Posts tagged Cabeço Santo

28 de Abril de 2017: um olhar

Uma combinação de factores, quase todos no mesmo sentido, deram origem aos tristes eventos que se iniciaram no dia 28 de Abril ao início da madrugada: um mês de Abril sem chuva, e com vários episódios de temperaturas muito elevadas, acompanhados de vento de leste seco e por vezes forte, com predominância noctura; duas noites consecutivas de vento de nordeste forte, a de 27 e a de 28; uma paisagem vulnerável, uniformizada até ao limite; a vontade de causar dano, materializada no atear do fogo, pouco depois da meia noite de 28 de Abril, um momento seleccionado para que o dano fosse o maior possível, e as hipóteses de reacção o mais demoradas e difíceis possível. Apenas um factor em sentido contrário: as temperaturas eram baixas, a mínima dessa noite terá estado entre 6 e 8 ºC, o que pode ter evitado danos maiores em muitas das árvores atingidas, mesmo eucaliptos, mas que não foi suficiente para evitar que as consequências deste incêndio fossem grandes.

Com grande probabilidade, o fogo foi ateado no coração do Vale de Barrocas, ou na sua proximidade, e terá sido a área onde este ano foram plantadas mais de 1500 árvores pelos voluntários do Projecto Cabeço Santo, uma das primeiras a ser atingida. Sabíamos que o local era vulnerável. Os eucaliptos previamente existentes tinham sido cortados e muita ramada tinha ficado espalhada pelo chão. As próprias plantas do matagal, amassadas pela queda das árvores, estavam parcialmente secas. Num momento, terá chegado a aflorar a ideia de reduzir toda essa massa combustível por meio de um fogo controlado antes da plantação, como aliás já outras vezes se tinha feito no Cabeço Santo. Mas a emergência espontânea de muitas plantas com valor para a regeneração, mais algumas, essencialmente carvalhos, que tinham conseguido escapar à queda dos eucaliptos, fez afastar essa ideia e os trabalhos avançaram sem ela.

Tão rápido terá sido o fogo a subir o Cabeço do Meio, que, quando os alarmes soaram, pela 1 da madrugada, já as chamas eram visíveis em Belazaima, no alto do cabeço. Ajudadas pelo vento que soprou forte durante toda a noite, o fogo desceu a encosta em direcção a Belazaima e às Póvoas, enquanto se espalhava também por toda a encosta a sul do ribeiro, desde a represa de Belazaima até à Ribeira do Tojo, já perto de Belazaima-a-Velha, passando pelo Feridouro. Com o nascer do sol, o vento acalmou, e os meios de combate intensificaram-se, por terra e pelo ar, mas as chamas já estavam muito dispersas, e só ao fim da tarde desse dia o incêndio foi extinto. Mas ainda durante a tarde esteve ameaçada a área da Benfeita, já junto a Belazaima, onde as primeiras plantações da época tinham sido realizadas. Chegaram a perder-se aqui algumas árvores, mas conseguiu evitar-se o pior.

DSC_1310

Pelas 3:30h o fogo já estava a escassas centenas de metros de Belazaima, vindo de sul, como em 2005

O balanço deste acontecimento começou a fazer-se no próprio dia, com uma visita aos locais atingidos. Para os trabalhos do Projecto, a principal perda foram os cerca de 4 ha do Vale de Barrocas onde este ano se tinham realizado plantações. Há uma certa probabilidade de algumas das plantas rebentarem e recuperarem a parte aérea, mas para confirmar isso é preciso esperar. Arderam também os 7,5 ha da propriedade das Costas do Rio, logo ao lado, ainda com eucaliptos, que iriam ser cortados este ano para que esta área com 1 km de margens do ribeiro pudesse, pelo menos parcialmente, ser adicionada à área de intervenção do projecto. Mais para montante, o incêndio atingiu o corredor ribeirinho da Ribeira do Tojo, e aqui, justiça lhe seja feita, cumpriu uma das suas funções, não obstante os poucos anos que ainda tem: o fogo ainda o atingiu ao longo do caminho mas nem num metro conseguiu atravessar o ribeiro, não obstante a presença dos fetos secos do ano anterior, que noutros locais foram “pasto” suficiente para as chamas avançarem. Já mais para jusante, no eucaliptal das Costas do Rio, o fogo atravessou o ribeiro e ainda queimou várias centenas de metros do corredor ribeirinho na Mata da Altri Florestal, incluindo parte da área de confluência dos vales nºs 3, 4 e 5, mas os responsáveis da empresa, aliás logo presentes no local com os seus meios, puderam respirar de alívio: foram poucos os eucaliptos ardidos.

DSC_1333

A área do Vale de Barrocas foi totalmente atingida

DSC_1330

O “coração” do Vale de Barrocas, ainda fumegante

DSC_1335

O Jorge Morais inspecciona a área, com o Cabeço Santo (escassamente atingido) em fundo

DSC_1343

Vista do caminho para Belazaima-a-Velha

DSC_1363

As estacas que tinham sido colocadas para assinalar as plantas introduzidas

DSC_1342

O “herói” do dia foi o corredor ecológico da Ribeira do Tojo: atingido em quase toda a sua extensão, não deixou passar o fogo para norte do ribeiro!

