Última jornada do Outono, e do ano

E chegámos à última jornada do ano de 2016! Para celebrar condignamente o acontecimento, 13 valorosos voluntários reuniram-se mais uma vez para uma jornada de plantação de árvores. E o momento foi também especial por outro motivo: iríamos iniciar a plantação numa área nova, na qual já se realizou trabalho ao longo de 2016, mas não de plantação, apenas de corte de rebentação de eucalipto: o vale de Barrocas.

Este é um vale precioso, com duas captações de água em cotas distintas, que alimentam casas no Feridouro, para consumo humano e para rega. As encostas são bastante inclinadas, com uma orientação tendencial para norte/nordeste, e com solos de qualidade superior à média para estas montanhas. Mercê de várias circunstâncias felizes, será possível reunir aqui perto de 10 ha de terreno, embora nem todo já disponível. De momento, temos aqui para plantar cerca de 3 hectares, e temos também a rebentação de eucalipto, dado termos optado por não usar aqui herbicida. Por coincidência, andou neste mesmo dia aqui uma máquina giratória a partir cepas de eucalipto com uma enxó, uma alternativa mecanizada ao corte manual da rebentação, e com a vantagem de não resultar em rebentamentos posteriores. O problema é que essa máquina, ainda que de lagartas, não pode ir às áreas mais inclinadas. Assim se constata que a plantação com eucaliptos em terrenos de elevada inclinação cria um problema de difícil solução, pela sua irreversibilidade sem custos elevados.

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Chegada ao terreno e preparação

Deste modo, a equipa dividiu-se em duas partes: os “plantadores” e os “cortadores” de rebentação. O dia estava frio e com vento, pelo que mesmo o esforço dos trabalhos teve dificuldade em promover a remoção dos agasalhos. O sol, pelo seu lado, brilhou todo o dia, mas como estávamos numa encosta voltada a norte e como ele agora está muito baixo (estamos quase no solstício) quase não demos por ele.

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Equipa dos “cortadores de rebentos”

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Elemento da equipa dos “plantadores”

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Tabuleiro de plantas

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Cogumelos em cepa de eucalipto

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Equipa plantando uma árvore

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Misturando bem os fertilizantes

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Com a colocação do tubo de protecção está concluída a operação

Os “plantadores”, agrupados em três equipas, tiveram que carregar as plantas e os fertilizantes encosta acima, pelo que a jornada foi particularmente exigente. A abertura das covas, já o sabíamos, não era propriamente fácil, pois tinha que se fazer com picareta, num terreno com matagal e tocos de eucalipto. Nestas circunstâncias, não podemos esperar plantar muitas árvores por dia, o melhor que podemos tentar é fazê-lo bem.

A maior parte das árvores eram carvalhos, embora houvesse também alguns medronheiros.

Pelo meio dia já havia voluntários bastante cansados, mas um almoço especial com grão-de-bico, broa de milho e cuscuz, para além de outras especialidades, foi suficientemente revitalizador, pelo que a equipa voltou sem demora ao trabalho, que a tarde era curta.

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O dia estava frio e nem o aquecimento interno deu para tirar muitas roupas

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Plantando as últimas árvores

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Os declives eram elevados

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Lá mais em cima, uma giratória fazia o seu trabalho

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Vista de uma área plantada

Embora agora fosse necessário transportar os materiais ainda mais para cima na encosta, os trabalhos prosseguiram com animação e pelas 16 horas todas as 180 árvores trazidas de casa estavam plantadas. O sol escondia-se rapidamente atrás do Cabeço do Meio, mas ainda houve energias para todos se dedicarem ao corte de rebentação de eucalipto nos minutos finais da tarde. E imaginem: conseguiram encontrar uma máquina fotográfica compacta perdida no meio de todo o material lenhoso depositado no chão!

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Cortando rebentos de eucalipto no final

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Vista da área plantada, acima do antigo caminho para Belazaima-a-Velha

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Vista do Vale de Barrocas, da área trabalhada, e da que ficou por trabalhar.

