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A primeira jornada do ano

A primeira jornada de 2017 realmente realizada aconteceu no dia 21 de Janeiro com a presença de 16 voluntários sem medo dos dias frios que têm vindo. Frios, mas secos, o que, se para as árvores a plantar não é o ideal, para quem se movimenta no terreno é. Assim, pouco depois das 9 horas a equipa deslocava-se já para o local elegido, o Vale de Barrocas, sendo que a maior parte dos voluntários seguiu pelo Feridouro enquanto a carrinha de serviço ia pelo antigo caminho para Belazaima-a-Velha com as plantas e todo o equipamento necessário.

Começou-se, como sempre, com uma pequena formação, pois que é essencial plantar bem as árvores. Depois de termos plantado da última vez acima do caminho, agora avançou-se para baixo, em direcção ao ribeiro. Mas o avanço não se revelou fácil: terreno declivoso, com muito matagal e ramada de eucalipto acima da superfície e pedras e raízes abaixo. Verificou-se assim que esta área era muito mais difícil de trabalhar do que a anterior, também por corresponder ao perfil côncavo da encosta entre os vales adjacentes, já que a coisa melhorou à medida que nos aproximávamos dos vales.

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Para iniciar, as necessárias explicações

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Lá em baixo o vale de Barrocas, ainda com eucaliptos na outra margem

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Voluntários em acção

Como eram muitos voluntários, alguns dedicaram-se a cortar rebentos de eucalipto, outra das tarefas aqui requeridas. Recorde-se que optámos por não usar herbicida neste local fértil em nascentes de água, e também não foi possível destroçar as toiças de eucalipto por meios mecânicos devido ao declive do terreno.

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Alguns voluntários dedicaram-se ao corte de rebentação de eucalipto

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A preparação da cova para a plantação faz-se com todo o cuidado

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O declive elevado, o matagal e a ramada de eucalipto no solo não desanimou os voluntários

O trabalho duro rapidamente aqueceu os corpos e as roupas começaram a acumular-se junto à carrinha quase parecendo que o Verão tinha chegado de repente!

Pelo meio dia havia uma boa notícia já antecipada: para hoje tínhamos comida quente especialmente confeccionada por uma voluntária de cozinha. Foi um prato vegetariano muito apreciado até pelos mais aguerridos carnívoros!

À tarde continuou-se a trabalhar abaixo do antigo caminho principal, e sem dúvida que a abertura de covas em torno dos dois ramos do vale principal, o vale de Barrocas, revelou um solo mais substancial e com menos pedras do que anteriormente.

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Com este declive, era fácil rebolar pela encosta abaixo, e chegou a haver quem o tenha ensaiado!

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Não, não vinha da famosa Universidad de Salamanca, mas vinha de outra quase tão famosa e era uma das três caras novas nestas jornadas

As árvores e arbustos plantados foram: carvalhos, uns poucos castanheiros, azereiros, folhados e medronheiros, estes poucos por estarmos numa encosta voltada a nordeste, menos propícia para esta espécie. Não se fez uma contagem “oficial”, mas um voluntário contou 220 árvores plantadas, o que se conseguiu ainda bem antes do pôr-do-sol.

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Já no final do dia, os voluntários regressaram a pé até ao outro lado do ribeiro, onde estavam os meios de transporte

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Vista sobre o ribeiro, o Chão do Linho, a nova plantação da Altri Florestal (à direita) e a área plantada em 2016 pelos voluntários do projecto, à esquerda

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Vista do Vale de Barrocas, com a área plantada hoje, à esquerda, a área plantada na última jornada, em segundo plano, à direita e duas manchas de eucalipto que deverão ser cortadas ainda em 2017

Mas foi já na base de operações em Belazaima que se tirou a foto de despedida, já com um voluntário em falta, e tendo como companhia as árvores que ainda temos para plantar este Inverno. Isto, claro, para lembrar que as jornadas de plantação continuam em força já no primeiro Sábado de Fevereiro.

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A foto final, já na base de operações

Um obrigado a todos os voluntários, incluindo a voluntária cozinheira! Mais fotos na página do Facebook.

Paulo Domingues

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Última jornada do Outono, e do ano

E chegámos à última jornada do ano de 2016! Para celebrar condignamente o acontecimento, 13 valorosos voluntários reuniram-se mais uma vez para uma jornada de plantação de árvores. E o momento foi também especial por outro motivo: iríamos iniciar a plantação numa área nova, na qual já se realizou trabalho ao longo de 2016, mas não de plantação, apenas de corte de rebentação de eucalipto: o vale de Barrocas.

