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Cuidar das árvores

A jornada de 3 de Junho decorreu com um dia fresco e húmido, no qual o sol ficou escondido atrás da neblina matinal até quase ao meio dia. Foi participada por 5 voluntários, que se empenharam na importante acção de cuidar das árvores plantadas nos últimos dois anos, mas principalmente das plantadas em 2016, já que a maior parte das plantadas em 2017 desapareceu no incêndio de 28 de Abril.

O cuidado que as árvores precisam é a remoção de plantas espontâneas que se implantam, por vezes vigorosamente, junto aos pés das árvores plantadas, e a reconstrução, se necessário, das pequenas caldeiras em torno das árvores, para que melhor possam aproveitar a água da chuva.

Os trabalhos iniciaram-se nos antigos socalcos de eucalipto da área conhecida por “Costa”, logo a jusante das terras do Feridouro. Apesar das condições difíceis do solo, a maior parte das árvores encontrava-se com boa vitalidade. Uma surpresa agradável foi a observação de um ninho de águia-de-asa-redonda, ironicamente numa grande mimosa, de onde as duas crias ensaiavam os primeiros voos.

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Os trabalhos iniciaram-se nos socalcos da Costa

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Um lódão-bastardo

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Um medronheiro

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Um carvalho

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Concorrência de uma planta espontânea, aliás exótica e invasora, com um medronheiro

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Trabalho em curso

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Continuação do trabalho

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Quase concluído!

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Um ninho de águia-de-asa-redonda numa mimosa!

Foi-se depois avançando para jusante, para as antigas várzeas da Chousa, antes completamente invadidas por mimosas. Por isso ainda agora, e mesmo depois de já aqui se terem arrancado milhares de jovens plantas de mimosa, estas continuam com abundante presença. Contudo na primeira das várzeas, onde se realizou uma mobilização de solo para arranque dos tocos de mimosa, a terra era agora dominada pelas dedaleiras, uma planta pioneira em solos perturbados. Nesta várzea foi já plantada uma dúzia de espécies de plantas nativas, entre árvores e arbustos. Estavam em geral bastante crescidos, com os carvalhos a serem aqui os mais débeis.

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Numa das várzeas da Chousa

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Um freixo depois de cuidado

Atravessou-se o ribeiro para a parcela a sul do mesmo, onde uma antiga plantação de freixos exóticos ainda chama a atenção. O silvado é que se foi aproveitando da luz deixada pela saída das grandes mimosas que aqui se encontravam e por pouco já era um obstáculo à simples passagem.

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Como habitualmente, não foi só trabalhar!

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Uma bonita borboleta numa flor de batón-azul

Seguiu-se a encosta da Chousa, uma área inclinada e rochosa, onde se tinham plantado sobretudo medronheiros e sobreiros, e onde surgiu uma mancha de plantas pioneiras “não convidadas”: as giestas. Quanto aos medronheiros e aos sobreiros, encontravam-se com muito boa apresentação! Mas a manhã chegava ao fim e não era possível continuar para jusante, até à represa: para a tarde tínhamos planos de trabalho mais para montante.

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Um medronheiro na encosta da Chousa, em companhia de uma gramínea espontânea

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Voluntário cuidando de um sobreiro

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Voluntário arrancando uma mimosa

Depois de um agradável almoço ao som do crepitar das águas do ribeiro, dos cantos das aves (e um especialista a identificá-los!), e depois de uma boa sesta, os trabalhos continuaram, agora no corredor ribeirinho a jusante dos portões da Mata da Altri Florestal, primeiro logo a seguir ao Feridouro e depois dos portões para jusante. Aqui, não obstante a dureza das condições do terreno e a exposição sul, constatou-se que as árvores plantadas em 2016 tinham crescido surpreendentemente bem!

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Trabalhos a seguir ao Feridouro

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Perspectiva do corredor ribeirinho. A sul do ribeiro, o eucaliptal queimado no dia 28 de Abril

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Arranque de mimosas em zona difícil

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Vista geral dos trabalhos e do “corredor ecológico”

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Contrastes!

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Um carvalho de origem seminal

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O que ainda há dois anos era um morro inóspito e nu vai-se tornando mais vivo

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Um medronheiro plantado em 2016

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Agora já junto aos portões da mata, um lódão-bastardo já crescido, mas com muita “concorrência”

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Depois de cuidado!

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Voluntário visivelmente impressionado com o estado de desenvolvimento desta árvore!

