Posts tagged acácias

Jornada do Vale de São Francisco

Ainda a tempo, eis a reportagem da jornada voluntária de Sábado passado.

Foi uma jornada muito participada, e com um número significativo de “caloiros”. Não foi por isso, contudo  (porque entre nós os novos têm sempre um especial acolhimento) que neste dia optámos por uma jornada de plantação de árvores e arbustos num dos sítios mais difíceis que podíamos escolher: o Vale de São Francisco.

Esta propriedade de cerca de 3 ha é uma adição recente à área de intervenção do projecto e inclui uma extensão de cerca de 400 metros deste vale que desce do Cabeço Santo até desaguar no ribeiro junto ao Feridouro, passando, lá mais acima, pelo terreno que a Quercus aqui adquiriu em 2006.

É a nossa oportunidade para recuperar um vale com várias escarpas, às quais a água confere o seu especial encanto quando corre com abundância. No entanto, como quase cada recanto desta região, encontra-se num avançado estado de degradação devido ao excessivo aproveitamento para o cultivo de eucalipto e à ocupação por mimosas. Esse estado agravou-se bastante após o incêndio de 2005, quando densas manchas de eucaliptos de origem seminal se implantaram, chegando até agora como formações de eucaliptos quase impenetráveis, ainda que, nesses condições, não pudessem ter crescido muito.

dsc_0883

O Vale de S. Francisco encontra-se num estado limite de degradação

Após o corte inicial dos eucaliptos (para venda) procedeu-se à remoção das mimosas e dos eucaliptos que não tinham aproveitamento e que ocupavam o vale e as zonas mais inacessíveis. Muita dessa lenha e ramada foi retirada, mas muita não o foi por dificuldades várias, a principal das quais o acesso difícil. Seguiu-se a dolorosa mas necessária pulverização com herbicida para eliminar toda a rebentação (de mimosas e eucaliptos) que ocorreu depois dos cortes, e finalmente, quase dois anos após o corte inicial dos eucaliptos, o terreno ficou disponível para os trabalhos de plantação. O seu aspecto não é animador: quem neste dia olhasse com atenção o cenário, ao mesmo tempo grandioso e caótico, belo e horrível, que se mostrava diante de si, não podia deixar de se perguntar: como deixámos a terra neste estado? Como foi possível que, colectivamente, tivéssemos deixado estragar tanto, para beneficiar tão pouco?

dsc_0903

Vista de parte do terreno a partir de cima, com a área de socalcos em 2º plano

Mas voltemos ao trabalho, que agora é o que podemos fazer para reverter os erros passados: com elevados declives, lenha depositada, parte do terreno armado em socalcos há 10 anos e afloramentos rochosos extensos, não se esperava que o trabalho fosse fácil, e assim aconteceu: embora na zona dos socalcos, que trabalhámos de manhã, o solo não estivesse muito compactado, a abundância de pedra solta tornava às vezes quase impossível abrir uma cova com solo suficiente para plantar uma árvore. Dado os acessos serem poucos e difíceis, todos os materiais e equipamento tiveram de ser deslocados entre socalcos graças a uma escada. Mas, ainda assim, e graças ao número e aplicação dos voluntários, pelo meio dia já a maior parte das árvores tinha sido plantada e foi necessário ir buscar mais! Foram pinheiros, sobreiros, medronheiros, lentiscos e murtas as espécies plantadas. Também alguns carvalhos, poucos, que as condições não eram favoráveis.

dsc_0869

Como sempre, a formação foi atentamente seguida

dsc_0877

Para as deslocações entre socalcos teve que se usar uma escada

O almoço tomou-se em pleno coração do vale, aproveitando o único caminho que o atravessa dentro deste terreno, e usufruindo das suas águas cristalinas, até para beber!

dsc_0894

O almoço fez-se de especialidades vegetarianas a que já nos começamos a habituar…

dsc_0897

Provou-se a água do Vale de São Francisco, junto a uma captação ainda em uso na aldeia do Feridouro

À tarde trabalhou-se acima do caminho, já em zona não sujeita a mobilização de solo anterior, mas com afloramentos rochosos mais extensos. Cada local de plantação tinha de ser procurado com cuidado, em busca dos locais onde o solo se acumulou. Os trabalhos prolongaram-se por toda a tarde e parecia que o inevitável cansaço sempre se conseguia ultrapassar com uma tangerina ou um golo de água do Vale de São Francisco. Ou com a ajuda invisível do Santo, quem sabe? A verdade é que o segundo lote de árvores se plantou por completo, e a contabilidade final deve ter excedido bem as 300 árvores e arbustos plantados. Para as condições em que se realizou, e mesmo não podendo falar de uma perspectiva totalmente imparcial, temos de considerar que foi um facto notável!

dsc_0900

Uma esfarrapada mimosa é, apesar de tudo, o único elemento colorido nesta paisagem!

dsc_0920

À tarde, os trabalhos decorreram numa parte da encosta sem socalcos

dsc_0923

Equipa em acção. Os eucaliptos ainda em pé são plantas de origem seminal, que em breve serão cortados.

dsc_0938

Plantas, ferramentas e braços, a combinação perfeita

dsc_0953

O trabalho mais difícil, mas que teve braços disponíveis por todo o dia!