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A equipa no final, em pleno coração do Vale de Barrocas!

Tinha sido uma excelente jornada, a fechar 2016. E uma jornada verdadeiramente europeia: para além da já habitual presença francesa, desta vez tivemos também uma alemã! E várias estreias de novos voluntários! Assim se encerra um ano de grande participação voluntária no Cabeço Santo, bem à medida das imensas necessidades que se apresentam. Mas a época de plantação ainda nem vai a meio! Continuamos já no dia 7 de Janeiro, pois há muito para fazer!

Um grande obrigado a todos os voluntários deste dia e deste ano. Felizes festas e até muito breve, com o anúncio das jornadas voluntárias de Inverno no Cabeço Santo! Entretanto, podem ver mais fotos da jornada na página do projecto no Facebook.

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4ª jornada de Outono

A jornada de 3 de Dezembro, a segunda de plantação de árvores, ficou marcada por alguma incerteza, pois que se previa chuva a partir de algum momento da tarde. O problema era saber exactamente qual o momento: demasiado cedo, e não valia a pena fazer a jornada, suficientemente tarde e seria excelente porque as árvores teriam logo a sua primeira rega. A primeira baixa desta incerteza foi a participação de um grupo de escuteiros de Travassô: teve de ser cancelada porque a eventual chegada da chuva com um grupo grande de crianças e jovens no campo seria difícil de gerir. Contudo, as últimas previsões, que apontavam para a chegada da chuva apenas para as 16 horas foi o argumento decisivo para manter a jornada para os restantes voluntários.

E assim foi que os 8 voluntários se lançaram ao trabalho logo a montante do Vale de São Francisco (o nº 2), numa área muito inclinada e já no passado mobilizada para a plantação de eucaliptos. Na bagagem, carvalhos, medronheiros e sobreiros, para uma zona onde já existem muitas árvores e arbustos autóctones, com dominância do carvalho-roble entre as árvores e do loureiro entre os arbustos. Foi assim um trabalho de adensamento.

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Neste local já se podiam observar muitos carvalhos, loureiros e sobreiros

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Voluntários em acção e paisagem circundante

Já a manhã ia avançada, contudo, plantou-se uma encosta muito pedregosa, que quase parecia não ter lugares apropriados para a plantação de árvores. Mas a verdade é que, em boa sintonia com o terreno, se conseguiram encontrar afinal muitos lugares de plantação com solo suficiente. Esta foi uma zona semeada no início do Inverno passado com bolas e bolachas de sementes, mas não podemos avaliar positivamente esta acção, dada a escassa ou mesmo nula emergência de plantas que se possam relacionar com essa sementeira. Por isso, sem pormos de parte esta solução, ela deverá permanecer num âmbito mais experimental até que se possam obter dela resultados mais confiáveis.

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Voluntário transportando todas as coisas necessárias à plantação

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Abrindo uma cova…

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Em boa sintonia com a terra

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Medronheiro acabado de plantar

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Perspectiva da área, já um pouco para montante

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Vista para montante com a área mais pedregosa em primeiro plano

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Sobreiro acabado de plantar

A manhã tinha corrido muito bem, não obstante o vento forte que a varreu sem descanso. Por isso, e dada a proximidade do Feridouro, se optou por almoçar aí, na cozinha do Jorge Morais, como de outras vezes já fizéramos. No Verão buscando abrigo do sol, agora do vento!

À tarde, e tendo-se concluído a área de plantação anterior, avançámos mais para montante, atravessando toda a área plantada no ano passado e chegando aos portões da mata da Altri Florestal, onde se trabalhou na área envolvente de um pequeno vale que, descendo do interior da mata, vem “desaguar” nas terras do Chão do Linho, já fora da mata, onde já se tinham realizado trabalhos em anos anteriores. Aqui o trabalho incluía o corte da rebentação de eucalipto, trabalho complicado pelos inúmeros eucaliptos de origem seminal que aqui germinaram após o fogo de 2005. O próprio terreno não era fácil de trabalhar, com grandes pedras soltas, apesar de aparecerem também boas bolsas de solo. Mas a equipa entregou-se ao trabalho com grande determinação, que só a chuva, que começou a cair exactamente pelas 15:15h conseguiu desafiar. Ora não era um simples aguaceiro, o céu demonstrava que era mesmo para ficar, pelo que não havia outra coisa a fazer senão juntar tudo à pressa e rumar a casa. Nem houve tempo para tirar mais fotos… Bem, a foto “de família” tirou-se, mas já na base de operações, e… à chuva.