Este é um vale precioso, com duas captações de água em cotas distintas, que alimentam casas no Feridouro, para consumo humano e para rega. As encostas são bastante inclinadas, com uma orientação tendencial para norte/nordeste, e com solos de qualidade superior à média para estas montanhas. Mercê de várias circunstâncias felizes, será possível reunir aqui perto de 10 ha de terreno, embora nem todo já disponível. De momento, temos aqui para plantar cerca de 3 hectares, e temos também a rebentação de eucalipto, dado termos optado por não usar aqui herbicida. Por coincidência, andou neste mesmo dia aqui uma máquina giratória a partir cepas de eucalipto com uma enxó, uma alternativa mecanizada ao corte manual da rebentação, e com a vantagem de não resultar em rebentamentos posteriores. O problema é que essa máquina, ainda que de lagartas, não pode ir às áreas mais inclinadas. Assim se constata que a plantação com eucaliptos em terrenos de elevada inclinação cria um problema de difícil solução, pela sua irreversibilidade sem custos elevados.

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Chegada ao terreno e preparação

Deste modo, a equipa dividiu-se em duas partes: os “plantadores” e os “cortadores” de rebentação. O dia estava frio e com vento, pelo que mesmo o esforço dos trabalhos teve dificuldade em promover a remoção dos agasalhos. O sol, pelo seu lado, brilhou todo o dia, mas como estávamos numa encosta voltada a norte e como ele agora está muito baixo (estamos quase no solstício) quase não demos por ele.

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Equipa dos “cortadores de rebentos”

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Elemento da equipa dos “plantadores”

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Tabuleiro de plantas

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Cogumelos em cepa de eucalipto

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Equipa plantando uma árvore

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Misturando bem os fertilizantes

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Com a colocação do tubo de protecção está concluída a operação

Os “plantadores”, agrupados em três equipas, tiveram que carregar as plantas e os fertilizantes encosta acima, pelo que a jornada foi particularmente exigente. A abertura das covas, já o sabíamos, não era propriamente fácil, pois tinha que se fazer com picareta, num terreno com matagal e tocos de eucalipto. Nestas circunstâncias, não podemos esperar plantar muitas árvores por dia, o melhor que podemos tentar é fazê-lo bem.

A maior parte das árvores eram carvalhos, embora houvesse também alguns medronheiros.

Pelo meio dia já havia voluntários bastante cansados, mas um almoço especial com grão-de-bico, broa de milho e cuscuz, para além de outras especialidades, foi suficientemente revitalizador, pelo que a equipa voltou sem demora ao trabalho, que a tarde era curta.

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O dia estava frio e nem o aquecimento interno deu para tirar muitas roupas

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Plantando as últimas árvores

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Os declives eram elevados

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Lá mais em cima, uma giratória fazia o seu trabalho

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Vista de uma área plantada

Embora agora fosse necessário transportar os materiais ainda mais para cima na encosta, os trabalhos prosseguiram com animação e pelas 16 horas todas as 180 árvores trazidas de casa estavam plantadas. O sol escondia-se rapidamente atrás do Cabeço do Meio, mas ainda houve energias para todos se dedicarem ao corte de rebentação de eucalipto nos minutos finais da tarde. E imaginem: conseguiram encontrar uma máquina fotográfica compacta perdida no meio de todo o material lenhoso depositado no chão!

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Cortando rebentos de eucalipto no final

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Vista da área plantada, acima do antigo caminho para Belazaima-a-Velha

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Vista do Vale de Barrocas, da área trabalhada, e da que ficou por trabalhar.

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A equipa no final, em pleno coração do Vale de Barrocas!

Tinha sido uma excelente jornada, a fechar 2016. E uma jornada verdadeiramente europeia: para além da já habitual presença francesa, desta vez tivemos também uma alemã! E várias estreias de novos voluntários! Assim se encerra um ano de grande participação voluntária no Cabeço Santo, bem à medida das imensas necessidades que se apresentam. Mas a época de plantação ainda nem vai a meio! Continuamos já no dia 7 de Janeiro, pois há muito para fazer!

Um grande obrigado a todos os voluntários deste dia e deste ano. Felizes festas e até muito breve, com o anúncio das jornadas voluntárias de Inverno no Cabeço Santo! Entretanto, podem ver mais fotos da jornada na página do projecto no Facebook.

