Posts tagged o Ribeiro de Belazaima

Notícias do Cabeço Santo e de lá perto

Ontem, 4 de Fevereiro, não se chegou a realizar a prevista jornada voluntária de plantação de árvores. Pelo menos durante a manhã a chuva seguiu fielmente as previsões e caiu regularmente, embora assim já não tenha acontecido durante a tarde. Mesmo assim, o “destino” desta jornada estava traçado…

Mas como o Inverno não espera e as árvores não se plantam sozinhas, não nos podemos dar ao luxo de simplesmente cancelar a jornada, assim, adiamo-la para o Sábado seguinte, 11 de Fevereiro, esperando poder ainda contar com a disponibilidade de alguns voluntários. Depois, no dia 18, teremos uma jornada extra para um grupo organizado e esperamos no dia 25 poder voltar ao calendário normal.

Entretanto, aproveitamos para oferecer algumas cenas invernais, algumas pacíficas e bucólicas, outras preocupantes, mas ainda assim não isentas de beleza…

Do Feridouro obteve-se esta perspectiva das terras do Cortinhal, que já foram agrícolas, eucaliptal durante algumas décadas, e que agora se recuperam, mas por certo com muito mais carvalhos e castanheiros a rodeá-las do que alguma vez tiveram:

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Depois do eucaliptal…

Já junto ao Vale de São Francisco obteve-se a seguinte, onde não deixam de chamar a atenção as mimosas que ainda persistem na encosta, agora quase a florescer, não obstante todo o trabalho que já lá foi realizado:

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Junto ao Vale de São Francisco, quase no seu encontro com o ribeiro

Ainda do Feridouro, este formoso cogumelo:

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Bonito cogumelo!

Agora já em Belazaima, e logo num grande carvalho de uma parcela da Quinta das Tílias, observou-se esta cena:

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Um ninho de vespa asiática, num carvalho da Quinta das Tílias

É verdade, trata-se de um ninho de vespa asiática, que ali foi construído há meses enquanto cá em baixo tantas vezes se trabalhou sem se suspeitar que logo ali, escondida pela folhagem, se encontrava esta colónia dos perigosos e invasores insectos devoradores de abelhas. E contudo, não deixa de ter uma certa beleza…

Não longe do ninho de vespas, as águas do ribeiro, turvas pelos sedimentos que arrastam, seguem o seu curso até ao Rio Águeda, enquanto atravessam este recanto de castanheiros e vegetação ribeirinha em pleno repouso invernal…

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O Ribeiro de Belazaima

E para terminar, uma cena que quase poderia pensar-se ser dos green fields of England, decorados pelos seus grandes carvalhos, e que só os eucaliptos lá ao longe conseguiriam relocalizar. E de facto é apenas Belazaima, claro, não qualquer sítio de Belazaima, um sítio especial…

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Uma cena de Whiltshire ou do Somerset? Não, de Belazaima!

Encontramo-nos de novo em Belazaima, no dia 11, para mais uma grande jornada voluntária de plantação de árvores! Até lá.

Paulo Domingues

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Notícias dos trabalhos de monitorização de aves no Cabeço Santo

No passado dia 19 de novembro, quando os 16 voluntários iniciaram o árduo trabalho na encosta da Benfeita a controlar a rebentação de eucalipto e a plantar várias das espécies que no futuro alterarão a paisagem local, formando um bosque autóctone capaz de albergar diversas espécies da nossa fauna, já outro voluntário percorria os 2 km de censo da avifauna ao longo da ribeira de Belazaima.

O projeto de monitorização da avifauna na área do Cabeço Santo vai agora no seu 7º mês de censo. Os resultados obtidos até ao censo de outubro  indicam uma clara dominância de poucas espécies. De entre as 20 espécies confirmadas no interior da faixa de censo, há 5 espécies que representam 68% da comunidade de passeriformes que ocorrem junto à ribeira: chapim-preto, carriça, pisco-de-peito-ruivo, toutinegra-de-barrete e estrelinha-real.