Obrigado aos voluntários presentes pela sua dádiva e superação!

dsc_0954

Uma das muitas árvores plantadas, um medronheiro

dsc_0958

A fantástica equipa deste dia!

No próximo dia 11 de Março teremos a última jornada de plantação de árvores desta época. Voltaremos ao Vale de Barrocas, para aquela que será também a última jornada regular deste Inverno! Não percam! Até lá.

Paulo Domingues

Comments (2) »

2º Jornada de Outono

Já era esperado: depois de todos os afazeres e emoções da Conferência dos 10 anos, as atenções voltam-se de novo para o terreno, e com dinâmica redobrada, como também se previa. À jornada de 5 de Novembro compareceram 10 voluntários, desafiando as previsões de chuva que se apresentavam para a manhã desse dia. Mas, constatando as nuvens lá de cima tanta determinação, ofereceram-se para colaborar: só uns pingos muito leves caíram já a manhã ia adiantada. Ainda assim, e como tinha chovido de noite, o principal trabalho que tínhamos planeado – corte de rebentação de eucalipto – não se podia fazer logo de manhã, pois a ramada ainda estava muito molhada.

Deste modo, decidiu-se subir o cabeço até à mancha de acácia-de-espigas do vale nº 3 para aí se fazer trabalho de mão e de tesourão no arranque e corte de plantas dessa espécie invasora. Com o solo já bem regado, o arranque fazia-se com mais facilidade do que no Verão, e uma brisa fresca e húmida fazia jus à Estação, ajudando também a manter a dinâmica do trabalho.

cimg5585

Corte e arranque de acácia-de-espigas no vale nº 3

Finalmente o sol conseguiu espreitar através das densas nuvens, ajudando a secar algumas luvas e roupas que entretanto se foram molhando. O almoço fez-se por ali mesmo, e só não incluiu medronhos porque este ano ao produção é pequena e os frutos ainda estão verdes. No entanto a floração já se iniciou, o que faz deste arbusto, a espécie nativa dominante nestas zonas de solo esquelético, um encanto para os olhos.

Depois do almoço esperava-se que a rebentação de eucalipto já estivesse seca, pelo que se desceu de novo cá abaixo. O trabalho iniciou-se mesmo a jusante dos portões da mata da Altri Florestal e decorreu no corredor ecológico ribeirinho a norte do ribeiro, a área plantada no Inverno passado. Embora a maior parte da rebentação original destas toiças tivesse sido pulverizada com herbicida ainda em 2015, a eficácia desta operação foi limitada, e agora, depois de aí haver árvores plantadas, essa solução não se pode colocar de novo, pelo que há que remover a rebentação manualmente. É sobretudo um trabalho com pequenos machados e muita paciência. A animar a equipa estavam as árvores plantadas este ano, que em geral se encontravam com muito bom aspecto (ou não tivessem sido bem cuidadas ao longo do Verão!).

img_2902

Já no sopé da montanha, cortando rebentação de eucalipto

img_2921

É quase um trabalho de corpo inteiro: mãos, pés e ferramentas

img_2930

A equipa avança em bloco. Para trás o trabalho realizado

img_2932

Elemento não contabilizado, guardando, inspeccionando e vigiando

Os trabalhos decorreram com grande dinâmica, e a tarde até pareceu maior do que que se tornou depois da última mudança da hora: percorreram-se várias centenas de metros do corredor ribeirinho e quase se chegava ao Vale de São Francisco já na aldeia do Feridouro! E ainda houve tempo para observação de cogumelos e outras coisas inesperadas (pelo menos para alguns dos voluntários).

img_2939

Murta em frutificação

img_2951

Cogumelo A

img_2979

Cogumelo B

img_2987

Cogumelo C

Tinha sido um dia muito produtivo, para grande satisfação dos voluntários, embora alguns reflectissem o esforço de braços que o trabalho exigiu. Nada que um bom Domingo de repouso não permita recuperar!

img_3021

A equipa deste dia. Mas a hora apresentada é enganadora: os trabalhos prolongar-se-iam até às 17:30h

Obrigado a todos os voluntários, incluindo os fotógrafos (vários)! Como é habitual, na página do Projecto no Facebook a reportagem fotográfica é mais completa.