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A equipa deste dia

Tinha sido um dia mais curto do que se previa, mas mesmo assim tinha valido a pena, não obstante algumas roupas molhadas no final. Obrigado aos voluntários presentes.

Voltamos ao terreno para a última jornada de 2016, dentro de duas semanas. Até lá!

Paulo Domingues

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Notícias dos trabalhos de monitorização de aves no Cabeço Santo

No passado dia 19 de novembro, quando os 16 voluntários iniciaram o árduo trabalho na encosta da Benfeita a controlar a rebentação de eucalipto e a plantar várias das espécies que no futuro alterarão a paisagem local, formando um bosque autóctone capaz de albergar diversas espécies da nossa fauna, já outro voluntário percorria os 2 km de censo da avifauna ao longo da ribeira de Belazaima.

O projeto de monitorização da avifauna na área do Cabeço Santo vai agora no seu 7º mês de censo. Os resultados obtidos até ao censo de outubro  indicam uma clara dominância de poucas espécies. De entre as 20 espécies confirmadas no interior da faixa de censo, há 5 espécies que representam 68% da comunidade de passeriformes que ocorrem junto à ribeira: chapim-preto, carriça, pisco-de-peito-ruivo, toutinegra-de-barrete e estrelinha-real.

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Pisco-de-peito-ruivo: uma das espécies mais abundantes na área de censo (Foto de Dora Oliveira)

No entanto, tem havido algumas surpresas agradáveis no que respeita a espécies confirmadas na área. Entre estas destaca-se o Dom-fafe, espécie que em Portugal tem por área de excelência o Minho e algumas áreas Transmontanas.  Embora em reduzido número, foi uma presença mais ou menos constante nos meses de primavera/verão.

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Dom-fafe (macho) num dos transetos junto à ribeira de Belazaima (Foto de Fernando Leão)

No momento em que o 7º censo se iniciou, tinham já sido confirmadas na área de censo 20 espécies de aves (25 se tivermos em conta a área envolvente). Mas este 7º censo revelou-se uma agradável surpresa ao acrescentar mais uma espécie à lista já existente, e não é uma espécie qualquer. Embora no 2 º censo (realizado em junho) tivesse ficado a dúvida da sua presença, uma vez que apenas foi possível observar um ténue  vislumbre de dois vultos escuros a esvoaçar junto à água por entre os fetos das margens, será que?… Ficou a dúvida, e em caso de dúvida optou-se por manter esse ténue vislumbre como uma observação de indivíduos de espécie desconhecida…

Mas agora, em pleno novembro, numa zona com pequenas quedas de água sob coberto de um dos pouquíssimos núcleos de Salgueiros que ainda bordejam a ribeira, aí estava ele… um melro-de-água mergulhando à procura de alimento. Mas com a aproximação do observador rapidamente esvoaçou para jusante afastando-se de qualquer hipótese de registo fotográfico. Fica o desafio para uma próxima oportunidade de algum voluntário que consiga ‘caçar’ a sua imagem.

Entretanto e enquanto tal não acontece, em baixo apresenta-se a ficha do melro-de-água constante do Atlas das aves nidificantes em Portugal (1999-2005).

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Fonte: Equipa Atlas (2008). Atlas das aves nidificantes em Portugal. Instituto de Conservação da Natureza e da Biodiversidade, Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves , Parque Natural da Madeira e Secretaria Regional do Ambiente e do Mar. Assírio &Alvim. Lisboa.

