Posts tagged eucaliptos

1ª Jornada de Verão

Realizou-se no dia 1 de Julho a primeira jornada voluntária do Verão de 2017. Participada por voluntários de quase meio país, a maior parte deles estreantes, contou com um dia fresco e agradável, nem parecendo dar as boas vindas ao mês mais quente do ano.

Os trabalhos decorreram numa área da Benfeita onde se tinham plantado árvores no último Inverno e onde o fogo chegou a tocar no dia 28 de Abril, embora sem fazer grandes estragos. Aqui a rebentação das antigas toiças de eucalipto tem-se realizado por persistente intervenção de corte e de facto muitas “compreenderam” que o seu tempo já terminou, mas outras ainda continuam a insistir. Por isso os trabalhos deste dia consistiram essencialmente no corte de rebentação com machados. Ainda houve também uma pequena intervenção numa mancha complicada de Acacia melanoxylon que aí existe, mas a densidade das plantas é tão grande que parece exigir outro tipo de intervenção.

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Embora fosse eucaliptal, já por aqui existiam outras espécies, sobretudo sobreiros, carvalhos e medronheiros

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Foi um trabalho de machados na mão

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A rebentação de eucalipto já não era muito densa

Depois do almoço a equipa fez uma interrupção um pouco mais prolongada para efectuar uma “visita de estudo” à área florestal da Quinta das Tílias afectada pelo incêndio. Observaram-se árvores mais e menos danificadas e discutiram-se as causas para os danos maiores e o que haverá a fazer para os minorar no futuro. Aqui havia manchas de matagal, embora não sob a copa das árvores. Contudo, o vento fez as chamas e o calor deslocarem-se lateralmente atingindo copas a 3 ou 4 metros dessas manchas. Conclui-se que não pode haver manchas de matagal crescido mesmo a essas distâncias das copas, o que por sua vez requer uma maior densidade de plantação, para, tão cedo quanto possível, limitar o crescimento dessas manchas. Verificou-se também como os fetos secos do ano anterior podem causar grandes danos às copas das árvores, mesmo já relativamente crescidas.

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Visita à área afectada pelo incêndio

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À esquerda, um pequeno sobreiro, mas já com a copa praticamente recuperada. Os carvalhos, é certo, são, com este tamanho, mais vulneráveis

Depois da visita, os voluntários voltaram ao trabalho na Benfeita, conseguindo concluir o trabalho na rebentação de eucalipto antes do final do dia. Tiveram também oportunidade de constatar o bom crescimento das árvores plantadas este ano.

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De volta à rebentação de eucalipto, na zona onde o fogo foi detido

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Só ficaram rebentos maiores, que serão cortados mais tarde com motoserra

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Um céu de fim de tarde, sob o alvo das atenções deste dia!

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A equipa do dia, já na base de operações

Foi um dia produtivo e instrutivo. Obrigado aos voluntários, em particular aos novos e vindos de longe! As fotos são da Esmeralda, da Filipa e do Pedro.

Continuamos já no terceiro Sábado de Julho! Até já.

Paulo Domingues

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28 de Abril de 2017: um olhar

Uma combinação de factores, quase todos no mesmo sentido, deram origem aos tristes eventos que se iniciaram no dia 28 de Abril ao início da madrugada: um mês de Abril sem chuva, e com vários episódios de temperaturas muito elevadas, acompanhados de vento de leste seco e por vezes forte, com predominância noctura; duas noites consecutivas de vento de nordeste forte, a de 27 e a de 28; uma paisagem vulnerável, uniformizada até ao limite; a vontade de causar dano, materializada no atear do fogo, pouco depois da meia noite de 28 de Abril, um momento seleccionado para que o dano fosse o maior possível, e as hipóteses de reacção o mais demoradas e difíceis possível. Apenas um factor em sentido contrário: as temperaturas eram baixas, a mínima dessa noite terá estado entre 6 e 8 ºC, o que pode ter evitado danos maiores em muitas das árvores atingidas, mesmo eucaliptos, mas que não foi suficiente para evitar que as consequências deste incêndio fossem grandes.

Com grande probabilidade, o fogo foi ateado no coração do Vale de Barrocas, ou na sua proximidade, e terá sido a área onde este ano foram plantadas mais de 1500 árvores pelos voluntários do Projecto Cabeço Santo, uma das primeiras a ser atingida. Sabíamos que o local era vulnerável. Os eucaliptos previamente existentes tinham sido cortados e muita ramada tinha ficado espalhada pelo chão. As próprias plantas do matagal, amassadas pela queda das árvores, estavam parcialmente secas. Num momento, terá chegado a aflorar a ideia de reduzir toda essa massa combustível por meio de um fogo controlado antes da plantação, como aliás já outras vezes se tinha feito no Cabeço Santo. Mas a emergência espontânea de muitas plantas com valor para a regeneração, mais algumas, essencialmente carvalhos, que tinham conseguido escapar à queda dos eucaliptos, fez afastar essa ideia e os trabalhos avançaram sem ela.

