Jornada da Semana Europeia da Custódia do Território

Decorreu de forma animada a 1ª Jornada de Outono no Cabeço Santo, integrada na Semana Europeia da Custódia do Território. Todas as actividades previstas foram realizadas e nem a chuva, que ainda ameaçou por duas vezes, conseguiu perturbar esta singular jornada. Mais, realizaram-se actividades que não estavam previstas.

Tudo começou com a apanha das bolotas. Ao contrário do anterior, este foi um ano “boloteiro”, mas não demasiado. Em todo o caso, as bolotas de carvalho-roble ainda agora começaram a cair. A recolha realizou-se no carvalhal do Valinho Turdo, junto a Belazaima, que até já parece um bosque “antigo” embora tenha só 25 anos nas suas partes mais antigas. Deste modo, ainda não é realmente uma formação climácea e um indicador disso é que ainda é ocasionalmente necessário controlar mecanicamente o silvado, para que ele não absorva só para si o espaço do sub-bosque. Ou para que se consiga fazer uma boa colheita de bolotas sem picar demasiado os dedos!

Apanha de bolotas

Apanha de bolotas

A apanha decorreu a bom ritmo, mas logo ali outros frutos chamavam a atenção: eram castanhas, mas o tempo húmido que tem estado não facilitava a sua saída dos ouriços. À custa de mais alguns dedos picados, foi recolhido um bom caixote de castanhas!

Um curioso anfíbio foi convencido a trepar para a camisola de um voluntário, para melhor se dar a conhecer. Mas ninguém se atreveu a chamá-lo pelo nome. Alguém pode ajudar?

Simpático anfíbio sem BI

Simpático anfíbio sem BI

Já na mancha mais a jusante completou-se a recolha. E admiraram-se as árvores que por aqui se distribuem, numa formação não completamente nativa: tília-de-folha-pequena, tília-de-folha-grande, bordo, faia, azevinho, e claro, o castanheiro e o carvalho. Foi aqui que se tirou esta foto-de-família:

Foto "de família"

Foto “de família”

Dada por concluída a apanha, ainda houve tempo de manhã para uma acção de limpeza das caixas-ninho aqui existentes, e que neste momento são apenas duas. Estes ninhos, embora não possam apresentar credenciais de produto local, são em compensação de muito boa qualidade, pois duram (pelo menos) 3 ou 4 vezes mais do que um ninho em madeira, e as aves parecem gostar. São ninhos em cimento de madeira Schwegler (http://www.schwegler-natur.de/), distribuídos na Iberia pela Oryx (http://www.weboryx.com/). Aliás, por vezes o problema é que não são apenas as aves a gostar: gostam as vespas, gostam as formigas, gostam… Vejam esta foto: alguém nos pode esclarecer quanto ao insecto autor desta obra de arte? O material era uma casquinha muito fina e oca, e ao ser removido logo se fez em pedacinhos. A superfície quase esférica estava presa ao tecto do ninho e tinha um orifício no seu ponto mais baixo.

Ocupante desconhecido dexou obra-de-arte

Ocupante desconhecido deixou obra-de-arte

Os dois ninhos foram limpos e ambos tinham provas de terem sido ocupados este ano. Um deles tinha uma “cama” extraordinariamente aveludada!

Limpando um ninho

Limpando um ninho

Apreciando um ninho (interior)

Apreciando um ninho (interior)

Depois a equipa dirigiu-se para o parque urbano de Belazaima, onde pôde usufruir de confortáveis mesas com bancos, o que não costuma acontecer no Cabeço Santo!

À tarde a equipa deslocou-se até ao Cabeço Santo, para começar um bosque a partir do zero, ou quase! Dado que havia participantes dos 2 aos 50, escolheu-se para começar um local de fácil acesso e de fácil intervenção. Acção: semear bolotas e castanhas, numa área que até agora tinha apenas silvado, mimosas e eucaliptos. Bem, também alguns carvalhos espontâneos pequenos, para proporcionar inspiração. Todas as sementes foram bem camufladas no solo para não atraírem a atenção dos predadores. Xiiiiu! Não divulgem por ratos, gaios e javalis!

Semeando com concentração

Semeando com concentração

Investindo no futuro!

Investindo no futuro!

Semeada a parcela, foi tempo de voltar aos ninhos. Mas agora para colocar novos ninhos, de facto, os primeiros a serem instalados no Cabeço Santo. Foram seleccionadas duas áreas com árvores grandes, que não são muitas no Cabeço Santo, e por isso a escolha não foi difícil. São carvalhos que passaram com sucesso a provação de 2005, e que agora já sararam a maior parte das marcas que 2005 lhes deixou. E aí estão eles, de “braços” abertos, prontos para acolher, proteger, alimentar.

Instalando um novo ninho

Instalando um novo ninho

Novo ninho instalado

Novo ninho instalado

Para além das árvores, a primeira área visitada tinha outros motivos de interesse: cogumelos. Com um especialista entre os voluntários, todos ficaram a saber o que podia e não podia ser comido. Os mais populares foram os Boletos, que podiam ser comidos. Mas este aqui, embora com traços mais vistosos, não podia. Cuidado com as aparências!

Cogumelo não comestível

Cogumelo não comestível

A segunda área para colocação de ninhos ficava a montante da primeira e ainda junto ao Ribeiro. Era de mais difícil acesso, mas o esforço compensou.

O que admiram eles?

O que admiram eles?

Um ninho com entrada de segurança!

Um ninho com entrada de segurança!

Entretanto os voluntários mais jovens tiveram de se ausentar, mas os resistentes ainda realizaram um trabalho de sementeira directa de bolotas numa área em início de recuperação, com muitos rebentos de eucalipto a dominarem ainda a paisagem.

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Antigos muros em pedra, nas margens do ribeiro

Antigos muros em pedra, nas margens do ribeiro

Uma paisagem a necessitar de cuidados

Uma paisagem a necessitar de cuidados

De facto, é com esta acção que praticamente se inicia o trabalho de recuperação de uma área de cerca de 4 hectares, entre o Feridouro e a mata da Altri Florestal, e entre o ribeiro e o caminho de acesso à mata. Um trabalho para os próximos anos, e (mais) uma oportunidade para os cidadãos se envolverem na recuperação dos valores comuns do seu território, que é afinal o tema desta jornada.

Paulo Domingues (com fotos dele e do Abel Barreto)

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3 Respostas so far »

  1. 1

    A salamandra não é a lusitanica?


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