DSC_1358

Na mata da Altri Florestal foi atingido o corredor ribeirinho, mais vulnerável do que na Ribeira do Tojo, por ter menos condições para a implantação das folhosas

DSC_1351

No Chão do Linho, onde o Vale de Barrocas encontra o Ribeiro, e não longe do local onde o fogo terá sido ateado, as folhosas foram pouco afectadas

Do lado norte do ribeiro ardeu ainda uma pequena faixa do corredor ribeirinho a jusante dos portões da mata, que tínhamos plantado no ano passado, mas sem grandes perdas. O fogo atravessou a estreita faixa de carvalhos aqui existente, sem praticamente lhes causar dano, para depois progredir pela encosta, já com mais material combustível.

DSC_1370

Esta estreita faixa de carvalhos deixou passar o fogo para norte do ribeiro, mas as árvores foram pouco afectadas

DSC_1349

Os tubos de protecção derreteram sobre as árvores.

Da “minha” Quinta das Tílias (e desculpem falar dela aqui, que não faz propriamente parte do projecto) arderam os 8 ha da área florestal de proximidade da Quinta, onde desde 2006 fazia trabalhos de reconversão. Destes, talvez menos de metade era carvalhal. O fogo progrediu através dos fetos secos e a maior parte das árvores perdeu todas as folhas, mas a expectativa de recuperação das partes aéreas é grande. O tempo o dirá.

DSC_1329

Carvalhos da Quinta das Tílias, parcialmente atingidos. Mas outros foram mais.

DSC_1376

Mais para jusante, nos Borralhais, só a parte inferior das copas foi atingida, apesar de o fogo ter “batido” cada m2. Chave: pouco material combustível no solo.

DSC_1375

Uma curiosidade: este campo de aveia, completamente cercado pelo fogo, sobreviveu incólume!

Para concluir a ronda, constatámos que 4 das 6 colmeias que faziam parte do apiário do Cabeço Santo tinham sido roubadas. Não queimadas mas roubadas. Ficou apenas uma Lusitana e a Top Bar, que podia ser facilmente identificada noutro local. Animador não é?

Que lições retirar deste evento?

Em relação ao trabalho no terreno, talvez a mais importante seja a de que temos de colocar mais atenção na redução do material combustível, o que no caso do Vale de Barrocas só teria sido possível de forma efectiva com a realização de uma queimada controlada previamente à plantação. Mesmo os fetos secos, que ocorrem todos os anos no final do Outono (onde crescem), deveriam ser triturados com moto-roçadora, pelo menos parcialmente, pois foram o principal factor de dano para os carvalhos. Nos limites exteriores das áreas de intervenção deveriam criar-se corredores onde o controle de materiais combustíveis fosse mais estrito. Claro, tudo isto tem custos de mão de obra elevados. Adicionada a esta redução da vulnerabilidade, seria importante ter mais duas coisas: capacidade para fazer vigilância nocturna, pelo menos nas noites mais susceptíveis, que, em condições normais, não são assim tantas por ano, e capacidade para, detectada uma ameaça, dirigir uma intervenção rápida sobre os acendimentos. Talvez no futuro tenhamos condições para o fazer.

Este é, naturalmente, um momento em que, de forma particularmente intensa, percebemos a enormidade da tarefa que temos em mãos, confrontada com uma indiferença, que pode chegar à hostilidade, de idêntica dimensão. Não podemos dizer com segurança que este acto teve deliberadamente o objectivo de atingir o projecto e os seus objectivos, mas há alguns indícios que apontam nesse sentido, pois contabilizo, com este, cinco incidentes do género nos últimos anos, quatro dos quais resultaram em fogo ateado em áreas de recuperação ecológica, embora a extensão dos danos tenha sido consideravelmente menor do que agora. É verdade que também houve acendimentos noutros locais, e não pretendo levantar nem viver à sombra do fantasma do “eterno inimigo”, que afinal não será mais do que “doente”, numa sociedade e num tempo tão propensos a alimentar os mais doentios desvios.

Essa sensação, da enorme discrepância entre o que é necessário fazer e o que há condições, materiais e humanas, para fazer, parece ser de facto uma característica da nossa época. Ainda há dias lia no El País, segundo Zygmunt Bauman: “Há uma crescente brecha aberta entre o que é necessário fazer e o que se pode fazer, o que importa realmente e o que conta para quem tem o poder de fazer, entre o que acontece e o que seria desejável acontecer” (http://cultura.elpais.com/cultura/2017/04/17/actualidad/1492423945_605390.html). Fico confortado com o encontro de entendimentos, mas o que fazer com ele? O que fazer com a ideia de se poder trabalhar 10, 20 anos, quiçá uma vida inteira com um objectivo, tão grande que se consegue realizar apenas numa ínfima parte, e que no final desses 10, 20 anos, quiçá no final dessa vida inteira, essa ínfima parte possa ser alvo de um destrutivo acto anónimo que demora um segundo a ser desencadeado? Não posso responder a esta questão, embora acredite que ela só tem uma resposta pela positiva procurando olhar para o “problema” de uma perspectiva mais larga do que aquela que nos é imediatamente acessível, através dos sentidos, do conhecimento técnico, da informação. Uma perspectiva de onde se colha energia, ânimo e determinação, mesmo quando os factos parecem convidar ao desânimo, ao esgotamento e à desistência. E existe uma tal perspectiva? É um grande desafio encontrá-la mas necessitamos dela desesperadamente. Mesmo que não a tenhamos muito clara, não podemos esperar pela claridade plena para tentarmos desenterrar essas energias que a acção requer. Por isso, sim: apesar de todas as contrariedades, de as invasoras serem um desafio gigante para as nossas capacidades, de os solos estarem desprovidos e fragilizados, de as alterações climáticas poderem alterar as “regras do jogo a meio”, de todas as dificuldades da natureza humana, apesar de tudo isso e ainda mais, voltaremos ao Cabeço Santo, ao negro Vale de Barrocas, com as mesmas ilusões da primeira vez, mas… com a vantagem de agora termos mais experiência. Faremos a visita prevista para dia 20 de Maio, procurando colocar as coisas belas e as feias nos lugares certos do nosso entendimento, e faremos o CTC que tínhamos previsto para este fim de semana numa outra data que consigamos encontrar. (O CTC não foi contudo cancelado por causa do fogo, mas por causa da chuva, que, atrasada, acabou por vir este Domingo de madrugada). Antes de tudo isso, estaremos na Expo-florestal, em Albergaria.