Tão rápido terá sido o fogo a subir o Cabeço do Meio, que, quando os alarmes soaram, pela 1 da madrugada, já as chamas eram visíveis em Belazaima, no alto do cabeço. Ajudadas pelo vento que soprou forte durante toda a noite, o fogo desceu a encosta em direcção a Belazaima e às Póvoas, enquanto se espalhava também por toda a encosta a sul do ribeiro, desde a represa de Belazaima até à Ribeira do Tojo, já perto de Belazaima-a-Velha, passando pelo Feridouro. Com o nascer do sol, o vento acalmou, e os meios de combate intensificaram-se, por terra e pelo ar, mas as chamas já estavam muito dispersas, e só ao fim da tarde desse dia o incêndio foi extinto. Mas ainda durante a tarde esteve ameaçada a área da Benfeita, já junto a Belazaima, onde as primeiras plantações da época tinham sido realizadas. Chegaram a perder-se aqui algumas árvores, mas conseguiu evitar-se o pior.

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Pelas 3:30h o fogo já estava a escassas centenas de metros de Belazaima, vindo de sul, como em 2005

O balanço deste acontecimento começou a fazer-se no próprio dia, com uma visita aos locais atingidos. Para os trabalhos do Projecto, a principal perda foram os cerca de 4 ha do Vale de Barrocas onde este ano se tinham realizado plantações. Há uma certa probabilidade de algumas das plantas rebentarem e recuperarem a parte aérea, mas para confirmar isso é preciso esperar. Arderam também os 7,5 ha da propriedade das Costas do Rio, logo ao lado, ainda com eucaliptos, que iriam ser cortados este ano para que esta área com 1 km de margens do ribeiro pudesse, pelo menos parcialmente, ser adicionada à área de intervenção do projecto. Mais para montante, o incêndio atingiu o corredor ribeirinho da Ribeira do Tojo, e aqui, justiça lhe seja feita, cumpriu uma das suas funções, não obstante os poucos anos que ainda tem: o fogo ainda o atingiu ao longo do caminho mas nem num metro conseguiu atravessar o ribeiro, não obstante a presença dos fetos secos do ano anterior, que noutros locais foram “pasto” suficiente para as chamas avançarem. Já mais para jusante, no eucaliptal das Costas do Rio, o fogo atravessou o ribeiro e ainda queimou várias centenas de metros do corredor ribeirinho na Mata da Altri Florestal, incluindo parte da área de confluência dos vales nºs 3, 4 e 5, mas os responsáveis da empresa, aliás logo presentes no local com os seus meios, puderam respirar de alívio: foram poucos os eucaliptos ardidos.

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A área do Vale de Barrocas foi totalmente atingida

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O “coração” do Vale de Barrocas, ainda fumegante

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O Jorge Morais inspecciona a área, com o Cabeço Santo (escassamente atingido) em fundo

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Vista do caminho para Belazaima-a-Velha

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As estacas que tinham sido colocadas para assinalar as plantas introduzidas

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O “herói” do dia foi o corredor ecológico da Ribeira do Tojo: atingido em quase toda a sua extensão, não deixou passar o fogo para norte do ribeiro!

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Na mata da Altri Florestal foi atingido o corredor ribeirinho, mais vulnerável do que na Ribeira do Tojo, por ter menos condições para a implantação das folhosas

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No Chão do Linho, onde o Vale de Barrocas encontra o Ribeiro, e não longe do local onde o fogo terá sido ateado, as folhosas foram pouco afectadas

Do lado norte do ribeiro ardeu ainda uma pequena faixa do corredor ribeirinho a jusante dos portões da mata, que tínhamos plantado no ano passado, mas sem grandes perdas. O fogo atravessou a estreita faixa de carvalhos aqui existente, sem praticamente lhes causar dano, para depois progredir pela encosta, já com mais material combustível.

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Esta estreita faixa de carvalhos deixou passar o fogo para norte do ribeiro, mas as árvores foram pouco afectadas

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Os tubos de protecção derreteram sobre as árvores.

Da “minha” Quinta das Tílias (e desculpem falar dela aqui, que não faz propriamente parte do projecto) arderam os 8 ha da área florestal de proximidade da Quinta, onde desde 2006 fazia trabalhos de reconversão. Destes, talvez menos de metade era carvalhal. O fogo progrediu através dos fetos secos e a maior parte das árvores perdeu todas as folhas, mas a expectativa de recuperação das partes aéreas é grande. O tempo o dirá.

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Carvalhos da Quinta das Tílias, parcialmente atingidos. Mas outros foram mais.

