Posts tagged carvalhal

1ª Jornada de Outono

A jornada de 30 de Setembro, a primeira deste Outono que ainda parece Verão, foi dedicada a duas actividades distintas: apanha de bolotas e castanhas e arranque/descasque de mimosas.

Como já foi explicado no artigo de apresentação das jornadas de Outono, este ano planeamos fazer uma sementeira importante de bolotas, aproveitando o facto de a produção ser elevada, embora a intensa seca que estamos a viver esteja já a comprometer a produção de muitas árvores. Deste modo, têm que se seleccionar árvores com bolotas em bom estado, de maneira a melhorar a viabilidade das sementes.

A equipa começou pelos carvalhos da Quinta das Tílias, progredindo em direcção ao ribeiro, onde se apanharam também castanhas nos castanheiros que residem nas margens. Embora severamente afectados na Primavera pela “nova” vespa-das-galhas-dos castanheiros, no Verão as árvores recuperaram, lançaram novas folhas já não afectadas e acabaram por dar uma produção interessante.

DSC_1866

Apanhando castanhas

DSC_1871

Apanhando bolotas

Depois de atravessar o ribeiro, onde ainda corre um fio de água, a equipa seleccionou alguns dos melhores carvalhos, um deles o maior da zona, onde valeu a pena ir só para o contemplar, e aí concluiu esta parte da colheita.

DSC_1877

Sob um formoso carvalho isolado…

DSC_1882

Na intimidade de um carvalho…

DSC_1885

Junto ao maior carvalho da zona

Ainda durante a manhã deslocámo-nos à zona da Ponte Nova, onde alguns carvalhos eram já conhecidos pela sua generosidade. E generosa foi também a sombra e o ambiente proporcionado por aquelas grandes árvores durante o período de paragem para o almoço.

DSC_1944

Uma das árvores notáveis da zona da Ponte Nova

DSC_1946

Uma formosa tília-de-folha-pequena

DSC_1947

Aqui as águas do ribeiro encontravam-se cobertas com algas, talvez devido aos excessivos nutrientes dissolvidos

DSC_1952

O almoço fez-se à sombra destas árvores!

À tarde a equipa deslocou-se até ao Feridouro, para apanhar bolotas debaixo dos grandes carvalhos junto ao Vale de São Francisco, e depois nos do Cortinhal. No Vale de São Francisco uma nascente ainda pingava uma água preciosa, mas pareciam ser mesmo os últimos pingos de um Verão que teima em não terminar.

DSC_1887

À tarde, junto aos grandes carvalhos do Vale de São Francisco

DSC_1889

Mesmo junto ao Vale de São Francisco

DSC_1891

Uma nascente ainda pingava. Preciosa!

DSC_1892

A apanha concluiu-se sob os carvalhos do Cortinhal

Já a tarde ia adiantada quando se deu a colheita por terminada e se passou a um trabalho diferente, para diversificar: na zona da Chousa (a jusante do Feridouro), descascaram-se e arrancaram-se mimosas em torno do ribeiro. Esta zona é preciosa, mas encontrava-se muito invadida de grandes mimosas (que foram entretanto removidas), sendo agora necessário não deixar crescer muito as imensas plantas que, talvez mais originadas por rebentamento de raízes do que por germinação de sementes, vão aparecendo e crescendo rapidamente. Nalguns casos tiveram que se fazer equipas de dois, três, ou mesmo quatro voluntários para arrancar algumas mimosas mais agarradas. Foi um bom exercício, onde se esgotaram as energias do dia.

DSC_1899

Na Chousa descascaram-se e arrancaram-se mimosas

DSC_1900

O leito, aqui seco, do ribeiro, com as mimosas arrancadas das margens

DSC_1905

O trabalho de equipa foi essencial para o arranque de algumas mimosas

Quanto às bolotas e castanhas apanhadas, estima-se em 100 kg a quantidade recolhida. Estas sementes foram depois seleccionadas, limpas e colocadas numa câmara frigorífica para manterem boa capacidade germinativa até ao momento de poderem ser semeadas. Com o tempo quente e seco que tem estado, as bolotas perdem rapidamente a capacidade germinativa se não forem guardadas num ambiente de elevada humidade. Por outro lado, a baixa temperatura da câmara atrasa a germinação, garantindo que, ainda que sejam semeadas só em Novembro ou Dezembro, se encontram em boas condições. No entanto também não devemos atrasar demasiado a sementeira pois quanto mais tarde, maior é a pressão predatória. Novembro, será o mês mais próprio.

DSC_1940

O resultado da apanha

DSC_1936

A equipa voluntária da jornada

Obrigado a todos os voluntários. As jornadas de Outono continuam já no próximo Sábado!

Paulo Domingues

Anúncios

Comments (1) »

Incêndio de 28 de Abril: balanço (quase) final

Quase dois meses depois, é tempo de fazer um balanço das consequências do incêndio de 28 de Abril e olhar para uma série de eventos que dele resultaram.

