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Jornadas de Inverno

O Novo Ano está a começar e no Cabeço Santo a celebração rapidamente dará lugar aos trabalhos, ou, pensando de outra forma, iremos começar a trabalhar ainda em ambiente de celebração.

As Jornadas de Inverno iniciam-se já no dia 7 de Janeiro e serão em geral dedicadas à plantação de árvores e arbustos. Para além dos carvalhos, castanheiros e azevinhos que já temos em stock, ainda na primeira semana do ano receberemos dos viveiros da Malcata um conjunto de árvores e arbustos de outras espécies nativas. São para cima de 1500 plantas que temos para plantar até Março. Por isso a agenda de Inverno será intensa. Eis o calendário:

7 e 21 de Janeiro

28 de Janeiro: jornada com a participação de um grupo de escuteiros de Travassô

4 e 25 de Fevereiro

11 de Março

Votos de Bom Ano de 2017 para todos os voluntários!

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Última jornada do Outono, e do ano

E chegámos à última jornada do ano de 2016! Para celebrar condignamente o acontecimento, 13 valorosos voluntários reuniram-se mais uma vez para uma jornada de plantação de árvores. E o momento foi também especial por outro motivo: iríamos iniciar a plantação numa área nova, na qual já se realizou trabalho ao longo de 2016, mas não de plantação, apenas de corte de rebentação de eucalipto: o vale de Barrocas.

Este é um vale precioso, com duas captações de água em cotas distintas, que alimentam casas no Feridouro, para consumo humano e para rega. As encostas são bastante inclinadas, com uma orientação tendencial para norte/nordeste, e com solos de qualidade superior à média para estas montanhas. Mercê de várias circunstâncias felizes, será possível reunir aqui perto de 10 ha de terreno, embora nem todo já disponível. De momento, temos aqui para plantar cerca de 3 hectares, e temos também a rebentação de eucalipto, dado termos optado por não usar aqui herbicida. Por coincidência, andou neste mesmo dia aqui uma máquina giratória a partir cepas de eucalipto com uma enxó, uma alternativa mecanizada ao corte manual da rebentação, e com a vantagem de não resultar em rebentamentos posteriores. O problema é que essa máquina, ainda que de lagartas, não pode ir às áreas mais inclinadas. Assim se constata que a plantação com eucaliptos em terrenos de elevada inclinação cria um problema de difícil solução, pela sua irreversibilidade sem custos elevados.

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Chegada ao terreno e preparação

Deste modo, a equipa dividiu-se em duas partes: os “plantadores” e os “cortadores” de rebentação. O dia estava frio e com vento, pelo que mesmo o esforço dos trabalhos teve dificuldade em promover a remoção dos agasalhos. O sol, pelo seu lado, brilhou todo o dia, mas como estávamos numa encosta voltada a norte e como ele agora está muito baixo (estamos quase no solstício) quase não demos por ele.

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Equipa dos “cortadores de rebentos”

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Elemento da equipa dos “plantadores”

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Tabuleiro de plantas

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Cogumelos em cepa de eucalipto

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Equipa plantando uma árvore

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Misturando bem os fertilizantes

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Com a colocação do tubo de protecção está concluída a operação

Os “plantadores”, agrupados em três equipas, tiveram que carregar as plantas e os fertilizantes encosta acima, pelo que a jornada foi particularmente exigente. A abertura das covas, já o sabíamos, não era propriamente fácil, pois tinha que se fazer com picareta, num terreno com matagal e tocos de eucalipto. Nestas circunstâncias, não podemos esperar plantar muitas árvores por dia, o melhor que podemos tentar é fazê-lo bem.

A maior parte das árvores eram carvalhos, embora houvesse também alguns medronheiros.

Pelo meio dia já havia voluntários bastante cansados, mas um almoço especial com grão-de-bico, broa de milho e cuscuz, para além de outras especialidades, foi suficientemente revitalizador, pelo que a equipa voltou sem demora ao trabalho, que a tarde era curta.

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O dia estava frio e nem o aquecimento interno deu para tirar muitas roupas

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Plantando as últimas árvores

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Os declives eram elevados

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Lá mais em cima, uma giratória fazia o seu trabalho

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Vista de uma área plantada

Embora agora fosse necessário transportar os materiais ainda mais para cima na encosta, os trabalhos prosseguiram com animação e pelas 16 horas todas as 180 árvores trazidas de casa estavam plantadas. O sol escondia-se rapidamente atrás do Cabeço do Meio, mas ainda houve energias para todos se dedicarem ao corte de rebentação de eucalipto nos minutos finais da tarde. E imaginem: conseguiram encontrar uma máquina fotográfica compacta perdida no meio de todo o material lenhoso depositado no chão!