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Mais para jusante, nos Borralhais, só a parte inferior das copas foi atingida, apesar de o fogo ter “batido” cada m2. Chave: pouco material combustível no solo.

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Uma curiosidade: este campo de aveia, completamente cercado pelo fogo, sobreviveu incólume!

Para concluir a ronda, constatámos que 4 das 6 colmeias que faziam parte do apiário do Cabeço Santo tinham sido roubadas. Não queimadas mas roubadas. Ficou apenas uma Lusitana e a Top Bar, que podia ser facilmente identificada noutro local. Animador não é?

Que lições retirar deste evento?

Em relação ao trabalho no terreno, talvez a mais importante seja a de que temos de colocar mais atenção na redução do material combustível, o que no caso do Vale de Barrocas só teria sido possível de forma efectiva com a realização de uma queimada controlada previamente à plantação. Mesmo os fetos secos, que ocorrem todos os anos no final do Outono (onde crescem), deveriam ser triturados com moto-roçadora, pelo menos parcialmente, pois foram o principal factor de dano para os carvalhos. Nos limites exteriores das áreas de intervenção deveriam criar-se corredores onde o controle de materiais combustíveis fosse mais estrito. Claro, tudo isto tem custos de mão de obra elevados. Adicionada a esta redução da vulnerabilidade, seria importante ter mais duas coisas: capacidade para fazer vigilância nocturna, pelo menos nas noites mais susceptíveis, que, em condições normais, não são assim tantas por ano, e capacidade para, detectada uma ameaça, dirigir uma intervenção rápida sobre os acendimentos. Talvez no futuro tenhamos condições para o fazer.

Este é, naturalmente, um momento em que, de forma particularmente intensa, percebemos a enormidade da tarefa que temos em mãos, confrontada com uma indiferença, que pode chegar à hostilidade, de idêntica dimensão. Não podemos dizer com segurança que este acto teve deliberadamente o objectivo de atingir o projecto e os seus objectivos, mas há alguns indícios que apontam nesse sentido, pois contabilizo, com este, cinco incidentes do género nos últimos anos, quatro dos quais resultaram em fogo ateado em áreas de recuperação ecológica, embora a extensão dos danos tenha sido consideravelmente menor do que agora. É verdade que também houve acendimentos noutros locais, e não pretendo levantar nem viver à sombra do fantasma do “eterno inimigo”, que afinal não será mais do que “doente”, numa sociedade e num tempo tão propensos a alimentar os mais doentios desvios.

Essa sensação, da enorme discrepância entre o que é necessário fazer e o que há condições, materiais e humanas, para fazer, parece ser de facto uma característica da nossa época. Ainda há dias lia no El País, segundo Zygmunt Bauman: “Há uma crescente brecha aberta entre o que é necessário fazer e o que se pode fazer, o que importa realmente e o que conta para quem tem o poder de fazer, entre o que acontece e o que seria desejável acontecer” (http://cultura.elpais.com/cultura/2017/04/17/actualidad/1492423945_605390.html). Fico confortado com o encontro de entendimentos, mas o que fazer com ele? O que fazer com a ideia de se poder trabalhar 10, 20 anos, quiçá uma vida inteira com um objectivo, tão grande que se consegue realizar apenas numa ínfima parte, e que no final desses 10, 20 anos, quiçá no final dessa vida inteira, essa ínfima parte possa ser alvo de um destrutivo acto anónimo que demora um segundo a ser desencadeado? Não posso responder a esta questão, embora acredite que ela só tem uma resposta pela positiva procurando olhar para o “problema” de uma perspectiva mais larga do que aquela que nos é imediatamente acessível, através dos sentidos, do conhecimento técnico, da informação. Uma perspectiva de onde se colha energia, ânimo e determinação, mesmo quando os factos parecem convidar ao desânimo, ao esgotamento e à desistência. E existe uma tal perspectiva? É um grande desafio encontrá-la mas necessitamos dela desesperadamente. Mesmo que não a tenhamos muito clara, não podemos esperar pela claridade plena para tentarmos desenterrar essas energias que a acção requer. Por isso, sim: apesar de todas as contrariedades, de as invasoras serem um desafio gigante para as nossas capacidades, de os solos estarem desprovidos e fragilizados, de as alterações climáticas poderem alterar as “regras do jogo a meio”, de todas as dificuldades da natureza humana, apesar de tudo isso e ainda mais, voltaremos ao Cabeço Santo, ao negro Vale de Barrocas, com as mesmas ilusões da primeira vez, mas… com a vantagem de agora termos mais experiência. Faremos a visita prevista para dia 20 de Maio, procurando colocar as coisas belas e as feias nos lugares certos do nosso entendimento, e faremos o CTC que tínhamos previsto para este fim de semana numa outra data que consigamos encontrar. (O CTC não foi contudo cancelado por causa do fogo, mas por causa da chuva, que, atrasada, acabou por vir este Domingo de madrugada). Antes de tudo isso, estaremos na Expo-florestal, em Albergaria.