E a tarde não iria acabar sem mais uma observação deliciosa: um ninho com crias (o segundo do dia!), muito provavelmente de águia-de-asa-redonda, mas curiosamente numa árvore (desta vez um carvalho!) que tinha sido bastante chamuscada pelo incêndio de 28 de Abril, quando por certo já havia pelo menos ovos em choco.

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Para terminar em beleza: observação de um ninho de águias, agora mais jovens do que as primeiras

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Outra observação animadora: as árvores queimadas em 28 de Abril já rebentam!

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A feliz equipa deste dia

Foi o final de um dia muito produtivo e animador (provavelmente mais de 90% das árvores plantadas encontravam-se vivas e bem de saúde!), quase a fazer esquecer a paisagem queimada que também nos acompanhou ao longo de todo o dia em 2º plano. Voltaremos a ela em força, noutra oportunidade!

Até breve!

Paulo Domingues

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Primeira jornada de Primavera

As jornadas de Primavera tiveram um “arranque” difícil. Depois de um cancelamento provocado pela chuva, tivemos um dia quente (sim, foi já a 8 de Abril!), a lembrar mais o Verão do que a Primavera ainda agora chegada, com um vento do quadrante leste que quase sempre traz temperaturas elevadas e baixa humidade.

O objectivo para este dia era dar continuidade à última jornada especial de Inverno, participada pelos pequenos escuteiros: colher mais estacas e depois colocá-las, sinalizando as árvores plantadas no Inverno. Como na jornada anterior, as estacas foram colhidas de rebentos de eucalipto junto à represa da Benfeita, onde também se encontra uma faixa com rebentação de carvalho a recuperar para fins de conservação. A manhã foi um pouco acidentada, mas pelo seu final o atrelado do pequeno tractor de transporte encontrava-se bem preenchido de estacas já cortadas com uma medida adequada, e afiadas.

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Preparação das estacas

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À esquerda, a faixa com rebentação de carvalho que está também em recuperação

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O trabalho decorreu com animação e o atrelado do tractor foi-se enchendo de estacas

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Uma urze branca em flor destacava-se contra a superfície escura das águas da represa

O almoço fez-se já junto à área do Vale de Barrocas, onde iríamos colocar as estacas, quando a temperatura já estava elevada, pelo que uma pequena sesta foi essencial para recuperar energias. O problema era encontrar uma boa sombra…

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O almoço, à débil sombra das copas dos eucaliptos…

À tarde iniciou-se o trabalho de transportar as estacas, primeiro encosta abaixo (mais fácil) e depois encosta acima (bem mais penoso), e colocá-las junto a cada árvore plantada. “Descobriu-se” que teria sido muito vantajoso preparar as estacas com alguns meses de antecedência para que pudessem secar e ficar mais leves. Mas agora era tarde de mais… O problema era que, mais do que pela temperatura elevada, a baixa humidade secava rapidamente a boca e parecia que nem a água nem as saborosas laranjas do Feridouro eram capazes de saciar duradouramente a sede. Uma hora de trabalho realizada e um novo período de repouso regenerador revelou-se essencial…

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Estacas colocadas, no terreno de Vale de Barrocas

Mas ainda havia muitas estacas e era necessário continuar. E continuou-se, até praticamente todas as estacas estarem colocadas, já o sol se escondia atrás do Cabeço do Meio e as forças pareciam esgotar-se mais depressa do que na aparentemente mais exigente plantação das próprias árvores.

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A equipa no final de jornada

Tinha sido uma jornada invulgar e inesperadamente exigente. Mas por outro lado foi animador visitar cada árvore plantada e, com pouquíssimas excepções, constatar o seu bom estado. Obrigado a todos os voluntários, e à Maria João também pelas fotos, que entretanto já estão, com mais variantes, no Facebook!

Paulo Domingues

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Última Jornada de Plantação

A última jornada regular deste Inverno, e também a última de plantação de árvores, foi uma notável congregação de 19 vontades (humanas, mais 4 caninas) muitas delas pela primeira vez, que deram uma contribuição determinante para que as mais de 250 árvores que ainda tínhamos para plantar neste dia o tivessem sido, para além de outros trabalhos realizados. Foi ainda uma jornada “intercontinental” com participantes de dois continentes e quatro países!

