ramada tinha ficado espalhada pelo chão. As próprias plantas do matagal, amassadas pela queda das árvores, estavam parcialmente secas. Num momento, terá chegado a aflorar a ideia de reduzir toda essa massa combustível por meio de um fogo controlado antes da plantação, como aliás já outras vezes se tinha feito no Cabeço Santo. Mas a emergência espontânea de muitas plantas com valor para a regeneração, mais algumas, essencialmente carvalhos, que tinham conseguido escapar à queda dos eucaliptos, fez afastar essa ideia e os trabalhos avançaram sem ela.

Tão rápido terá sido o fogo a subir o Cabeço do Meio, que, quando os alarmes soaram, pela 1 da madrugada, já as chamas eram visíveis em Belazaima, no alto do cabeço. Ajudadas pelo vento que soprou forte durante toda a noite, o fogo desceu a encosta em direcção a Belazaima e às Póvoas, enquanto se espalhava também por toda a encosta a sul do ribeiro, desde a represa de Belazaima até à Ribeira do Tojo, já perto de Belazaima-a-Velha, passando pelo Feridouro. Com o nascer do sol, o vento acalmou, e os meios de combate intensificaram-se, por terra e pelo ar, mas as chamas já estavam muito dispersas, e só ao fim da tarde desse dia o incêndio foi extinto. Mas ainda durante a tarde esteve ameaçada a área da Benfeita, já junto a Belazaima, onde as primeiras plantações da época tinham sido realizadas. Chegaram a perder-se aqui algumas árvores, mas conseguiu evitar-se o pior.

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Pelas 3:30h o fogo já estava a escassas centenas de metros de Belazaima, vindo de sul, como em 2005

O balanço deste acontecimento começou a fazer-se no próprio dia, com uma visita aos locais atingidos. Para os trabalhos do Projecto, a principal perda foram os cerca de 4 ha do Vale de Barrocas onde este ano se tinham realizado plantações. Há uma certa probabilidade de algumas das plantas rebentarem e recuperarem a parte aérea, mas para confirmar isso é preciso esperar. Arderam também os 7,5 ha da propriedade das Costas do Rio, logo ao lado, ainda com eucaliptos, que iriam ser cortados este ano para que esta área com 1 km de margens do ribeiro pudesse, pelo menos parcialmente, ser adicionada à área de intervenção do projecto. Mais para montante, o incêndio atingiu o corredor ribeirinho da Ribeira do Tojo, e aqui, justiça lhe seja feita, cumpriu uma das suas funções, não obstante os poucos anos que ainda tem: o fogo ainda o atingiu ao longo do caminho mas nem num metro conseguiu atravessar o ribeiro, não obstante a presença dos fetos secos do ano anterior, que noutros locais foram “pasto” suficiente para as chamas avançarem. Já mais para jusante, no eucaliptal das Costas do Rio, o fogo atravessou o ribeiro e ainda queimou várias centenas de metros do corredor ribeirinho na Mata da Altri Florestal, incluindo parte da área de confluência dos vales nºs 3, 4 e 5, mas os responsáveis da empresa, aliás logo presentes no local com os seus meios, puderam respirar de alívio: foram poucos os eucaliptos ardidos.

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A área do Vale de Barrocas foi totalmente atingida

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O “coração” do Vale de Barrocas, ainda fumegante

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O Jorge Morais inspecciona a área, com o Cabeço Santo (escassamente atingido) em fundo

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Vista do caminho para Belazaima-a-Velha

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As estacas que tinham sido colocadas para assinalar as plantas introduzidas

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O “herói” do dia foi o corredor ecológico da Ribeira do Tojo: atingido em quase toda a sua extensão, não deixou passar o fogo para norte do ribeiro!

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Na mata da Altri Florestal foi atingido o corredor ribeirinho, mais vulnerável do que na Ribeira do Tojo, por ter menos condições para a implantação das folhosas

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No Chão do Linho, onde o Vale de Barrocas encontra o Ribeiro, e não longe do local onde o fogo terá sido ateado, as folhosas foram pouco afectadas

Do lado norte do ribeiro ardeu ainda uma pequena faixa do corredor ribeirinho a jusante dos portões da mata, que tínhamos plantado no ano passado, mas sem grandes perdas. O fogo atravessou a estreita faixa de carvalhos aqui existente, sem praticamente lhes causar dano, para depois progredir pela encosta, já com mais material combustível.