E vós, voluntários, que tão dedicadamente contribuíram para o trabalho deste ano, agora parcialmente destruído, como se sentem? Com que vontade para voltar? Expressem-se, se quiserem, nesta página, mas sem raiva nem ressentimento, que isso leva muitas energias e precisamos delas para tudo o resto! Até breve!

Paulo Domingues

Anúncios

Comments (11) »

Novas do projecto – parte 2

Ora finalmente aqui está um artigo sobre os novos desenvolvimentos do projecto que este ano de 2015 estão em curso, com um olhar mais detalhado sobre as novas áreas de intervenção, seu estado e seus desafios. E são volumosos, não tanto pela extensão, mas muito mais pelas características e estado inicial. Para ilustrar, vou usar uma série de fotos que começaram a ser tiradas em Abril, quando se verificou ser possível aqui intervir, tendo de facto alguns trabalhos sido iniciados pouco depois. Por isso, neste momento, em Outubro, muito já aconteceu nessa área, por intervenção de diversas equipas profissionais.

A nova área de intervenção estende-se por cerca de 1,5 km e inicia-se em plena represa, exactamente no ponto onde a corga do ervedal (vale nº 1) desagua no ribeiro. Abrange principalmente a margem norte do Ribeiro, mas em certos troços inclui também a margem sul. Coloca em prática a ideia de “corredor ecológico” em torno de uma área sensível (o ribeiro), sendo por isso uma faixa de largura variável, ao longo da extensão referida. Por facilidade de identificação, tomo o vale nº 1 por ponto de partida (metro 0) e vou apresentando a área pelo número de metros a partir deste ponto inicial. Aqui a área é aproximadamente delimitada pelo antigo caminho de acesso ao Feridouro a partir de Belazaima, mas para montante nem sempre será assim.

carta

Quase toda a área teve até agora eucaliptos, estando também severamente invadida com mimosas. A maior parte desses eucaliptos foi cortada em 2015, chegando à última Primavera em início de rebentação. Um dos primeiros passos no processo de recuperação é a eliminação dessa rebentação, o que, em geral, se tem de fazer por aplicação de herbicida. É uma opção por certo com impacto, mas dificilmente poderíamos avançar sem ela, dada a densidade e a agressividade das exóticas presentes, em conjunto com o declive e as características do terreno. Procura-se minimizar o impacto optando por formulações mais benignas de glifosato (Spasor, Pitón Verde), aplicando essencialmente no Verão e apenas com boas condições atmosféricas.

Do metro 0 ao 150 temos ainda eucaliptos, que serão cortados nos próximos meses, não tendo aqui havido ainda qualquer intervenção. Antes da represa ser construída este troço do ribeiro era muito bonito, com uma pequena “garganta” e estreitas leiras agrícolas na margem norte. A represa, construída nos anos 90, engoliu a garganta e algumas das leiras, deixando outras na sua margem. Como tende a acontecer com todas as barragens, as margens desta represa são zonas de baixa biodiversidade, devido à grande variação do nível das águas ao longo do ano.

Represa. À esquerda o vale nº 1

Represa. À esquerda o vale nº 1. Foto de Abril. A margem ainda tem essencialmente eucaliptos.

Em Setembro, contudo, já se encontrava assim.

Em Setembro, contudo, já se encontrava assim.

Ao metro 150 atravessamos o Vale de Junqueiro, um pequeno vale, ao longo do qual havia pequenas leiras agrícolas. É a partir daqui que os trabalhos já se iniciaram, com o corte do eucaliptal existente. No entanto, devido às dificuldades de acesso, o pouco valor da madeira aí existente e a presença abundante de mimosas, o estado do terreno em Abril era nada bonito de ver e difícil de abordar, mesmo para uma equipa de profissionais como a de sapadores da AFBV, que foi a quem coube a abordagem inicial.

Depois do vale de Junqueiro, em Abril

A seguir ao vale de Junqueiro, em Abril

Ao metro 230 o corredor alarga-se e encontramos uma parcela cujo eucaliptal já tinha sido cortado em 2014, sendo a rebentação de mimosa ainda mais abundante do que a de eucalipto. Como já estava muito grande para ser submetida a aplicação de herbicida, estes rebentos tiveram de ser cortados.