Em primeiro lugar é devido um agradecimento a todos aqueles que de alguma forma quiseram manifestar o seu apoio, por palavras ou acções: quem comentou no artigo então escrito, quem telefonou, quem escreveu mensagens, quem disponibilizou recursos.

Um dos aspectos singulares que marcou este incêndio foi a particular atenção mediática que lhe foi concedida, por certo também relacionada com o facto de ele ter ocorrido num momento invulgar do ano. No próprio dia aconteceram as coberturas da SIC (http://sicnoticias.sapo.pt/pais/2017-04-28-Rajadas-de-vento-dificultaram-combate-as-chamas-em-Agueda) e da TVI (http://www.tvi24.iol.pt/sociedade/fogo-florestal/bombeiros-dao-como-dominado-incendio-em-agueda). Da primeira há a destacar a curiosa referência ao corredor ecológico que o Projecto Cabeço Santo está a criar ao longo do ribeiro, e que assim ganhou uma inesperada exposição. Ainda do dia do incêndio há esta peculiar reportagem (http://portocanal.sapo.pt/noticia/120927/), onde há a destacar dois aspectos: o suposto anúncio de que este ano muito iria arder nesta região, também afirmado por um algo anedótico escrito no Facebook, e o lapso do Vereador Jorge Almeida, por certo mal informado quanto à extensão dos danos causados ao projecto. O primeiro aspecto parece ter sido assumido pelas pessoas da freguesia como uma ameaça real, com risco de se materializar onde ainda não ardeu em 2013, 2016 e 2017. Quanto às razões para uma tal ameaça, ninguém as parece conhecer. [Hoje mesmo, 18 de Junho, quando todas as atenções estão voltadas para a tragédia de Pedrógão Grande, novo acendimento nocturno se produziu em Belazaima, felizmente sem grandes consequências].

Também referência a um artigo saído no jornal Público (https://www.publico.pt/2017/05/02/local/noticia/incendio-de-agueda-afectou-significativamente-projecto-do-cabeco-santo-1770740), segundo uma notícia veiculada pela Agência Lusa, e com claras incorrecções, concretamente no que toca aos motivos para não se terem realizado as limpezas de material combustível. Poucas horas depois de ter saído a notícia propus uma correcção da mesma, apresentando-me como responsável pelo projecto e deixando um contacto telefónico. Mas nada, o Público preferiu ignorar e desinformar os seus leitores. De passagem, o entrevistado visado e presidente da Direcção do Núcleo Regional de Aveiro garantiu-me que não disse aquilo e que o jornalista foi tendencioso… E se assim foi, mais do que tendencioso: deturpador!

Ainda no que toca a reflexos mediáticos do incêndio, há a destacar a reportagem especial realizada pela SIC, já em jeito de reflexão (http://sicnoticias.sapo.pt/programas/reportagemespecial/2017-06-12-A-prova-de-fogo-1).

Entre as ofertas de apoio mais explícitas há que referir as dos grupos congéneres Movimento Gaio e Associação Montis, mas particularmente esta última e do seu responsável, Henrique Pereira dos Santos, de cuja pena saíu o artigo http://montisacn.blogspot.pt/2017/05/aprender-em-conjunto.html. Embora sabendo bem que o uso de fogo controlado é sempre uma opção discutível (ver por exemplo http://blogueiros.axena.org/2013/09/06/incendios/) uma perspectiva a posteriori dos acontecimentos de Belazaima leva-nos de facto a concluir que, se não integralmente, pelo menos um fogo controlado parcial teria sido uma opção sensata.

Também em resultado das manifestações de apoio recebidas, os dois colaboradores da Montis estiveram um dia inteiro no Cabeço Santo realizando trabalhos de engenharia natural de contenção da erosão numa área ribeirinha muito declivosa da mata da Altri Florestal. Aproveitamos para a agradecer à Montis esta contribuição! As fotos desse dia, 31 de Maio, são da Sara.

IMG_7650

Perspectiva da área sob intervenção

IMG_7649

Aqui, onde o fogo foi detido, cortaram-se árvores queimadas e usaram-se os ramos para criar barreiras contra a erosão

IMG_7648

Ao longo da encosta, havia varas de eucaliptos, que tinham sido recentemente cortados, e que foram usadas para as barreiras anti-erosão

IMG_20170531_144529

Outra perspectiva

IMG_20170531_130829

Barreira de pedras em saco de nylon

Quanto às consequências para as árvores e arbustos plantados este ano, criou-se inicialmente uma certa expectativa quanto à possibilidade de muitos deles rebentarem. No entanto pode-se já afirmar que não foi assim: a grande maioria não rebentou e terão de ser replantados na próxima época, aproveitando os mesmos locais e a fertilização e mobilização do solo já realizadas. De facto, ainda antes da plantação, e usufruindo do facto de se esperar uma grande produção de bolota de carvalho-roble este ano, deverão realizar-se sementeiras ao longo dos mais de 12 ha que estarão disponíveis para se iniciar ou retomar a recuperação a partir deste ano.