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Esta estreita faixa de carvalhos deixou passar o fogo para norte do ribeiro, mas as árvores foram pouco afectadas

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Os tubos de protecção derreteram sobre as árvores.

Da “minha” Quinta das Tílias (e desculpem falar dela aqui, que não faz propriamente parte do projecto) arderam os 8 ha da área florestal de proximidade da Quinta, onde desde 2006 fazia trabalhos de reconversão. Destes, talvez menos de metade era carvalhal. O fogo progrediu através dos fetos secos e a maior parte das árvores perdeu todas as folhas, mas a expectativa de recuperação das partes aéreas é grande. O tempo o dirá.

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Carvalhos da Quinta das Tílias, parcialmente atingidos. Mas outros foram mais.

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Mais para jusante, nos Borralhais, só a parte inferior das copas foi atingida, apesar de o fogo ter “batido” cada m2. Chave: pouco material combustível no solo.

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Uma curiosidade: este campo de aveia, completamente cercado pelo fogo, sobreviveu incólume!

Para concluir a ronda, constatámos que 4 das 6 colmeias que faziam parte do apiário do Cabeço Santo tinham sido roubadas. Não queimadas mas roubadas. Ficou apenas uma Lusitana e a Top Bar, que podia ser facilmente identificada noutro local. Animador não é?

Que lições retirar deste evento?

Em relação ao trabalho no terreno, talvez a mais importante seja a de que temos de colocar mais atenção na redução do material combustível, o que no caso do Vale de Barrocas só teria sido possível de forma efectiva com a realização de uma queimada controlada previamente à plantação. Mesmo os fetos secos, que ocorrem todos os anos no final do Outono (onde crescem), deveriam ser triturados com moto-roçadora, pelo menos parcialmente, pois foram o principal factor de dano para os carvalhos. Nos limites exteriores das áreas de intervenção deveriam criar-se corredores onde o controle de materiais combustíveis fosse mais estrito. Claro, tudo isto tem custos de mão de obra elevados. Adicionada a esta redução da vulnerabilidade, seria importante ter mais duas coisas: capacidade para fazer vigilância nocturna, pelo menos nas noites mais susceptíveis, que, em condições normais, não são assim tantas por ano, e capacidade para, detectada uma ameaça, dirigir uma intervenção rápida sobre os acendimentos. Talvez no futuro tenhamos condições para o fazer.

Este é, naturalmente, um momento em que, de forma particularmente intensa, percebemos a enormidade da tarefa que temos em mãos, confrontada com uma indiferença, que pode chegar à hostilidade, de idêntica dimensão. Não podemos dizer com segurança que este acto teve deliberadamente o objectivo de atingir o projecto e os seus objectivos, mas há alguns indícios que apontam nesse sentido, pois contabilizo, com este, cinco incidentes do género nos últimos anos, quatro dos quais resultaram em fogo ateado em áreas de recuperação ecológica, embora a extensão dos danos tenha sido consideravelmente menor do que agora. É verdade que também houve acendimentos noutros locais, e não pretendo levantar nem viver à sombra do fantasma do “eterno inimigo”, que afinal não será mais do que “doente”, numa sociedade e num tempo tão propensos a alimentar os mais doentios desvios.