Parcela com rebentação de eucalipto e mimosa

Parcela com rebentação de eucalipto e mimosa, Abril

Mesma parcela agora observada para jusante e já em Agosto

Mesma parcela agora observada para jusante e já em Agosto, depois de cortada a rebentação existente

Ao metro 350 surge outro pequeno vale, sendo aqui a encosta muito íngreme, quase uma escarpa vertical em alguns sítios. Mas como há rebentos de eucalipto e mimosa por todo o lado, vai ser necessário lá ir, logo veremos como. Lá em baixo, junto ao ribeiro, surge aqui uma antiga terra agrícola de alguma dimensão, numa zona chamada Chousa. Para a criar, o ribeiro deve ter sido “encostado” à vertente sul, hipótese confirmada por vários indícios, o principal dos quais o muro de pedra de vários metros erguido onde talvez o rio outrora passasse. Esta terra já tinha deixado de ser cultivada há bastantes anos, tendo o proprietário aqui plantado choupos e cerejeiras.

Ao chegar à Chousa, Abril

Ao chegar à Chousa, Abril

O caminho que sobe segue para o Feridouro, ou outro desce para a Chousa

O caminho que sobe segue para o Feridouro, ou outro desce para a Chousa. Abril

O mesmo local já em Agosto, depois de uma primeira pulverização da rebentação com herbicida

O mesmo local já em Agosto, depois de uma primeira pulverização da rebentação com herbicida

As aplicações de herbicida nunca são inócuas para as espécies não alvo, mas todos os esforços são aplicados para minimizar os danos. Agosto

As aplicações de herbicida nunca são inócuas para as espécies não alvo, mas todos os esforços são aplicados para minimizar os danos. Agosto

Carvalho, junto à terra da Chousa

Carvalho, junto à terra da Chousa

Muro que desviou o curso do ribeiro para a esquerda (supostamente!)

Muro que desviou o curso do ribeiro para a esquerda (supostamente!). Abril

Ocupação actual da terra da Chousa

Ocupação actual da terra da Chousa. Abril

Ao metro 490, pela primeira vez, intervimos também na margem sul. Havia aqui uma estreita leira agrícola sem qualquer acesso por terra, apenas se chegando aqui por atravessamento do ribeiro. Chegou a ser plantada com freixos, mas as mimosas levaram a melhor, e agora encontrava-se cheia de grandes mimosas, algumas delas que possivelmente sobreviveram ao fogo de 2005. A encosta norte, por seu lado, torna-se muito íngreme, mas curiosamente havia aqui uma antiga passagem, agora muito obstruída, que ainda havemos de recuperar porque dará um bonito trilho.

Aqui há uma parcela de intervenção na margem sul, mas com muitas mimosas. Abril

Aqui há uma parcela de intervenção na margem sul, mas com muitas mimosas. Na margem norte, uma cerejeira, mas muito mal tratada. Abril

Alguns metros para montante

Alguns metros para montante

Aqui as coisas complicam-se... Abril

Aqui as coisas complicam-se… Abril

Mas nada que trabalho e paciência não resolvam. Setembro

Mas nada que trabalho e paciência não resolvam. Setembro

Durante o Verão as mimosas foram retiradas. Então "apareceram" freixos aqui plantados há mais de 10 anos!

Depois das mimosas retiradas “apareceram” freixos aqui plantados há mais de 10 anos! Setembro

A norte, encosta íngreme, e eucaliptal recentemente cortado. Junho

A norte, encosta íngreme, e eucaliptal recentemente cortado. Junho

Ao metro 590 encontramos uma pequena represa e a encosta íngreme dá lugar a uma antiga leira na margem norte. Agora, é a vez de a encosta sul ser muito escarpada, numa pequena extensão ainda não incluída na área de intervenção mas que ainda se vai tentar incluir. A leira na margem norte estava, é claro, completamente ocupada por mimosas cujo corte começou ainda no Verão, e que se vai prolongar pelo Inverno.

Pequena represa. Em segundo plano, "bosque" de mimosas

Pequena represa. Em segundo plano, “bosque” de mimosas. Abril

A leira da margem norte

A leira da margem norte. Abril

Ao metro 690 temos de novo uma antiga leira agrícola na margem sul, enquanto na margem norte existia um eucaliptal, já plantado de novo depois de 2005, com mobilização do solo em socalcos. Este eucaliptal, cortado pela primeira vez este ano, será descontinuado e reconvertido em bosque autóctone. Na leira da margem sul, e também na margem norte do ribeiro, as mimosas ainda dominam a paisagem, mas encontra-se também um ou outro carvalho grande, que serão a referência desta paisagem por muitos anos quando as mimosas forem retiradas, trabalho que, tudo indica, se vai prolongar até ao Inverno.

Na margem sul, uma antiga parcela agrícola; na margem norte eucaliptal recentemente cortado. Abril

Na margem sul, uma antiga parcela agrícola; na margem norte eucaliptal recentemente cortado. Abril

Perspectiva para montante da parcela, em Agosto. À direita mimosas e o ribeiro, à esquerda, carvalhal

Perspectiva para montante da parcela, em Agosto. À direita mimosas e o ribeiro, à esquerda, carvalhal