DSC_1569

Perspectiva do Vale de Barrocas, já “manchado” de verde

DSC_1573

Uma das pouquíssimas excepções: um carvalho plantado este ano em rebentação

DSC_1575

Os carvalhos estabelecidos, encontram-se, em geral, a rebentar em força

DSC_1578

Um tubo deformado, e lá dentro…

DSC_1579

… um carvalho a rebentar!

DSC_1580

Pequeno carvalho a rebentar

DSC_1589

Os carvalhos que existiam no coração do vale perderam completamente a parte aérea. Mas já têm um palmo de rebentação na sua base.

DSC_1591

As partes aéreas queimadas já começaram a ser cortadas

DSC_1592

As árvores plantadas há alguns anos que ainda tinham tubos de protecção estão a ter dificuldade em rebentar: uma lição!

DSC_1603

Alerta! Vêm aí as mimosas! Mais um trabalho para daqui a umas semanas: arrancar mimosas de origem seminal.

DSC_1605

Os eucaliptos das Costas do Rio / Pé Torto, serão agora cortados. São mais 7,5 ha a juntar à área de intervenção!

DSC_1607

O estado da zona ribeirinha é assustador… Mas, uma coisa de cada vez.

Entretanto, a jornada prevista para 17 de Junho, a última da Primavera de 2017, foi adiada por previsão de temperaturas elevadas, que tornam qualquer trabalho de campo durante o dia extremamente desgastante. Adiou-se para o Sábado seguinte, tornando-se assim a primeira jornada de Verão. No calendário, claro, porque no terreno já é Verão há muito tempo. O anúncio das Jornadas Voluntárias de Verão virá já a seguir. Oxalá seja mais sereno que a Primavera que o precedeu…

Paulo Domingues

Comments (1) »

Cuidar das árvores

A jornada de 3 de Junho decorreu com um dia fresco e húmido, no qual o sol ficou escondido atrás da neblina matinal até quase ao meio dia. Foi participada por 5 voluntários, que se empenharam na importante acção de cuidar das árvores plantadas nos últimos dois anos, mas principalmente das plantadas em 2016, já que a maior parte das plantadas em 2017 desapareceu no incêndio de 28 de Abril.

O cuidado que as árvores precisam é a remoção de plantas espontâneas que se implantam, por vezes vigorosamente, junto aos pés das árvores plantadas, e a reconstrução, se necessário, das pequenas caldeiras em torno das árvores, para que melhor possam aproveitar a água da chuva.

Os trabalhos iniciaram-se nos antigos socalcos de eucalipto da área conhecida por “Costa”, logo a jusante das terras do Feridouro. Apesar das condições difíceis do solo, a maior parte das árvores encontrava-se com boa vitalidade. Uma surpresa agradável foi a observação de um ninho de águia-de-asa-redonda, ironicamente numa grande mimosa, de onde as duas crias ensaiavam os primeiros voos.

DSC_1471

Os trabalhos iniciaram-se nos socalcos da Costa

DSC_1473

Um lódão-bastardo

DSC_1474

Um medronheiro

DSC_1476

Um carvalho

DSC_1481

Concorrência de uma planta espontânea, aliás exótica e invasora, com um medronheiro

DSC_1482

Trabalho em curso

DSC_1483

Continuação do trabalho

DSC_1485

Quase concluído!

DSC_1486

Um ninho de águia-de-asa-redonda numa mimosa!

Foi-se depois avançando para jusante, para as antigas várzeas da Chousa, antes completamente invadidas por mimosas. Por isso ainda agora, e mesmo depois de já aqui se terem arrancado milhares de jovens plantas de mimosa, estas continuam com abundante presença. Contudo na primeira das várzeas, onde se realizou uma mobilização de solo para arranque dos tocos de mimosa, a terra era agora dominada pelas dedaleiras, uma planta pioneira em solos perturbados. Nesta várzea foi já plantada uma dúzia de espécies de plantas nativas, entre árvores e arbustos. Estavam em geral bastante crescidos, com os carvalhos a serem aqui os mais débeis.

DSC_1492

Numa das várzeas da Chousa

DSC_1494

Um freixo depois de cuidado

Atravessou-se o ribeiro para a parcela a sul do mesmo, onde uma antiga plantação de freixos exóticos ainda chama a atenção. O silvado é que se foi aproveitando da luz deixada pela saída das grandes mimosas que aqui se encontravam e por pouco já era um obstáculo à simples passagem.

DSC_1498

Como habitualmente, não foi só trabalhar!

DSC_1504

Uma bonita borboleta numa flor de batón-azul

Seguiu-se a encosta da Chousa, uma área inclinada e rochosa, onde se tinham plantado sobretudo medronheiros e sobreiros, e onde surgiu uma mancha de plantas pioneiras “não convidadas”: as giestas. Quanto aos medronheiros e aos sobreiros, encontravam-se com muito boa apresentação! Mas a manhã chegava ao fim e não era possível continuar para jusante, até à represa: para a tarde tínhamos planos de trabalho mais para montante.