Na jornada de 19 apontamos para começar a época de plantação de árvores! Mas também haverá muitos rebentos de eucalipto para cortar, o que se poderá ir fazendo em simultâneo com a plantação. Só precisamos de ter muitas mãos generosas, mais ou menos como nesta segunda jornada de Outono! Aqui fica o convite!

Comments (1) »

1ª Jornada de Outono

Com algum atraso motivado pela intensa semana de preparação da Conferência comemorativa dos 10 anos do projecto, aqui fica, mesmo assim, uma pequena reportagem da primeira jornada de Outono, realizada no dia 8 de Outubro.

A manhã foi passada numa pequena várzea na zona da Chousa, onde já tínhamos estado numa jornada anterior, e o que havia a fazer também não era diferente: arrancar as muitas mimosas que germinaram depois da mobilização de solo que aqui se efectuou. Mas desta vez descobriu-se algo novo: que nos locais onde já tinham sido arrancadas mimosas, novas plantas se encontravam a germinar, talvez por acção da pequena perturbação de solo que o arranque originou, e ajudadas pelas primeiras chuvas depois do Verão. Preocupante era a densidade destas novas mimosas, agora com apenas alguns milímetros de altura, em geral demasiado pequenas para serem arrancadas e que uma operação de sacha fazia mais facilmente. Mas não tínhamos ferramentas de sacha… e por acção desta sacha não se poria outra geração de sementes a germinar?! Felizmente trata-se de uma parcela pequena. Mas imaginem se fosse grande!

dsc_0089

Voluntários em acção e mimosas alvo, em primeiro plano

dsc_0085

Outra perspectiva dos trabalhos

dsc_0078

Germinação de mimosa

A equipa continou a arrancar mimosas grandes (10-30 cm de altura), e, já pelo final da manhã, foi fazer uma inspecção à parcela do outro lado do ribeiro. Esta também tinha muitas mimosas grandes mas não foi sujeita a mobilização de solo. Observou-se que também havia muitas mimosas novas a surgir, mas não tantas como no terreno mobilizado.

Depois de um almoço com o conforto a que nos temos habituado nos últimos tempos, a tarde passou-se também junto ao Ribeiro, mas já na mata da Altri Florestal, na área de confluência dos vales nºs 3, 4 e 5. Antes disso, contudo, passou-se pelo apiário do Cabeço Santo, onde se observou a presença da nova ameaça às colmeias e às abelhas, a vespa asiática, aliás mais uma espécie invasora.

dsc_0103

Vespa asiática ameaçando uma colmeia do Cabeço Santo

Quanto à área ribeirinha, esta foi a primeira a ser intervencionada, ainda em 2008, quando estava muito invadida por mimosas e eucaliptos de origem seminal. Toda essa vegetação foi cortada, a respectiva rebentação pulverizada com herbicida algumas semanas mais tarde e depois plantada, embora, como se tratava de uma área de produção antiga e sendo o terreno rochoso e escarpado em alguns locais, também se encontrava alguma vegetação nativa arbustiva e mesmo arbórea, em particular carvalhos, medronheiros e dois ou três adernos que não chegaram a arder em 2005. Com o tempo e como a área não foi muito acompanhada, as mimosas foram aparecendo de novo, quase parecendo ao longe que se tinha transformado de novo num mimosal. Visto de perto, contudo, só aqui e ali, as mimosas recompuseram manchas densas. Na maior parte da área convivem com a vegetação nativa, original ou introduzida.

img_4966

Voluntária descascando mimosas

Numa abordagem de prioridade à operação de descasque (que é mais eficaz do que o corte com pincelamento com herbicida), embora mais demorada, a equipa passou a tarde toda a descascar mimosas, só tendo reservado alguns minutos no final para uma pequena visita exploratória. O trabalho não foi difícil, mas claro, as mimosas eram muitas pelo que, mesmo com uma equipa de cinco concentrados voluntários, o avanço foi modesto, entre os vales nºs 3 e 4. Só ficaram por descascar as mais pequenas, que serão abordadas numa ronda futura, quando já tiverem um diâmetro apropriado. Assim se espera prosseguir lenta, mas seguramente, para uma paisagem com menos mimosas.

img_4959

Resultado de uma tarde de trabalho

img_4970

Voluntários deste dia

Obrigado aos voluntários, um deles estreante, e (agora que a Conferência de aniversário já passou!) até à próxima jornada de 5 de Novembro!