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Pisco-de-peito-ruivo: uma das espécies mais abundantes na área de censo (Foto de Dora Oliveira)

No entanto, tem havido algumas surpresas agradáveis no que respeita a espécies confirmadas na área. Entre estas destaca-se o Dom-fafe, espécie que em Portugal tem por área de excelência o Minho e algumas áreas Transmontanas.  Embora em reduzido número, foi uma presença mais ou menos constante nos meses de primavera/verão.

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Dom-fafe (macho) num dos transetos junto à ribeira de Belazaima (Foto de Fernando Leão)

No momento em que o 7º censo se iniciou, tinham já sido confirmadas na área de censo 20 espécies de aves (25 se tivermos em conta a área envolvente). Mas este 7º censo revelou-se uma agradável surpresa ao acrescentar mais uma espécie à lista já existente, e não é uma espécie qualquer. Embora no 2 º censo (realizado em junho) tivesse ficado a dúvida da sua presença, uma vez que apenas foi possível observar um ténue  vislumbre de dois vultos escuros a esvoaçar junto à água por entre os fetos das margens, será que?… Ficou a dúvida, e em caso de dúvida optou-se por manter esse ténue vislumbre como uma observação de indivíduos de espécie desconhecida…

Mas agora, em pleno novembro, numa zona com pequenas quedas de água sob coberto de um dos pouquíssimos núcleos de Salgueiros que ainda bordejam a ribeira, aí estava ele… um melro-de-água mergulhando à procura de alimento. Mas com a aproximação do observador rapidamente esvoaçou para jusante afastando-se de qualquer hipótese de registo fotográfico. Fica o desafio para uma próxima oportunidade de algum voluntário que consiga ‘caçar’ a sua imagem.

Entretanto e enquanto tal não acontece, em baixo apresenta-se a ficha do melro-de-água constante do Atlas das aves nidificantes em Portugal (1999-2005).

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Fonte: Equipa Atlas (2008). Atlas das aves nidificantes em Portugal. Instituto de Conservação da Natureza e da Biodiversidade, Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves , Parque Natural da Madeira e Secretaria Regional do Ambiente e do Mar. Assírio &Alvim. Lisboa.

E assim se confirma uma vez mais o potencial deste ribeiro para a preservação da biodiversidade nesta área do território. Esperemos que dezembro, plena época de invernada, traga mais surpresas.

Fernando Leão

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Última jornada de Verão

A última jornada do Verão de 2016 e 2ª comemorativa dos 10 anos do projecto decorreu ontem com a presença de 6 determinados voluntários, 3 deles “caloiros”. Como por aqui os estreantes têm um acolhimento atencioso, preparámos um dia dividido em 3 trabalhos diferentes em 3 locais também diferentes, permitindo dar aos novos uma perspectiva o mais abrangente possível dos horizontes do projecto.

O primeiro trabalho foi de “partir pedra”, numa área onde se desenvolve a primeira intervenção. O local foi a zona das Costas do Rio, a caminho da curva apertada do ribeiro conhecida por “pé torto”. Na margem direita, no terreno da Altri florestal, a intervenção já se tinha iniciado em 2008 numa estreita faixa ribeirinha, mas na margem esquerda o acesso ao terreno só foi possível a partir de 2012, quando as mimosas que densamente ocupavam a margem já estavam bastante crescidas. Nestas condições, a opção considerada mais viável, também tendo em conta o elevado declive da margem em alguns locais, foi o descasque das árvores. Como esta margem tem 1 km de extensão, é talvez trabalho para vários anos, tendo tido o seu início no ano passado.