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3ª Jornada de Outono

A 3º Jornada de Outono inaugurou a nova época de plantação de árvores de 2016/17, ainda antes da data habitualmente tomada como referência para esta acção, o Dia da Floresta Autóctone, assinalado a 23 de Novembro. Mas não muito, apenas alguns dias! E justifica-se pois este ano temos uma grande área para plantar e um número de árvores, que vai ser um enorme desafio!

A equipa voluntária que se apresentou para este dia pareceu estar à altura do desafio, pois eram 16 os voluntários, das mais diversas proveniências. Dado o número elevado de pessoas, decidiu-se começar por uma parcela bem perto de Belazaima, a Benfeita. Esta parcela faz parte de um conjunto de propriedades da Junta de Freguesia local disponibilizadas à Quinta das Tílias por arrendamento, e que, por via do protocolo desta com o Projecto, será trabalhada para fins de conservação. Desta parcela faz parte uma “testada” das terras agrícolas ribeirinhas (da Benfeita) que já tem uma interessante mancha de carvalhos e sobreiros adultos e que importa agora conservar e aumentar. De referir que, com a entrada desta parcela na área de intervenção do Projecto, este passa a intervir num “corredor ecológico” ribeirinho de cerca de 4 km ao longo das margens do ribeiro, quase sem interrupção na margem direita, embora bastante incompleto na margem esquerda.

Também se começou por esta parcela por ela oferecer várias oportunidades de intervenção para além da plantação de árvores: o corte da rebentação de eucalipto e o corte de uma densa mancha de Acacia melanoxylon que existe numa pequena área do terreno. Assim se distribuiu de maneira mais eficiente a mão-de-obra presente, aproveitando de forma optimizada as ferramentas disponíveis.

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De primeiro para terceiro plano: rebentação de eucalipto já cortada, voluntário em acção e mancha de Acacia melanoxylon

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Pequena formação sobre plantação de árvores

Depois de uma pequena “formação” sobre plantação de árvores, os trabalhos iniciaram-se junto ao tanque de rega da Benfeita, avançando ao longo da inclinada língua de terreno para sul. Uma equipa ia cortando a rebentação de eucalipto enquanto outra ia plantando sobreiros e medronheiros. Dado que aqui a plantação de eucalipto era já antiga e não muito intensiva, já havia por quase todo o terreno muitas plantas de sobreiro, carvalho-roble e pinheiro, que agora serão recuperadas e protegidas. A principal dificuldade derivou do declive do terreno, por vezes bastante elevado, o que deu origem a algumas escorregadelas, felizmente sem consequências de maior para além de uma haste de óculos partida… Por outro lado as energias necessárias para transportar plantas, adubos e ferramentas foram cansando pernas e braços.

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Perspectiva do terreno a trabalhar. Em segundo plano os carvalhos e sobreiros da “testada”

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Trabalhos de corte de rebentação de eucalipto

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Trabalhos de plantação e corte da rebentação

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Trabalhos de plantação em curso

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Tabuleiro de medronheiros

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Corte de rebentação

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O terreno inclinado constituía uma dificuldade significativa

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Plantas e adubos. Como adubo usou-se um granulado orgânico, um fosfato natural e um correctivo de acidez.

Pelo meio dia já se tinha dado um bom avanço e a paisagem vista lá de cima também era animadora, embora as cores mais “outonais” que daí se observavam fossem de facto de espécies exóticas, em particular os carvalhos-americanos, plantados com alguma frequência em antigas terras agrícolas.

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Merecido almoço

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Vista sobre a aldeia

À tarde os trabalhos continuaram de imediato e sem sesta pois que as tardes agora são curtas. De referir que estiveram presentes duas “madrinhas” de árvores, ou seja, pessoas que apadrinharam árvores dando uma contribuição de 2 € por árvore, e ainda vieram ajudar a plantá-las! Vamos precisar de mais padrinhos/madrinhas assim!

O tempo ajudou imenso, pois que esteve um dia nublado e quando a anunciada chuva começou a cair, o dia estava já a terminar, iniciando-se de imediato uma conveniente rega pois, como se teve oportunidade de constatar, em muitos locais plantados o solo estava seco, devido à dificuldade da água da chuva em penetrar superfícies de solo que se mostram por vezes bastante higrófobas, o que o declive acentua. Mas agora, com as “caldeirinhas” que se fizeram em cada árvore plantada, e com a fertilização orgânica, por certo que a água não terá dificuldade em entrar na terra e vivificá-la.