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Cortando rebentos de eucalipto no final

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Vista da área plantada, acima do antigo caminho para Belazaima-a-Velha

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Vista do Vale de Barrocas, da área trabalhada, e da que ficou por trabalhar.

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A equipa no final, em pleno coração do Vale de Barrocas!

Tinha sido uma excelente jornada, a fechar 2016. E uma jornada verdadeiramente europeia: para além da já habitual presença francesa, desta vez tivemos também uma alemã! E várias estreias de novos voluntários! Assim se encerra um ano de grande participação voluntária no Cabeço Santo, bem à medida das imensas necessidades que se apresentam. Mas a época de plantação ainda nem vai a meio! Continuamos já no dia 7 de Janeiro, pois há muito para fazer!

Um grande obrigado a todos os voluntários deste dia e deste ano. Felizes festas e até muito breve, com o anúncio das jornadas voluntárias de Inverno no Cabeço Santo! Entretanto, podem ver mais fotos da jornada na página do projecto no Facebook.

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Vídeo reportagem produzida pela Águeda TV, sobre a conferência no assinalar dos 10 anos do projeto Cabeço Santo

Aqui podem encontrar através deste link, a vídeo reportagem produzida pela Águeda TV da conferência do passado dia 15 de Outubro

http://www.agueda.tv/archive.ud121?oid=10808451

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O Projeto Cabeço Santo é um projeto de recuperação ecológica e paisagística promovido pelo Núcleo de Aveiro da Quercus, em parceria com o Município de Águeda.

Para assinalar o 10.º aniversário, decorreu no dia 15 de outubro uma Conferência sobre a Recuperação Ecológica e Paisagística de Áreas Florestais, reunindo alguns dos maiores especialistas na área.

 

  • Temáticas: Ambiente
  • Data de Captura: 15.10.2016
  • Tempo de Emissão: 5 m 49 s

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A Conferência dos 10 anos

E foi assim que, após uma semana de intensa preparação, aconteceu a Conferência comemorativa dos 10 anos do Projecto. Cuidadamente preparada com a preciosa contribuição dos dedicados colaboradores da autarquia, o espaço de acolhimento encontrava-se decorado a gosto, e no exterior do Salão Nobre estava ainda patente uma exposição fotográfica sobre o projecto.

A sessão de abertura deu o mote para a Conferência, com as palavras do Vereador Jorge Almeida, do presidente da Assembleia Municipal, Francisco Vitorino, do Presidente da Direcção Nacional da Quercus, João Branco e do coordenador do Projecto, Paulo Domingues.

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Sessão de abertura

Esta conferência foi uma luta contra o tempo: todos os conferencistas pareciam ter mais a dizer do que cabia no tempo que lhes estava atribuído. O Dr. Jorge Paiva, é claro, poderia falar toda a manhã, mantendo a atenção de uma plateia inteira às suas palavras transbordantes de entusiasmo, mas também de preocupação, pelo que foi assistindo da evolução da biodiversidade e da floresta, especialmente em Portugal, ao longo dos seus mais de 80 anos de vida . O coordenador do projecto apresentou uma perspectiva geral dos 10 anos de evolução do projecto, embora não fosse fácil condensar 10 anos e ainda um pouco de futuro nos 35 minutos previstos. Por esta altura o atraso já era considerável, e coube à Drª Célia Laranjeira da Divisão de Ambiente da CMA a difícil tarefa de pôr ordem na agenda, o que fez com elegância.

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Evolução e relevância da floresta portuguesa

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Cabeço Santo: 10 anos de trabalho

O Fernando Leão, da Quercus, e voluntário do projecto, tem vindo a fazer, desde a última Primavera, um levantamento das aves ao longo de dois transeptos ribeirinhos e apresentou os primeiros resultados. Será interessante ver como evoluem esses resultados ao longo dos próximos 10 anos, pelo que o Fernando está desde já convidado a apresentá-los na conferência de comemoração dos 20 anos do Projecto!