Paulo Domingues

Comments (1) »

Última jornada de Verão

A última jornada do Verão de 2016 e 2ª comemorativa dos 10 anos do projecto decorreu ontem com a presença de 6 determinados voluntários, 3 deles “caloiros”. Como por aqui os estreantes têm um acolhimento atencioso, preparámos um dia dividido em 3 trabalhos diferentes em 3 locais também diferentes, permitindo dar aos novos uma perspectiva o mais abrangente possível dos horizontes do projecto.

O primeiro trabalho foi de “partir pedra”, numa área onde se desenvolve a primeira intervenção. O local foi a zona das Costas do Rio, a caminho da curva apertada do ribeiro conhecida por “pé torto”. Na margem direita, no terreno da Altri florestal, a intervenção já se tinha iniciado em 2008 numa estreita faixa ribeirinha, mas na margem esquerda o acesso ao terreno só foi possível a partir de 2012, quando as mimosas que densamente ocupavam a margem já estavam bastante crescidas. Nestas condições, a opção considerada mais viável, também tendo em conta o elevado declive da margem em alguns locais, foi o descasque das árvores. Como esta margem tem 1 km de extensão, é talvez trabalho para vários anos, tendo tido o seu início no ano passado.

dsc_0092

Novo voluntário já perfeitamente à vontade na sua missão

dsc_0091

Algumas mimosas eram bastante grossas, mas mesmo uma jovem voluntária não se deixou intimidar

dsc_0088

Os declives elevados foram uma das principais dificuldades. Mas ninguém caíu, felizmente

Foi necessário usar a motoroçadora em alguns sítios para triturar o silvado e facilitar o acesso à árvores. Depois, mãos à obra: equipados com navalhas, facas e uma pequena serra de mão, os voluntários dedicaram-se ao descasque. Inicialmente, não pareceu fácil, com árvores já tão grandes e de casca tão grossa, e com declives frequentemente tão elevados. Para piorar as coisas, havia também muita lenha antiga no chão em alguns locais. Mas viu-se logo que os voluntários deste dia não eram de desanimar à primeira dificuldade e o trabalho prosseguiu até quase às 12 horas, quando se parou para uns merecidos figos do Feridouro.

dsc_0098

Vista da margem direita, onde se podem admirar estes bonitos carvalhos

Mas a agenda da manhã ainda incluía a 2ª acção do dia e esta era a jusante do Feridouro: numa pequena várzea da zona da Chousa, que tinha sido alvo de uma mobilização de solo para facilitar a plantação e a gestão da vegetação, as mimosas germinaram em grandes quantidades e era necessário arrancá-las antes que fosse tarde de mais. Claro, a razão para esta germinação massiva estava na anterior ocupação deste espaço por uma densa mata de mimosas crescidas, que deixaram este solo com um volumoso banco de sementes. A área já tinha sido plantada no último Inverno, quando ainda não havia sinal das mimosas (nem das abundantes plantas herbáceas de caule vermelho que na Primavera haveriam de surgir e que agora ainda davam uma tonalidade avermelhada ao local). Durante mais de uma hora arrancaram-se mimosas, e a surpresa foi que elas afinal eram muito mais abundantes do que parecia à primeira vista. Já o relógio se encaminhava para as 13:30h e parecia que as mimosas nunca mais acabavam (ou até que voltavam a surgir logo umas novas assim que se arrancavam as anteriores!).

dsc_0102

Densa cobertura de mimosas germinadas

dsc_0110

Voluntários em acção, num ambiente de tonalidade avermelhada

dsc_0112

Carvalho plantado no Inverno passado

Finalmente, a fome falou mais alto: mais uma vez, a sombra da tangerineira do Jorge Morais, juntamente com o crepitar das águas da nascente do Vale de Barrocas, foram o ambiente perfeito para um merecido almoço. Seguiu-se, é claro, o relaxamento integral sob a copa dos carvalhos do Cortinhal, o que deixou os voluntários bem preparados para o desafio seguinte.