DSC_1508

Um medronheiro na encosta da Chousa, em companhia de uma gramínea espontânea

DSC_1509

Voluntário cuidando de um sobreiro

DSC_1510

Voluntário arrancando uma mimosa

Depois de um agradável almoço ao som do crepitar das águas do ribeiro, dos cantos das aves (e um especialista a identificá-los!), e depois de uma boa sesta, os trabalhos continuaram, agora no corredor ribeirinho a jusante dos portões da Mata da Altri Florestal, primeiro logo a seguir ao Feridouro e depois dos portões para jusante. Aqui, não obstante a dureza das condições do terreno e a exposição sul, constatou-se que as árvores plantadas em 2016 tinham crescido surpreendentemente bem!

DSC_1517

Trabalhos a seguir ao Feridouro

DSC_1519

Perspectiva do corredor ribeirinho. A sul do ribeiro, o eucaliptal queimado no dia 28 de Abril

DSC_1532

Arranque de mimosas em zona difícil

DSC_1535

Vista geral dos trabalhos e do “corredor ecológico”

DSC_1539

Contrastes!

DSC_1540

Um carvalho de origem seminal

DSC_1541

O que ainda há dois anos era um morro inóspito e nu vai-se tornando mais vivo

DSC_1543

Um medronheiro plantado em 2016

DSC_1550

Agora já junto aos portões da mata, um lódão-bastardo já crescido, mas com muita “concorrência”

DSC_1555

Depois de cuidado!

DSC_1547

Voluntário visivelmente impressionado com o estado de desenvolvimento desta árvore!

E a tarde não iria acabar sem mais uma observação deliciosa: um ninho com crias (o segundo do dia!), muito provavelmente de águia-de-asa-redonda, mas curiosamente numa árvore (desta vez um carvalho!) que tinha sido bastante chamuscada pelo incêndio de 28 de Abril, quando por certo já havia pelo menos ovos em choco.

DSC_1561

Para terminar em beleza: observação de um ninho de águias, agora mais jovens do que as primeiras

DSC_1564

Outra observação animadora: as árvores queimadas em 28 de Abril já rebentam!

DSC_1565

A feliz equipa deste dia

Foi o final de um dia muito produtivo e animador (provavelmente mais de 90% das árvores plantadas encontravam-se vivas e bem de saúde!), quase a fazer esquecer a paisagem queimada que também nos acompanhou ao longo de todo o dia em 2º plano. Voltaremos a ela em força, noutra oportunidade!

Até breve!

Paulo Domingues

Comments (1) »

28 de Abril de 2017: um olhar

Uma combinação de factores, quase todos no mesmo sentido, deram origem aos tristes eventos que se iniciaram no dia 28 de Abril ao início da madrugada: um mês de Abril sem chuva, e com vários episódios de temperaturas muito elevadas, acompanhados de vento de leste seco e por vezes forte, com predominância noctura; duas noites consecutivas de vento de nordeste forte, a de 27 e a de 28; uma paisagem vulnerável, uniformizada até ao limite; a vontade de causar dano, materializada no atear do fogo, pouco depois da meia noite de 28 de Abril, um momento seleccionado para que o dano fosse o maior possível, e as hipóteses de reacção o mais demoradas e difíceis possível. Apenas um factor em sentido contrário: as temperaturas eram baixas, a mínima dessa noite terá estado entre 6 e 8 ºC, o que pode ter evitado danos maiores em muitas das árvores atingidas, mesmo eucaliptos, mas que não foi suficiente para evitar que as consequências deste incêndio fossem grandes.

Com grande probabilidade, o fogo foi ateado no coração do Vale de Barrocas, ou na sua proximidade, e terá sido a área onde este ano foram plantadas mais de 1500 árvores pelos voluntários do Projecto Cabeço Santo, uma das primeiras a ser atingida. Sabíamos que o local era vulnerável. Os eucaliptos previamente existentes tinham sido cortados e muita ramada tinha ficado espalhada pelo chão. As próprias plantas do matagal, amassadas pela queda das árvores, estavam parcialmente secas. Num momento, terá chegado a aflorar a ideia de reduzir toda essa massa combustível por meio de um fogo controlado antes da plantação, como aliás já outras vezes se tinha feito no Cabeço Santo. Mas a emergência espontânea de muitas plantas com valor para a regeneração, mais algumas, essencialmente carvalhos, que tinham conseguido escapar à queda dos eucaliptos, fez afastar essa ideia e os trabalhos avançaram sem ela.

Tão rápido terá sido o fogo a subir o Cabeço do Meio, que, quando os alarmes soaram, pela 1 da madrugada, já as chamas eram visíveis em Belazaima, no alto do cabeço. Ajudadas pelo vento que soprou forte durante toda a noite, o fogo desceu a encosta em direcção a Belazaima e às Póvoas, enquanto se espalhava também por toda a encosta a sul do ribeiro, desde a represa de Belazaima até à Ribeira do Tojo, já perto de Belazaima-a-Velha, passando pelo Feridouro. Com o nascer do sol, o vento acalmou, e os meios de combate intensificaram-se, por terra e pelo ar, mas as chamas já estavam muito dispersas, e só ao fim da tarde desse dia o incêndio foi extinto. Mas ainda durante a tarde esteve ameaçada a área da Benfeita, já junto a Belazaima, onde as primeiras plantações da época tinham sido realizadas. Chegaram a perder-se aqui algumas árvores, mas conseguiu evitar-se o pior.