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Monitorização de biodiversidade no Cabeço Santo – o caso das aves

O Professor João Paulo Carvalho falou sobre um tema que é central para o projecto: a recuperação ecológica de áreas florestais degradadas: muitos tópicos de grande relevância para o nosso trabalho, mas pouco tempo para os desenvolver; afinal, este tema dava por certo uma ou mais Cadeiras de um curso de ciências florestais!

Depois do almoço tivemos o Dr. Nelson Matos apresentando o Projecto InForest, que ainda dará por certo muito que falar e que tem como objectivo estimular os proprietários florestais a olharem de uma perspectiva mais abrangente para a função dos espaços que gerem.

A Drª Elisabete Marchante trouxe-nos o actualíssimo tema das espécies invasoras, um dos mais relevantes para o próprio projecto, mas que infelizmente é tão pertinente a todas as escalas da nossa paisagem. Foi uma apresentação viva e convidativa à acção de todos os participantes.

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A problemática das espécies invasoras e sua gestão

O Bernardo Markowsky não falou tanto dos objectivos, trabalhos e resultados do Movimento Terra Queimada como gostaríamos de ter ouvido, tendo optado por uma reflexão cujos termos nos fazem bem lembrar como o tema da paisagem e dos usos que lhe são dados nos dias de hoje é fértil em oposições irreconciliáveis e discussões polarizadas, que facilmente descambam em voltares de costas. O Projecto Cabeço Santo, ao juntar duas entidades com objectivos tão distintos como a Quercus e a Altri Florestal, teve que trabalhar intensamente esta dimensão, pois de contrário, em vez de alguns resultados no terreno, teríamos desperdiçado energias em literatura de escasso valor.

Tal já era o atraso que não houve tempo para a pausa e passou-se de imediato à apresentação sobre a produção de medronho para fruto. Tema de grande relevância e que se poderá reflectir na própria paisagem do Cabeço Santo como forma de usufruto “alternativo”. O futuro o dirá. Para já, manteremos o contacto com o conferencista, Dr. Carlos Fonseca da Medronhalva.

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A produção de medronho como ecossistema florestal “alternativo”

E a conferência terminou com chave de ouro: quando parecia que o Dr. Pedro Bingre do Amaral nos vinha trazer um tema de interesse secundário, o do turismo de natureza, o docente da ESAC brindou-nos com uma abordagem do tema mergulhando profundamente nas suas raízes históricas e culturais, ao nível que nos tem habituado sempre que temos o privilégio de o ouvir.

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O turismo de natureza como factor promotor do esforço de recuperação ecológica e paisagística

Claro, “pecámos” na gestão do tempo, e quase não houve tempo para perguntas e discussão. Na sessão de encerramento estiveram o coordenador do projecto, o Vereador João Clemente e a presidente da Direcção do Núcleo de Aveiro da Quercus, Dora Oliveira.

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Sessão de encerramento

Ainda estamos a avaliar se a gravação das conferências ficou com suficiente qualidade para poderem ser publicadas e partilhadas. Agora resta esperar que esta conferência dê frutos, no nosso trabalho e na forma como, pelo menos os presentes na conferência, olham para a paisagem e agem sobre ela. É verdade que continuamos a ser poucos: o Salão Nobre da Câmara Municipal não encheu, como chegámos a achar que seria possível. Mas isso só pode servir para aumentar a nossa determinação. E agora, há que voltar ao terreno, nos próximos 10 anos, um dia de cada vez. Isto para parafrasear a mensagem da nova T-shirt produzida para esta data e que chegou já a meio da conferência: “Salvar o planeta, uma árvore de cada vez”, numa versão internacional que… está à venda para apoio ao projecto por 10 Euros por unidade.

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T-shirt de apoio ao projecto

Um obrigado a todos os que contribuíram para esta conferência e até breve, no Cabeço Santo! As fotos são, na sua maioria, do Paulo Almeida.

Paulo Domingues

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3ª Jornada de Primavera

Este foi um evento criado para ir ao encontro da disponibilidade de alguns voluntários durante os dias da semana, queremos que este seja o inicio de mais iniciativas, de uma nova realidade na nossa sociedade.

Os trabalhos na parte da manhã realizaram-se numa das encostas da zona da Chousa. Aqui estavam bastantes mimosas (Acacia dealbata), germinadas por acção das queimadas realizadas para limpar a área de lenha e ramadas. Na época de plantação deste ano, plantaram-se sobretudo sobreiros (Quercus suber) e medronheiros (Arbutus unedo).