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Trabalho realizado, pelo final do dia

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Os voluntários deste dia

Mais de 150 árvores foram plantadas e a foto de encerramento foi tirada na base de operações já era noite bem escura e… à chuva.

Tinha sido um excelente arranque da época de plantação. De futuro contamos ter o terreno de plantação já trabalhado com ajuda de maquinaria florestal, a fim de podermos plantar muito mais árvores por jornada. Até dia 3 de Dezembro! E obrigado a todos os voluntários! As fotos são da voluntária Odete, e no Facebook há mais!

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2º Jornada de Outono

Já era esperado: depois de todos os afazeres e emoções da Conferência dos 10 anos, as atenções voltam-se de novo para o terreno, e com dinâmica redobrada, como também se previa. À jornada de 5 de Novembro compareceram 10 voluntários, desafiando as previsões de chuva que se apresentavam para a manhã desse dia. Mas, constatando as nuvens lá de cima tanta determinação, ofereceram-se para colaborar: só uns pingos muito leves caíram já a manhã ia adiantada. Ainda assim, e como tinha chovido de noite, o principal trabalho que tínhamos planeado – corte de rebentação de eucalipto – não se podia fazer logo de manhã, pois a ramada ainda estava muito molhada.

Deste modo, decidiu-se subir o cabeço até à mancha de acácia-de-espigas do vale nº 3 para aí se fazer trabalho de mão e de tesourão no arranque e corte de plantas dessa espécie invasora. Com o solo já bem regado, o arranque fazia-se com mais facilidade do que no Verão, e uma brisa fresca e húmida fazia jus à Estação, ajudando também a manter a dinâmica do trabalho.

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Corte e arranque de acácia-de-espigas no vale nº 3

Finalmente o sol conseguiu espreitar através das densas nuvens, ajudando a secar algumas luvas e roupas que entretanto se foram molhando. O almoço fez-se por ali mesmo, e só não incluiu medronhos porque este ano ao produção é pequena e os frutos ainda estão verdes. No entanto a floração já se iniciou, o que faz deste arbusto, a espécie nativa dominante nestas zonas de solo esquelético, um encanto para os olhos.

Depois do almoço esperava-se que a rebentação de eucalipto já estivesse seca, pelo que se desceu de novo cá abaixo. O trabalho iniciou-se mesmo a jusante dos portões da mata da Altri Florestal e decorreu no corredor ecológico ribeirinho a norte do ribeiro, a área plantada no Inverno passado. Embora a maior parte da rebentação original destas toiças tivesse sido pulverizada com herbicida ainda em 2015, a eficácia desta operação foi limitada, e agora, depois de aí haver árvores plantadas, essa solução não se pode colocar de novo, pelo que há que remover a rebentação manualmente. É sobretudo um trabalho com pequenos machados e muita paciência. A animar a equipa estavam as árvores plantadas este ano, que em geral se encontravam com muito bom aspecto (ou não tivessem sido bem cuidadas ao longo do Verão!).

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Já no sopé da montanha, cortando rebentação de eucalipto

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É quase um trabalho de corpo inteiro: mãos, pés e ferramentas

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A equipa avança em bloco. Para trás o trabalho realizado

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Elemento não contabilizado, guardando, inspeccionando e vigiando

Os trabalhos decorreram com grande dinâmica, e a tarde até pareceu maior do que que se tornou depois da última mudança da hora: percorreram-se várias centenas de metros do corredor ribeirinho e quase se chegava ao Vale de São Francisco já na aldeia do Feridouro! E ainda houve tempo para observação de cogumelos e outras coisas inesperadas (pelo menos para alguns dos voluntários).

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Murta em frutificação

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Cogumelo A

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Cogumelo B

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Cogumelo C

Tinha sido um dia muito produtivo, para grande satisfação dos voluntários, embora alguns reflectissem o esforço de braços que o trabalho exigiu. Nada que um bom Domingo de repouso não permita recuperar!

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A equipa deste dia. Mas a hora apresentada é enganadora: os trabalhos prolongar-se-iam até às 17:30h

Obrigado a todos os voluntários, incluindo os fotógrafos (vários)! Como é habitual, na página do Projecto no Facebook a reportagem fotográfica é mais completa.

Na jornada de 19 apontamos para começar a época de plantação de árvores! Mas também haverá muitos rebentos de eucalipto para cortar, o que se poderá ir fazendo em simultâneo com a plantação. Só precisamos de ter muitas mãos generosas, mais ou menos como nesta segunda jornada de Outono! Aqui fica o convite!