A 3ª acção do dia decorreu numa zona média-alta do vale nº 3, em torno da cota dos 300 metros, na mata da Altri florestal. Aqui já no passado se tinham arrancado e cortado acácias-de-espigas, e na zona mais fértil, em torno do vale, se tinham mesmo plantado árvores. Mais longe do vale, já numa área de solo marginal, existia uma mancha de medronhal que sobreviveu a décadas de exploração florestal e que agora se recupera, ainda que também aqui as acácias-de-espigas compitam agressivamente com os medronheiros. Ora, num “momento” de desatenção, novas plantas de acácias-de-espigas aqui surgiram e se desenvolveram rapidamente, acabando por dominar a paisagem local. Deste modo, foi necessária uma intervenção de uma equipa de sapadores, que cortou esses arbustos no último Inverno, deixando, muito material lenhoso no chão. O que se veio aqui fazer agora foi acompanhar as rebentações indesejadas das plantas de acácia-de-espigas, cortando-as com tesourões, arrancar plantas de origem seminal, e também iniciar um trabalho de arrumação da ramada, que, em certos locais é um obstáculo à progressão no terreno.

dsc_0117

Na subida para o vale nº 3 observou-se um Laetiporus sulphureus num toco de eucalipto.

dsc_0119

Aqui os voluntários cortaram e arrancaram plantas de acácia-de-espigas

dsc_0141

Nalguns locais a ramada seca era tanta que não se conseguia progredir: terá de ser “arrumada”.

Mais a montante, já numa área rochosa, são visíveis os efeitos da seca estival deste ano, com muitas plantas de acácias-de-espigas secas. Deste ponto de vista, o Verão quente e seco “fez um bom trabalho”, mas ainda deixou imenso para voluntários e não voluntários!

dsc_0123

As plantas secas são acácias-de-espigas que não sobreviveram à seca estival. Mas ainda sobraram muitas!

dsc_0136

A mancha da zona mais rochosa ainda chegou a ser abordada, mas só para fazer o gosto ao dedo…

Lamentavelmente, constatou-se mais um trilho abusivamente aberto pelas hordas de motards que frequentam a região. Sem palavras.

dsc_0131

Trilho “selvagem” (no pior dos sentidos)

Depois de uma semana em que as chuvas voltaram, já com algumas dezenas de litros por metro quadrado, anunciando o fim do Verão e fazendo florescer as primeiras flores Outonais, encerram-se também as jornadas voluntárias de Verão de 2016. Mas as celebrações do 10º aniversário do projecto vão continuar, com as primeiras jornadas de Outono e a grande Conferência comemorativa a realizar no dia 15 de Outubro! Mas, falando de aniversários, não é demais lembrar que hoje mesmo, 18 de Setembro, passam 11 anos sobre o grande incêndio que deixou o Cabeço Santo (e muito mais) em cinzas.

dsc_0144

Voluntários satisfeitos, ao se concluírem os trabalhos

Adeus ao Verão e um grande obrigado a todos os voluntários!

Paulo Domingues

Comments (4) »

A primeira jornada de Verão

Eis que, depois de um pequeno problema técnico, a reportagem da última jornada voluntária e primeira do Verão só agora chega a público.

Apenas três voluntários se apresentaram disponíveis, um pequeno número para as necessidades do dia, mas afinal, compreensível: num dia com máximas previstas a superarem os 30ºC, não deixa de ser necessária uma pequena dose de “loucura” para dedicar um dia a cortar rebentos de eucalipto… Porque era esse o principal trabalho previsto para este dia: voltar a uma área com cerca de 3 ha em torno do vale de Barrocas e das suas 3 nascentes para, com a força da persistência, “convencer” as toiças de eucalipto aí presentes a “desistir” e deixarem-nos o espaço livre para lá colocar outras espécies.

Mas acabámos por iniciar os trabalhos numa extremidade de um outro terreno, na Benfeita, ainda junto a Belazaima, onde também era necessário fazer o mesmo trabalho. E aí andámos até às 10:30h, quando rumámos ao vale de Barrocas. As ferramentas para este trabalho são simples, mas exigem cuidado e atenção: mãos e machadas de cabo curto.

DSC_0015

Nos rebentos de eucalipto, com Belazaima à vista (Benfeita)

DSC_0021

Esta área já não era muito intensamente explorada para cultivo devido ao carácter rochoso do solo

A área a trabalhar na zona do Vale de Barrocas era abaixo do antigo caminho de acesso a Belazaima-a-Velha, e iniciava-se num pequeno vale secundário. A pequena equipa foi progredindo em faixas mais ou menos paralelas, para não se colocar muito esforço a subir e a descer a encosta. Mas, apesar de se tratar de uma encosta voltada a norte/nordeste, o sol do meio dia foi produzindo os seus efeitos, e pelas 12 horas já era necessário compensar com abundância a água que ia encharcando as t-shirts através de todos os poros da pele. Para o relator destas linhas, que se encontrava mais longe dos garrafões de abastecimento, tornou-se a dada altura irresistível uma ida a uma das nascentes do Vale de Barrocas, não obstante algumas dificuldades para lá chegar, devido aos fetos e às silvas. Mas, uma vez lá, e com a sede no seu pico, foi quase um vislumbre do paraíso observar aquela água que brotava abundante directamente da rocha de xisto, no fundo de um barranco sombrio. E bebê-la, claro, apanhada com as mãos, e depois de generosamente bebida, derramá-la sobre o peito e as costas, sentindo um repentino revigoramento para concluir afinal que, por essa bendita água, não seria afinal tão “louco” o esforço de tão trabalhosa e suadamente se submeterem as toiças de eucalipto daquela maneira…

DSC_0023

Nesta zona do Vale de Barrocas os fetos parecem “medir forças” com os eucaliptos!