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Novo voluntário já perfeitamente à vontade na sua missão

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Algumas mimosas eram bastante grossas, mas mesmo uma jovem voluntária não se deixou intimidar

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Os declives elevados foram uma das principais dificuldades. Mas ninguém caíu, felizmente

Foi necessário usar a motoroçadora em alguns sítios para triturar o silvado e facilitar o acesso à árvores. Depois, mãos à obra: equipados com navalhas, facas e uma pequena serra de mão, os voluntários dedicaram-se ao descasque. Inicialmente, não pareceu fácil, com árvores já tão grandes e de casca tão grossa, e com declives frequentemente tão elevados. Para piorar as coisas, havia também muita lenha antiga no chão em alguns locais. Mas viu-se logo que os voluntários deste dia não eram de desanimar à primeira dificuldade e o trabalho prosseguiu até quase às 12 horas, quando se parou para uns merecidos figos do Feridouro.

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Vista da margem direita, onde se podem admirar estes bonitos carvalhos

Mas a agenda da manhã ainda incluía a 2ª acção do dia e esta era a jusante do Feridouro: numa pequena várzea da zona da Chousa, que tinha sido alvo de uma mobilização de solo para facilitar a plantação e a gestão da vegetação, as mimosas germinaram em grandes quantidades e era necessário arrancá-las antes que fosse tarde de mais. Claro, a razão para esta germinação massiva estava na anterior ocupação deste espaço por uma densa mata de mimosas crescidas, que deixaram este solo com um volumoso banco de sementes. A área já tinha sido plantada no último Inverno, quando ainda não havia sinal das mimosas (nem das abundantes plantas herbáceas de caule vermelho que na Primavera haveriam de surgir e que agora ainda davam uma tonalidade avermelhada ao local). Durante mais de uma hora arrancaram-se mimosas, e a surpresa foi que elas afinal eram muito mais abundantes do que parecia à primeira vista. Já o relógio se encaminhava para as 13:30h e parecia que as mimosas nunca mais acabavam (ou até que voltavam a surgir logo umas novas assim que se arrancavam as anteriores!).

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Densa cobertura de mimosas germinadas

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Voluntários em acção, num ambiente de tonalidade avermelhada

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Carvalho plantado no Inverno passado

Finalmente, a fome falou mais alto: mais uma vez, a sombra da tangerineira do Jorge Morais, juntamente com o crepitar das águas da nascente do Vale de Barrocas, foram o ambiente perfeito para um merecido almoço. Seguiu-se, é claro, o relaxamento integral sob a copa dos carvalhos do Cortinhal, o que deixou os voluntários bem preparados para o desafio seguinte.

A 3ª acção do dia decorreu numa zona média-alta do vale nº 3, em torno da cota dos 300 metros, na mata da Altri florestal. Aqui já no passado se tinham arrancado e cortado acácias-de-espigas, e na zona mais fértil, em torno do vale, se tinham mesmo plantado árvores. Mais longe do vale, já numa área de solo marginal, existia uma mancha de medronhal que sobreviveu a décadas de exploração florestal e que agora se recupera, ainda que também aqui as acácias-de-espigas compitam agressivamente com os medronheiros. Ora, num “momento” de desatenção, novas plantas de acácias-de-espigas aqui surgiram e se desenvolveram rapidamente, acabando por dominar a paisagem local. Deste modo, foi necessária uma intervenção de uma equipa de sapadores, que cortou esses arbustos no último Inverno, deixando, muito material lenhoso no chão. O que se veio aqui fazer agora foi acompanhar as rebentações indesejadas das plantas de acácia-de-espigas, cortando-as com tesourões, arrancar plantas de origem seminal, e também iniciar um trabalho de arrumação da ramada, que, em certos locais é um obstáculo à progressão no terreno.

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Na subida para o vale nº 3 observou-se um Laetiporus sulphureus num toco de eucalipto.

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Aqui os voluntários cortaram e arrancaram plantas de acácia-de-espigas

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Nalguns locais a ramada seca era tanta que não se conseguia progredir: terá de ser “arrumada”.