E vós, voluntários, que tão dedicadamente contribuíram para o trabalho deste ano, agora parcialmente destruído, como se sentem? Com que vontade para voltar? Expressem-se, se quiserem, nesta página, mas sem raiva nem ressentimento, que isso leva muitas energias e precisamos delas para tudo o resto! Até breve!

Paulo Domingues

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Jornada do Vale de São Francisco

Ainda a tempo, eis a reportagem da jornada voluntária de Sábado passado.

Foi uma jornada muito participada, e com um número significativo de “caloiros”. Não foi por isso, contudo  (porque entre nós os novos têm sempre um especial acolhimento) que neste dia optámos por uma jornada de plantação de árvores e arbustos num dos sítios mais difíceis que podíamos escolher: o Vale de São Francisco.

Esta propriedade de cerca de 3 ha é uma adição recente à área de intervenção do projecto e inclui uma extensão de cerca de 400 metros deste vale que desce do Cabeço Santo até desaguar no ribeiro junto ao Feridouro, passando, lá mais acima, pelo terreno que a Quercus aqui adquiriu em 2006.

É a nossa oportunidade para recuperar um vale com várias escarpas, às quais a água confere o seu especial encanto quando corre com abundância. No entanto, como quase cada recanto desta região, encontra-se num avançado estado de degradação devido ao excessivo aproveitamento para o cultivo de eucalipto e à ocupação por mimosas. Esse estado agravou-se bastante após o incêndio de 2005, quando densas manchas de eucaliptos de origem seminal se implantaram, chegando até agora como formações de eucaliptos quase impenetráveis, ainda que, nesses condições, não pudessem ter crescido muito.

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O Vale de S. Francisco encontra-se num estado limite de degradação

Após o corte inicial dos eucaliptos (para venda) procedeu-se à remoção das mimosas e dos eucaliptos que não tinham aproveitamento e que ocupavam o vale e as zonas mais inacessíveis. Muita dessa lenha e ramada foi retirada, mas muita não o foi por dificuldades várias, a principal das quais o acesso difícil. Seguiu-se a dolorosa mas necessária pulverização com herbicida para eliminar toda a rebentação (de mimosas e eucaliptos) que ocorreu depois dos cortes, e finalmente, quase dois anos após o corte inicial dos eucaliptos, o terreno ficou disponível para os trabalhos de plantação. O seu aspecto não é animador: quem neste dia olhasse com atenção o cenário, ao mesmo tempo grandioso e caótico, belo e horrível, que se mostrava diante de si, não podia deixar de se perguntar: como deixámos a terra neste estado? Como foi possível que, colectivamente, tivéssemos deixado estragar tanto, para beneficiar tão pouco?

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Vista de parte do terreno a partir de cima, com a área de socalcos em 2º plano

Mas voltemos ao trabalho, que agora é o que podemos fazer para reverter os erros passados: com elevados declives, lenha depositada, parte do terreno armado em socalcos há 10 anos e afloramentos rochosos extensos, não se esperava que o trabalho fosse fácil, e assim aconteceu: embora na zona dos socalcos, que trabalhámos de manhã, o solo não estivesse muito compactado, a abundância de pedra solta tornava às vezes quase impossível abrir uma cova com solo suficiente para plantar uma árvore. Dado os acessos serem poucos e difíceis, todos os materiais e equipamento tiveram de ser deslocados entre socalcos graças a uma escada. Mas, ainda assim, e graças ao número e aplicação dos voluntários, pelo meio dia já a maior parte das árvores tinha sido plantada e foi necessário ir buscar mais! Foram pinheiros, sobreiros, medronheiros, lentiscos e murtas as espécies plantadas. Também alguns carvalhos, poucos, que as condições não eram favoráveis.

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Como sempre, a formação foi atentamente seguida

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Para as deslocações entre socalcos teve que se usar uma escada

O almoço tomou-se em pleno coração do vale, aproveitando o único caminho que o atravessa dentro deste terreno, e usufruindo das suas águas cristalinas, até para beber!

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O almoço fez-se de especialidades vegetarianas a que já nos começamos a habituar…

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Provou-se a água do Vale de São Francisco, junto a uma captação ainda em uso na aldeia do Feridouro

À tarde trabalhou-se acima do caminho, já em zona não sujeita a mobilização de solo anterior, mas com afloramentos rochosos mais extensos. Cada local de plantação tinha de ser procurado com cuidado, em busca dos locais onde o solo se acumulou. Os trabalhos prolongaram-se por toda a tarde e parecia que o inevitável cansaço sempre se conseguia ultrapassar com uma tangerina ou um golo de água do Vale de São Francisco. Ou com a ajuda invisível do Santo, quem sabe? A verdade é que o segundo lote de árvores se plantou por completo, e a contabilidade final deve ter excedido bem as 300 árvores e arbustos plantados. Para as condições em que se realizou, e mesmo não podendo falar de uma perspectiva totalmente imparcial, temos de considerar que foi um facto notável!