A equipa começou, como previsto, pelo Vale de Barrocas, abaixo do caminho principal. Já aí tínhamos estado, mas neste dia avançámos encosta abaixo em direcção ao ribeiro. Não foi um início fácil porque o terreno era pedregoso, o mato denso, e as ramadas de eucalipto abundantes. Para além disso, a encosta tornava-se extremamente declivosa à medida que nos aproximávamos do ribeiro. Para além da plantação de árvores, alguns voluntários dedicaram-se ao corte de rebentação de eucalipto.

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Voluntárias em acção

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Equipa “internacional”

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Em terreno muito inclinado!

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Lódão-bastardo já rebentado, acabado de plantar

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Vista do ribeiro, lá em baixo

Depois de dois dias de autêntico Verão antecipado, o dia estava fresco e os trabalhos avançaram com determinação. Mas o espaço disponível aqui já não era muito pelo que ainda antes do final da manhã o trabalho deu-se por terminado e a equipa dirigiu-se para montante, subindo da cota dos 170 metros até à dos 270, no ponto mais elevado desta área de intervenção. Após esta subida de 100 metros achou-se por bem almoçar, para recuperar energias…

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Reforço de energias com especialidades vegetarianas e bolo para terminar!

À tarde, e reabastecido o stock de árvores, a plantação continuou entre um braço muito secundário do vale e o principal. Aqui havia mais solo e menos pedras do que lá em baixo, pelo que o esforço adicional de transportar os materiais encosta acima era algo compensado pela maior facilidade em plantar as árvores. Também lá em cima uma equipa se dedicou à rebentação de eucalipto, esta bem mais difícil do que lá em baixo porque era a primeira vez que era cortada.

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Caminhada até à área seguinte numa cota mais elevada do vale

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Cá em cima os rebentos de eucalipto eram bastante grandes

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Trabalhos em curso, apreciados ao longe

Os trabalhos avançaram durante a tarde e foi já em pleno “coração” do Vale de Barrocas que as árvores se esgotaram, as energias também já não estavam longe disso, e o sol, já bem escondido atrás do Cabeço do Meio, fazia parecer ainda mais frio o ar que o vento trazia de nordeste, bem diferente do dos últimos dois dias, o temível vento de sudeste.

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Perspectiva do vale, terminados os trabalhos

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A equipa deste dia, já sem a presença de três voluntárias

E foi assim que se encerrou a época de plantação de árvores. Se poderá não impressionar pelo número de árvores plantadas (pouco mais de 2000), não deixa de ser expressivo o número de jornadas realizadas (9), o número de voluntários envolvidos (várias dezenas, num total de cerca de 120 participações) e sobretudo o esforço desenvolvido na realização de um trabalho que é um dos mais exigentes que pedimos aos voluntários, e cujo resultado leva muitos anos a tornar-se visível. Como bem ficou patente ao longo da época, trabalhámos quase invariavelmente em locais de acesso e movimentação difíceis, os locais de plantação tiveram que ser pesquisados em terreno por vezes pedregoso e densamente percorrido por raízes de eucalipto, com ramadas dos últimos cortes frequentemente depositadas e ainda com a presença do matagal, ainda que “amassado” pela queda dos eucaliptos e os movimentos de rechega. E, apesar das dificuldades, muitos dos voluntários voltaram uma e outra vez, num movimento que quase sempre excedeu as 10 pessoas por jornada e que permitiu a realização de outros trabalhos importantes como o corte das rebentações de eucalipto. Creio não ser excessivo afirmar que foi um esforço notável, que merece, neste momento, um reconhecimento especial.

Os trabalhos, é claro, vão continuar já no início da Primavera que se aproxima, e em breve serão anunciadas as Jornadas Voluntárias de Primavera de 2017!

Até já!

Paulo Domingues

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Jornada do Vale de São Francisco

Ainda a tempo, eis a reportagem da jornada voluntária de Sábado passado.

Foi uma jornada muito participada, e com um número significativo de “caloiros”. Não foi por isso, contudo  (porque entre nós os novos têm sempre um especial acolhimento) que neste dia optámos por uma jornada de plantação de árvores e arbustos num dos sítios mais difíceis que podíamos escolher: o Vale de São Francisco.

Esta propriedade de cerca de 3 ha é uma adição recente à área de intervenção do projecto e inclui uma extensão de cerca de 400 metros deste vale que desce do Cabeço Santo até desaguar no ribeiro junto ao Feridouro, passando, lá mais acima, pelo terreno que a Quercus aqui adquiriu em 2006.