Mais a montante, já numa área rochosa, são visíveis os efeitos da seca estival deste ano, com muitas plantas de acácias-de-espigas secas. Deste ponto de vista, o Verão quente e seco “fez um bom trabalho”, mas ainda deixou imenso para voluntários e não voluntários!

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As plantas secas são acácias-de-espigas que não sobreviveram à seca estival. Mas ainda sobraram muitas!

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A mancha da zona mais rochosa ainda chegou a ser abordada, mas só para fazer o gosto ao dedo…

Lamentavelmente, constatou-se mais um trilho abusivamente aberto pelas hordas de motards que frequentam a região. Sem palavras.

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Trilho “selvagem” (no pior dos sentidos)

Depois de uma semana em que as chuvas voltaram, já com algumas dezenas de litros por metro quadrado, anunciando o fim do Verão e fazendo florescer as primeiras flores Outonais, encerram-se também as jornadas voluntárias de Verão de 2016. Mas as celebrações do 10º aniversário do projecto vão continuar, com as primeiras jornadas de Outono e a grande Conferência comemorativa a realizar no dia 15 de Outubro! Mas, falando de aniversários, não é demais lembrar que hoje mesmo, 18 de Setembro, passam 11 anos sobre o grande incêndio que deixou o Cabeço Santo (e muito mais) em cinzas.

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Voluntários satisfeitos, ao se concluírem os trabalhos

Adeus ao Verão e um grande obrigado a todos os voluntários!

Paulo Domingues

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A primeira jornada de Verão

Eis que, depois de um pequeno problema técnico, a reportagem da última jornada voluntária e primeira do Verão só agora chega a público.

Apenas três voluntários se apresentaram disponíveis, um pequeno número para as necessidades do dia, mas afinal, compreensível: num dia com máximas previstas a superarem os 30ºC, não deixa de ser necessária uma pequena dose de “loucura” para dedicar um dia a cortar rebentos de eucalipto… Porque era esse o principal trabalho previsto para este dia: voltar a uma área com cerca de 3 ha em torno do vale de Barrocas e das suas 3 nascentes para, com a força da persistência, “convencer” as toiças de eucalipto aí presentes a “desistir” e deixarem-nos o espaço livre para lá colocar outras espécies.

Mas acabámos por iniciar os trabalhos numa extremidade de um outro terreno, na Benfeita, ainda junto a Belazaima, onde também era necessário fazer o mesmo trabalho. E aí andámos até às 10:30h, quando rumámos ao vale de Barrocas. As ferramentas para este trabalho são simples, mas exigem cuidado e atenção: mãos e machadas de cabo curto.

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Nos rebentos de eucalipto, com Belazaima à vista (Benfeita)

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Esta área já não era muito intensamente explorada para cultivo devido ao carácter rochoso do solo

A área a trabalhar na zona do Vale de Barrocas era abaixo do antigo caminho de acesso a Belazaima-a-Velha, e iniciava-se num pequeno vale secundário. A pequena equipa foi progredindo em faixas mais ou menos paralelas, para não se colocar muito esforço a subir e a descer a encosta. Mas, apesar de se tratar de uma encosta voltada a norte/nordeste, o sol do meio dia foi produzindo os seus efeitos, e pelas 12 horas já era necessário compensar com abundância a água que ia encharcando as t-shirts através de todos os poros da pele. Para o relator destas linhas, que se encontrava mais longe dos garrafões de abastecimento, tornou-se a dada altura irresistível uma ida a uma das nascentes do Vale de Barrocas, não obstante algumas dificuldades para lá chegar, devido aos fetos e às silvas. Mas, uma vez lá, e com a sede no seu pico, foi quase um vislumbre do paraíso observar aquela água que brotava abundante directamente da rocha de xisto, no fundo de um barranco sombrio. E bebê-la, claro, apanhada com as mãos, e depois de generosamente bebida, derramá-la sobre o peito e as costas, sentindo um repentino revigoramento para concluir afinal que, por essa bendita água, não seria afinal tão “louco” o esforço de tão trabalhosa e suadamente se submeterem as toiças de eucalipto daquela maneira…

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Nesta zona do Vale de Barrocas os fetos parecem “medir forças” com os eucaliptos!

