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Cuidar das árvores

A jornada de 3 de Junho decorreu com um dia fresco e húmido, no qual o sol ficou escondido atrás da neblina matinal até quase ao meio dia. Foi participada por 5 voluntários, que se empenharam na importante acção de cuidar das árvores plantadas nos últimos dois anos, mas principalmente das plantadas em 2016, já que a maior parte das plantadas em 2017 desapareceu no incêndio de 28 de Abril.

O cuidado que as árvores precisam é a remoção de plantas espontâneas que se implantam, por vezes vigorosamente, junto aos pés das árvores plantadas, e a reconstrução, se necessário, das pequenas caldeiras em torno das árvores, para que melhor possam aproveitar a água da chuva.

Os trabalhos iniciaram-se nos antigos socalcos de eucalipto da área conhecida por “Costa”, logo a jusante das terras do Feridouro. Apesar das condições difíceis do solo, a maior parte das árvores encontrava-se com boa vitalidade. Uma surpresa agradável foi a observação de um ninho de águia-de-asa-redonda, ironicamente numa grande mimosa, de onde as duas crias ensaiavam os primeiros voos.

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Os trabalhos iniciaram-se nos socalcos da Costa

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Um lódão-bastardo

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Um medronheiro

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Um carvalho

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Concorrência de uma planta espontânea, aliás exótica e invasora, com um medronheiro

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Trabalho em curso

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Continuação do trabalho

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Quase concluído!

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Um ninho de águia-de-asa-redonda numa mimosa!

Foi-se depois avançando para jusante, para as antigas várzeas da Chousa, antes completamente invadidas por mimosas. Por isso ainda agora, e mesmo depois de já aqui se terem arrancado milhares de jovens plantas de mimosa, estas continuam com abundante presença. Contudo na primeira das várzeas, onde se realizou uma mobilização de solo para arranque dos tocos de mimosa, a terra era agora dominada pelas dedaleiras, uma planta pioneira em solos perturbados. Nesta várzea foi já plantada uma dúzia de espécies de plantas nativas, entre árvores e arbustos. Estavam em geral bastante crescidos, com os carvalhos a serem aqui os mais débeis.

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Numa das várzeas da Chousa

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Um freixo depois de cuidado

Atravessou-se o ribeiro para a parcela a sul do mesmo, onde uma antiga plantação de freixos exóticos ainda chama a atenção. O silvado é que se foi aproveitando da luz deixada pela saída das grandes mimosas que aqui se encontravam e por pouco já era um obstáculo à simples passagem.

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Como habitualmente, não foi só trabalhar!

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Uma bonita borboleta numa flor de batón-azul

Seguiu-se a encosta da Chousa, uma área inclinada e rochosa, onde se tinham plantado sobretudo medronheiros e sobreiros, e onde surgiu uma mancha de plantas pioneiras “não convidadas”: as giestas. Quanto aos medronheiros e aos sobreiros, encontravam-se com muito boa apresentação! Mas a manhã chegava ao fim e não era possível continuar para jusante, até à represa: para a tarde tínhamos planos de trabalho mais para montante.

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Um medronheiro na encosta da Chousa, em companhia de uma gramínea espontânea

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Voluntário cuidando de um sobreiro

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Voluntário arrancando uma mimosa

Depois de um agradável almoço ao som do crepitar das águas do ribeiro, dos cantos das aves (e um especialista a identificá-los!), e depois de uma boa sesta, os trabalhos continuaram, agora no corredor ribeirinho a jusante dos portões da Mata da Altri Florestal, primeiro logo a seguir ao Feridouro e depois dos portões para jusante. Aqui, não obstante a dureza das condições do terreno e a exposição sul, constatou-se que as árvores plantadas em 2016 tinham crescido surpreendentemente bem!

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Trabalhos a seguir ao Feridouro

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Perspectiva do corredor ribeirinho. A sul do ribeiro, o eucaliptal queimado no dia 28 de Abril

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Arranque de mimosas em zona difícil

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Vista geral dos trabalhos e do “corredor ecológico”

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Contrastes!

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Um carvalho de origem seminal

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O que ainda há dois anos era um morro inóspito e nu vai-se tornando mais vivo

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Um medronheiro plantado em 2016

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Agora já junto aos portões da mata, um lódão-bastardo já crescido, mas com muita “concorrência”

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Depois de cuidado!