É a nossa oportunidade para recuperar um vale com várias escarpas, às quais a água confere o seu especial encanto quando corre com abundância. No entanto, como quase cada recanto desta região, encontra-se num avançado estado de degradação devido ao excessivo aproveitamento para o cultivo de eucalipto e à ocupação por mimosas. Esse estado agravou-se bastante após o incêndio de 2005, quando densas manchas de eucaliptos de origem seminal se implantaram, chegando até agora como formações de eucaliptos quase impenetráveis, ainda que, nesses condições, não pudessem ter crescido muito.

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O Vale de S. Francisco encontra-se num estado limite de degradação

Após o corte inicial dos eucaliptos (para venda) procedeu-se à remoção das mimosas e dos eucaliptos que não tinham aproveitamento e que ocupavam o vale e as zonas mais inacessíveis. Muita dessa lenha e ramada foi retirada, mas muita não o foi por dificuldades várias, a principal das quais o acesso difícil. Seguiu-se a dolorosa mas necessária pulverização com herbicida para eliminar toda a rebentação (de mimosas e eucaliptos) que ocorreu depois dos cortes, e finalmente, quase dois anos após o corte inicial dos eucaliptos, o terreno ficou disponível para os trabalhos de plantação. O seu aspecto não é animador: quem neste dia olhasse com atenção o cenário, ao mesmo tempo grandioso e caótico, belo e horrível, que se mostrava diante de si, não podia deixar de se perguntar: como deixámos a terra neste estado? Como foi possível que, colectivamente, tivéssemos deixado estragar tanto, para beneficiar tão pouco?

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Vista de parte do terreno a partir de cima, com a área de socalcos em 2º plano

Mas voltemos ao trabalho, que agora é o que podemos fazer para reverter os erros passados: com elevados declives, lenha depositada, parte do terreno armado em socalcos há 10 anos e afloramentos rochosos extensos, não se esperava que o trabalho fosse fácil, e assim aconteceu: embora na zona dos socalcos, que trabalhámos de manhã, o solo não estivesse muito compactado, a abundância de pedra solta tornava às vezes quase impossível abrir uma cova com solo suficiente para plantar uma árvore. Dado os acessos serem poucos e difíceis, todos os materiais e equipamento tiveram de ser deslocados entre socalcos graças a uma escada. Mas, ainda assim, e graças ao número e aplicação dos voluntários, pelo meio dia já a maior parte das árvores tinha sido plantada e foi necessário ir buscar mais! Foram pinheiros, sobreiros, medronheiros, lentiscos e murtas as espécies plantadas. Também alguns carvalhos, poucos, que as condições não eram favoráveis.

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Como sempre, a formação foi atentamente seguida

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Para as deslocações entre socalcos teve que se usar uma escada

O almoço tomou-se em pleno coração do vale, aproveitando o único caminho que o atravessa dentro deste terreno, e usufruindo das suas águas cristalinas, até para beber!

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O almoço fez-se de especialidades vegetarianas a que já nos começamos a habituar…

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Provou-se a água do Vale de São Francisco, junto a uma captação ainda em uso na aldeia do Feridouro

À tarde trabalhou-se acima do caminho, já em zona não sujeita a mobilização de solo anterior, mas com afloramentos rochosos mais extensos. Cada local de plantação tinha de ser procurado com cuidado, em busca dos locais onde o solo se acumulou. Os trabalhos prolongaram-se por toda a tarde e parecia que o inevitável cansaço sempre se conseguia ultrapassar com uma tangerina ou um golo de água do Vale de São Francisco. Ou com a ajuda invisível do Santo, quem sabe? A verdade é que o segundo lote de árvores se plantou por completo, e a contabilidade final deve ter excedido bem as 300 árvores e arbustos plantados. Para as condições em que se realizou, e mesmo não podendo falar de uma perspectiva totalmente imparcial, temos de considerar que foi um facto notável!

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Uma esfarrapada mimosa é, apesar de tudo, o único elemento colorido nesta paisagem!

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À tarde, os trabalhos decorreram numa parte da encosta sem socalcos

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Equipa em acção. Os eucaliptos ainda em pé são plantas de origem seminal, que em breve serão cortados.

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Plantas, ferramentas e braços, a combinação perfeita

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O trabalho mais difícil, mas que teve braços disponíveis por todo o dia!

Obrigado aos voluntários presentes pela sua dádiva e superação!

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Uma das muitas árvores plantadas, um medronheiro

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A fantástica equipa deste dia!