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Perspectiva do vale do ribeiro, com a área recentemente plantada visível do outro lado e a área hoje trabalhada em primeiro plano

Mas, havia que regressar de encontro aos companheiros, e ao “paraíso”, não do presente, mas do futuro, ou uma pequena amostra dele. A manhã aproveitou-se até bem depois das 13 horas, porque a seguir ao almoço, devido ao calor que se fazia sentir, não continuaríamos nos eucaliptos. Depois de uma merecida e estendida sesta, abrimos uma nova frente de avanço nas mimosas da área ribeirinha das Costas do Rio, zona também conhecida por Pé Torto, devido à curva apertada que o ribeiro aqui faz. Trabalhámos na margem esquerda, onde ainda quase não houve intervenção, ao contrário da direita, uma das primeiras áreas ribeirinhas onde se interveio na mata da Altri Florestal, em 2008. O tamanho e a densidade destas mimosas aconselha uma operação de descasque, trabalho que tinha a vantagem de se fazer à sombra, prescindindo até das t-shirts, que, mesmo à sombra, apresentavam o incómodo de rapidamente ficarem suadas. As águas do ribeiro, logo ali bem próximas, convidavam a um banho de pés, e só não um mergulho por serem demasiado baixas. Esta é uma zona onde o ribeiro corre com frequência “encaixado” por escarpas de xisto, paisagisticamente promissora mas onde as mimosas, e também os eucaliptos, ainda prometem longos anos de trabalho até se tornar de novo “paisagisticamente interessante”!

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Perspectiva do ribeiro já com as mimosas descascadas na margem esquerda

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As águas do ribeiro

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Um pouco a jusante, dois carvalhos da margem direita debruçam-se sobre o ribeiro: estão já na mata da Altri Florestal numa das primeiras áreas ribeirinhas onde o projecto interveio em 2008

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Um selvagem?! Não, um voluntário!

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Admirando o trabalho realizado, já pelo final de tarde

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Um rocha do ribeiro

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Um detalhe geológico

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A pequena equipa, no final do dia

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Um olhar sobre a pequena aldeia do Feridouro, já no caminho de regresso a casa

E assim se fez o resto da tarde. No próximo dia 23 os trabalhos continuam e gostaríamos de contar com mais voluntários, pois depois só voltaremos aos trabalhos na grande Jornada do 10º aniversário do projecto, no início de Setembro!

Um conjunto mais alargado de fotos desta jornada estará disponível na página do projecto no Facebook.

Até já!

Paulo Domingues

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5ª Jornada de Primavera

Depois da caminhada do passado Sábado, dia 21, voltámos aos trabalhos de campo, com o propósito de cortar rebentação das toiças dos eucaliptos no Vale de Barrocas e zona ribeirinha.

Esta foi mais uma jornada extra, tendo-se desenvolvido esforços para conseguir a disponibilidade do maior número possível de voluntários, e oferecendo-se condições facilitadoras de transporte e estadia para quem veio de longe. Infelizmente, não estamos a conseguir captar o interesse de pessoas de mais perto, vamos tentar outras estratégias e chegar a instituições e grupos que desconhecem o projeto.

Devido à falta dos meios logísticos habituais, o dia começou com uma caminhada pelo caminho de acesso à Mata do Cabeço Santo, passando pelo Chão do Linho e depois subindo o Vale de Barrocas para acesso à área que não foi intervencionada na última jornada. Foi um inicio exigente com a caminhada e o corte dos eucaliptos pela encosta acima.