DSC_0025

Perspectiva do vale do ribeiro, com a área recentemente plantada visível do outro lado e a área hoje trabalhada em primeiro plano

Mas, havia que regressar de encontro aos companheiros, e ao “paraíso”, não do presente, mas do futuro, ou uma pequena amostra dele. A manhã aproveitou-se até bem depois das 13 horas, porque a seguir ao almoço, devido ao calor que se fazia sentir, não continuaríamos nos eucaliptos. Depois de uma merecida e estendida sesta, abrimos uma nova frente de avanço nas mimosas da área ribeirinha das Costas do Rio, zona também conhecida por Pé Torto, devido à curva apertada que o ribeiro aqui faz. Trabalhámos na margem esquerda, onde ainda quase não houve intervenção, ao contrário da direita, uma das primeiras áreas ribeirinhas onde se interveio na mata da Altri Florestal, em 2008. O tamanho e a densidade destas mimosas aconselha uma operação de descasque, trabalho que tinha a vantagem de se fazer à sombra, prescindindo até das t-shirts, que, mesmo à sombra, apresentavam o incómodo de rapidamente ficarem suadas. As águas do ribeiro, logo ali bem próximas, convidavam a um banho de pés, e só não um mergulho por serem demasiado baixas. Esta é uma zona onde o ribeiro corre com frequência “encaixado” por escarpas de xisto, paisagisticamente promissora mas onde as mimosas, e também os eucaliptos, ainda prometem longos anos de trabalho até se tornar de novo “paisagisticamente interessante”!

DSC_0029

Perspectiva do ribeiro já com as mimosas descascadas na margem esquerda

DSC_0052

As águas do ribeiro

DSC_0061

Um pouco a jusante, dois carvalhos da margem direita debruçam-se sobre o ribeiro: estão já na mata da Altri Florestal numa das primeiras áreas ribeirinhas onde o projecto interveio em 2008

DSC_0068

Um selvagem?! Não, um voluntário!

DSC_0069

Admirando o trabalho realizado, já pelo final de tarde

DSC_0075

Um rocha do ribeiro

DSC_0078

Um detalhe geológico

DSC_0081

A pequena equipa, no final do dia

DSC_0084

Um olhar sobre a pequena aldeia do Feridouro, já no caminho de regresso a casa

E assim se fez o resto da tarde. No próximo dia 23 os trabalhos continuam e gostaríamos de contar com mais voluntários, pois depois só voltaremos aos trabalhos na grande Jornada do 10º aniversário do projecto, no início de Setembro!

Um conjunto mais alargado de fotos desta jornada estará disponível na página do projecto no Facebook.

Até já!

Paulo Domingues

Comments (1) »

Jornada extraordinária de Sábado passado

A jornada extraordinária de Sábado passado decorreu numa parcela da nova área de intervenção onde ainda não se tinha realizado qualquer trabalho, de facto a última onde faltava começar. É uma parcela em torno do Vale de São Francisco, que inclui uma antiga terra agrícola a poente do vale e uma encosta inclinada a nascente. A encosta inclinada tinha rebentação de eucalipto, mas também carvalhos e loureiros, que nas últimas décadas foram levando a melhor sobre os eucaliptos, contando até com alguns carvalhos bem grandes e bonitos. A terra tinha silvado, carvalhos pequenos e mimosas grandes. Os carvalhos pequenos, muitos, teriam tido origem num pequeno bosque de carvalhos grandes, também ele herdeiro do abandono destas antigas terras agrícolas, vizinho para poente da parcela deste dia, e também já incluído na área de intervenção do projecto. Ao longo do vale são também abundantes os salgueiros, sobretudo do lado da encosta, já que do lado das terras um muro de pedra delimitava claramente a área cultivada, que até agora tinha eucaliptos e mimosas.