E assim se confirma uma vez mais o potencial deste ribeiro para a preservação da biodiversidade nesta área do território. Esperemos que dezembro, plena época de invernada, traga mais surpresas.

Fernando Leão

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3ª Jornada de Outono

A 3º Jornada de Outono inaugurou a nova época de plantação de árvores de 2016/17, ainda antes da data habitualmente tomada como referência para esta acção, o Dia da Floresta Autóctone, assinalado a 23 de Novembro. Mas não muito, apenas alguns dias! E justifica-se pois este ano temos uma grande área para plantar e um número de árvores, que vai ser um enorme desafio!

A equipa voluntária que se apresentou para este dia pareceu estar à altura do desafio, pois eram 16 os voluntários, das mais diversas proveniências. Dado o número elevado de pessoas, decidiu-se começar por uma parcela bem perto de Belazaima, a Benfeita. Esta parcela faz parte de um conjunto de propriedades da Junta de Freguesia local disponibilizadas à Quinta das Tílias por arrendamento, e que, por via do protocolo desta com o Projecto, será trabalhada para fins de conservação. Desta parcela faz parte uma “testada” das terras agrícolas ribeirinhas (da Benfeita) que já tem uma interessante mancha de carvalhos e sobreiros adultos e que importa agora conservar e aumentar. De referir que, com a entrada desta parcela na área de intervenção do Projecto, este passa a intervir num “corredor ecológico” ribeirinho de cerca de 4 km ao longo das margens do ribeiro, quase sem interrupção na margem direita, embora bastante incompleto na margem esquerda.

Também se começou por esta parcela por ela oferecer várias oportunidades de intervenção para além da plantação de árvores: o corte da rebentação de eucalipto e o corte de uma densa mancha de Acacia melanoxylon que existe numa pequena área do terreno. Assim se distribuiu de maneira mais eficiente a mão-de-obra presente, aproveitando de forma optimizada as ferramentas disponíveis.

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De primeiro para terceiro plano: rebentação de eucalipto já cortada, voluntário em acção e mancha de Acacia melanoxylon

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Pequena formação sobre plantação de árvores

Depois de uma pequena “formação” sobre plantação de árvores, os trabalhos iniciaram-se junto ao tanque de rega da Benfeita, avançando ao longo da inclinada língua de terreno para sul. Uma equipa ia cortando a rebentação de eucalipto enquanto outra ia plantando sobreiros e medronheiros. Dado que aqui a plantação de eucalipto era já antiga e não muito intensiva, já havia por quase todo o terreno muitas plantas de sobreiro, carvalho-roble e pinheiro, que agora serão recuperadas e protegidas. A principal dificuldade derivou do declive do terreno, por vezes bastante elevado, o que deu origem a algumas escorregadelas, felizmente sem consequências de maior para além de uma haste de óculos partida… Por outro lado as energias necessárias para transportar plantas, adubos e ferramentas foram cansando pernas e braços.

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Perspectiva do terreno a trabalhar. Em segundo plano os carvalhos e sobreiros da “testada”

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Trabalhos de corte de rebentação de eucalipto

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Trabalhos de plantação e corte da rebentação

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Trabalhos de plantação em curso

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Tabuleiro de medronheiros

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Corte de rebentação

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O terreno inclinado constituía uma dificuldade significativa

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Plantas e adubos. Como adubo usou-se um granulado orgânico, um fosfato natural e um correctivo de acidez.

Pelo meio dia já se tinha dado um bom avanço e a paisagem vista lá de cima também era animadora, embora as cores mais “outonais” que daí se observavam fossem de facto de espécies exóticas, em particular os carvalhos-americanos, plantados com alguma frequência em antigas terras agrícolas.

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Merecido almoço

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Vista sobre a aldeia

À tarde os trabalhos continuaram de imediato e sem sesta pois que as tardes agora são curtas. De referir que estiveram presentes duas “madrinhas” de árvores, ou seja, pessoas que apadrinharam árvores dando uma contribuição de 2 € por árvore, e ainda vieram ajudar a plantá-las! Vamos precisar de mais padrinhos/madrinhas assim!