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Inicio da caminhada, observando as novas e futuras áreas de intervenção

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O inicio dos trabalhos aconteceu entre os fetos, na encosta do lado esquerdo do Vale

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Voluntário em acção no corte dos eucaliptos

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Trabalhos de corte da rebentação da toiça

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Os trabalhos continuavam encosta acima

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Centenas de rebentos em toiças para serem cortados

Vista da encosta de cima para baixo

Vista da encosta de cima para baixo

Os trabalhos desenrolaram-se a bom ritmo, e chegada a hora do almoço voltámos a descer o vale para descobrir uma sombra para uma merecida pausa. Pelo caminho puderam apreciar-se os trabalhos e as bonitas árvores que foram por nós plantadas.

Castanheiro, plantado à cerca de 2 anos

Castanheiro, plantado há cerca de 2 anos

Azereiro plantado este ano com a encosta virada a norte do ribeiro, em pano de fundo

Azereiro plantado este ano com a encosta virada a norte, a sul do ribeiro, em 2º plano

A acção seguinte era a continuação do corte da rebentação de eucalipto na zona ribeirinha. Aqui os rebentos dos eucaliptos eram maiores, o terreno mais declivoso e com a presença de sobras de ramada e de lenha deixadas aquando do corte.

O esforço foi imenso: tentámos trabalhar em linha para conseguir percorrer toda a largura da encosta.

Um dos elementos progrediu junto ao ribeiro, que é a parte mais densa, mas acabou por se deixar essa faixa para análise da equipa coordenadora para estudo de possíveis alternativas, pois que se trata de uma área muito densa de eucaliptos, mimosas, matagal e lenha.

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Voluntário em acção

voluntário "perdido" no meio dos rebentos

Voluntário “perdido” no meio dos rebentos

Para alguns voluntários esta foi uma tarde de grande exigência, apesar das temperaturas amenas, tendo-se os trabalhos prolongado até ao fim da tarde.

Cobrimos uma grande área, na qual os trabalhos vão continuar até à entrada do Feridouro nas próximas semanas.

fotografia, antes do corte

Fotografia, antes do corte

fotografia depois do corte

Fotografia depois do corte

a olhar a mancha de carvalhal que sobreviveu ao incêndio de 2005

Observando a mancha de carvalhal que sobreviveu ao incêndio de 2005

incorrecto corte de rebentação, o ação necessaria é esgassar e corte rente á touça para adiar o rebentamento

Corte de rebentação incorrectamente realizada, a técnica mais apropriada é a eliminação pela base da rebentação, junto à casca da toiça

Aqui fica o meu agradecimentos a todos os voluntário pelo esforço, dedicação em prol do projecto e da Natureza.

Mais uma jornada extra está a ser planeada ainda para esta Primavera, será anunciada a data em breve.

Aqui fica o meu agradecimento pela disponibilidade das fotos da Maria Teresa.

a habitual foto de família, com um sabugueiro em pano de fundo

A habitual foto de família, com um sabugueiro em 2º plano, faltando um voluntário

Até breve!

Um bem haja a todos!

Jorge Morais

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Chegou a Primavera!

Sem muitas palavras, algumas imagens do Cabeço Santo (de facto, apenas área ribeirinha a jusante dos portões da Mata da Altri Florestal) no primeiro dia de Primavera. Dando o mote para as jornadas voluntárias de Primavera, cujo anúncio virá já a seguir. Estejam atentos!

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Já com 10 cm de rebentação!

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Chousa

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Tem futuro!

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Violetas

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Carvalhos e um cipreste

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Carvalho com casa

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Chousa

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Trabalho por fazer

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Acordar!

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Vale de Barrocas / Chão do Linho

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Carvalhal

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Linaria

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Medronheiro

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Feridouro

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Vale de São Francisco

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2ª Jornada Voluntária de Inverno

Foi com uma expressiva participação de 10 voluntários, alguns deles estreantes e vindos de longe, que decorreu mais uma jornada voluntária de Inverno dedicada exclusivamente à plantação de árvores.