No próximo dia 11 de Março teremos a última jornada de plantação de árvores desta época. Voltaremos ao Vale de Barrocas, para aquela que será também a última jornada regular deste Inverno! Não percam! Até lá.

Paulo Domingues

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A jornada TEDx

Finalmente a reportagem da jornada especial do Sábado passado, participada pelo grupo organizador dos TEDx Aveiro. Esta jornada foi marcada por alguma incerteza, pois as previsões apontavam para alguma chuva, mas a ousadia prevaleceu sobre o receio e o grupo decidiu manter a sua participação.

Como que para assustar os mais temerosos, pelas 9 horas, hora prevista para o grupo sair de Aveiro, chovia copiosamente, mas logo chegaram notícias animadoras provenientes dos lados de Vagos: a chuva deveria passar em breve! E assim foi: pelo meio da manhã, quando o grupo finalmente conseguiu chegar ao terreno, já o sol brincava com as nuvens.

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A chegada

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A caminhada até ao local de plantação

O local escolhido foi a encosta a nascente da linha principal do Vale de Barrocas, onde só ainda se tinha plantado uma pequena faixa. Claro, iniciou-se com a necessária “formação”, para que todos trabalhassem de forma esclarecida…

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A formação

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Ainda a formação

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A área a plantar

Como era um grupo grande, uma parte dedicou-se ao corte de rebentação de eucalipto, mais para oeste na parcela. O grupo que iniciou a plantação deparou-se com uma área bastante dura: solo superficial e pedregoso, declive elevado… Foi um acolhimento difícil, mas ninguém desanimou e a verdade é que, com a progressão, o solo se tornou mais fácil de trabalhar.

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A acção

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Azevinhos

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Muitas plantas diferentes para conhecer

O almoço contou com umas novas especialidades caseiras produzidas por uma colaboradora aveirense, e foram bastante apreciadas…

À tarde o cansaço foi-se apoderando de alguns voluntários menos habituados a estes exigentes trabalhos, mas outros deram provas da sua resistência e a actividade prolongou-se até quase às 17 horas, quando se estava já a cruzar o vale.

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O trabalho mais difícil

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O corte da rebentação de eucalipto

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O final

Eram voluntários de 1º experiência (no Cabeço Santo), mas apesar disso quase tudo decorreu muito bem. As fotos são do voluntário Ivo Tavares – Ivo Tavares Studio e uma colecção mais completa pode ser visitada na página do TEDx Aveiro no Facebook.

Um obrigado a todos!

Paulo Domingues

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A jornada de 11 de Fevereiro

A jornada de Sábado passado no Cabeço Santo foi mais uma intensa jornada de plantação de árvores participada por oito voluntários, dois deles estreantes.

O dia estava frio e sem previsão de chuva, o que convidava à acção, e assim aconteceu: a equipa continuou a plantação no Vale de Barrocas a uma cota mais elevada do que nas jornadas anteriores, continuando a subir o Cabeço do Meio. A plantação desenvolveu-se em torno de um grande barranco artificial, escavado na montanha para melhor captar a água de nascente, que daqui ainda segue para uma habitação da aldeia do Feridouro, mas que, pela sua abundância, transborda da caixa de onde sai o tubo, podendo ser utilizada.

O barranco ainda estava ocupado por rebentação de eucalipto e de facto, o primeiro trabalho da equipa ao chegar ao terreno foi cortar rebentos de eucalipto, o que proporcionou um bom aquecimento muscular! Passados menos de 30 minutos a plantação iniciava-se. Carvalhos, castanheiros, pilriteiros, azereiros e azevinhos eram as principais plantas disponíveis.

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Dois voluntários estreantes, mas já à vontade na sua missão

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Vista das encostas adjacentes ao vale de Barrocas

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Pequeno vale, afluente do principal, em torno do qual se desenrolaram os trabalhos

O declive e o solo perturbado na zona do barranco foram as principais dificuldades encontradas pela equipa, mas os trabalhos avançaram com animação durante a manhã. Um ou dois elementos foram também cortando rebentação de eucalipto, trabalho que também se prolongou por todo o dia.

Pelo meio dia, um prato quente vegetariano foi servido aos voluntários, que muito o apreciaram, endereçando louvores à cozinheira, também ela voluntária. E fizeram votos para que comida assim pudesse continuar no futuro! Sempre que possível, assim será, é a promessa da organização.

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Um prato vegetariano, e quente!