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Uma esfarrapada mimosa é, apesar de tudo, o único elemento colorido nesta paisagem!

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À tarde, os trabalhos decorreram numa parte da encosta sem socalcos

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Equipa em acção. Os eucaliptos ainda em pé são plantas de origem seminal, que em breve serão cortados.

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Plantas, ferramentas e braços, a combinação perfeita

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O trabalho mais difícil, mas que teve braços disponíveis por todo o dia!

Obrigado aos voluntários presentes pela sua dádiva e superação!

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Uma das muitas árvores plantadas, um medronheiro

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A fantástica equipa deste dia!

No próximo dia 11 de Março teremos a última jornada de plantação de árvores desta época. Voltaremos ao Vale de Barrocas, para aquela que será também a última jornada regular deste Inverno! Não percam! Até lá.

Paulo Domingues

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A primeira jornada do ano

A primeira jornada de 2017 realmente realizada aconteceu no dia 21 de Janeiro com a presença de 16 voluntários sem medo dos dias frios que têm vindo. Frios, mas secos, o que, se para as árvores a plantar não é o ideal, para quem se movimenta no terreno é. Assim, pouco depois das 9 horas a equipa deslocava-se já para o local elegido, o Vale de Barrocas, sendo que a maior parte dos voluntários seguiu pelo Feridouro enquanto a carrinha de serviço ia pelo antigo caminho para Belazaima-a-Velha com as plantas e todo o equipamento necessário.

Começou-se, como sempre, com uma pequena formação, pois que é essencial plantar bem as árvores. Depois de termos plantado da última vez acima do caminho, agora avançou-se para baixo, em direcção ao ribeiro. Mas o avanço não se revelou fácil: terreno declivoso, com muito matagal e ramada de eucalipto acima da superfície e pedras e raízes abaixo. Verificou-se assim que esta área era muito mais difícil de trabalhar do que a anterior, também por corresponder ao perfil côncavo da encosta entre os vales adjacentes, já que a coisa melhorou à medida que nos aproximávamos dos vales.

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Para iniciar, as necessárias explicações

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Lá em baixo o vale de Barrocas, ainda com eucaliptos na outra margem

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Voluntários em acção

Como eram muitos voluntários, alguns dedicaram-se a cortar rebentos de eucalipto, outra das tarefas aqui requeridas. Recorde-se que optámos por não usar herbicida neste local fértil em nascentes de água, e também não foi possível destroçar as toiças de eucalipto por meios mecânicos devido ao declive do terreno.

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Alguns voluntários dedicaram-se ao corte de rebentação de eucalipto

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A preparação da cova para a plantação faz-se com todo o cuidado

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O declive elevado, o matagal e a ramada de eucalipto no solo não desanimou os voluntários

O trabalho duro rapidamente aqueceu os corpos e as roupas começaram a acumular-se junto à carrinha quase parecendo que o Verão tinha chegado de repente!

Pelo meio dia havia uma boa notícia já antecipada: para hoje tínhamos comida quente especialmente confeccionada por uma voluntária de cozinha. Foi um prato vegetariano muito apreciado até pelos mais aguerridos carnívoros!

À tarde continuou-se a trabalhar abaixo do antigo caminho principal, e sem dúvida que a abertura de covas em torno dos dois ramos do vale principal, o vale de Barrocas, revelou um solo mais substancial e com menos pedras do que anteriormente.

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Com este declive, era fácil rebolar pela encosta abaixo, e chegou a haver quem o tenha ensaiado!

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Não, não vinha da famosa Universidad de Salamanca, mas vinha de outra quase tão famosa e era uma das três caras novas nestas jornadas

As árvores e arbustos plantados foram: carvalhos, uns poucos castanheiros, azereiros, folhados e medronheiros, estes poucos por estarmos numa encosta voltada a nordeste, menos propícia para esta espécie. Não se fez uma contagem “oficial”, mas um voluntário contou 220 árvores plantadas, o que se conseguiu ainda bem antes do pôr-do-sol.