Na margem sul quase não houve intervenção nos últimos 10 anos

Na margem sul quase não houve intervenção nos últimos 10 anos. Abril

Ainda na margem sul Abril

Ainda na margem sul. Abril

Moinho em ruinas, ainda na margem sul. Abril

Moinho em ruinas, ainda na margem sul. Abril

Sinais de antiga intervenção humana. Abril

Sinais de antiga intervenção humana. Abril

Ao metro 780 encontramos um novo pequeno vale (o 1c!), onde praticamente se inicia a principal antiga mancha agrícola do Feridouro. Estas terras, desenvolvendo-se em laboriosos socalcos pela encosta acima, já foram, na sua grande maioria deixadas de cultivar há muito tempo. Muitas foram eucaliptadas. Mas também encontramos outras onde os carvalhos se implantaram espontaneamente, dando origem a manchas muito, muito interessantes. O projecto tem agora a ventura de intervir entre estas manchas e o ribeiro, nas zonas que estiveram eucaliptadas, aumentando e valorizando as primeiras. Mas é aqui também que o recente eucaliptal dará origem a terras agrícolas recuperadas, onde, sob o “chapéu” da Quinta das Tílias, se praticará agricultura e fruticultura biológicas, num conveniente complemento do trabalho do Projecto Cabeço Santo. Para o efeito, os tocos dos eucaliptos já foram arrancados, prosseguindo os trabalhos já a seguir.

Ao chegar à antiga área agrícola mais extensa do Feridouro

Ao chegar à antiga área agrícola mais extensa do Feridouro

Aqui áreas de carvalhal e eucaliptal "encontravam-se". Abril.

Aqui áreas de carvalhal e eucaliptal “encontravam-se”. Abril.

Passada/futura área agrícola. Em 2ª plano, áreas de carvalhal

Passada/futura área agrícola. Em 2ª plano, áreas de carvalhal. Abril

Máquina arrancando tocos de eucalipto. Julho

Máquina arrancando tocos de eucalipto. Julho

Ruína "perdida" no carvalhal

Ruína “perdida” no carvalhal. Abril

Margem do ribeiro, onde as folhosas presentes serão preservadas. Abril

Margem do ribeiro, onde as folhosas presentes serão preservadas. Abril

E assim chegámos ao vale nº 2, o Vale de São Francisco, que deve o nome ao Padroeiro do Feridouro, cuja antiga capela se encontrava numa encosta próxima deste vale. Já ultrapassámos o metro 1000 e agora as antigas terras agrícolas voltam a ser mais dispersas e as encostas mais inclinadas. Logo a seguir ao vale encontramos um antigo moinho de água ainda recuperável, e há planos para que o seja. Continuamos com uma encosta íngreme, mas a antiga levada que trazia água para o moinho dará, depois de limpa, um excelente trilho pedestre.

Chegada ao Vale de S. Francisco. Abril

Chegada ao Vale de S. Francisco. Abril

Belo muro, a montante do Vale de S. Francisco. Abril

Belo muro, a montante do Vale de S. Francisco. Abril

Moinho de água. Abril

Moinho de água. Abril

Pelo metro 1150 encontramos um pequeno vale, o Vale de Salgueiro, e o ribeiro faz uma curva em S para, ao metro 1300 encontrarmos a represa de onde partia a levada atrás referida. A partir daqui não é possível prosseguir pela margem norte junto ao ribeiro, pois que a encosta se torna inclinada e escarpada.

Em Vale de Salgueiro

Em Vale de Salgueiro. Abril

Vista para jusante, a partir do Vale de Salgueiro. Abril

Vista para jusante, a partir do Vale de Salgueiro. Abril

Em Outubro ainda se cortavam aqui as últimas mimosas

Em Outubro ainda se cortavam aqui as últimas mimosas. Aqui passava a levada.

Pequena represa, de onde partia a levada

Pequena represa, de onde partia a levada. Abril

A encosta adjacente à represa da foto anterior, agora em Outubro , já com a rebentação de eucalipto "tratada"

A encosta adjacente à represa da foto anterior, agora em Outubro , já com a rebentação de eucalipto “tratada”

Pelo metro 1400 começamos a encontrar uma interessante mancha de carvalhal, aquela que em 2005 resistiu heroicamente ao cataclismo de fogo que a envolveu por todos os lados, destacando-se, durante os anos seguintes, enquanto os eucaliptos à volta não cresceram outra vez, como uma ilha verde no meio da paisagem queimada. Parte da mancha situa-se na margem norte, onde o projecto passa agora a intervir, parte na margem sul, onde espera ainda poder intervir num futuro próximo, alargando a mancha pela encosta do Cabeço do Meio acima!

Mancha de carvalhal. Abril

Mancha de carvalhal. Abril

A montante da mancha de carvalhal, logo a seguir ao corte do eucaliptal. Maio

A montante da mancha de carvalhal, logo a seguir ao corte do eucaliptal. Maio

Finalmente, ao metro 1650 chegamos ao Vale de Barrocas, este descendo não do Cabeço Santo mas do Cabeço do Meio, na margem sul, e onde situa uma pequena área onde o projecto começou já a intervir em 2012. Logo ali se inicia, na margem norte, a mata da Altri Florestal, em cuja faixa ribeirinha o projecto iniciou a sua intervenção logo em 2008. Mas por agora ficamos por aqui, que a reportagem era sobre as áreas novas! Mas ainda merece ser referida a intervenção, também iniciada este ano, numa área ao longo do Vale de São Francisco, e que tem por objectivo de médio prazo a completa renaturalização deste vale, pelo menos ao longo de um (mais um!) corredor ecológico. Foi fácil de escrever, mas de facto só o trabalho neste vale, de encostas íngremes e escarpadas, e fortemente invadidas de mimosas, daria só por si um projecto!