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A última Jornada de Primavera

A última jornada de Primavera, aconteceu, não obstante os apelos e a necessidade, com apenas 3 voluntários activos, após uma semana fresca, mas já a adivinhar o calor que as previsões e a chegada próxima do Verão faziam esperar. O trabalho previsto era aquele já programado para a jornada de 14 de Maio que não se tinha podido realizar devido às condições meteorológicas: cortar rebentação de eucalipto numa área em início de reconversão em torno do Vale de Barrocas, um vale da margem sul do ribeiro com pelo menos três nascentes de água para consumo humano ainda em uso. Sobretudo por este motivo, tomou-se a decisão de aqui evitar a todo o custo o uso do herbicida e tentar a desvitalização das toiças de eucalipto por corte repetido da rebentação. Mas são talvez milhares de toiças numa área de, pelo menos, 3 ha em torno dos dois braços principais do vale.

Já aqui se tinha realizado trabalho em jornadas especiais durante a semana, neste blogue reportadas, mas mesmo as toiças então trabalhadas já se encontravam com rebentação outra vez, tendo-se optado por cobrir toda a área acima do antigo caminho para Belazaima-a-Velha, independentemente do estado da rebentação. Claro, já sabemos que não é numa vez, nem talvez em duas, que se consegue a desvitalização; este é um trabalho que terá de ser repetido várias vezes, até “cansar” as toiças, mas vamos tentar distribuir as acções de corte da rebentação de maneira a minimizar o esforço.

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O vale de Barrocas e o seu “ramo” principal. A área de intervenção é entre os caminhos

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Vista geral da área. O antigo caminho para Belazaima-a-Velha é o de baixo

O trabalho faz-se com machados, e de facto cortar um rebento de eucalipto até nem é difícil, não fossem às vezes as dezenas de rebentos por toiça e o número de toiças, não apenas as originalmente plantadas mas também as dos eucaliptos que germinaram após o incêndio de 2005.

Os elementos da equipa trabalharam tendencialmente ao longo das linhas de nível, por faixas de progressão, para minimizar o esforço, e como eram tão poucos para um trabalho tão volumoso, tiveram que se aplicar afincada e metodicamente, começando no ramo principal do vale e avançando para oeste. Quando chegámos ao limite do terreno, o calor já se fazia sentir, mas uma surpresa agradável esperava-nos: apesar da cota elevada em que estávamos, uma das nascentes do vale estava logo ali, e devido à chuvosa Primavera, a água transbordava da sua caixa de retenção, podendo ser recolhida,… e bebida! Nada soube melhor que essa água que brotava directamente das entranhas da Terra, fresca e “perfumada”.

O trabalho progrediu com muita dinâmica durante a manhã e nem a sua monotonia desanimou os voluntários. O cansaço já era muito na tardia hora de almoço, e foi necessário fazer uma pequena sesta. O problema é que a única sombra disponível era a de uns eucaliptos que ali perto ainda estavam por cortar, e como se sabe, a sombra dos eucaliptos é muito fraquinha. Desse modo, quando o sono estava quase a chegar era necessário mudar de sítio porque a escassa sombra já se tinha movido! Finalmente uma solução definitiva: voltar ao trabalho!

À tarde subiu-se ainda mais na cota do terreno até chegar a um caminho que servirá de limite a esta área de conservação. Aqui a principal dificuldade foi a ramada de eucalipto deixada no chão, que em muito dificultava a progressão no terreno. Mas nem isso, nem o cansaso crescente conseguiu desmotivar os voluntários, que progrediram de novo em direcção ao ramo principal do vale, que ultrapassaram, quase cobrindo os cerca de 2 ha que esta área tem. No final, todos estavam surpreendidos com a quantidade de trabalho realizado, com apenas 3 pares de braços. Naturalmente, pusemo-nos a imaginar o quanto seria possível fazer com 6, 9, ou 12 voluntários! Só houve um pequeno senão: não houve muita disponibilidade para tirar fotos, foi só no princípio e no fim. Quanto aos voluntários, agora só no Verão poderão retomar a sua participação. E para lhes dar oportunidades está já a ser planeada uma série recheada de jornadas… e de supresas! A próxima data é 9 de Julho. Mas os detalhes virão muito em breve.

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Vista da área pelo final da tarde. A posição do sol não facilitava a obtenção de uma boa foto

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A pequena grande equipa

Paulo Domingues

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