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Encosta de realização dos trabalhos

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Um castanheiro (Castanea sativa) com o ribeiro em fundo

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Germinação da mimosa

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um carvalho (Quercus robur), talvez de uma bola de bolota que foi depositada por nós

O trabalho de arranque manual das mimosas na encosta realizou-se de baixo para cima. Entretanto o calor começou a fazer-se sentir.

Tentámos ser minuciosos, trabalhando em linha para cobrir a maior parte da área.

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Voluntários em ação I

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Voluntária em ação II

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Voluntários em ação III

Pelo final da manhã, apesar de não termos concluído, resolvemos fazer a merecida pausa para o almoço durante a qual aproveitámos para estar perto da ribeira e descansar um pouco.

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Um almoço com direito a prato, garfo e muitas coisas boas!

No período da tarde resolvemos ir para uma encosta voltada a norte, a sul do ribeiro de Belazaima, uma vertente menos inclinada junto ao Vale de Barrocas. A ação desta vez, era o corte da rebentação de eucaliptos (Eucalyptus globulus). Queremos regenerar esta encosta com espécies autóctones a serem plantadas no próximo Inverno. Os trabalhos envolviam o uso de ferramentas manuais como machadas e podões. Após explicações sobre do uso desta ferramenta e aspectos de segurança, iniciaram-se os trabalhos.

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Exemplo de rebentação de eucalipto

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Voluntário em ação

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Voluntário em ação II

Mais uma vez, o calor fazia-se sentir, mas os trabalhos avançaram a bom ritmo. Com pouca ou quase nenhuma ramada no terreno, fizemos uma encosta quase completa.

Todos foram fazendo pausas para beber água e descansar um pouco e apreciar a paisagem com a aldeia do Feridouro em pano de fundo.

Concluídos os trabalhos, estávamos todos de parabéns: tínhamos feito um excelente trabalho mesmo com todas as condicionantes. Uma nota especial aos dois elementos femininos que mostraram toda a sua força e coragem para este tipo de trabalho.

Um pequeno prémio foi a possibilidade de comer o lanche perto da ribeiro no vale do tojal. Houve a oportunidade de irmos pôr os pés na água e houve mesmo alguém que fez um pequeno duche naquelas águas límpidas e um pouco frias para alguns.

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Ribeiro de Belazaima

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Área de carvalhal, perto do Ribeiro

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Zona do lanche e “banhos”

Obrigado a todos pelo vosso contributo, em nome do projeto e da Natureza.

A próxima jornada planeada é já este sábado dia 7. Façam a vossa inscrição para o nosso endereço de E-mail. Claro, vamos ter que esperar para sexta-feira para confirmar se a meteorologia vai nos deixar fazer o evento.

Os meus agradecimentos à Maria Teresa pela partilha das fotos.

Peço desculpa, mas ficou a faltar a foto de família.

Até breve!

Jorge Morais

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Mensagem importante

Hoje tenho uma mensagem muito importante para todos os voluntários e potenciais voluntários deste projecto, e permitam-me que o faça na primeira pessoa (o que raramente acontece), pois me vou reportar aos antecedentes deste projecto, quando, entre 1990 e 2005 me dediquei a trabalhos de recuperação ecológica e paisagística em terrenos próprios.

Para muitos de nós, e aqui creio incluir muitos dos voluntários que têm participado neste projecto, fazer um trabalho desta natureza não é apenas contribuir para recuperar a paisagem e a biodiversidade, é também uma forma de encontrar uma certa paz interior, procurando que a contemplação de uma paisagem degradada por vezes até ao limite, não contribua para gerar sentimentos de desespero, isolamento, vingança, ódio… Não que tais sentimentos não tivessem justificação (quase tudo tem justificação, afinal, até os maiores crimes) mas certamente que só poderiam ser destrutivos para o interior e inúteis para a paisagem. Claro que me estou a referir à “paisagem” não apenas num sentido superficial, nem apenas estético, mas à paisagem enquanto entidade viva, cuja dinâmica é herdeira de um passado que muitíssimo antecedeu o surgimento dos humanos, e que talvez nos sobreviva.