Talvez tenha fica claro desta exposição o enorme desafio que será a recuperação desta área. Do muito trabalho profissional e voluntário que nos espera. Poderia dizer-se: é nossa obrigação fazê-lo, nós que praticamente ainda somos da geração que, voluntária ou involuntariamente, tantos estragos causou a esta dilacerada paisagem. Mas eu digo-vos e creio com isto partilhar o sentimento de todos os voluntários que têm estado com o projecto desde 2006: não é por obrigação que o fazemos, mas por amor a esta causa, e, como tudo o que se faz por amor, as dificuldades não causam desânimo, o tempo que leva não importa, o esforço não suscita lamentação, os reveses não arrefecem o entusiasmo. Quem tiver, nem que seja um pequeno fio, de vocação para esta causa (sem pretender, naturalmente, que não existam muitas outras causas nobres merecedoras de serem abraçadas), que apareça, que esse “fio” será “engrossado” e se tornará em corda pela qual esta causa será levada a bom porto, mas também pela qual cada um se poderá elevar acima das pequenas coisas e tornar-se mais Humano.

Paulo Domingues

P.S. Por motivos meteorológicos, ontem não houve jornada. Adiou-se, ainda com a presença prevista dos amigos da Montis, para o segundo Sábado de Novembro.

Comments (1) »

Jornadas Voluntárias de Outono

Com o Verão a chegar ao fim, é tempo de preparar as Jornadas Voluntárias de Outono no Cabeço Santo. Prevê-se um ambicioso plano com nada menos de 5 jornadas! Mas, com um programa variado e volumoso, novos motivos de interesse e muito que fazer em perspectiva, espera-se uma adesão expressiva dos voluntários.

Então, o que temos para fazer este Outono? Em primeiro lugar vamos começar a trabalhar em força nas novas áreas de intervenção do projecto que ainda estão em fase de apresentação (“Novas do projecto – parte 2”, ainda para aparecer). E nessas áreas uma das novas abordagens a aplicar é a técnica das bolas de sementes, com a ajuda dos nossos amigos do Movimento Terra Queimada, que já têm alguma experiência no assunto. Para o efeito, já começámos a recolher sementes dos frutos que foram amadurecendo e essa recolha vai continuar à medida que outros frutos o forem também. Essa poderá ser ainda uma das acções a empreender na primeira jornada da época, em particular com a apanha de bolotas. Da maior parte dos frutos é ainda necessário efectuar um trabalho de extracção das sementes, que está já a ser feito também. Depois, lá para meados do Outono, será a manufactura das bolas e finalmente o seu lançamento no campo.

Frutos de pilriteiro

Frutos de pilriteiro

Frutos de amieiro-negro em fase de extracção "húmida"

Frutos de amieiro-negro em fase de extracção “húmida”

Sementes de sabugueiro, em fase final de extracção

Sementes de sabugueiro, em fase final de extracção

Manufactura de bolas de sementes, num evento do Movimento Terra Queimada em 2014

Manufactura de bolas de sementes, num evento do Movimento Terra Queimada em 2014

Também teremos, evidentemente, a plantação de árvores, que, como é tradicional, se iniciará na jornada do Dia da Floresta Autóctone, no Sábado mais próximo da data, 23 de Novembro. As árvores a plantar serão sobretudo os carvalhos, os sobreiros e os medronheiros, sendo que os primeiros são de produção local. Também nos foram oferecidos alguns freixos.

Carvalho-roble em viveiro local

Carvalho-roble em viveiro local

Finalmente, como não poderia deixar de acontecer, teremos também trabalhos dedicados ao controlo da vegetação invasora, que se continuarão a concentrar em torno do vale nº 6, uma área onde, no espaço de dois anos (2015 e 2016) se espera que, praticamente apenas com trabalho voluntário, uma área interessante e difícil seja alvo de uma evolução bem visível no que toca à regressão da vegetação invasora e à evolução da vegetação nativa.

Como se pode ver, tudo trabalhos aliciantes! E agora vamos ao calendário:

19 de Setembro (nas vésperas da chegada do Outono)

10 de Outubro (já com a prevista participação de elementos da Montis)

31 de Outubro (no coração do Outono!)

21 de Novembro (com inspiração no Dia da Floresta Autóctone)

12 de Dezembro (para fechar o Outono, em beleza)

Como sempre, as jornadas arrancam em Belazaima pelas 9 horas de cada Sábado, e prolongam-se até que as energias se esgotem ou o sol se ponha (sobretudo depois da mudança da hora!). Em contrapartida as refeições têm melhorado a olhos vistos e são uma oferta da organização. Quanto a boleias, ajudas à deslocação, e outras formas de apoio que sejam necessárias, é só escreverem para cabsanto@gmail.com.

Desde já bem-vindos às Jornadas Voluntárias de Outono de 2015 no Cabeço Santo!

Comments (1) »

Jornada anual de visita

No dia 23 de Maio realizou-se a prevista jornada de visita ao Cabeço Santo. Logo pelas 9 da manhã já os visitantes se preparavam junto à Capela de S. Francisco no Feridouro. Como tem vindo a ser tradição, a visita inicia-se com a subida do cabeço junto ao vale nº 2, o de S. Francisco. Partindo de uma altitude de 160 metros na capela, o primeiro kilómetro e meio de subida (aproximadamente) leva-nos aos 380, um exercício apropriado para a frescura da manhã… e das pernas.