A primeira área trabalhada situa-se muito perto da aldeia do Feridouro, a poente das suas principais terras agrícolas, e era uma encosta plantada com eucaliptos, sujeita há 10 anos a uma operação de mobilização do solo com formação de socalcos. Esses eucaliptos tinham sido cortados em 2015, abrindo-se então a possibilidade de reconversão. Esta área integra-se no “corredor ecológico” ribeirinho que aqui se procura criar, entre a mata do Cabeço Santo e a represa de Belazaima, tendo como limite sul o próprio ribeiro. Nas margens deste ainda abundam as mimosas, cujo corte foi iniciado em 2015 um pouco a jusante, mas que ainda está longe de estar concluído. Na margem sul existiam dois socalcos bem diferentes dos agora presentes na margem norte, pois que eram antigos socalcos agrícolas. Estes, também incluídos no corredor ecológico, já têm alguns carvalhos grandes, mas só depois da retirada das mimosas serão alvo de plantação.

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Nas margens do ribeiro as mimosas ainda “rivalizam” com os carvalhos

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O ribeiro invadido por mimosas. Em segundo plano, o eucaliptal , este um invasor tolerado

Esta área de plantação já tinha sido semeada com bolas e bolachas de sementes, mas quanto às bolas de bolotas já sabemos: poucas, se algumas, terão restado da predação e da remoção da capa de argila causada pela chuva. Quanto às bolachas, também é certo que se desfizeram com a chuva, mas permanece em aberto a possibilidade de as sementes não se terem perdido. Tudo indica portanto que a técnica, a ser aplicável nas nossas condições, ainda terá muito caminho de apuramento pela frente, caminho que não deixará de se ir fazendo, em pequena escala.

A equipa trabalhou então por aqui toda a manhã, plantando carvalhos, medronheiros e lódãos. Ao contrário do que é habitual, em que as árvores se espalham de forma aleatória pelo espaço, aqui tínhamos que seguir as linhas dos socalcos, pois que a operação de mobilização do solo, muito disruptiva sobre a sua estrutura, deixa a maior parte do solo sobre a borda exterior do socalco. Mesmo assim, era necessário procurar cuidadosamente os melhores locais, pois que as pedras à superfície eram abundantes.

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Equipa em acção – 1

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Equipa em acção – 2

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Equipa em acção – 3

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Equipa em acção – 4

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Equipa em acção – 5

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O resultado – 1

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O resultado – 2

O almoço ainda se fez por aqui, com uma contribuição especial de um pão muito fresco cozido em forno de lenha por dois jovens de Belazaima (e que foi bastante apreciado), e foi já durante a tarde que a equipa se deslocou até à actual extremidade da área de intervenção, já nas margens da represa de Belazaima, para continuar a plantar. Aqui temos de novo o corredor ecológico ribeirinho com duas parcelas de passado muito diferente: a primeira, que nunca tinha sido mobilizada, mas que estava muito invadida de mimosas; a segunda, mobilizada há 10 anos para uma nova plantação de eucalipto, mas que estava também muito invadida. Apesar de tudo, numa como noutra era possível encontrar aqui e ali um medronheiro, uma murta ou mesmo um pequeno carvalho, que conseguiram sobreviver a tão conturbado passado. Claro, também aqui era necessário procurar laboriosamente os melhores locais de plantação dado o carácter rochoso e por vezes mesmo escarpado, do terreno.

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À tarde, já junto à represa de Belazaima

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“Frente” de trabalho

E assim se passou a tarde, que só se deu por terminada quando começaram a faltar os materiais e até mesmo algumas árvores. Ter-se-ão plantado para cima de 200 árvores, um feito assinalável tendo em conta que as covas tiveram que ser abertas à mão, por mãos voluntárias e por certo pouco habituadas a estes esforços.

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Equipa quase completa, captada a meio do dia

Um grande obrigado a todos os voluntários! E os trabalhos continuam já dentro de duas semanas, que o Inverno é curto e ainda há muito para plantar! Até lá!

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