DSC_1310

Pelas 3:30h o fogo já estava a escassas centenas de metros de Belazaima, vindo de sul, como em 2005

O balanço deste acontecimento começou a fazer-se no próprio dia, com uma visita aos locais atingidos. Para os trabalhos do Projecto, a principal perda foram os cerca de 4 ha do Vale de Barrocas onde este ano se tinham realizado plantações. Há uma certa probabilidade de algumas das plantas rebentarem e recuperarem a parte aérea, mas para confirmar isso é preciso esperar. Arderam também os 7,5 ha da propriedade das Costas do Rio, logo ao lado, ainda com eucaliptos, que iriam ser cortados este ano para que esta área com 1 km de margens do ribeiro pudesse, pelo menos parcialmente, ser adicionada à área de intervenção do projecto. Mais para montante, o incêndio atingiu o corredor ribeirinho da Ribeira do Tojo, e aqui, justiça lhe seja feita, cumpriu uma das suas funções, não obstante os poucos anos que ainda tem: o fogo ainda o atingiu ao longo do caminho mas nem num metro conseguiu atravessar o ribeiro, não obstante a presença dos fetos secos do ano anterior, que noutros locais foram “pasto” suficiente para as chamas avançarem. Já mais para jusante, no eucaliptal das Costas do Rio, o fogo atravessou o ribeiro e ainda queimou várias centenas de metros do corredor ribeirinho na Mata da Altri Florestal, incluindo parte da área de confluência dos vales nºs 3, 4 e 5, mas os responsáveis da empresa, aliás logo presentes no local com os seus meios, puderam respirar de alívio: foram poucos os eucaliptos ardidos.

DSC_1333

A área do Vale de Barrocas foi totalmente atingida

DSC_1330

O “coração” do Vale de Barrocas, ainda fumegante

DSC_1335

O Jorge Morais inspecciona a área, com o Cabeço Santo (escassamente atingido) em fundo

DSC_1343

Vista do caminho para Belazaima-a-Velha

DSC_1363

As estacas que tinham sido colocadas para assinalar as plantas introduzidas

DSC_1342

O “herói” do dia foi o corredor ecológico da Ribeira do Tojo: atingido em quase toda a sua extensão, não deixou passar o fogo para norte do ribeiro!

DSC_1358

Na mata da Altri Florestal foi atingido o corredor ribeirinho, mais vulnerável do que na Ribeira do Tojo, por ter menos condições para a implantação das folhosas

DSC_1351

No Chão do Linho, onde o Vale de Barrocas encontra o Ribeiro, e não longe do local onde o fogo terá sido ateado, as folhosas foram pouco afectadas

Do lado norte do ribeiro ardeu ainda uma pequena faixa do corredor ribeirinho a jusante dos portões da mata, que tínhamos plantado no ano passado, mas sem grandes perdas. O fogo atravessou a estreita faixa de carvalhos aqui existente, sem praticamente lhes causar dano, para depois progredir pela encosta, já com mais material combustível.

DSC_1370

Esta estreita faixa de carvalhos deixou passar o fogo para norte do ribeiro, mas as árvores foram pouco afectadas

DSC_1349

Os tubos de protecção derreteram sobre as árvores.

Da “minha” Quinta das Tílias (e desculpem falar dela aqui, que não faz propriamente parte do projecto) arderam os 8 ha da área florestal de proximidade da Quinta, onde desde 2006 fazia trabalhos de reconversão. Destes, talvez menos de metade era carvalhal. O fogo progrediu através dos fetos secos e a maior parte das árvores perdeu todas as folhas, mas a expectativa de recuperação das partes aéreas é grande. O tempo o dirá.

DSC_1329

Carvalhos da Quinta das Tílias, parcialmente atingidos. Mas outros foram mais.

DSC_1376

Mais para jusante, nos Borralhais, só a parte inferior das copas foi atingida, apesar de o fogo ter “batido” cada m2. Chave: pouco material combustível no solo.

DSC_1375

Uma curiosidade: este campo de aveia, completamente cercado pelo fogo, sobreviveu incólume!

Para concluir a ronda, constatámos que 4 das 6 colmeias que faziam parte do apiário do Cabeço Santo tinham sido roubadas. Não queimadas mas roubadas. Ficou apenas uma Lusitana e a Top Bar, que podia ser facilmente identificada noutro local. Animador não é?

Que lições retirar deste evento?