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Qualquer posição serviu para saborear o almoço!

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A água brotava da caixa de cimento de onde parte a conduta para a aldeia

À tarde os trabalhos desenvolveram-se para mais longe do barranco, para nascente, e o solo, embora com bastante matagal em alguns locais, tinha menos pedras e era mais fácil de trabalhar. Claro, “mais fácil” não significa nunca “fácil” pois a abertura de covas à picareta, num terreno nunca mobilizado, com tocos e raízes de eucalipto e raízes das plantas do matagal, nunca é exactamente “fácil”. Vamos sonhando com a retro-aranha, a máquina que conseguiria trabalhar aqui, e talvez um dia a possamos ter e aliviar os nossos braços, mas para já é com eles que temos de contar…

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Os trabalhos decorreram em torno deste barranco

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A vegetação espontânea de porte arbóreo já existente era escassa, mas podiam encontrar-se facilmente carvalhos e medronheiros

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Transporte eficiente de materiais

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Trabalhos desenrolando-se na encosta

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O corte da rebentação de eucalipto também ocupou alguns voluntários durante todo o dia

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Azevinho plantado

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A equipa, no final do dia

A frescura do dia ajudou a que as energias se mantivessem em alta e a equipa não desarmou até que as cerca de 300 árvores trazidas estivessem na terra. Já passava das 18 horas e já escurecia quando se fez o caminho de regresso. Tinha sido uma excelente jornada de plantação. Obrigado pela dedicação, mesmo devoção, de todos os voluntários a esta causa e à sua participação neste dia!

Mais fotos da jornada na página do Facebook.

Até breve!

Paulo Domingues

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Jornada especial de 28 de Janeiro

No Sábado passado tivemos uma jornada voluntária especial e fora do calendário: um grupo de pequenos voluntários escuteiros veio ao Cabeço Santo aprender, fazer e apreciar o trabalho que levamos a cabo para recuperar a paisagem e a biodiversidade. Eram apenas quatro voluntário e dois responsáveis, mas quem sabe, levam a semente consigo e ela traz de volta muitos frutos…

Depois de uma pequena explicação sobre as espécies que plantamos e da sua relevância para a floresta autóctone da região, a equipa deslocou-se até ao “corredor ribeirinho” a jusante dos portões da Mata do Cabeço Santo (Altri Florestal). Esta área recebeu no ano passado as suas primeiras plantações, sobretudo de árvores, mas entre estas ainda havia lugar apropriado à introdução de arbustos, e foi este trabalho de adensamento e “construção” do estrato arbustivo que a especial equipa deste dia realizou.

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O Chão do Linho e o ribeiro, avistados do local escolhido para plantar

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A equipa, pronta para iniciar o trabalho

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Um carvalho plantado no ano passado neste local

As espécies trazidas foram o medronheiro, o lódão-bastardo, o folhado, o lentisco e a murta, sendo que três destas espécies têm ocorrência espontânea conhecida neste espaço, ainda que se encontrem em estado bastante “esfarrapado”, dado o passado de exploração florestal de eucalipto desta área.

Os voluntários dedicaram-se afincadamente durante a manhã, tendo-se naturalmente deixado para os mais pequenos os trabalhos que não exigiam tanto esforço físico, que para isso ainda precisam de alguns anos…

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Plantando uma murta

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Medronheiro já plantado, com um toque de arte

Algumas plantas foram recebendo nomes invulgares, assumidamente na expectativa de que quem as plantou, ou ajudou a plantar, as possa acompanhar e visitar ao longo dos anos e até talvez, passar a tradição para filhos e netos, de tal maneira que daqui por 100 anos ainda alguém se lembre dos nomes dados a estas plantas, e por quem!

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O esforço exigido não tirou a boa disposição

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Em busca de um bom local de plantação

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O trabalho mais pesado ficou para os mais crescidos…

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E assim se passou a manhã!

Depois de uma manhã de trabalho, a equipa entregou-se ao merecido almoço e à tarde teve um programa mais educativo, usufruindo de uma pequena visita guiada a diferentes áreas de intervenção com características e necessidades particulares. E pelo meio da tarde terminou a sua participação, porque tinha de regressar casa.

Oxalá tenham gostado da participação! E que os arbustos que plantaram ainda um dia lhes possam fazer sombra, e que os participantes de hoje possam usufruir dessa sombra!

Obrigado a miúdos e graúdos!

Paulo Domingues

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