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Já no final do dia, os voluntários regressaram a pé até ao outro lado do ribeiro, onde estavam os meios de transporte

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Vista sobre o ribeiro, o Chão do Linho, a nova plantação da Altri Florestal (à direita) e a área plantada em 2016 pelos voluntários do projecto, à esquerda

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Vista do Vale de Barrocas, com a área plantada hoje, à esquerda, a área plantada na última jornada, em segundo plano, à direita e duas manchas de eucalipto que deverão ser cortadas ainda em 2017

Mas foi já na base de operações em Belazaima que se tirou a foto de despedida, já com um voluntário em falta, e tendo como companhia as árvores que ainda temos para plantar este Inverno. Isto, claro, para lembrar que as jornadas de plantação continuam em força já no primeiro Sábado de Fevereiro.

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A foto final, já na base de operações

Um obrigado a todos os voluntários, incluindo a voluntária cozinheira! Mais fotos na página do Facebook.

Paulo Domingues

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Última jornada do Outono, e do ano

E chegámos à última jornada do ano de 2016! Para celebrar condignamente o acontecimento, 13 valorosos voluntários reuniram-se mais uma vez para uma jornada de plantação de árvores. E o momento foi também especial por outro motivo: iríamos iniciar a plantação numa área nova, na qual já se realizou trabalho ao longo de 2016, mas não de plantação, apenas de corte de rebentação de eucalipto: o vale de Barrocas.

Este é um vale precioso, com duas captações de água em cotas distintas, que alimentam casas no Feridouro, para consumo humano e para rega. As encostas são bastante inclinadas, com uma orientação tendencial para norte/nordeste, e com solos de qualidade superior à média para estas montanhas. Mercê de várias circunstâncias felizes, será possível reunir aqui perto de 10 ha de terreno, embora nem todo já disponível. De momento, temos aqui para plantar cerca de 3 hectares, e temos também a rebentação de eucalipto, dado termos optado por não usar aqui herbicida. Por coincidência, andou neste mesmo dia aqui uma máquina giratória a partir cepas de eucalipto com uma enxó, uma alternativa mecanizada ao corte manual da rebentação, e com a vantagem de não resultar em rebentamentos posteriores. O problema é que essa máquina, ainda que de lagartas, não pode ir às áreas mais inclinadas. Assim se constata que a plantação com eucaliptos em terrenos de elevada inclinação cria um problema de difícil solução, pela sua irreversibilidade sem custos elevados.

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Chegada ao terreno e preparação

Deste modo, a equipa dividiu-se em duas partes: os “plantadores” e os “cortadores” de rebentação. O dia estava frio e com vento, pelo que mesmo o esforço dos trabalhos teve dificuldade em promover a remoção dos agasalhos. O sol, pelo seu lado, brilhou todo o dia, mas como estávamos numa encosta voltada a norte e como ele agora está muito baixo (estamos quase no solstício) quase não demos por ele.

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Equipa dos “cortadores de rebentos”

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Elemento da equipa dos “plantadores”

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Tabuleiro de plantas

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Cogumelos em cepa de eucalipto

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Equipa plantando uma árvore

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Misturando bem os fertilizantes

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Com a colocação do tubo de protecção está concluída a operação

Os “plantadores”, agrupados em três equipas, tiveram que carregar as plantas e os fertilizantes encosta acima, pelo que a jornada foi particularmente exigente. A abertura das covas, já o sabíamos, não era propriamente fácil, pois tinha que se fazer com picareta, num terreno com matagal e tocos de eucalipto. Nestas circunstâncias, não podemos esperar plantar muitas árvores por dia, o melhor que podemos tentar é fazê-lo bem.

A maior parte das árvores eram carvalhos, embora houvesse também alguns medronheiros.

Pelo meio dia já havia voluntários bastante cansados, mas um almoço especial com grão-de-bico, broa de milho e cuscuz, para além de outras especialidades, foi suficientemente revitalizador, pelo que a equipa voltou sem demora ao trabalho, que a tarde era curta.

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O dia estava frio e nem o aquecimento interno deu para tirar muitas roupas

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Plantando as últimas árvores

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Os declives eram elevados

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Lá mais em cima, uma giratória fazia o seu trabalho

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Vista de uma área plantada

Embora agora fosse necessário transportar os materiais ainda mais para cima na encosta, os trabalhos prosseguiram com animação e pelas 16 horas todas as 180 árvores trazidas de casa estavam plantadas. O sol escondia-se rapidamente atrás do Cabeço do Meio, mas ainda houve energias para todos se dedicarem ao corte de rebentação de eucalipto nos minutos finais da tarde. E imaginem: conseguiram encontrar uma máquina fotográfica compacta perdida no meio de todo o material lenhoso depositado no chão!

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Cortando rebentos de eucalipto no final

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Vista da área plantada, acima do antigo caminho para Belazaima-a-Velha

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Vista do Vale de Barrocas, da área trabalhada, e da que ficou por trabalhar.

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A equipa no final, em pleno coração do Vale de Barrocas!