Partida, junto à Capela de S. Francisco

Partida, junto à Capela de S. Francisco

Num primeiro ponto de paragem observou-se uma área adjacente ao vale nº 2 que será alvo de trabalhos de reconversão, depois do corte recente de eucaliptos. Constatou-se como as mimosas ainda ocupam o vale, e reconheceram-se também as previsíveis dificuldades de intervir num terreno como este. Mas estamos já habituados a dificuldades…

Primeira paragem

Primeira paragem

A subida continuou e a próxima paragem foi à chegada ao terreno aqui adquirido pela Quercus em 2006. O panorama é agora bem diferente daquele encontrado na altura, quando os primeiros voluntários se dedicaram aqui a arrancar eucaliptos que tinham germinado em massa… Agora, os medronheiros e os carvalhos plantados nos primeiros anos do projecto já estão bem encaminhados, enquanto os pinheiros espontâneos dominam em altura. Ainda a merecer atenção estão restos de eucaliptos e ainda muitas plantas de acácia-de-espigas.

Chegada ao terreno da Quercus nas Bicas de Aguadalte

Chegada ao terreno da Quercus nas Bicas de Aguadalte

Entretanto, atravessou-se uma mancha de eucaliptal, mas com a expectativa reconfortante de esta vir a ser transformada num futuro próximo em algo mais interessante…

O troço final da subida fez-se já de novo junto ao terreno da Quercus, onde plantas interessantes como o tomilho e o hipericão fizeram a sua aparição. Mas foi necessário chegar ao antigo caminho da mata da Altri florestal para respirar de alívio: a subida íngreme tinha chegado ao fim, e, como recompensa, vislumbrava-se uma extensa paisagem desde a Serra da Boa Viagem à Ria de Aveiro e ao mar adjacente. Mais perto, admirou-se o cortejo de plantas associadas ao medronhal e, para quem ainda não sabia, aprendeu-se a distinguir as “boas” das “más”.

Chegada ao antigo caminho da mata

Chegada ao antigo caminho da mata

Observação da flora

Observação da flora

Cruzou-se o vale nº 2, e depois o 3, onde as acácias-de-espigas, agora carregadas de sementes, desafiaram seriamente os visitantes a aparecerem muitas vezes como voluntários. Alguns não resistiram a dar o gosto à mão…

Pequeno trabalho demonstrativo

Pequeno trabalho demonstrativo

Um bonito carvalho isolado deu o mote para o vale nº 4, onde os primeiros carvalhos plantados pelo projecto chegam cá acima, e logo a seguir o nº 5, onde os visitantes tiveram oportunidade de aprender sobre os trabalhos de acompanhamento que é necessário prosseguir para garantir o sucesso das plantas que aqui foram recentemente introduzidas. O vale nº 6 atravessou-se já na descida, mas foi então que um grupo de visitantes ficou para trás, e se perdeu, ou quase… A chegada ao vale nº 7 permitiu constatar como um troço do vale não abrangido pelo projecto se encontrava densamente invadido de mimosas, e como aí nada mais de interesse se podia observar, o caminho fez-se rápido para a ponte do PR8 sobre o Ribeiro, onde os visitantes tiveram um momento de pausa e descontracção, enquanto esperavam a chegada dos elementos “extraviados”.

Já à chegada ao Ribeiro

Já à chegada ao Ribeiro

Momento de pausa e descontracção

Momento de pausa e descontracção

Foi bom, mas quando a caminhada se retomou, as horas iam já avançadas e na verdade não se desfrutou de um percurso suficientemente relaxado pelo trilho ribeirinho, onde, ao longo de 800 metros se atravessam áreas de carvalhal activamente recuperadas pelo projecto, de facto, as áreas onde as equipas voluntárias têm tido o grosso da sua intervenção.

Continuação da visita, ao longo do ribeiro

Continuação da visita, ao longo do ribeiro

Atravessamento do ribeiro

Atravessamento do ribeiro

O quilómetro seguinte foi já em eucaliptal, com as margens do ribeiro muito invadidas de mimosas, uma área para um futuro próximo, à espera de intervenção. Foi só com a chegada à próxima ponte do PR8 sobre o ribeiro que o panorama mudou, com um campo de dedaleiras a esconderem as muitas árvores já aqui plantadas.

De novo sobre o ribeiro

De novo sobre o ribeiro

Depois os voluntários tiveram oportunidade de apreciar uma área de eucaliptal recentemente cortada, ao longo de 700 metros de curso do ribeiro, onde o projecto começará de imediato a intervir. Mais trabalho!

E foi exactamente sobre o Vale de S. Francisco que se tirou uma foto ao grupo de visitantes. Depois, foi só subir de novo à capela, e o percurso de mais de 7 km estava concluído. Como já passava bem das 13 horas, omitiu-se a passagem por uma extensão do ribeiro, a jusante do Vale de S. Francisco, onde o projecto inicia agora um volumoso trabalho de recuperação. Talvez no próximo ano já valha bem melhor a pena visitá-lo.

Visitantes para a posteridade

Visitantes para a posteridade

As fotos são todas do Armando Ferreira, e estão também na página do projecto no Facebook, mas claro, sem tantos detalhes explicativos.

E agora os trabalhos continuam: é já no dia 6 de Junho, com a última jornada voluntária de Primavera. Voltamos ao trabalho?!