O tempo ajudou imenso, pois que esteve um dia nublado e quando a anunciada chuva começou a cair, o dia estava já a terminar, iniciando-se de imediato uma conveniente rega pois, como se teve oportunidade de constatar, em muitos locais plantados o solo estava seco, devido à dificuldade da água da chuva em penetrar superfícies de solo que se mostram por vezes bastante higrófobas, o que o declive acentua. Mas agora, com as “caldeirinhas” que se fizeram em cada árvore plantada, e com a fertilização orgânica, por certo que a água não terá dificuldade em entrar na terra e vivificá-la.

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Trabalho realizado, pelo final do dia

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Os voluntários deste dia

Mais de 150 árvores foram plantadas e a foto de encerramento foi tirada na base de operações já era noite bem escura e… à chuva.

Tinha sido um excelente arranque da época de plantação. De futuro contamos ter o terreno de plantação já trabalhado com ajuda de maquinaria florestal, a fim de podermos plantar muito mais árvores por jornada. Até dia 3 de Dezembro! E obrigado a todos os voluntários! As fotos são da voluntária Odete, e no Facebook há mais!

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2º Jornada de Outono

Já era esperado: depois de todos os afazeres e emoções da Conferência dos 10 anos, as atenções voltam-se de novo para o terreno, e com dinâmica redobrada, como também se previa. À jornada de 5 de Novembro compareceram 10 voluntários, desafiando as previsões de chuva que se apresentavam para a manhã desse dia. Mas, constatando as nuvens lá de cima tanta determinação, ofereceram-se para colaborar: só uns pingos muito leves caíram já a manhã ia adiantada. Ainda assim, e como tinha chovido de noite, o principal trabalho que tínhamos planeado – corte de rebentação de eucalipto – não se podia fazer logo de manhã, pois a ramada ainda estava muito molhada.

Deste modo, decidiu-se subir o cabeço até à mancha de acácia-de-espigas do vale nº 3 para aí se fazer trabalho de mão e de tesourão no arranque e corte de plantas dessa espécie invasora. Com o solo já bem regado, o arranque fazia-se com mais facilidade do que no Verão, e uma brisa fresca e húmida fazia jus à Estação, ajudando também a manter a dinâmica do trabalho.

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Corte e arranque de acácia-de-espigas no vale nº 3

Finalmente o sol conseguiu espreitar através das densas nuvens, ajudando a secar algumas luvas e roupas que entretanto se foram molhando. O almoço fez-se por ali mesmo, e só não incluiu medronhos porque este ano ao produção é pequena e os frutos ainda estão verdes. No entanto a floração já se iniciou, o que faz deste arbusto, a espécie nativa dominante nestas zonas de solo esquelético, um encanto para os olhos.

Depois do almoço esperava-se que a rebentação de eucalipto já estivesse seca, pelo que se desceu de novo cá abaixo. O trabalho iniciou-se mesmo a jusante dos portões da mata da Altri Florestal e decorreu no corredor ecológico ribeirinho a norte do ribeiro, a área plantada no Inverno passado. Embora a maior parte da rebentação original destas toiças tivesse sido pulverizada com herbicida ainda em 2015, a eficácia desta operação foi limitada, e agora, depois de aí haver árvores plantadas, essa solução não se pode colocar de novo, pelo que há que remover a rebentação manualmente. É sobretudo um trabalho com pequenos machados e muita paciência. A animar a equipa estavam as árvores plantadas este ano, que em geral se encontravam com muito bom aspecto (ou não tivessem sido bem cuidadas ao longo do Verão!).

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Já no sopé da montanha, cortando rebentação de eucalipto

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É quase um trabalho de corpo inteiro: mãos, pés e ferramentas

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A equipa avança em bloco. Para trás o trabalho realizado

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Elemento não contabilizado, guardando, inspeccionando e vigiando

Os trabalhos decorreram com grande dinâmica, e a tarde até pareceu maior do que que se tornou depois da última mudança da hora: percorreram-se várias centenas de metros do corredor ribeirinho e quase se chegava ao Vale de São Francisco já na aldeia do Feridouro! E ainda houve tempo para observação de cogumelos e outras coisas inesperadas (pelo menos para alguns dos voluntários).