À chegada a equipa dividiu-se entre o corte do silvado com a moto-roçadora, uma tentativa (que se revelaria frustrada) de limpar uma passagem canalizada para a água do vale sob o caminho de acesso, e a limpeza da rebentação de eucalipto da encosta. Esta limpeza foi, aliás, inesperadamente abrangente: foram retiradas da encosta dezenas de garrafas de vidro, facto explicado (se é que tem explicação) por esta encosta ir até ao caminho principal de acesso ao Cabeço Santo a partir do Feridouro. Fácil acesso, portanto… Mas, pior ainda do que garrafas, lá em baixo na terra, mesmo junto ao vale, foi encontrado um tubo de raios catódicos, peça fundamental dos antigos televisores. Sem palavras, mas com imagem…

Retiradas da encosta

Retiradas da encosta

Cogumelo? Não, tubo de rais catódicos!

Cogumelo? Não, tubo de raios catódicos!

Logo que uma limpeza básica do silvado foi concluída, iniciaram-se os trabalhos de corte das mimosas e a sua desmontagem, isto é, desramação. A abundante ramada foi a seguir triturada no nosso já conhecido triturador, o que permitiu obter um bom monte de ramada triturada, um material útil a partir de uma planta inconveniente. Aliás, a propósito de plantas inconvenientes: descobrimos que temos na área de intervenção mais uma espécie invasora: a erva-da-fortuna (Tradescantia fluminensis), junto a um muro da parcela que cuidámos neste dia. Mas nada de assustador comparado com as plantas inconvenientes que já conhecíamos.

Quando se começou a fotografar, já os trabalhos iam avançados

Quando se começou a fotografar, já os trabalhos iam avançados. Triturador de ramada.

Vale de São Francisco e mimosas já cortadas

Vale de São Francisco e mimosas já cortadas

Limpeza do silvado

Limpeza do silvado

A queda das últimas mimosas

A queda das últimas mimosas

À esquerda um precioso bosquete de carvalhos

À esquerda um precioso bosquete de carvalhos

E assim se passou a manhã, e a tarde. Foi um agradável dia de temperaturas amenas e sol aberto depois de uma semana inteira em que ele andou escondido. A paisagem também ajudava pois aqui não estava tão degradada como na generalidade dos locais da área de intervenção. E as águas límpidas do Vale de São Francisco, ainda que desviadas do seu curso milenar, faziam coro com os pássaros do bosque vizinho. Só foi pena termos perturbado essa “orquestra” com três ruidosos “instrumentos”: a moto-roçadora, a moto-serra e o triturador! E entre todos, devem ter “tocado” 95% do tempo. Paciência, haverá outras oportunidades para contemplar. Mesmo assim, ainda pudemos contemplar uma salamandra-lusitânica, que se deve ter sentido arreliada com tanto movimento. Uma observação sempre recompensadora de uma espécie emblemática. Era quase final de dia e logo deixámos toda a parcela para a salamandra e seus amigos. Supostamente, em melhor estado do quando ali tínhamos chegado, pela manhã.

Salamandra-lusitanica

Salamandra-lusitanica

A equipa, fotografada ao meio dia, já que dois voluntários tinham que se ausentar de tarde

A equipa, fotografada ao meio dia, já que dois voluntários tinham que se ausentar de tarde

Casas do Feridouro

Casas do Feridouro. Ao cimo, a antiga capela de São Francisco, que terá dado o nome ao vale

Um obrigado a todos os voluntários presentes, especialmente aos colaboradores da Mata do Buçaco, que nos trouxeram preciosos presentes!

E agora é que é: a próxima jornada, a 21 de Novembro, será a grande jornada de fabrico de bolas de sementes! Até lá!

Comments (1) »

Os primeiros passos na recuperação de uma encosta

A jornada prevista para 31 de Outubro esteve quase para ser cancelada, devido a umas cinzentas previsões meteorológicas que, variáveis, como o próprio tempo, se foram sucedendo. Mas em boa hora se decidiu manter a jornada, que afinal teve apenas uns pingos, mais de abençoar do que de molhar.

Nesta jornada participavam dois voluntários que só podiam vir de manhã, pelo que se optou por um local de fácil acesso, junto ao ribeiro, 300 m a montante do Feridouro. Fácil acesso, contudo, não significou fácil intervenção, pois que esta jornada, ao se realizar numa das áreas “novas”, foi um autêntico trabalho de “partir pedra”, quase os primeiros passos na recuperação desta área. Não é que não tenha já havido aqui trabalho, de facto, o eucaliptal até já tinha sido cortado em 2014, e o madeireiro até levou uma parte das muitas mimosas que por aqui existiam, mas muitas outras ficaram, desde os pontos mais inacessíveis da encosta até às margens do ribeiro. Também ficaram imensas árvores caídas no chão e dentro do próprio ribeiro, certamente devido à dificuldade em as recolher. Por isso também uma equipa da Associação Florestal do Baixo Vouga tinha já realizado aqui um dia de trabalho, cortando mimosas e eucaliptos, e triturando a ramada. A rebentação das plantas destas espécies já tinha sido pulverizada com herbicida no Verão. Contudo ainda tinha restado uma pequena mancha na encosta e algumas mimosas nas margens do ribeiro, pelo que nesta jornada nos propusemos concluir o trabalho de corte e juntar muita da lenha que tinha ficado espalhada pela encosta e no próprio ribeiro, e que tinha algum potencial para ser aproveitada.