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Voluntário visivelmente impressionado com o estado de desenvolvimento desta árvore!

E a tarde não iria acabar sem mais uma observação deliciosa: um ninho com crias (o segundo do dia!), muito provavelmente de águia-de-asa-redonda, mas curiosamente numa árvore (desta vez um carvalho!) que tinha sido bastante chamuscada pelo incêndio de 28 de Abril, quando por certo já havia pelo menos ovos em choco.

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Para terminar em beleza: observação de um ninho de águias, agora mais jovens do que as primeiras

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Outra observação animadora: as árvores queimadas em 28 de Abril já rebentam!

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A feliz equipa deste dia

Foi o final de um dia muito produtivo e animador (provavelmente mais de 90% das árvores plantadas encontravam-se vivas e bem de saúde!), quase a fazer esquecer a paisagem queimada que também nos acompanhou ao longo de todo o dia em 2º plano. Voltaremos a ela em força, noutra oportunidade!

Até breve!

Paulo Domingues

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Notícias dos trabalhos de monitorização de aves no Cabeço Santo

No passado dia 19 de novembro, quando os 16 voluntários iniciaram o árduo trabalho na encosta da Benfeita a controlar a rebentação de eucalipto e a plantar várias das espécies que no futuro alterarão a paisagem local, formando um bosque autóctone capaz de albergar diversas espécies da nossa fauna, já outro voluntário percorria os 2 km de censo da avifauna ao longo da ribeira de Belazaima.

O projeto de monitorização da avifauna na área do Cabeço Santo vai agora no seu 7º mês de censo. Os resultados obtidos até ao censo de outubro  indicam uma clara dominância de poucas espécies. De entre as 20 espécies confirmadas no interior da faixa de censo, há 5 espécies que representam 68% da comunidade de passeriformes que ocorrem junto à ribeira: chapim-preto, carriça, pisco-de-peito-ruivo, toutinegra-de-barrete e estrelinha-real.

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Pisco-de-peito-ruivo: uma das espécies mais abundantes na área de censo (Foto de Dora Oliveira)

No entanto, tem havido algumas surpresas agradáveis no que respeita a espécies confirmadas na área. Entre estas destaca-se o Dom-fafe, espécie que em Portugal tem por área de excelência o Minho e algumas áreas Transmontanas.  Embora em reduzido número, foi uma presença mais ou menos constante nos meses de primavera/verão.

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Dom-fafe (macho) num dos transetos junto à ribeira de Belazaima (Foto de Fernando Leão)

No momento em que o 7º censo se iniciou, tinham já sido confirmadas na área de censo 20 espécies de aves (25 se tivermos em conta a área envolvente). Mas este 7º censo revelou-se uma agradável surpresa ao acrescentar mais uma espécie à lista já existente, e não é uma espécie qualquer. Embora no 2 º censo (realizado em junho) tivesse ficado a dúvida da sua presença, uma vez que apenas foi possível observar um ténue  vislumbre de dois vultos escuros a esvoaçar junto à água por entre os fetos das margens, será que?… Ficou a dúvida, e em caso de dúvida optou-se por manter esse ténue vislumbre como uma observação de indivíduos de espécie desconhecida…

Mas agora, em pleno novembro, numa zona com pequenas quedas de água sob coberto de um dos pouquíssimos núcleos de Salgueiros que ainda bordejam a ribeira, aí estava ele… um melro-de-água mergulhando à procura de alimento. Mas com a aproximação do observador rapidamente esvoaçou para jusante afastando-se de qualquer hipótese de registo fotográfico. Fica o desafio para uma próxima oportunidade de algum voluntário que consiga ‘caçar’ a sua imagem.

Entretanto e enquanto tal não acontece, em baixo apresenta-se a ficha do melro-de-água constante do Atlas das aves nidificantes em Portugal (1999-2005).

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Fonte: Equipa Atlas (2008). Atlas das aves nidificantes em Portugal. Instituto de Conservação da Natureza e da Biodiversidade, Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves , Parque Natural da Madeira e Secretaria Regional do Ambiente e do Mar. Assírio &Alvim. Lisboa.

E assim se confirma uma vez mais o potencial deste ribeiro para a preservação da biodiversidade nesta área do território. Esperemos que dezembro, plena época de invernada, traga mais surpresas.

Fernando Leão

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