Em relação ao trabalho no terreno, talvez a mais importante seja a de que temos de colocar mais atenção na redução do material combustível, o que no caso do Vale de Barrocas só teria sido possível de forma efectiva com a realização de uma queimada controlada previamente à plantação. Mesmo os fetos secos, que ocorrem todos os anos no final do Outono (onde crescem), deveriam ser triturados com moto-roçadora, pelo menos parcialmente, pois foram o principal factor de dano para os carvalhos. Nos limites exteriores das áreas de intervenção deveriam criar-se corredores onde o controle de materiais combustíveis fosse mais estrito. Claro, tudo isto tem custos de mão de obra elevados. Adicionada a esta redução da vulnerabilidade, seria importante ter mais duas coisas: capacidade para fazer vigilância nocturna, pelo menos nas noites mais susceptíveis, que, em condições normais, não são assim tantas por ano, e capacidade para, detectada uma ameaça, dirigir uma intervenção rápida sobre os acendimentos. Talvez no futuro tenhamos condições para o fazer.

Este é, naturalmente, um momento em que, de forma particularmente intensa, percebemos a enormidade da tarefa que temos em mãos, confrontada com uma indiferença, que pode chegar à hostilidade, de idêntica dimensão. Não podemos dizer com segurança que este acto teve deliberadamente o objectivo de atingir o projecto e os seus objectivos, mas há alguns indícios que apontam nesse sentido, pois contabilizo, com este, cinco incidentes do género nos últimos anos, quatro dos quais resultaram em fogo ateado em áreas de recuperação ecológica, embora a extensão dos danos tenha sido consideravelmente menor do que agora. É verdade que também houve acendimentos noutros locais, e não pretendo levantar nem viver à sombra do fantasma do “eterno inimigo”, que afinal não será mais do que “doente”, numa sociedade e num tempo tão propensos a alimentar os mais doentios desvios.

Essa sensação, da enorme discrepância entre o que é necessário fazer e o que há condições, materiais e humanas, para fazer, parece ser de facto uma característica da nossa época. Ainda há dias lia no El País, segundo Zygmunt Bauman: “Há uma crescente brecha aberta entre o que é necessário fazer e o que se pode fazer, o que importa realmente e o que conta para quem tem o poder de fazer, entre o que acontece e o que seria desejável acontecer” (http://cultura.elpais.com/cultura/2017/04/17/actualidad/1492423945_605390.html). Fico confortado com o encontro de entendimentos, mas o que fazer com ele? O que fazer com a ideia de se poder trabalhar 10, 20 anos, quiçá uma vida inteira com um objectivo, tão grande que se consegue realizar apenas numa ínfima parte, e que no final desses 10, 20 anos, quiçá no final dessa vida inteira, essa ínfima parte possa ser alvo de um destrutivo acto anónimo que demora um segundo a ser desencadeado? Não posso responder a esta questão, embora acredite que ela só tem uma resposta pela positiva procurando olhar para o “problema” de uma perspectiva mais larga do que aquela que nos é imediatamente acessível, através dos sentidos, do conhecimento técnico, da informação. Uma perspectiva de onde se colha energia, ânimo e determinação, mesmo quando os factos parecem convidar ao desânimo, ao esgotamento e à desistência. E existe uma tal perspectiva? É um grande desafio encontrá-la mas necessitamos dela desesperadamente. Mesmo que não a tenhamos muito clara, não podemos esperar pela claridade plena para tentarmos desenterrar essas energias que a acção requer. Por isso, sim: apesar de todas as contrariedades, de as invasoras serem um desafio gigante para as nossas capacidades, de os solos estarem desprovidos e fragilizados, de as alterações climáticas poderem alterar as “regras do jogo a meio”, de todas as dificuldades da natureza humana, apesar de tudo isso e ainda mais, voltaremos ao Cabeço Santo, ao negro Vale de Barrocas, com as mesmas ilusões da primeira vez, mas… com a vantagem de agora termos mais experiência. Faremos a visita prevista para dia 20 de Maio, procurando colocar as coisas belas e as feias nos lugares certos do nosso entendimento, e faremos o CTC que tínhamos previsto para este fim de semana numa outra data que consigamos encontrar. (O CTC não foi contudo cancelado por causa do fogo, mas por causa da chuva, que, atrasada, acabou por vir este Domingo de madrugada). Antes de tudo isso, estaremos na Expo-florestal, em Albergaria.

E vós, voluntários, que tão dedicadamente contribuíram para o trabalho deste ano, agora parcialmente destruído, como se sentem? Com que vontade para voltar? Expressem-se, se quiserem, nesta página, mas sem raiva nem ressentimento, que isso leva muitas energias e precisamos delas para tudo o resto! Até breve!