Leave a comment »

Maio, ponto de situação

Maio não devia ser assim, correr para aqui, correr para acolá. Não, Maio devia ser o mês por excelência da pausa e da contemplação silenciosa de toda a sequência de maravilhas que se desenrola no grande “palco” da natureza.

Mas comecemos pelo princípio: a jornada prevista para 2 de Maio não se realizou, por escassez de voluntários. Mas temos de compreender: as “flores” que são as mãos dos voluntários já tinham sido “colhidas” uma semana antes, e o “canteiro” é precioso, mas pequeno. Não se pode lá ir muitas vezes. Mas teria sido um dia excepcional: o dia 1 tinha sido de intensa chuva, e o seguinte foi fresco e viçoso, mas luminoso e sem chuva.

Depois, no fim de semana seguinte, foi a Expoflorestal. O Núcleo de Aveiro esteve presente e o Projecto Cabeço Santo foi o tema principal em presença. Num canto do stand recriou-se um pequeno bosque onde não faltaram carvalhos, salgueiros, medronheiros, e até gilbardeiras. E mesmo uma háquea-picante, uma acácia-de-espigas e uma mimosa. Para que “ninguém” importante se pudesse queixar de não estar representado, embora se segredasse baixinho aos visitantes que aqueles três eram “ilegais”, tanto na feira como no cabeço. Só faltava um eucalipto, mas como logo ali os nossos amigos da Altri florestal tinham trazido tantos… Num ecrã passavam imagens e vídeos de paisagens, plantas e trabalhos, tudo do Cabeço Santo. E houve ainda o folheto, uma nova publicação sobre o projecto, 9 anos depois do primeiro. Era para se ter convidado à visita nas páginas deste blogue… mas simplesmente não houve tempo!

Stand da Quercus na Expoflorestal

Stand da Quercus na Expoflorestal

Entretanto Maio avançou. Depois da chuva veio o calor e de repente o Verão anunciou-se. Mas há muito tempo para o Verão. Oxalá a Primavera não se vá ainda embora, porque gostaríamos de fazer a Jornada de Visita ao Cabeço Santo ainda com sabor a Primavera! Assim, para lembrar, é já no próximo Sábado. Depois de um primeiro ponto de encontro no Parque de Merendas do Moinho de Vento em Belazaima, pelas 8:45h, seguiremos ainda sobre rodas para o Feridouro, de onde partiremos pelas 9:00h, subindo o cabeço ao longo do Vale de São Francisco, o nº 2, enquanto ainda está fresco. Depois seguiremos, com algumas variações, o Trilho da Serra, PR8, caminhando ao longo da área de intervenção até ao vale nº 7 e descendo depois ao Ribeiro, ao longo do qual faremos o caminho de regresso. Na parte final do percurso apreciaremos algumas áreas de intervenção novas, que serão o principal alvo da nossa atenção nos próximos anos. Finalmente, e para quem quiser ficar, trazendo algo para almoçar, regressaremos ao Parque de Merendas do Moinho de Vento em Belazaima, onde retemperaremos forças. Embora não sendo absolutamente necessário, é aconselhável a inscrição para cabsanto@gmail.com.

Bosque ribeirinho

Bosque ribeirinho

Até Sábado!

Leave a comment »

Jornada de visita

Realiza-se no próximo dia 7 de Junho a jornada de visita ao Cabeço Santo, desta vez promovida e organizada pela Câmara Municipal de Águeda e pelo Núcleo de Aveiro da Quercus, integrando-se na semana do ambiente e da sustentabilidade que a autarquia está a desenvolver: http://agueda21.wordpress.com/2014/05/15/semana-do-ambiente-e-sustentabilidade-2014/.

Embora tenha sido originalmente pensado como um percurso de “inauguração” do troço do Cabeço Santo do PR8-Trilho da Serra, tal não vai propriamente acontecer porque ainda não foi possível realizar a recuperação das duas pontes sobre o Ribeiro de Belazaima que permitiam passar para a sua margem sul (e voltar). Estas pontes, recorde-se, foram deslocadas das suas posições originais durante os temporais do último Inverno e a Câmara Municipal ficou de proceder à sua recuperação, mas tal só será possível durante o Verão.

Deste modo, o percurso será adaptado e decorrerá apenas a norte do Ribeiro. Desenvolver-se-á em jeito de visita guiada, pois tão importante como ver é perceber os desafios do projecto e como têm sido abraçados. A partida será pelas 9:00h da Capela do Feridouro e, ainda com tempo fresco e pernas descansadas, subir-se-á a encosta junto ao vale nº 2, passando pelo terreno aqui adquirido pela Quercus em 2006. Depois o percurso seguirá o trilho demarcado e atravessará os vários vales em intervenção até se descer à zona ribeirinha, onde volumosos trabalhos têm sido realizados para recuperar este precioso habitat. E será mais perto do ribeiro mas sem nunca o atravessar que o percurso se fechará em direcção ao Feridouro. Depois será o almoço partilhado na praia fluvial da Redonda, mas cada um deverá trazer a sua parte. As inscrições podem fazer-se (ou informações pedir-se) para os contactos do Projecto e da Quercus-Aveiro [cabsanto@gmail.com; 966 551 372], ou para os da Câmara Municipal de Águeda [agenda21agueda@gmail.com ou 234 610 070 (ext. 1427)].

Leave a comment »