Tinha sido uma excelente jornada, a fechar 2016. E uma jornada verdadeiramente europeia: para além da já habitual presença francesa, desta vez tivemos também uma alemã! E várias estreias de novos voluntários! Assim se encerra um ano de grande participação voluntária no Cabeço Santo, bem à medida das imensas necessidades que se apresentam. Mas a época de plantação ainda nem vai a meio! Continuamos já no dia 7 de Janeiro, pois há muito para fazer!

Um grande obrigado a todos os voluntários deste dia e deste ano. Felizes festas e até muito breve, com o anúncio das jornadas voluntárias de Inverno no Cabeço Santo! Entretanto, podem ver mais fotos da jornada na página do projecto no Facebook.

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3ª Jornada de Outono

A 3º Jornada de Outono inaugurou a nova época de plantação de árvores de 2016/17, ainda antes da data habitualmente tomada como referência para esta acção, o Dia da Floresta Autóctone, assinalado a 23 de Novembro. Mas não muito, apenas alguns dias! E justifica-se pois este ano temos uma grande área para plantar e um número de árvores, que vai ser um enorme desafio!

A equipa voluntária que se apresentou para este dia pareceu estar à altura do desafio, pois eram 16 os voluntários, das mais diversas proveniências. Dado o número elevado de pessoas, decidiu-se começar por uma parcela bem perto de Belazaima, a Benfeita. Esta parcela faz parte de um conjunto de propriedades da Junta de Freguesia local disponibilizadas à Quinta das Tílias por arrendamento, e que, por via do protocolo desta com o Projecto, será trabalhada para fins de conservação. Desta parcela faz parte uma “testada” das terras agrícolas ribeirinhas (da Benfeita) que já tem uma interessante mancha de carvalhos e sobreiros adultos e que importa agora conservar e aumentar. De referir que, com a entrada desta parcela na área de intervenção do Projecto, este passa a intervir num “corredor ecológico” ribeirinho de cerca de 4 km ao longo das margens do ribeiro, quase sem interrupção na margem direita, embora bastante incompleto na margem esquerda.

Também se começou por esta parcela por ela oferecer várias oportunidades de intervenção para além da plantação de árvores: o corte da rebentação de eucalipto e o corte de uma densa mancha de Acacia melanoxylon que existe numa pequena área do terreno. Assim se distribuiu de maneira mais eficiente a mão-de-obra presente, aproveitando de forma optimizada as ferramentas disponíveis.

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De primeiro para terceiro plano: rebentação de eucalipto já cortada, voluntário em acção e mancha de Acacia melanoxylon

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Pequena formação sobre plantação de árvores

Depois de uma pequena “formação” sobre plantação de árvores, os trabalhos iniciaram-se junto ao tanque de rega da Benfeita, avançando ao longo da inclinada língua de terreno para sul. Uma equipa ia cortando a rebentação de eucalipto enquanto outra ia plantando sobreiros e medronheiros. Dado que aqui a plantação de eucalipto era já antiga e não muito intensiva, já havia por quase todo o terreno muitas plantas de sobreiro, carvalho-roble e pinheiro, que agora serão recuperadas e protegidas. A principal dificuldade derivou do declive do terreno, por vezes bastante elevado, o que deu origem a algumas escorregadelas, felizmente sem consequências de maior para além de uma haste de óculos partida… Por outro lado as energias necessárias para transportar plantas, adubos e ferramentas foram cansando pernas e braços.

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Perspectiva do terreno a trabalhar. Em segundo plano os carvalhos e sobreiros da “testada”

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Trabalhos de corte de rebentação de eucalipto

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Trabalhos de plantação e corte da rebentação

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Trabalhos de plantação em curso

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Tabuleiro de medronheiros

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Corte de rebentação

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O terreno inclinado constituía uma dificuldade significativa

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Plantas e adubos. Como adubo usou-se um granulado orgânico, um fosfato natural e um correctivo de acidez.

Pelo meio dia já se tinha dado um bom avanço e a paisagem vista lá de cima também era animadora, embora as cores mais “outonais” que daí se observavam fossem de facto de espécies exóticas, em particular os carvalhos-americanos, plantados com alguma frequência em antigas terras agrícolas.

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Merecido almoço

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Vista sobre a aldeia

À tarde os trabalhos continuaram de imediato e sem sesta pois que as tardes agora são curtas. De referir que estiveram presentes duas “madrinhas” de árvores, ou seja, pessoas que apadrinharam árvores dando uma contribuição de 2 € por árvore, e ainda vieram ajudar a plantá-las! Vamos precisar de mais padrinhos/madrinhas assim!

O tempo ajudou imenso, pois que esteve um dia nublado e quando a anunciada chuva começou a cair, o dia estava já a terminar, iniciando-se de imediato uma conveniente rega pois, como se teve oportunidade de constatar, em muitos locais plantados o solo estava seco, devido à dificuldade da água da chuva em penetrar superfícies de solo que se mostram por vezes bastante higrófobas, o que o declive acentua. Mas agora, com as “caldeirinhas” que se fizeram em cada árvore plantada, e com a fertilização orgânica, por certo que a água não terá dificuldade em entrar na terra e vivificá-la.