Paulo Domingues

Comments (11) »

Novo Ano, novas jornadas

O Cabeço Santo já acordou para o novo ano, mas a primeira jornada de 2017 não se chegou a realizar, por o número de voluntários ser insuficiente. Talvez o ambiente festivo ainda não convidasse muito à acção, talvez os dias frios apelem mais ao recato do lar…

dsc_0573

Os dias têm acordado com geada, que desaparece aos primeiros raios de sol

dsc_0581

Os carvalhos vão gradualmente perdendo as suas folhas, ao longo do Inverno

Mas a verdade é que é mesmo no Inverno que se plantam árvores, pelo que se renova o chamamento para a segunda jornada voluntária a realizar no dia 21 de Janeiro. À espera dos voluntários que não tenham medo da onda de frio que se avizinha estará uma grande colecção de árvores e arbustos que temos de plantar até Março.

Até Sábado, no Cabeço Santo!

Comments (1) »

Última jornada do Outono, e do ano

E chegámos à última jornada do ano de 2016! Para celebrar condignamente o acontecimento, 13 valorosos voluntários reuniram-se mais uma vez para uma jornada de plantação de árvores. E o momento foi também especial por outro motivo: iríamos iniciar a plantação numa área nova, na qual já se realizou trabalho ao longo de 2016, mas não de plantação, apenas de corte de rebentação de eucalipto: o vale de Barrocas.

Este é um vale precioso, com duas captações de água em cotas distintas, que alimentam casas no Feridouro, para consumo humano e para rega. As encostas são bastante inclinadas, com uma orientação tendencial para norte/nordeste, e com solos de qualidade superior à média para estas montanhas. Mercê de várias circunstâncias felizes, será possível reunir aqui perto de 10 ha de terreno, embora nem todo já disponível. De momento, temos aqui para plantar cerca de 3 hectares, e temos também a rebentação de eucalipto, dado termos optado por não usar aqui herbicida. Por coincidência, andou neste mesmo dia aqui uma máquina giratória a partir cepas de eucalipto com uma enxó, uma alternativa mecanizada ao corte manual da rebentação, e com a vantagem de não resultar em rebentamentos posteriores. O problema é que essa máquina, ainda que de lagartas, não pode ir às áreas mais inclinadas. Assim se constata que a plantação com eucaliptos em terrenos de elevada inclinação cria um problema de difícil solução, pela sua irreversibilidade sem custos elevados.

dsc_0418

Chegada ao terreno e preparação

Deste modo, a equipa dividiu-se em duas partes: os “plantadores” e os “cortadores” de rebentação. O dia estava frio e com vento, pelo que mesmo o esforço dos trabalhos teve dificuldade em promover a remoção dos agasalhos. O sol, pelo seu lado, brilhou todo o dia, mas como estávamos numa encosta voltada a norte e como ele agora está muito baixo (estamos quase no solstício) quase não demos por ele.

dsc_0440

Equipa dos “cortadores de rebentos”

dsc_0446

Elemento da equipa dos “plantadores”

dsc_0450

Tabuleiro de plantas

dsc_0472

Cogumelos em cepa de eucalipto

dsc_0499

Equipa plantando uma árvore

dsc_0500

Misturando bem os fertilizantes

dsc_0504

Com a colocação do tubo de protecção está concluída a operação

Os “plantadores”, agrupados em três equipas, tiveram que carregar as plantas e os fertilizantes encosta acima, pelo que a jornada foi particularmente exigente. A abertura das covas, já o sabíamos, não era propriamente fácil, pois tinha que se fazer com picareta, num terreno com matagal e tocos de eucalipto. Nestas circunstâncias, não podemos esperar plantar muitas árvores por dia, o melhor que podemos tentar é fazê-lo bem.

A maior parte das árvores eram carvalhos, embora houvesse também alguns medronheiros.

Pelo meio dia já havia voluntários bastante cansados, mas um almoço especial com grão-de-bico, broa de milho e cuscuz, para além de outras especialidades, foi suficientemente revitalizador, pelo que a equipa voltou sem demora ao trabalho, que a tarde era curta.

dsc_0466

O dia estava frio e nem o aquecimento interno deu para tirar muitas roupas

dsc_0506

Plantando as últimas árvores

dsc_0508

Os declives eram elevados

dsc_0534

Lá mais em cima, uma giratória fazia o seu trabalho

dsc_0528

Vista de uma área plantada

Embora agora fosse necessário transportar os materiais ainda mais para cima na encosta, os trabalhos prosseguiram com animação e pelas 16 horas todas as 180 árvores trazidas de casa estavam plantadas. O sol escondia-se rapidamente atrás do Cabeço do Meio, mas ainda houve energias para todos se dedicarem ao corte de rebentação de eucalipto nos minutos finais da tarde. E imaginem: conseguiram encontrar uma máquina fotográfica compacta perdida no meio de todo o material lenhoso depositado no chão!

dsc_0540

Cortando rebentos de eucalipto no final

dsc_0546

Vista da área plantada, acima do antigo caminho para Belazaima-a-Velha

dsc_0555

Vista do Vale de Barrocas, da área trabalhada, e da que ficou por trabalhar.

dsc_0558

A equipa no final, em pleno coração do Vale de Barrocas!