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Murta em frutificação

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Cogumelo A

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Cogumelo B

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Cogumelo C

Tinha sido um dia muito produtivo, para grande satisfação dos voluntários, embora alguns reflectissem o esforço de braços que o trabalho exigiu. Nada que um bom Domingo de repouso não permita recuperar!

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A equipa deste dia. Mas a hora apresentada é enganadora: os trabalhos prolongar-se-iam até às 17:30h

Obrigado a todos os voluntários, incluindo os fotógrafos (vários)! Como é habitual, na página do Projecto no Facebook a reportagem fotográfica é mais completa.

Na jornada de 19 apontamos para começar a época de plantação de árvores! Mas também haverá muitos rebentos de eucalipto para cortar, o que se poderá ir fazendo em simultâneo com a plantação. Só precisamos de ter muitas mãos generosas, mais ou menos como nesta segunda jornada de Outono! Aqui fica o convite!

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Vídeo reportagem produzida pela Águeda TV, sobre a conferência no assinalar dos 10 anos do projeto Cabeço Santo

Aqui podem encontrar através deste link, a vídeo reportagem produzida pela Águeda TV da conferência do passado dia 15 de Outubro

http://www.agueda.tv/archive.ud121?oid=10808451

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O Projeto Cabeço Santo é um projeto de recuperação ecológica e paisagística promovido pelo Núcleo de Aveiro da Quercus, em parceria com o Município de Águeda.

Para assinalar o 10.º aniversário, decorreu no dia 15 de outubro uma Conferência sobre a Recuperação Ecológica e Paisagística de Áreas Florestais, reunindo alguns dos maiores especialistas na área.

 

  • Temáticas: Ambiente
  • Data de Captura: 15.10.2016
  • Tempo de Emissão: 5 m 49 s

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A Conferência dos 10 anos

E foi assim que, após uma semana de intensa preparação, aconteceu a Conferência comemorativa dos 10 anos do Projecto. Cuidadamente preparada com a preciosa contribuição dos dedicados colaboradores da autarquia, o espaço de acolhimento encontrava-se decorado a gosto, e no exterior do Salão Nobre estava ainda patente uma exposição fotográfica sobre o projecto.

A sessão de abertura deu o mote para a Conferência, com as palavras do Vereador Jorge Almeida, do presidente da Assembleia Municipal, Francisco Vitorino, do Presidente da Direcção Nacional da Quercus, João Branco e do coordenador do Projecto, Paulo Domingues.

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Sessão de abertura

Esta conferência foi uma luta contra o tempo: todos os conferencistas pareciam ter mais a dizer do que cabia no tempo que lhes estava atribuído. O Dr. Jorge Paiva, é claro, poderia falar toda a manhã, mantendo a atenção de uma plateia inteira às suas palavras transbordantes de entusiasmo, mas também de preocupação, pelo que foi assistindo da evolução da biodiversidade e da floresta, especialmente em Portugal, ao longo dos seus mais de 80 anos de vida . O coordenador do projecto apresentou uma perspectiva geral dos 10 anos de evolução do projecto, embora não fosse fácil condensar 10 anos e ainda um pouco de futuro nos 35 minutos previstos. Por esta altura o atraso já era considerável, e coube à Drª Célia Laranjeira da Divisão de Ambiente da CMA a difícil tarefa de pôr ordem na agenda, o que fez com elegância.

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Evolução e relevância da floresta portuguesa

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Cabeço Santo: 10 anos de trabalho

O Fernando Leão, da Quercus, e voluntário do projecto, tem vindo a fazer, desde a última Primavera, um levantamento das aves ao longo de dois transeptos ribeirinhos e apresentou os primeiros resultados. Será interessante ver como evoluem esses resultados ao longo dos próximos 10 anos, pelo que o Fernando está desde já convidado a apresentá-los na conferência de comemoração dos 20 anos do Projecto!