Mas, por mais que fazê-lo nos pareça necessário e mesmo vital, este é ainda um trabalho relativamente marginal para a sociedade que nos rodeia, suscitando em muitos dos seus membros reações da mesma natureza das que nós próprios teríamos se não canalizássemos conscientemente e por meio da nossa própria vontade as nossas energias para algo construtivo: desconsideração, desprezo, alheamento… Nos 26 anos que levo deste trabalho foram muitos os momentos em que constatei essas reações, e uma delas até teve um padrão bem repetitivo: não me consigo lembrar de uma única vez em que um eucaliptal da vizinhança dos meus trabalhos fosse cortado sem que uma ou várias das “minhas” árvores, laboriosamente cuidadas ao longo de anos, não fossem danificadas ou mesmo completamente destruídas pela queda de um eucalipto, ou mais do que um. Ontem mesmo tive que cortar pela base um carvalho que cuidei ao longo dos últimos 10 anos porque um madeireiro lhe deixou cair um eucalipto para cima. E nem se deu ao trabalho de lá retirar a ramada, levou só o que lhe interessou. E isto repetiu-se uma e outra vez ao longo destes 26 anos. Árvores grandes, pequenas, médias, todas foram tratadas com igual descuido por quem terá imensa dificuldade em compreender porque “o outro” faz assim, e mesmo que não compreenda, que é seu dever respeitar. Mas não foi apenas isto: foi depositado lixo, por vezes ostensivamente, foram ateados incêndios, passaram motas e bicicletas, abrindo trilhos fora dos caminhos, foram quebrados, roubados e vandalizados caixotes-ninho, foram abandonados animais domésticos mortos, madeira foi temporariamente depositada, causando danos sobre árvores próximas, ramada de eucalipto foi depositada, alguma dela tendo ficado abandonada, árvores plantadas foram arrancadas e mesmo levadas… tudo isto e ainda outras coisas aconteceram ao longo destes 26 anos. Há que ressalvar que também existiram acções e manifestações de apoio, e sobretudo de “não obstrução”. O que fiz (abstenho-me de referir o que senti, por reserva de intimidade)? Uma e outra vez cuidei das árvores danificadas e queimadas, removi o lixo, falei com madeireiros e promotores de provas de motas e bicicletas (os outros não porque não soube quem eram) reclamando dos seus actos. E houve uma consciência que fui amadurecendo e que considero inquestionável: que o meu e que agora é o nosso trabalho tem que vir acompanhado do mais escrupuloso respeito pelas opções dos demais, mesmo que elas sejam muito diferentes das nossas, mesmo que acreditemos que são impróprias, e mesmo que não sintamos uma consideração similar da sua parte pelo nosso próprio trabalho. Isto não decorre apenas de um código de ética mas da noção de que só assim poderemos esperar chegar ao coração e às mentes desses demais, assumindo, é claro, que temos nas nossas intenções, pensamentos e sentimentos algo que lhes falta e que lhes faz falta. É pelo que demonstramos e fazemos, mais do que pelo que dizemos, que lhes podemos chegar. Continuo a pensar assim mesmo depois de sérios revezes como aquele em que, mesmo “nas barbas” do meu próprio trabalho de 20 anos, um proprietário destruiu (literalmente) 50 metros de uma margem ribeirinha relativamente bem conservada. “Uma excepção, as coisas levam tempo, há que persistir e ter paciência”, diria a mim mesmo. E penso assim, quando, após a última árvore danificada por um eucalipto caído me abstenho de qualquer medida prévia no próximo eucaliptal vizinho a ser cortado, sempre esperando que da próxima vez vai correr bem, que da próxima a consciência estará mais acordada do que antes.

É uma tal postura que tenho de exigir a todos os voluntários deste projecto, num momento em que ela falhou, e daí todo este escrito. Na jornada de 12 de Março um ou mais voluntários, sem consultar ninguém, arrancaram uma meia dúzia de eucaliptos recentemente plantados num terreno vizinho e no lugar deles plantaram medronheiros. Pelo menos um marco estava bem visível e era óbvio que os eucaliptos tinham sido lá plantados pelo proprietário do terreno. Mas esses voluntários, talvez julgando-se “D. Quixotes” da floresta, acharam por bem arrancá-los, como se meia dúzia de eucaliptos a menos e meia dúzia de medronheiros a mais fizesse a diferença. Ou como se achassem que davam uma lição ao proprietário do terreno vizinho. Não sei quem foi nem necessito saber. Mas que quem foi ou quem esteja na disposição de fazer algo parecido guarde para si a lição: para participar como voluntário neste projecto tem que partilhar esse respeito absoluto de que falava acima para com as opções dos que não pensam nem fazem como nós.