Tinha sido uma excelente jornada, a fechar 2016. E uma jornada verdadeiramente europeia: para além da já habitual presença francesa, desta vez tivemos também uma alemã! E várias estreias de novos voluntários! Assim se encerra um ano de grande participação voluntária no Cabeço Santo, bem à medida das imensas necessidades que se apresentam. Mas a época de plantação ainda nem vai a meio! Continuamos já no dia 7 de Janeiro, pois há muito para fazer!

Um grande obrigado a todos os voluntários deste dia e deste ano. Felizes festas e até muito breve, com o anúncio das jornadas voluntárias de Inverno no Cabeço Santo! Entretanto, podem ver mais fotos da jornada na página do projecto no Facebook.

Comments (2) »

2ª Jornada Voluntária de Inverno

Foi com uma expressiva participação de 10 voluntários, alguns deles estreantes e vindos de longe, que decorreu mais uma jornada voluntária de Inverno dedicada exclusivamente à plantação de árvores.

A primeira área trabalhada situa-se muito perto da aldeia do Feridouro, a poente das suas principais terras agrícolas, e era uma encosta plantada com eucaliptos, sujeita há 10 anos a uma operação de mobilização do solo com formação de socalcos. Esses eucaliptos tinham sido cortados em 2015, abrindo-se então a possibilidade de reconversão. Esta área integra-se no “corredor ecológico” ribeirinho que aqui se procura criar, entre a mata do Cabeço Santo e a represa de Belazaima, tendo como limite sul o próprio ribeiro. Nas margens deste ainda abundam as mimosas, cujo corte foi iniciado em 2015 um pouco a jusante, mas que ainda está longe de estar concluído. Na margem sul existiam dois socalcos bem diferentes dos agora presentes na margem norte, pois que eram antigos socalcos agrícolas. Estes, também incluídos no corredor ecológico, já têm alguns carvalhos grandes, mas só depois da retirada das mimosas serão alvo de plantação.

DSC_0022

Nas margens do ribeiro as mimosas ainda “rivalizam” com os carvalhos

DSC_0024

O ribeiro invadido por mimosas. Em segundo plano, o eucaliptal , este um invasor tolerado

Esta área de plantação já tinha sido semeada com bolas e bolachas de sementes, mas quanto às bolas de bolotas já sabemos: poucas, se algumas, terão restado da predação e da remoção da capa de argila causada pela chuva. Quanto às bolachas, também é certo que se desfizeram com a chuva, mas permanece em aberto a possibilidade de as sementes não se terem perdido. Tudo indica portanto que a técnica, a ser aplicável nas nossas condições, ainda terá muito caminho de apuramento pela frente, caminho que não deixará de se ir fazendo, em pequena escala.

A equipa trabalhou então por aqui toda a manhã, plantando carvalhos, medronheiros e lódãos. Ao contrário do que é habitual, em que as árvores se espalham de forma aleatória pelo espaço, aqui tínhamos que seguir as linhas dos socalcos, pois que a operação de mobilização do solo, muito disruptiva sobre a sua estrutura, deixa a maior parte do solo sobre a borda exterior do socalco. Mesmo assim, era necessário procurar cuidadosamente os melhores locais, pois que as pedras à superfície eram abundantes.

DSC_0002

Equipa em acção – 1

DSC_0012

Equipa em acção – 2

DSC_0013

Equipa em acção – 3

DSC_0005

Equipa em acção – 4

DSC_0008

Equipa em acção – 5

DSC_0019

O resultado – 1

DSC_0025

O resultado – 2

O almoço ainda se fez por aqui, com uma contribuição especial de um pão muito fresco cozido em forno de lenha por dois jovens de Belazaima (e que foi bastante apreciado), e foi já durante a tarde que a equipa se deslocou até à actual extremidade da área de intervenção, já nas margens da represa de Belazaima, para continuar a plantar. Aqui temos de novo o corredor ecológico ribeirinho com duas parcelas de passado muito diferente: a primeira, que nunca tinha sido mobilizada, mas que estava muito invadida de mimosas; a segunda, mobilizada há 10 anos para uma nova plantação de eucalipto, mas que estava também muito invadida. Apesar de tudo, numa como noutra era possível encontrar aqui e ali um medronheiro, uma murta ou mesmo um pequeno carvalho, que conseguiram sobreviver a tão conturbado passado. Claro, também aqui era necessário procurar laboriosamente os melhores locais de plantação dado o carácter rochoso e por vezes mesmo escarpado, do terreno.

DSC_0034

À tarde, já junto à represa de Belazaima

DSC_0041

“Frente” de trabalho

E assim se passou a tarde, que só se deu por terminada quando começaram a faltar os materiais e até mesmo algumas árvores. Ter-se-ão plantado para cima de 200 árvores, um feito assinalável tendo em conta que as covas tiveram que ser abertas à mão, por mãos voluntárias e por certo pouco habituadas a estes esforços.

DSC_0029

Equipa quase completa, captada a meio do dia

Um grande obrigado a todos os voluntários! E os trabalhos continuam já dentro de duas semanas, que o Inverno é curto e ainda há muito para plantar! Até lá!

Comments (1) »