Curiosamente, apesar da densidade de eucaliptos e mimosas que ocuparam este local nos últimos 10 anos (quer de uns, quer de outras, densidade muito aumentada pela germinação do banco de sementes a seguir ao fogo de 2005), também se encontravam por aqui algumas árvores e arbustos nativos, que, depois de 10 anos de intensa competição, finalmente se vêm livres de tão agressiva e inconveniente companhia: identificámos pelo menos alguns carvalhos, adernos e loureiros, estes até relativamente abundantes, desde as margens do ribeiro até às cotas mais elevadas da encosta.

Trabalhos na encosta, entre plantas exóticas e nativas

Trabalhos na encosta, entre plantas exóticas e nativas

Perspectiva da encosta, da levada ainda obstruída e das mimosas na margem do ribeiro

Perspectiva da encosta, da levada ainda obstruída e das mimosas na margem do ribeiro

A levada e o ribeiro, ele próprio muito obstruído

A levada e o ribeiro, ele próprio muito obstruído

As primeiras fotos tiraram-se a meio da manhã, já os trabalhos iam avançados na encosta. Aí só ficaram algumas mimosas em pé, que se preferiu descascar, devido à dificuldade em retirar de lá a lenha. À tarde as atenções concentraram-se já nas margens do ribeiro, onde tinham ficado em pé algumas mimosas grandes, que se cortaram. Neste local passava também uma antiga levada, que levava água para um moinho situado a jusante. Como noutros locais da zona ribeirinha, nasceu a ideia de recuperar esta levada para servir de trilho de visita. Por isso, neste dia se deu também início à árdua tarefa de limpar a levada. Árdua devido ao grande número de árvores que ficaram caídas, como foi referido acima. Mesmo assim, graças a um intenso trabalho de moto-serra, ainda se conseguiram desobstruir uns 50 metros de levada. Por agora, o panorama que daqui se pode observar é desolador, mas que isso não nos roube o ânimo. Também o ribeiro foi deixado com grandes mimosas no seu leito. Algumas foram removidas nesta jornada, outras ainda terão de esperar por outra.

Duas constantes neste dia: moto-serra e lenha

Duas constantes neste dia: moto-serra e lenha

Pelo início da tarde, tirou-se a foto

Pelo início da tarde, tirou-se a foto “de família”, já que dois voluntários tinham que se ausentar

Na margem do ribeiro, já todas as mimosas foram cortadas, na margem norte, tudo na mesma por agora

Na margem norte do ribeiro, todas as mimosas foram cortadas

Já se podia andar pela antiga levada

Já se podia andar pela antiga levada

Trabalhos de remoção de lenha do próprio leito do ribeiro

Trabalhos de remoção de lenha do próprio leito do ribeiro

Um pouco mais para jusante a desobstrução da levada permitia constatar uma paisagem desoladora

Um pouco mais para jusante a desobstrução da levada permitia constatar uma paisagem desoladora

Aqui o ribeiro ainda se encontra com muita lenha

Aqui o ribeiro ainda se encontra com muita lenha

A represa de onde partia a levada

A represa de onde partia a levada

Na margem sul do ribeiro, o panorama também é bastante preocupante, mas para já resta-nos concentrar no que podemos fazer, e não desalentar pelo que não podemos, pelo menos para já. Ainda havia bastante luz quando o trabalho terminou, não por as energias se terem esgotado, mas por se ter esgotado o óleo para as moto-serras e de pouco mais se poder fazer sem elas. Aproveitou-se para fazer uma pequena caminhada para montante para planear trabalhos futuros.

Preparando o futuro

Preparando o futuro

Umbigo-de-vénus

Umbigo-de-vénus

Época de cogumelos

Época de cogumelos

Tinha sido um dia de intenso trabalho, com dois voluntários estreantes e ainda uma companhia canina. Todos prometeram voltar! E atenção que a próxima jornada é especial: teremos uma oficina experimental de bolas de sementes!

As fotos desta jornada foram de Paulo Domingues e Abel Barreto. Obrigado a todos os participantes!

Comments (1) »