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Ilustração da falha -1

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Ilustração da falha – 2

E agora voltemos ao trabalho, que a Primavera já começou.

Paulo Domingues

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2ª Jornada Voluntária de Inverno

Foi com uma expressiva participação de 10 voluntários, alguns deles estreantes e vindos de longe, que decorreu mais uma jornada voluntária de Inverno dedicada exclusivamente à plantação de árvores.

A primeira área trabalhada situa-se muito perto da aldeia do Feridouro, a poente das suas principais terras agrícolas, e era uma encosta plantada com eucaliptos, sujeita há 10 anos a uma operação de mobilização do solo com formação de socalcos. Esses eucaliptos tinham sido cortados em 2015, abrindo-se então a possibilidade de reconversão. Esta área integra-se no “corredor ecológico” ribeirinho que aqui se procura criar, entre a mata do Cabeço Santo e a represa de Belazaima, tendo como limite sul o próprio ribeiro. Nas margens deste ainda abundam as mimosas, cujo corte foi iniciado em 2015 um pouco a jusante, mas que ainda está longe de estar concluído. Na margem sul existiam dois socalcos bem diferentes dos agora presentes na margem norte, pois que eram antigos socalcos agrícolas. Estes, também incluídos no corredor ecológico, já têm alguns carvalhos grandes, mas só depois da retirada das mimosas serão alvo de plantação.

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Nas margens do ribeiro as mimosas ainda “rivalizam” com os carvalhos

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O ribeiro invadido por mimosas. Em segundo plano, o eucaliptal , este um invasor tolerado

Esta área de plantação já tinha sido semeada com bolas e bolachas de sementes, mas quanto às bolas de bolotas já sabemos: poucas, se algumas, terão restado da predação e da remoção da capa de argila causada pela chuva. Quanto às bolachas, também é certo que se desfizeram com a chuva, mas permanece em aberto a possibilidade de as sementes não se terem perdido. Tudo indica portanto que a técnica, a ser aplicável nas nossas condições, ainda terá muito caminho de apuramento pela frente, caminho que não deixará de se ir fazendo, em pequena escala.

A equipa trabalhou então por aqui toda a manhã, plantando carvalhos, medronheiros e lódãos. Ao contrário do que é habitual, em que as árvores se espalham de forma aleatória pelo espaço, aqui tínhamos que seguir as linhas dos socalcos, pois que a operação de mobilização do solo, muito disruptiva sobre a sua estrutura, deixa a maior parte do solo sobre a borda exterior do socalco. Mesmo assim, era necessário procurar cuidadosamente os melhores locais, pois que as pedras à superfície eram abundantes.

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Equipa em acção – 1

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Equipa em acção – 2

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Equipa em acção – 3

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Equipa em acção – 4

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Equipa em acção – 5

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O resultado – 1

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O resultado – 2

O almoço ainda se fez por aqui, com uma contribuição especial de um pão muito fresco cozido em forno de lenha por dois jovens de Belazaima (e que foi bastante apreciado), e foi já durante a tarde que a equipa se deslocou até à actual extremidade da área de intervenção, já nas margens da represa de Belazaima, para continuar a plantar. Aqui temos de novo o corredor ecológico ribeirinho com duas parcelas de passado muito diferente: a primeira, que nunca tinha sido mobilizada, mas que estava muito invadida de mimosas; a segunda, mobilizada há 10 anos para uma nova plantação de eucalipto, mas que estava também muito invadida. Apesar de tudo, numa como noutra era possível encontrar aqui e ali um medronheiro, uma murta ou mesmo um pequeno carvalho, que conseguiram sobreviver a tão conturbado passado. Claro, também aqui era necessário procurar laboriosamente os melhores locais de plantação dado o carácter rochoso e por vezes mesmo escarpado, do terreno.

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À tarde, já junto à represa de Belazaima

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“Frente” de trabalho

E assim se passou a tarde, que só se deu por terminada quando começaram a faltar os materiais e até mesmo algumas árvores. Ter-se-ão plantado para cima de 200 árvores, um feito assinalável tendo em conta que as covas tiveram que ser abertas à mão, por mãos voluntárias e por certo pouco habituadas a estes esforços.

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Equipa quase completa, captada a meio do dia

Um grande obrigado a todos os voluntários! E os trabalhos continuam já dentro de duas semanas, que o Inverno é curto e ainda há muito para plantar! Até lá!

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