Essa sensação, da enorme discrepância entre o que é necessário fazer e o que há condições, materiais e humanas, para fazer, parece ser de facto uma característica da nossa época. Ainda há dias lia no El País, segundo Zygmunt Bauman: “Há uma crescente brecha aberta entre o que é necessário fazer e o que se pode fazer, o que importa realmente e o que conta para quem tem o poder de fazer, entre o que acontece e o que seria desejável acontecer” (http://cultura.elpais.com/cultura/2017/04/17/actualidad/1492423945_605390.html). Fico confortado com o encontro de entendimentos, mas o que fazer com ele? O que fazer com a ideia de se poder trabalhar 10, 20 anos, quiçá uma vida inteira com um objectivo, tão grande que se consegue realizar apenas numa ínfima parte, e que no final desses 10, 20 anos, quiçá no final dessa vida inteira, essa ínfima parte possa ser alvo de um destrutivo acto anónimo que demora um segundo a ser desencadeado? Não posso responder a esta questão, embora acredite que ela só tem uma resposta pela positiva procurando olhar para o “problema” de uma perspectiva mais larga do que aquela que nos é imediatamente acessível, através dos sentidos, do conhecimento técnico, da informação. Uma perspectiva de onde se colha energia, ânimo e determinação, mesmo quando os factos parecem convidar ao desânimo, ao esgotamento e à desistência. E existe uma tal perspectiva? É um grande desafio encontrá-la mas necessitamos dela desesperadamente. Mesmo que não a tenhamos muito clara, não podemos esperar pela claridade plena para tentarmos desenterrar essas energias que a acção requer. Por isso, sim: apesar de todas as contrariedades, de as invasoras serem um desafio gigante para as nossas capacidades, de os solos estarem desprovidos e fragilizados, de as alterações climáticas poderem alterar as “regras do jogo a meio”, de todas as dificuldades da natureza humana, apesar de tudo isso e ainda mais, voltaremos ao Cabeço Santo, ao negro Vale de Barrocas, com as mesmas ilusões da primeira vez, mas… com a vantagem de agora termos mais experiência. Faremos a visita prevista para dia 20 de Maio, procurando colocar as coisas belas e as feias nos lugares certos do nosso entendimento, e faremos o CTC que tínhamos previsto para este fim de semana numa outra data que consigamos encontrar. (O CTC não foi contudo cancelado por causa do fogo, mas por causa da chuva, que, atrasada, acabou por vir este Domingo de madrugada). Antes de tudo isso, estaremos na Expo-florestal, em Albergaria.

E vós, voluntários, que tão dedicadamente contribuíram para o trabalho deste ano, agora parcialmente destruído, como se sentem? Com que vontade para voltar? Expressem-se, se quiserem, nesta página, mas sem raiva nem ressentimento, que isso leva muitas energias e precisamos delas para tudo o resto! Até breve!

Paulo Domingues

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Mini-CTC sobre Invasoras

É já no próximo fim de semana: o Projecto Cabeço Santo, em colaboração com o Centro de Ecologia Funcional da Universidade de Coimbra (CEF/UC) e a Escola Superior Agrária do Instituto Politécnico de Coimbra (ESAC/IPC), organizam um “mini” Campo de Trabalho Científico sobre controlo de plantas invasoras (mini-CTC) no Cabeço Santo. Realiza-se de Sábado, 29 de Abril a Segunda, 1 de Maio.

Este mini-CTC é herdeiro de uma experiência de mais de 10 anos do CEF/UC e da ESAC/IPC na organização de campos de trabalho voluntário, com duração de uma semana, que visam promover a sensibilização sobre invasões biológicas entre estudantes universitários e profissionais, nomeadamente através de acções de formação e controlo de plantas invasoras em áreas com interesse para a conservação. Este “mini-CTC” é uma versão mais reduzida dos CTC, contando com a contribuição de participantes em eventos anteriores. No entanto, no Domingo o CTC abre-se a outros participantes, quer sejam voluntários que normalmente participam nas jornadas voluntárias do projecto, quer outras pessoas que se interessem pelo tema e pelo projecto. O acolhimento a estes participantes está previsto para as 9:00 horas, prolongando-se os trabalhos até às 18 horas, com almoço servido no campo.

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Mimosas no Ribeiro de Belazaima, uma das áreas alvo de intervenção deste CTC

No Sábado à noite teremos ainda uma tertúlia pública com uma apresentação do projecto para os presentes (participantes no CTC e cidadãos em geral) e com uma apresentação do tema das invasoras por quem mais sabe sobre o assunto: uma das responsáveis pelo grupo das invasoras da Universidade de Coimbra. Este evento realiza-se pelas 21:30 horas na sede da Junta de Freguesia em Belazaima do Chão.

Espera-se, naturalmente, que este evento contribua para melhorar a nossa capacidade de intervenção no que ao infindável trabalho de controlo das espécies invasoras do Cabeço Santo diz respeito, e para aumentar a dinâmica do trabalho voluntário mais regular nesta área, agora que a época de plantação de árvores acabou.

Paulo Domingues

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