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Monitorização de biodiversidade no Cabeço Santo – o caso das aves

O Professor João Paulo Carvalho falou sobre um tema que é central para o projecto: a recuperação ecológica de áreas florestais degradadas: muitos tópicos de grande relevância para o nosso trabalho, mas pouco tempo para os desenvolver; afinal, este tema dava por certo uma ou mais Cadeiras de um curso de ciências florestais!

Depois do almoço tivemos o Dr. Nelson Matos apresentando o Projecto InForest, que ainda dará por certo muito que falar e que tem como objectivo estimular os proprietários florestais a olharem de uma perspectiva mais abrangente para a função dos espaços que gerem.

A Drª Elisabete Marchante trouxe-nos o actualíssimo tema das espécies invasoras, um dos mais relevantes para o próprio projecto, mas que infelizmente é tão pertinente a todas as escalas da nossa paisagem. Foi uma apresentação viva e convidativa à acção de todos os participantes.

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A problemática das espécies invasoras e sua gestão

O Bernardo Markowsky não falou tanto dos objectivos, trabalhos e resultados do Movimento Terra Queimada como gostaríamos de ter ouvido, tendo optado por uma reflexão cujos termos nos fazem bem lembrar como o tema da paisagem e dos usos que lhe são dados nos dias de hoje é fértil em oposições irreconciliáveis e discussões polarizadas, que facilmente descambam em voltares de costas. O Projecto Cabeço Santo, ao juntar duas entidades com objectivos tão distintos como a Quercus e a Altri Florestal, teve que trabalhar intensamente esta dimensão, pois de contrário, em vez de alguns resultados no terreno, teríamos desperdiçado energias em literatura de escasso valor.

Tal já era o atraso que não houve tempo para a pausa e passou-se de imediato à apresentação sobre a produção de medronho para fruto. Tema de grande relevância e que se poderá reflectir na própria paisagem do Cabeço Santo como forma de usufruto “alternativo”. O futuro o dirá. Para já, manteremos o contacto com o conferencista, Dr. Carlos Fonseca da Medronhalva.

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A produção de medronho como ecossistema florestal “alternativo”

E a conferência terminou com chave de ouro: quando parecia que o Dr. Pedro Bingre do Amaral nos vinha trazer um tema de interesse secundário, o do turismo de natureza, o docente da ESAC brindou-nos com uma abordagem do tema mergulhando profundamente nas suas raízes históricas e culturais, ao nível que nos tem habituado sempre que temos o privilégio de o ouvir.

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O turismo de natureza como factor promotor do esforço de recuperação ecológica e paisagística

Claro, “pecámos” na gestão do tempo, e quase não houve tempo para perguntas e discussão. Na sessão de encerramento estiveram o coordenador do projecto, o Vereador João Clemente e a presidente da Direcção do Núcleo de Aveiro da Quercus, Dora Oliveira.

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Sessão de encerramento

Ainda estamos a avaliar se a gravação das conferências ficou com suficiente qualidade para poderem ser publicadas e partilhadas. Agora resta esperar que esta conferência dê frutos, no nosso trabalho e na forma como, pelo menos os presentes na conferência, olham para a paisagem e agem sobre ela. É verdade que continuamos a ser poucos: o Salão Nobre da Câmara Municipal não encheu, como chegámos a achar que seria possível. Mas isso só pode servir para aumentar a nossa determinação. E agora, há que voltar ao terreno, nos próximos 10 anos, um dia de cada vez. Isto para parafrasear a mensagem da nova T-shirt produzida para esta data e que chegou já a meio da conferência: “Salvar o planeta, uma árvore de cada vez”, numa versão internacional que… está à venda para apoio ao projecto por 10 Euros por unidade.

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T-shirt de apoio ao projecto

Um obrigado a todos os que contribuíram para esta conferência e até breve, no Cabeço Santo! As fotos são, na sua maioria, do Paulo Almeida.

Paulo Domingues

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