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Trabalho realizado, pelo final do dia

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Os voluntários deste dia

Mais de 150 árvores foram plantadas e a foto de encerramento foi tirada na base de operações já era noite bem escura e… à chuva.

Tinha sido um excelente arranque da época de plantação. De futuro contamos ter o terreno de plantação já trabalhado com ajuda de maquinaria florestal, a fim de podermos plantar muito mais árvores por jornada. Até dia 3 de Dezembro! E obrigado a todos os voluntários! As fotos são da voluntária Odete, e no Facebook há mais!

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2º Jornada de Outono

Já era esperado: depois de todos os afazeres e emoções da Conferência dos 10 anos, as atenções voltam-se de novo para o terreno, e com dinâmica redobrada, como também se previa. À jornada de 5 de Novembro compareceram 10 voluntários, desafiando as previsões de chuva que se apresentavam para a manhã desse dia. Mas, constatando as nuvens lá de cima tanta determinação, ofereceram-se para colaborar: só uns pingos muito leves caíram já a manhã ia adiantada. Ainda assim, e como tinha chovido de noite, o principal trabalho que tínhamos planeado – corte de rebentação de eucalipto – não se podia fazer logo de manhã, pois a ramada ainda estava muito molhada.

Deste modo, decidiu-se subir o cabeço até à mancha de acácia-de-espigas do vale nº 3 para aí se fazer trabalho de mão e de tesourão no arranque e corte de plantas dessa espécie invasora. Com o solo já bem regado, o arranque fazia-se com mais facilidade do que no Verão, e uma brisa fresca e húmida fazia jus à Estação, ajudando também a manter a dinâmica do trabalho.

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Corte e arranque de acácia-de-espigas no vale nº 3

Finalmente o sol conseguiu espreitar através das densas nuvens, ajudando a secar algumas luvas e roupas que entretanto se foram molhando. O almoço fez-se por ali mesmo, e só não incluiu medronhos porque este ano ao produção é pequena e os frutos ainda estão verdes. No entanto a floração já se iniciou, o que faz deste arbusto, a espécie nativa dominante nestas zonas de solo esquelético, um encanto para os olhos.

Depois do almoço esperava-se que a rebentação de eucalipto já estivesse seca, pelo que se desceu de novo cá abaixo. O trabalho iniciou-se mesmo a jusante dos portões da mata da Altri Florestal e decorreu no corredor ecológico ribeirinho a norte do ribeiro, a área plantada no Inverno passado. Embora a maior parte da rebentação original destas toiças tivesse sido pulverizada com herbicida ainda em 2015, a eficácia desta operação foi limitada, e agora, depois de aí haver árvores plantadas, essa solução não se pode colocar de novo, pelo que há que remover a rebentação manualmente. É sobretudo um trabalho com pequenos machados e muita paciência. A animar a equipa estavam as árvores plantadas este ano, que em geral se encontravam com muito bom aspecto (ou não tivessem sido bem cuidadas ao longo do Verão!).

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Já no sopé da montanha, cortando rebentação de eucalipto

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É quase um trabalho de corpo inteiro: mãos, pés e ferramentas

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A equipa avança em bloco. Para trás o trabalho realizado

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Elemento não contabilizado, guardando, inspeccionando e vigiando

Os trabalhos decorreram com grande dinâmica, e a tarde até pareceu maior do que que se tornou depois da última mudança da hora: percorreram-se várias centenas de metros do corredor ribeirinho e quase se chegava ao Vale de São Francisco já na aldeia do Feridouro! E ainda houve tempo para observação de cogumelos e outras coisas inesperadas (pelo menos para alguns dos voluntários).

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Murta em frutificação

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Cogumelo A

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Cogumelo B

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Cogumelo C

Tinha sido um dia muito produtivo, para grande satisfação dos voluntários, embora alguns reflectissem o esforço de braços que o trabalho exigiu. Nada que um bom Domingo de repouso não permita recuperar!

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A equipa deste dia. Mas a hora apresentada é enganadora: os trabalhos prolongar-se-iam até às 17:30h

Obrigado a todos os voluntários, incluindo os fotógrafos (vários)! Como é habitual, na página do Projecto no Facebook a reportagem fotográfica é mais completa.

Na jornada de 19 apontamos para começar a época de plantação de árvores! Mas também haverá muitos rebentos de eucalipto para cortar, o que se poderá ir fazendo em simultâneo com a plantação. Só precisamos de ter muitas mãos generosas, mais ou menos como nesta segunda jornada de Outono! Aqui fica o convite!

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